17/05/2006

Empregos e habilidades em um mundo global e competitivo

Há um debate global em andamento sobre se o estudo de ciências e engenharia continuará a promover boas carreiras e bem remuneradas, ou se esses empregos serão terceirizados para custos de mão de obra mais baixos, reduzindo salários, a fim de permanecerem competitivos.

Em um mundo cada vez mais global, onde o conhecimento avançado é disseminado e a mão de obra de baixo custo está disponível, haverá empregos técnicos suficientes para graduados em ciências e engenharia? Devemos incentivar nossos filhos a seguir carreiras em ciências e engenharia, ou direcioná-los para outras carreiras nas quais possam desfrutar de salários mais altos e um padrão de vida mais elevado? Qual é o papel das universidades no desenvolvimento de novos programas educacionais para melhor preparar seus graduados para os bons empregos técnicos do futuro?

Parece um paradoxo que, ao mesmo tempo em que falamos em transição para uma economia baseada no conhecimento, onde o talento técnico será de fundamental importância para a competitividade de empresas e nações, e que tenhamos dúvidas sobre o futuro dos empregos de base técnica. Grande parte dessas dúvidas se deve à percepção de migração de empregos técnicos.

No passado, as grandes economias reinventaram sua estratégia diversas vezes e criaram novos empregos para substituir aqueles que não eram mais viáveis, mas há temores de que, desta vez, não serão capazes de continuar como líderes em inovação, dado o ambiente global altamente competitivo em que vivemos.
A questão sobre se os empregos técnicos ainda são boas opções de carreira, foi abordado na conferência Association of Computing Machinery (ACM). Embora se concentre especificamente em TI e software, o relatório se aplica a empregos técnicos em geral.

Alguém pode se perguntar se TI ainda é uma boa opção de carreira para estudantes e trabalhadores. Apesar de toda a publicidade sobre a perda de empregos para outros mercados, o tamanho do mercado de trabalho em TI ainda é vasto e cheio de oportunidades. A tecnologia da informação parece ser uma boa área pelo menos na próxima década, e o governo projeta que diversas ocupações em TI estarão entre as que mais crescem durante esse período. 
Porém há alguns conselhos sólidos sobre como estudantes e trabalhadores devem se preparar melhor para carreiras em um mercado global em rápida mudança: 

1. Eles devem receber uma boa formação que lhes sirva de base sólida para a compreensão do campo da TI, que muda rapidamente. 

2. Devem ter a expectativa de participar de um aprendizado contínuo. Devem aprimorar suas "habilidades interpessoais" (soft skills) envolvendo comunicação, gestão e trabalho em equipe. 

3. Devem se familiarizar com um domínio de aplicação, especialmente em uma área em crescimento como a saúde, e não apenas aprender habilidades técnicas básicas de computação. 

4. Devem aprender sobre as tecnologias e questões de gestão que fundamentam a globalização do software, como plataformas tecnológicas, métodos de reutilização de software e ferramentas e métodos para trabalho distribuído. 

As exigências do mercado para talentos técnicos estão mudando rapidamente, à medida que a tecnologia permeia todos os aspectos dos negócios, da sociedade e de nossas vidas pessoais, e a Internet nos permite construir negócios, indústrias e economias globalmente integrados. Como resultado, empregos com altos salários estão crescendo em áreas "voltadas para o mercado", ou seja, o design de sistemas avançados e aplicações sofisticadas em muitos setores, como governo, saúde, educação e entretenimento. Esses novos empregos são muito mais colaborativos, interdisciplinares e abrangentes do que no passado. Eles exigem sólida competência técnica, combinada com conhecimento da indústria, negócios e gestão, bem como boa comunicação e habilidades interpessoais.

Também estou convencido de que uma educação técnica interdisciplinar não apenas preparará melhor os graduados para as posições voltadas para o mercado, onde se encontra a grande maioria dos empregos técnicos, mas também ajudará a atrair muitos jovens para carreiras técnicas que hoje as rejeitam por considerá-las muito limitadas, abstratas e socialmente isoladas.

As universidades precisam evoluir seus currículos para preparar estudantes de engenharia e ciências com as habilidades mais amplas necessárias para essa nova classe de empregos voltados para o mercado. Vários esforços estão em andamento para criar um novo tipo de educação multidisciplinar. 

Em algumas empresas, há um foco no trabalhado com diversas universidades para criar uma agenda de pesquisa e educação em Ciências de Serviços, Gestão e Engenharia . 
As Academias e Instituições voltadas à tecnologia, precisam realizar Workshops sobre Educação para Inovação em Serviços e isso deve incluir universidades e empresas. Várias universidades criaram novas organizações e programas interdisciplinares, como programa de Gestão de Tecnologia da Informação. 

Novos sistemas de engenharia e programas interdisciplinares, precisam ajudar a moldar a nova disciplina, compartilhar material educacional e empreender projetos conjuntos. Como acontece com qualquer nova disciplina em seus estágios de formação, as dúvidas são muitas. 

- Qual seria e novo campo interdisciplinar que combina tecnologia, gestão e ciências sociais? 

Diversos nomes são usados hoje: Sistemas de Engenharia, Sistemas Complexos, Gestão e Engenharia de Ciências de Serviços, Engenharia da Produção e assim por diante. Essas habilidades interdisciplinares e voltadas para o mercado podem ser ensinadas em universidades ou são o tipo de habilidades que só se aprende no trabalho? Acredito que, ao longo dos anos, perguntas semelhantes tenham sido feitas a outras disciplinas em seus primórdios. Há mais de cem anos, provavelmente nos perguntávamos se uma universidade poderia ensinar a construção de pontes e o projeto de carros, ou se essas habilidades só poderiam ser aprendidas por meio de aprendizagem com um mestre. Nas décadas de 1960 e 1970, muitos consideravam a programação uma arte e o software algo muito improvisado para ser ensinado. Alguns eram céticos quanto à relação entre ciência da computação e engenharia de software e a ciência e engenharia "reais". A manufatura não era levada a sério como objeto de estudo até que os japoneses nos ensinaram o quanto ela pode ser melhor quando tratada como disciplina. 

Novos campos de estudo, especialmente os campos de sistemas interdisciplinares dos quais estamos falando, são percebidos como muito "flexíveis". Acredito que a aceitação é uma questão de tempo. Com mais pesquisa, compreensão, trabalho e criatividade, desenvolveremos todos os tipos de ferramentas, processos, metodologias e técnicas analíticas que contribuirão significativamente para a criação de uma disciplina mais "difícil" e estruturada de sistemas de engenharia (ou como quer que a chamemos).

Há muitos novos problemas, empolgantes e altamente complexos para serem resolvidos, para se abordar e resolver nos negócios, na sociedade e na ciência. A tecnologia está aí para nos permitir lidar com esses problemas de novas maneiras, mas, para isso, precisaremos de novas abordagens e habilidades. É assim que as economias se reinventarão e criarão todos os tipos de novos empregos técnicos bem remunerados. No fim das contas, tudo se resume à inovação.

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Introdução Lançado em 2005 por W. Chan Kim e Renée Mauborgne, A Estratégia do Oceano Azul revolucionou o pensamento estratégico...