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30/07/2023

O valor do Open Source

A oferta de software de código aberto ou Open Source Software (OSS), — e as razões para ingressar e contribuir com as comunidades Open Source — tem sido extensivamente estudado. A Linux Foundation (LF), por exemplo, tem mais de 1.500 empresas membros e quase 1.000 projetos Open Source, com mais de 15.000 outras organizações contribuintes. A LF estima que mais de 50 milhões de linhas de código são adicionadas semanalmente aos seus projetos, que compreendem uma porcentagem significativa das infraestruturas de missão crítica do mundo, e ainda há um número significativamente maior se incluirmos as contribuições de outras comunidades Open Source como a Apache Software Foundation.

No entanto, sabemos muito pouco sobre a demanda do OSS. Apesar da ampla adoção por empresas e indústrias em todo o mundo, realmente não entendemos, nem somos capazes de quantificar seu valor econômico para as organizações que dependem do Open Source. Quais benefícios essas organizações obtêm? Quais custos estão envolvidos ao se usar ou contribuir com o OSS? E, se não for possível usar o OSS em um projeto, quais seriam as melhores alternativas e quanto custariam?

Para obter respostas para essas e outras questões sobre OSS, a LF patrocinou um estudo conduzido pelo professor da UC Berkeley, Henry Chesbrough, — autor do livro Open Innovation Results, publicado em 2020. As principais descobertas e conclusões do estudo são discutidos no White Paper, “Measuring the Economic Value of Open Source”.

“Parte da pesquisa sobre OSS aproveita o fato de que os repositórios de OSS estão disponíveis ao público, incluindo estudos acadêmicos”, escreveu Chesbrough no White Paper. “No entanto, para medir o valor econômico do OSS, é necessário observar o crescente número de projetos e também como o indivíduo ou organização que empregou o OSS usou o software. Essas ações não são observáveis ao público. Em vez disso, deve-se construir maneiras de sondar esses atores para descobrir as maneiras pelas quais eles usam o OSS.”

O White Paper cita um relatório de 2021 da Comissão Europeia sobre o impacto do Open Source na economia da UE, baseado em uma análise de custo-benefício do impacto econômico dos investimentos em Open Source e em uma pesquisa com mais de 900 partes interessadas. A maioria dos entrevistados (75%) veio de pequenas e médias empresas, enquanto as grandes empresas, que são os principais usuários e contribuintes do OSS, foram sub-representadas nos resultados da pesquisa. “No geral, os benefícios do Open Source superam em muito os custos associados a ele”, disse o relatório da UE. As contribuições do OSS para o PIB da UE “produzem uma relação custo-benefício ligeiramente superior a 1:10. Depois de levar em consideração o hardware e outros custos de capital dos 260.000 contribuintes da UE para OSS, a relação custo-benefício ainda está ligeiramente acima de 1:4.”

Para entender os motivos e o valor econômico estimado que levaram as empresas a adotar o OSS, Chesbrough e seus colaboradores elaboraram e conduziram uma pesquisa. Todas as perguntas e respostas da pesquisa podem ser encontradas no Apêndice do White Paper. “Nossa amostra se inclina para empresas da Fortune 500”, observou Chesbrough. 43% dos entrevistados tiveram receitas superiores a US$ 1 bilhão em 2021, dos quais 29% tiveram receitas superiores a US$ 10 bilhões; e 57% vieram de organizações com receita inferior a US$ 1 bilhão. Várias das organizações trabalham com OSS há mais de 20 anos, mas cerca de metade só começou em 2015.

A maioria dos entrevistados, 29%, eram CEOs, 18% eram membros de P&D, 18% trabalhavam em negócios e marketing, 9% eram CIOs/CDOs, 6% estavam no grupo de TI e software e o restante veio de uma série de grupos menores. Vou resumir as principais descobertas do estudo.

O primeiro conjunto de perguntas teve como objetivo avaliar o valor econômico geral do OSS, perguntando sobre os custos e benefícios gerais do OSS para a organização.

Com base em sua experiência, avalie o grau de benefícios derivados do uso ou da contribuição de OSS para sua organização.

O benefício com a classificação mais alta foi a economia de custos, que 67% dos entrevistados classificaram como alta ou muito alta e apenas 10% classificaram como baixa ou nenhuma. Foi seguido por velocidades de desenvolvimento mais rápidas, classificadas como altas ou muito altas em 66% e baixas ou nenhuma em 9%; e padrões abertos e interoperabilidade, classificados como alto ou muito alto em 63% e baixo ou nenhum em 13%. Outros benefícios bem avaliados foram comunidade ativa para troca de conhecimento — 59%; independência de fornecedores proprietários, — 54%; e atraente ambiente de trabalho de TI, – 49%.

Com base em sua experiência, avalie os principais custos associados ao uso ou à contribuição de OSS para sua organização. A principal fonte de custos altos ou muito altos associados ao OSS foram as falhas de segurança, mencionadas por 25% dos entrevistados. Seguiram-se os custos de suporte ocultos, com um aumento de 23%; custos relacionados com incertezas jurídicas com licenciamento — 17%; e custos de mudança de proprietário para OSS — 17%.

Qual é a sua avaliação da relação custo-benefício geral de usar ou contribuir com OSS?

Cerca de 2/3 dos entrevistados afirmaram que os benefícios excediam os custos, dos quais 23% afirmaram que os benefícios excediam largamente os custos; 21% responderam que os custos superam os benefícios, dos quais apenas 3% disseram que os custos superam em muito os benefícios; e 11% disseram que os custos e benefícios eram quase iguais.

Qual é a tendência geral da relação custo-benefício de usar ou contribuir com o OSS em sua organização nos últimos 5 anos?

Quase 50% dos entrevistados disseram que os benefícios estão crescendo mais rápido que os custos, dos quais 7% disseram que estão crescendo muito mais rápido; 17% disseram que os custos estavam subindo mais rápido que os benefícios, dos quais apenas cerca de 1,5% disseram que os custos estavam subindo muito mais rápido; e 35% disseram que os benefícios e custos permaneceram estáveis nos últimos 5 anos.

O próximo conjunto de perguntas pediu aos entrevistados que considerassem um grande projeto concluído recentemente que incluía OSS. “Esta pergunta exigiu muito conhecimento de nossos entrevistados e, como resultado, recebemos muito menos respostas a esta e às perguntas subsequentes”, observou Chesbrough.

Aproximadamente quantas linhas de código de software foram incluídas nesta nova oferta?

O tamanho do projeto, refletido pelo número de linhas de código variou muito. 18% disseram que o projeto incluía mais de 160.000 linhas de código (LOC); 8% disseram 80.000 a 160.000 LOC; 13% disseram 20.000 a 80.000 LOC; 30% —5.000 a 20.000 LOC; 16% — 1.000 a 5.000 LOC; e 15% disseram menos de 1.000 linhas de código.

Qual porcentagem dessas linhas de código foram criadas a partir do OSS?

22% responderam que o OSS representava mais de 80% do código; 10% responderam que era de 60% a 80% do código; 18% — 40% a 60%; 26% — 20% a 40%; e 24% responderam que o OSS representava menos de 20% do código.

Para essas linhas de código OSS: quanto custaria para você escrever as linhas de código necessárias para obter essa funcionalidade com seu próprio software, em vez de software OSS, incluindo suporte contínuo e manutenção do código?

67% estimaram que o software teria custado significativamente mais sem OSS, dos quais 46% acreditavam que teria custado o dobro; 21% acreditam que o software teria custado menos sem o OSS.

Se você não conseguiu usar o OSS neste projeto: Qual foi sua próxima melhor alternativa para atingir um nível semelhante de funcionalidade em sua versão?

50% dos entrevistados teriam usado uma solução proprietária comercial em vez de OSS; e 36% disseram que teriam feito o projeto internamente. Além disso, 75% estimaram que teria sido mais caro comprar o software de um fornecedor comercial, dos quais 31% acharam que teria sido quatro vezes mais caro do que o OSS; e 13% acreditavam que o produto comercial teria sido mais barato.

“Considerando as várias perguntas e suas respostas, fica claro que os entrevistados percebem que o OSS tem um valor econômico considerável”, escreveu Chesbrough em conclusão. “Os benefícios percebidos excedem os custos pela grande maioria dos entrevistados — 60% a 75%, dependendo da questão específica analisada. E a proporção de benefícios em relação aos custos parece estar aumentando para quase metade dos entrevistados, enquanto apenas 16% acham que a proporção está diminuindo. Isso sugere fortemente que o valor do OSS aumentará ainda mais no futuro para a maioria das organizações participantes.”

Chesbrough explicou ainda que a pesquisa subestima o valor do OSS para as organizações participantes porque os resultados não levam em consideração os benefícios sociais mais amplos do OSS. “A sociedade se beneficia da capacidade de outras empresas acessarem os mesmos repositórios OSS, algo que uma empresa individual pode não valorizar e que nossa pesquisa não mediu. E a disponibilidade desses repositórios abertos pode até permitir a entrada de novas empresas que, de outra forma, não teriam outro benefício social não capturado nesta pesquisa. Portanto, do ponto de vista social, o valor da adoção do OSS é ainda maior do que os resultados relatados aqui.”

“Um pensamento final para as organizações que ainda não adotaram o OSS é lembrar um dos insights dos primeiros dias do OSS: vale a pena ser mais aberto”, acrescentou. “Software é uma tecnologia cuja importância está aumentando constantemente ao longo do tempo. … Adotar o OSS pode permitir que você abrace um futuro mais vibrante, surpreendente e empolgante.”

10/02/2023

Marketplaces – o futuro das telecomunicações

A saúde da indústria de telecomunicações é vital para o crescimento global, inovação e prosperidade. A maioria das indústrias, se não todas, usam e transmitem dados, voz, vídeo e mensagens todos os dias por conta de suas operações. Para isso, os provedores de serviços de comunicação (CSPs) têm a tarefa de fornecer soluções seguras, confiáveis e rápidas.

À medida que os setores crescem, a demanda por soluções também aumenta. Assim, o setor de telecomunicações encontra-se em constante evolução para responder à demanda de soluções cada mais avançadas. No entanto, junto com o aumento da demanda, também vêm os desafios. As operadoras estão sob imensa pressão devido ao aumento da concorrência e dos custos operacionais.

Há uma grande necessidade de inovar e obter agilidade operacional para atender às expectativas dos clientes. Isso ficou mais acentuado após a pandemia do COVID-19, pois as organizações estão cada vez mais confiando e apostando em modelos de negócios digitais.

O 5G oferece uma esperança para os CSPs e as projeções indicam que a tecnologia permitirá uma produção econômica global de US$ 13,2 trilhões até 2035. No entanto, a capacidade de gerar valor é o que mais beneficiará as operadoras. Até 2025, espera-se que o Everything as a Service (XaaS) cresça e atinja um valor de US$ 400 bilhões, muitos dos quais irão para operadoras de serviços de redes.

Antes de aproveitar as oportunidades, as empresas de telecomunicações precisam adotar uma abordagem mais colaborativa e redesenhar seus modelos operacionais. Isso significa evoluir de produtos tradicionais e sistemas legados para aqueles que oferecem suporte e entrega de recursos como serviço. Nesse processo de transformação, a mudança para um modelo operacional baseado em software é crucial.
A importância da abordagem de software

À medida que as tecnologias digitais evoluem, também evoluem as demandas dos clientes. Como resultado, o setor de telecomunicações se transformou nos últimos anos. Embora o 5G venha para agregar valor em muitos setores, as operadoras não têm garantia de participação. Nativos digitais como Google, Facebook, Alibaba, Tencent e Amazon apresentam o maior desafio. Isso porque eles já adotaram a moderna engenharia de software em seus modelos e continuam a melhorar suas tecnologias.

O papel que as operadoras de telecomunicações desempenharam para facilitar o crescimento dos modelos de negócios e serviços digitais é inquestionável. No entanto, apesar de desempenharem um papel de destaque, ainda não se beneficiaram desse crescimento. Um relatório publicado pelo Fórum Econômico Mundial em parceria com a Accenture fornece uma imagem clara. Entre 2010 e 2018, a proporção dos lucros da indústria das operadoras caiu de 58% para 45%.

Devido a resposta lenta às mudanças nas condições do mercado, espera-se que essa tendência continue nos próximos anos. Considerando que os custos operacionais também estão aumentando, uma participação nos lucros cada vez menor e concorrência crescente só aumentarão a pressão. É por isso que as operadoras devem fazer a transição para arquiteturas modulares, baseadas em software.
Novos requisitos para os CSPs

Oferecer maior valor aos clientes sempre tem um alto custo, pois é necessário investir em infraestrutura. Embora esses movimentos beneficiem muito os consumidores, as operadoras não desfrutam de ganhos proporcionais. Por exemplo, os consumidores se beneficiaram das velocidades de dados mais rápidas, melhor cobertura e menor latência. Isso também aconteceu com o surgimento do mercado de serviços em nuvem e que os provedores conseguiram apenas lucros comerciais marginais.

Comparado ao 4G, o 5G oferece maior potencial, mas riscos semelhantes. A falha em se ajustar de forma antecipada, fará com que as operadoras percam. Alguns dos novos fluxos de receita incluem cidades inteligentes, saúde, manufatura e automotivo. Para atender às necessidades desses setores, as operadoras precisarão operar, entregar, diversificar e aprimorar seus serviços em muitas vezes.

Conseguir isso requer grandes mudanças em infraestrutura e repensar as opções por completo. Os sistemas legados OSS/BSS foram projetados para funcionar em uma escala definida e para um conjunto de produtos específico. Eles terão que ser substituídos por Arquitetura Digital Aberta, compatível a multiplataforma, sem restrições de dimensionamento e com integração/implantação contínua (CI/CD).
O mercados de software

A um custo aproximado de US$ 1 bilhão, de acordo com o TM Forum, o processo de seleção e aquisição de software no setor de telecomunicações é caro. No entanto, isso mudará à medida que a Arquitetura Digital Aberta (ODA) tornar as coisas mais fácil para os CSPs descobrir, adquirir e implementar softwares, microsserviços e Open-APIs. Ao facilitar a transformação digital, esses mercados permitirão que os provedores testem novos elementos de software para desenvolver soluções que lhes atendam. Também será mais fácil e rápido integrar parceiros e suas ofertas. Como resultado, haverá menos barreiras à entrada e o ecossistema incentivará a inovação e o desenvolvimento de soluções de software.

À medida que os mercados se tornam mais integrados, eles se tornam mais populares, transformando a forma como os CSPs e seus parceiros vendem seus produtos (B2B). Os provedores que desejam oferecer recursos como serviços, terão uma boa plataforma para atingir seu mercado. Eles também podem expandir seu alcance para milhões de usuários corporativos (B2C), disponibilizando recursos de software baseados em nuvem para outros.

O mercado de software permitirá que os provedores dominem novos mercados, com a agilidade, velocidade e capacidade de inovação, podendo corresponder às expectativas dos B2C e B2B. Eles também eliminam a necessidade de investir muito durante os estágios iniciais do ciclo de vida de um produto.

Em resumo, o objetivo do mercado de software para os CSPs inclui:Acelerar a transformação de TI e negócios dos CSPs;
Reduzir o risco e o custo da transição para a arquitetura aberta;
Apoiar a conformidade com os padrões ODA e Open API;
Fornecer plataforma para produtos e servicos, reduzindo seus custos.

É necessário que novas plataformas e serviços se integrem a OSS, BSS e infraestrutura de rede existentes sem personalização em nível de código para que os mercados de software sejam bem-sucedidos.
Como o mercado de software podem funcionar

Os softwares atuarão como plataformas onde os provedores de serviços e outras organizações que oferecem serviços baseados em arquitetura digital, podem anunciar r prover seus produtos e serviços. Os provedores também podem usá-los para modelar e estruturar componentes de negócios de forma mais adequadas.

Existem cinco elementos principais nos componentes da Arquitetura Digital e eles incluem:Notificação e relatórios;
Funções core do negócio;
Funções dependentes do negócio;
Gestão e operadores;
Requisitos e segurança.

Existem dois modos que podem ser usados para operar mercados de software:

1) Como um mercado comercial aberto que ofereça suporte à distribuição de componentes comerciais e de código aberto para provedores de serviços em todo o mundo.

2) Como mercados fechados onde um grupo de provedores e parceiros podem distribuir componentes de software comuns.


Esses mercados poderão apoiar a colaboração e a competição saudável entre os participantes e terão as seguintes categorias de componentes:Aplicações para TI e telecomunicações;
Aplicativos diversos;
Ferramentas para a cadeia do ecossistema.
1. Aplicações para TI e Telco

Microsserviços e tecnologias como RPA e IA desempenharão um papel fundamental nas aplicações de conhecimento. Eles darão suporte à customização e diferenciação necessárias para determinar a propriedade dos aplicativos e identificar os novos serviços dos provedores.

Com o lançamento do 5G, os mercados de software estarão acessíveis a desenvolvedores, incluindo startups que podem criar aplicativos de nicho.
2. Aplicativos diversos

Há muito valor nos aplicativos para CSPs. Os provedores de serviços têm a oportunidade de criar aplicativos de forma independente ou com parceiros. Os componentes que substituirão o BSS/OSS serão desenvolvidos por fornecedores de nível 1 e 2.
3. Ferramentas do Ecossistema

Ambientes de produção e transação, como teste/interoperabilidade e ferramentas Canvas, que são construídas com ferramentas relacionadas a padrões predefinidos, estarão neste ecossistema. Ele também terá muitas opções de código aberto.
Implicações aos fornecedores

Existem muitos desafios no mercado de software de telecomunicações. Isso é ainda agravado por muitas barreiras de entrada que reduzem a capacidade de inovar. Quando surgem inovações, elas são adotadas primeiro em outros mercados, pois o risco é alto.

O mercado está insalubre para todos os provedores de serviços e há pouco espaço para aproveitar as oportunidades emergentes. A Arquitetura Digital Aberta (ODA) ajuda a oferecer uma nova perspectiva, pois reduz o risco de integração e custos do fornecedor. Isso lhes permite inovar e testar novos modelos de negócios.

Outros Mercados também surgirão, fornecendo aos CSPs fluxos adicionais de receita. Embora haja um risco significativo, ele será compensado pelo aumento das oportunidades. No entanto, tudo isso depende da capacidade do setor de telecomunicações de fazer a transição para a ODA rapidamente.
O Open Digital Framework e softwares de telecomunicações

Os sistemas monolíticos altamente personalizados levam muito tempo para serem adquiridos, são caros para implementar e não podem ser reutilizados. A moderna arquitetura baseada em software que os substituirá facilita a descoberta e aquisição, mesmo de vários fornecedores.

À medida que os custos e os riscos diminuírem, os provedores de serviços de comunicação terão mais recursos para investir em tecnologia e software. Isso levará a uma maior diferenciação entre os negócios dos CPSs e abrirá novos canais para alcançar o mercado global.

03/02/2023

Carteiras digitais de código aberto e o futuro da Internet


Em setembro, a Linux Foundation (LF) anunciou sua intenção de formar a Open Wallet Foundation (OWF), no evento Open Source Summit Europe, em Dublin. O OWF quer desenvolver um software de código aberto e utilizar as principais boas práticas, para que qualquer pessoa possa criar carteiras digitais multiplataforma, altamente seguras e que protegem a privacidade das pessoas. Além disso, o OWF defenderá a adoção de carteiras de código aberto que possam ser usadas para oferecer suporte a aplicativos de pagamentos a identidades digitais.




O LF foi fundado em 2000 como o Open Source Development Labs para ajudar a definir os padrões para o sistema operacional Linux e dar suporte ao seu desenvolvimento contínuo e adoção comercial. O projeto cresceu ao longo dos anos e assumiu o nome atual, Linux Foundation, em 2007. Na última década, o LF passou por uma grande expansão além de sua missão Linux original. Agora, ela tem mais de 1.260 empresas membros e oferece suporte a centenas de projetos de código aberto. Alguns dos projetos estão focados em vertentes horizontais de tecnologia – como IA, blockchain, segurança e nuvem – e outros em setores verticais da indústria, como energia, automação, governo e assistência médica.

Deixe-me comentar a importância disso, abordando três questões principais:O que é uma carteira digital?;
O que são identidades digitais?; e
Por que precisamos de carteiras digitais de código aberto?
O que é uma carteira digital?

As carteiras digitais são geralmente definidas como um aplicativo em nossos smartphones, onde armazenamos as versões digitais dos itens que carregamos em nossas carteiras físicas. Isso inclui cartões digitais de crédito e débito e outras informações financeiras que nos permitem fazer pagamentos sem contato com cartões de crédito físicos. Elas também são usadas para armazenar e organizar uma variedade de itens, incluindo cartões de fidelidade, passagens aéreas, reservas de hotel, carteira de motorista, informações sobre vacinas e ingressos para eventos, bem como versões digitais de chaves de carros, casas, locais de trabalho e quartos de hotel.

Os aplicativos de carteira digital são oferecidos por empresas como Apple, Google e Samsung para suas respectivas plataformas, bem como empresas de pagamento como PayPal, Venmo e Zelle. Um mecanismo carteira digital de código aberto, forneceria um código-fonte comum para qualquer pessoa desenvolver carteiras interoperáveis e seguras, bem como as interfaces necessárias para desenvolver uma variedade de aplicativos.

Mas, além de suas aplicações atuais, as carteiras digitais estão sendo cada vez mais usadas para autenticar nossas identidades digitais individuais e outras credenciais pessoais importantes. Como resultado, as carteiras digitais desempenharão um papel crítico ao nos permitir levar nossa identidade digital de um lugar para outro no mundo digital. E, com o tempo, elas suportarão muitos outros dispositivos pessoais que usamos para interagir com o mundo digital, incluindo smartphones, laptops, desktop, tecnologias vestíveis e dispositivos IoT conectados a objetos físicos como nossos carros e casas.
O que são identidades digitais?

A identidade desempenha um papel importante na vida cotidiana. Pense em ir a um escritório, entrar em um avião, fazer login em um site ou fazer uma compra online. A identidade é a chave que determina as transações específicas nas quais podemos participar legalmente, bem como as informações que temos direito de acessar. Mas geralmente não prestamos muita atenção ao gerenciamento de nossas identidades, a menos que algo dê muito errado.

Durante grande parte da história, nossos sistemas de identidade foram baseados em interações face a face e em documentos e processos físicos. Mas a transição para uma economia digital requer sistemas de identidade radicalmente diferentes. Em um mundo cada vez mais governado por transações e dados digitais, nossos métodos para gerenciar segurança e privacidade não funcionaram tão bem. Violações de dados, fraudes e roubo de identidade estão se tornando mais comuns. Além disso, uma parcela significativa da população mundial carece das credenciais necessárias para participar com segurança da economia digital. Nossos métodos para gerenciar identidades digitais estão longe de serem adequados.

Conforme explicado em A Blueprint for Digital Identity, um relatório do Fórum Econômico Mundial, a identidade é uma coleção de informações ou atributos associados a um indivíduo. Esses atributos se enquadram em três categorias principais:Inerentes – atributos intrínsecos a um indivíduo, – por exemplo, idade, altura, data de nascimento, impressões digitais;
Atribuído – atributos associados, mas não intrínsecos ao indivíduo – por exemplo, endereço de e-mail, números de telefone, previdência social, carteira de motorista; e
Acumulados – atributos reunidos ou desenvolvidos ao longo do tempo – por exemplo, histórico de empregos, endereços residenciais, escolas frequentadas.

O Better Identity in America, em seu relatório Better Identity Coalition, observou que “a capacidade de oferecer transações e serviços de alto valor online está sendo testada mais do que nunca, em grande parte devido aos desafios de provar a identidade online. A falta de uma maneira fácil, segura e confiável para que entidades verifiquem online, identidades ou atributos das pessoas com quem estão lidando, cria atrito no comércio, leva ao aumento de fraudes e roubos, degrada a privacidade e dificulta a disponibilidade de muitos serviços.” Esses incidentes aumentaram significativamente, devido à digitalização acelerada das economias e sociedades desde o advento da Covid.
Por que precisamos de carteiras digitais de código aberto?

Não é de surpreender que proteger nossas identidades digitais seja um dos principais objetivos da evolução contínua da Internet na próxima década. Essa evolução é cada vez mais referida como Web3, sendo a Web1 a internet original dos anos 1990 e início dos anos 2000, seguida pela Web2 em meados dos anos 2000, que ao longo dos anos tornou-se altamente centralizada e dominada por um pequeno número de empresas globais.

“No paradigma da Web 2, terceiros como bancos, empresas de mídia social e conglomerados digitais nos fornecem nossas identidades e nos permitem acessar seus serviços”, escrito por Alex Tapscott em seu livro Digital Asset Revolution. A coisa mais comum da Web 2 era entregar nossos dados para esses intermediários (por meio de seus termos de uso e serviços). Concedemos a eles o direito de usar nossos dados para benefício próprio e depois eles prejudicariam nossa privacidade no processo.

Há um consenso geral de que esse é um problema sério para o futuro da Internet. Como resultado, as identidades auto-soberanas surgiram como um dos principais requisitos da Web3. “O logon único anônimo permitirá um nome de usuário e método de autenticação em todos os sites e contas, em vez de logins individuais para cada site”, escreveu Jerry Cuomo da IBM em Think Blockchain. “Este login não exigiria que você abrisse mão do controle de dados pessoais confidenciais.”

Em nosso atual sistema centrado em serviços, a identidade de um indivíduo está fortemente vinculada ao serviço, site ou aplicativo específico que deseja acessar, exigindo, assim, um ID de usuário e senha separados para cada um deles. Mas em um sistema auto soberano, os indivíduos possuem identidades auto soberanas, que eles carregariam em suas carteiras digitais em seus dispositivos. E somente os donos decidem quem tem permissão para ver suas credenciais e quais informações os provedores de serviços têm direito de ver. Isso permite que os indivíduos acessem serviços pela Internet de maneira segura, mantendo o controle sobre as informações associadas à sua identidade.

Como parte do lançamento da Open Wallet Foundation, Daniel Goldscheider realizou uma mesa redonda com representantes de empresas e organizações que já se comprometeram a fazer parte da OWF, como: MasterCard, Visa, Microsoft e Accenture, OpenID Foundation, Trust over IP Foundation, Open Identity Exchange e Ping Identity.

Todos os participantes afirmaram que carteiras digitais open source são necessárias para construir identidades digitais universais, auto soberanas, baseadas em criptografia, e que será complexo mante-las e administra-las; e caberá ao OWF, gerenciar essas complexidades.

Vou concluir com minha visão pessoal sobre o papel das carteiras digitais de código aberto, dizendo que elas provavelmente desempenharão um papel crítico na história da Internet. Lembremos que a internet é uma rede de redes, originalmente composta por diferentes redes, que na década de 1980 concordaram em adotar um conjunto comum de protocolos: o TCP/IP e outros padrões supervisionados pela Internet Engineering Task Force (IETF).

Durante a guerra dos navegadores da década de 1990, diferentes empresas estavam desenvolvendo seus próprios navegadores, cujos recursos incompatíveis ameaçavam o rápido crescimento da World Wide Web, até que todos os desenvolvedores de navegadores concordassem com os padrões estabelecidos pelo World Wide Web Consortium (W3C).

À medida que avançamos em direção à Web3 e à promessa de uma Internet segura e que protege a privacidade, carteiras e credenciais digitais universais se juntarão aos protocolos TCP/IP e a Web para abrir novos marcos importantes na história da Internet.

04/10/2022

O potencial impacto da Web3 na Internet e na economia digital

Algumas semanas atrás, o Blockchain Research Institute (BRI) anunciou que sua conferência global anual seria renomeada para Web3 Blockchain World e que o Enterprise Blockchain Awards agora seria chamado de Web3 & Blockchain Transformation Awards.

Acompanho o BRI e suas evoluções há vários anos. Essas mudanças preocupam um pouco a comunidade, pois, como geralmente acontece com as novas tecnologias em seus estágios iniciais, existem várias visões do que é a web3. Os críticos veem a web3 como pouco mais do que hype, um esforço de rebranding para eliminar parte da bagagem cultural e política da criptomoeda, enquanto os defensores acreditam que a web3 representa o futuro da internet, derrubando suas vertentes tradicionais e inaugurando uma economia digital livre de intermediários.

Um dos fundadores do BRI, Don Tapscott, comentou que o BRI deveria adotar a web3 em suas pesquisas e eventos. Li recentemente o Think Blockchain, um livro do IBM Fellow e VP da Blockchain Technologies, Jerry Cuomo, e o livro recém publicado, que fala sobre a Nova Internet de Valor na Revolução de Ativos Digitais, um livro do cofundador do BRI, Alex Tapscott e eu olhei para uma série de artigos de apoiadores e críticos da web3.

No final, fiquei convencido de que a web3 é agora onde a internet comercial estava no início dos anos 1990, a computação em nuvem no final dos anos 2000 e o blockchain em meados dos anos 2010: um conjunto muito promissor de tecnologias e aplicativos em seus primeiros anos. Embora, nesta fase, ainda não esteja claro como ela evoluirá, é hora de começar a prestar muita atenção à web3 e tentar influenciar seus rumos.

O impacto potencial de uma web3 baseada em blockchain, acontecerá porque a blockchain desempenhará um papel importante na evolução da internet. “A Web3 tentará substituir a confiança e as boas intenções por uma rede baseada em blockchain, onde transparência e irrevogabilidade são incorporadas à tecnologia”.

O que quer a web3?

Uma boa maneira de entender o web3 é compará-la com web1 e web2.

A Web1 refere-se à internet original dos anos 1990 e início dos anos 2000, onde a grande maioria dos usuários eram consumidores, não produtores de conteúdo. A Web1 inaugurou um alto grau de inovação à medida que startups e empresas estabelecidas experimentaram novos modelos de negócios – alguns, bem-sucedidos e outros não.

A Web2, que surgiu no início dos anos 2000, tornou mais fácil para os usuários se conectarem, interagirem e fazerem transações on-line, e lhes deu a capacidade de criar e publicar seu próprio conteúdo em sites pessoais, blogs e plataformas de mídia social como Facebook, Twitter e Youtube. Com o tempo, a internet baseada na web2 tornou-se dominada por um pequeno número de empresas superstars globais que capturaram a maior parte de seu valor monetário.

A Web3 visa substituir as megaplataformas corporativas de hoje por redes descentralizadas baseadas em blockchain que combinam a infraestrutura aberta da web1 com a participação pública da web2 e, assim, lideram o caminho para uma internet mais aberta e empreendedora e uma economia digital. Os apoiadores acreditam que a web3 dará aos criadores, desenvolvedores e usuários uma maneira de monetizar suas contribuições; que os envolverá na governança e na tomada de decisões das plataformas que apoiam seu trabalho; e que dará aos indivíduos mais privacidade e controle sobre seus dados, sendo menos dependentes de modelos de negócios baseados em publicidade e anúncios direcionados.

“A teoria é que em um mundo Web3, atividades e dados confidenciais seriam hospedados em uma rede de computadores usando blockchain em vez de servidores corporativos”, escreveu Cuomo no Think Blockchain. “A internet provavelmente teria a mesma aparência, pelo menos inicialmente, mas suas atividades na internet seriam representadas por sua carteira de criptomoedas e sites hospedados por meio de aplicativos descentralizados (DApps) executados em uma rede blockchain.” Embora existam várias definições de web3, ele acrescentou, elas geralmente incluem esses recursos:

Logon autônomo: “O logon único anônimo permitirá um nome de usuário e método de autenticação em todos os sites e contas, em vez de logins individuais para cada site. Esse login não exigiria que você abandonasse o controle de dados pessoais confidenciais.” Com carteiras de criptografia web3 apoiadas por redes blockchain, os usuários sempre mantêm o controle de suas informações de identidade pessoal (PII) e credenciais de login. “À medida que os serviços de carteira criptográfica evoluem, existirão opções sobre que tipo de rede blockchain suportará sua carteira.”

Economia baseada em tokens: “As atividades que contribuem para a Web3 são recompensadas por um token (NFT ou fungível) para incentivar a participação e distribuir a propriedade. Por exemplo, ao postar uma nova mensagem social, uma NFT representando essa postagem pode ser “cunhada” (gerada) e armazenada como um ativo em uma carteira de criptomoedas. Esse token representa a propriedade da mensagem, que pode ser negociada com outras pessoas por meio de suas carteiras.”

Auto governança: “Junto com a distribuição da propriedade está a distribuição do poder de decisão. Sem uma autoridade central, as blockchains dependem de toda a rede para verificar uma atividade por meio de consenso. No entanto, sistemas específicos, como aqueles usados em organizações autônomas descentralizadas (DAOs) podem ser estabelecidos para democratizar a tomada de decisões com base na qualidade ou volume do investimento de um usuário em um site ou DApp.”

Além disso, o web3 é frequentemente vinculada a finanças descentralizadas (DeFi), criptomoedas, metaverso e outros aplicações descentralizadas relativamente novas que estão igualmente em seus estágios iniciais e, portanto, carecem de definições bem formadas e acordadas. E, como foi o caso das inovações pontocom nos anos 90, algumas se tornarão bastante importantes ao longo dos anos, enquanto outras serão esquecidas em pouco tempo.

Uma internet mais descentralizada e uma economia empresarial são claramente os principais objetivos da web3. O mesmo acontece com a criação de uma internet stateful baseada em blockchain, ou seja, uma internet que lembra eventos anteriores e interações do usuário, em oposição à atual internet stateless que depende dos servidores de muitas instituições conectadas à internet, – por exemplo, bancos, e plataformas de comércio, agências governamentais, – para acompanhar as informações de seus usuários e processar suas transações. Isso foi bem explicado no livro de Alex Tapscott, Digital Asset Revolution.

“Na Revolução Blockchain, previmos que as blockchains inaugurariam uma nova era da Internet que chamamos de Internet de valor, onde os indivíduos poderiam realizar transações, fazer negócios e criar valor de maneira confiável e ponto a ponto sem a necessidade para intermediários e gatekeepers tradicionais. Esta foi uma ideia radical e um grande afastamento das velhas formas de fazer as coisas.”

“Com a Web 2, contamos com intermediários – não apenas bancos, mas também gigantes de mídia social e conglomerados digitais – para executar muitas funções essenciais, desde mover e armazenar valor até verificar identidades e executar lógica de negócios básica como manutenção de registros, contratação, e assim por diante, tudo para estabelecer confiança nas transações online. Essa confiança é problemática por vários motivos. Por um lado, esses intermediários são centralizados, o que os torna vulneráveis a ataques cibernéticos e corrupção. Os intermediários financeiros também adicionam atrito às transações on-line, adicionando atrasos de dias ou semanas, cobrando taxas de até 20% para transferências internacionais de dinheiro e engajando-se em outros comportamentos de busca de renda”.

“Bancos, empresas de mídia social e provedores de serviços de Internet são guardiões que excluem muitas pessoas. No setor bancário, mais de um bilhão de pessoas não têm acesso a serviços financeiros. Esses gatekeepers também capturam todos os dados e grande parte do valor criado online – as maiores empresas do mundo são conglomerados digitais como a Apple e empresas de mídia social como o Facebook, que construíram seus impérios em parte ou no todo com dados de usuários.”


“A Web3 será construído em cima de redes blockchain”, acrescenta Tapscott. “O Blockchain nos dá uma maneira de digitalizar e gerenciar nossos direitos de propriedade online ponto a ponto. Os ativos digitais ao portador, comumente chamados de tokens, nos permitem manter e transportar bens digitais valiosos de plataforma para plataforma online. Esses bens podem ser moedas, títulos e outros ativos financeiros, bem como colecionáveis, propriedade intelectual, identidades e o que ainda não foi imaginado”.

Por fim, tenhamos em mente que a web3 não substitui a internet web1 e web2, mas contribui para sua evolução contínua, ajudando-nos a criar uma internet de valor mais empreendedora e inclusiva para o benefício de comunidades e economias em todo o mundo. Grandes instituições continuarão a desempenhar papéis importantes para muitos, como administradores confiáveis de blockchain e provedores de identidade e outros serviços críticos da web3. Temos muito a aprender nos próximos anos.

08/09/2022

O escopo da Linux Foundation na economia do século XXI

Há alguns dias, a Linux Foundation realizou seu North America Open Source Summit em Austin. A reunião de uma semana incluiu um grande número de sessões de discussão, bem como várias palestras. O Open Source Summit Europe acontecerá em Dublin em setembro e o Open Source Summit Japan em Yokohama em dezembro.

Sempre estive muito envolvido com inovação colaborativa aberta e comunidades de código aberto desde a década de 1990. Em particular, fui administrador de servidores Open Source, em uma iniciativa da antiga empresa Impsat, lançada em setembro de 2001 para adotar o Linux em muitos dos produtos e serviços da empresa.

Na época, o Linux já havia sido adotado pelas comunidades de pesquisa, internet e supercomputação, mas muitos no mercado comercial ainda mostravam alguma perplexidade com esse tipo de decisão. Nos anos seguintes, empregamos muito esforço, explicando à comunidade empresarial por que estávamos apoiando o Linux.

No final dos anos 2000, o Linux atravessou o abismo para a adoção do mainstream, tendo sido adotado por um grande número de empresas ao redor do mundo.

Em 2000, a IBM, a HP, a Intel e várias outras empresas formaram um consórcio para apoiar o desenvolvimento contínuo do Linux e fundaram uma nova organização sem fins lucrativos, os Open Source Development Labs (OSDL). Em 2007, a OSDL fundiu-se com o Free Standards Group (FSG) e tornou-se a Linux Foundation (LF). Em 2011, o LF marcou o 20º aniversário do Linux em sua conferência anual LinuxCon North America.

Na década seguinte, a LF passou por uma grande expansão. Em 2017, suas conferências anuais foram renomeadas como Open Source Summits para estarem mais ligadas a missão de código aberto mais geral da LF, além do Linux. Então, em abril de 2021, o LF anunciou a formação da Linux Foundation Research, uma nova organização para entender melhor as oportunidades de colaboração nas muitas atividades de código aberto nas quais o LF estava envolvido. Hilary Carter ingressou no LF como vice-presidente de pesquisa e líder da nova iniciativa.

Alguns meses depois, Carter criou um Conselho Consultivo para fornecer insights sobre tendências tecnológicas emergentes que poderiam ter um grande impacto no número crescente de projetos de código aberto LF, bem como explorar o papel do código aberto para ajudar a abordar alguns dos problemas mundiais.

Após 2007, eu deixei de ser um profissional puramente técnico e me envolvi em várias novas áreas, como nuvem, blockchain, IA e a economia digital emergente. Como resultado, deixei de me envolver com o Linux e na década de 2010, continuei a ver o LF de longe; sem deixar de acompanhar sua impressionante evolução e trajetória. Deixe-me resumir o que aprendi.

De acordo com seu site, o LF agora tem mais de 1.260 membros da empresa, incluindo 14 Platinum e 19 Gold, e suporta centenas de projetos de código aberto. Alguns dos projetos estão focados em tecnologias horizontais, outros em verticais da indústria e muitos são subprojetos dentro de um grande projeto de código aberto.

As áreas horizontais de tecnologia incluem: IA, ML, dados e análises; manufatura aditiva; realidade aumentada e virtual; blockchain; contêineres em nuvem e virtualização; IoT & incorporado; core Linux; rede & borda; hardware aberto; sistemas críticos de segurança; segurança; armazenar; administração do Sistema; e desenvolvimento da Web e de aplicativos. Projetos de infraestrutura específicos incluem OpenSSF, – Open Source Software Security Foundation; LF AI & Data, – cuja missão é construir e apoiar inovações de código aberto nos domínios de IA e dados; e a Hyperledger Foundation, – que hospeda vários subprojetos de blockchain de nível empresarial, como o Hyperledger Cactus, – para ajudar a integrar com segurança diferentes blockchains; Hyperledger Besu, – um cliente Ethereum para blockchains autorizados; e Hyperledger Caliper, – uma ferramenta de benchmark blockchain para medir o desempenho.

As áreas verticais da indústria incluem: automotivo e aviação; educação e treinamento; recursos energéticos; agências governamentais e reguladoras; assistência médica; fabricação e logística; mídia e entretenimento; produtos embalados; retalho; tecnologia; e telecomunicações.

Os projetos focados na indústria incluem: LFEnergy, – visando a digitalização do setor de energia para ajudar a atingir as metas de descarbonização; Automotive Grade Linux, – para acelerar o desenvolvimento e adoção de uma pilha de software totalmente aberta para o carro conectado; Chips Alliance, – para acelerar o desenvolvimento de hardware de código aberto; Plataforma de Infraestrutura Civil, – para permitir o desenvolvimento e uso de blocos de construção de software para infraestrutura civil; LF Saúde Pública, – melhorar a equidade e a inovação em saúde global; e Academy Software Foundation, – que se concentra na criação de um ecossistema de código aberto para a indústria de animação e efeitos visuais e hospeda vários subprojetos relacionados, como OpenColorIO, – uma estrutura de gerenciamento de cores; OpenCue, – um sistema de gerenciamento de renderização; e OpenEXR, – o formato de armazenamento de imagem de nível profissional da indústria cinematográfica.

A LF estima que seus projetos desenvolveram mais de um bilhão de linhas de código-fonte aberto que suportam uma porcentagem significativa das infraestruturas de missão crítica do mundo. Esses projetos criaram mais de US$ 54 bilhões em valor econômico. Um estudo recente da Comissão Europeia estimou que, em 2018, o impacto econômico do código aberto em todos os seus estados membros foi entre € 65 e € 95 bilhões. Para entender melhor o impacto econômico global do código aberto, a LF Research está patrocinando um estudo liderado por Henry Chesbrough, professor da UC Berkeley e membro do Conselho Consultivo.

Os avanços de código aberto são totalmente dependentes das contribuições de profissionais altamente qualificados. A LF estima que mais de 750 mil desenvolvedores de cerca de 18 mil empresas contribuintes estiveram envolvidos em seus vários projetos em todo o mundo. Para ajudar a treinar desenvolvedores de código aberto, o LF oferece mais de 130 cursos diferentes em diversas áreas, incluindo administração de sistemas, nuvem e contêineres, blockchain e desenvolvimento integrado e IoT, além de 25 programas de certificação.

Além disso, a LF, em parceria com a edX, – a organização de aprendizado online aberta criada por Harvard e MIT, – vem realizando uma pesquisa anual na web com profissionais de código aberto e gerentes de contratação para identificar as últimas tendências em carreiras de código aberto, as habilidades que são mais procurados, o que motiva os profissionais de código aberto, como os empregadores podem atrair e reter os melhores talentos, bem como questões de diversidade na indústria.

O 10º Relatório Anual de Empregos de Código Aberto foi publicado em junho de 2022. O relatório constatou que ainda há escassez de talentos qualificados:93% dos gerentes de contratação têm dificuldade em encontrar profissionais experientes em código aberto; a remuneração tornou-se um fator de diferenciação,
58% dos gerentes deram aumentos salariais para reter talentos de código aberto; as certificações atingiram um novo nível de importância,
69% dos gerentes de contratação são mais propensos a contratar profissionais certificados de código aberto;
63% dos profissionais de código aberto acreditam que o código aberto executa a tecnologia mais moderna; e
Habilidades em nuvem são as mais procuradas, seguidas por Linux, DevOps e segurança.

Finalmente, em sua palestra em Austin, Hilary Carter apresentou 10 fatos rápidos sobre código aberto da LF Research:53% dos entrevistados contribuem para o código aberto porque “é divertido”;86% dos gerentes de contratação dizem que contratar talentos de código aberto é uma prioridade para 2022;
2/3 dos desenvolvedores precisam de mais treinamento para realizar seus trabalhos;
O software de código aberto mais utilizado é desenvolvido por apenas um punhado de colaboradores, – 136 desenvolvedores foram responsáveis por mais de 80% das linhas de código adicionadas aos 50 principais pacotes;
45% dos entrevistados relataram que seus empregadores restringem fortemente ou proíbem contribuições para projetos de código aberto, sejam eles privados ou relacionados ao trabalho;
47% das organizações pesquisadas estão usando listas de materiais de software (SBOMs) hoje;
“Você sente um senso de comunidade e responsabilidade para pastorear este trabalho e torná-lo o melhor possível;
1 em cada 5 profissionais foi discriminado por se sentir mal recebido;
As pessoas que não se sentem bem-vindas no código aberto são de grupos desproporcionalmente sub-representados;
“Quando temos várias pessoas com origens e opiniões variadas, obtemos um software melhor”.

“Os projetos de código aberto estão aqui para ficar e desempenham um papel crítico na capacidade da maioria das organizações de fornecer produtos e serviços aos clientes”, disse o LF em seu site. “Como organização, se você deseja influenciar os projetos de código aberto que impulsionam o sucesso do seu negócio, você precisa participar. Ter uma sólida estratégia de contribuição e um plano de implementação para sua organização o coloca no caminho para ser um bom cidadão corporativo de código aberto.”

12/04/2022

O impacto do Open Source na economia

Na década de 1990, o Sistema em código aberto era visto como uma abordagem experimental para o desenvolvimento de software usado principalmente por pesquisas e comunidades acadêmicas em projetos emergentes como Internet e Linux. Desde então, o código aberto evoluiu para se tornar um modelo bem aceito de produção econômica em quase todas as comunidades do setor público e privado em todo o mundo. Mas, embora amplamente utilizado, qual tem sido o impacto econômico do código aberto às nações e às empresas? Esta questão foi abordada em um estudo sobre o impacto do código aberto na economia europeia. “A crescente relevância do Open Source (OS) durante as últimas duas décadas exige uma atualização de uma análise aprofundada de seu papel atual e seu potencial para a economia europeia”, disse a Comissão Europeia (CE) em seu relatório sobre O impacto do software e hardware de código aberto na independência tecnológica, competitividade e inovação na economia da UE. “Enquanto o software de código aberto (OSS) se tornou popular em todos os setores da indústria de software nos últimos 20 anos, o hardware de código aberto (OSH) ainda está em uma fase emergente. No entanto, o ecossistema de negócios para OSH está se desenvolvendo.”

A CE realizou uma análise abrangente dos usos comerciais, custos e benefícios de OSS e OSH. “Com base nessas informações, o estudo avalia o potencial da União Europeia (UE) para atingir seus objetivos políticos (incluindo crescimento econômico, maior competitividade, inovação e criação de empregos) por meio do uso, promoção e apoio de OSS e OSH.” O relatório inclui uma análise detalhada e quantitativa do custo-benefício e do impacto econômico dos investimentos em código aberto; inclusive, uma pesquisa foi conduzida, com opiniões de mais de 900 partes interessadas; uma série de estudos de caso concretos; e várias recomendações de políticas públicas à CE e aos países membros da UE.

1. Análise de custo-benefício. “Com base em informações de domínio público, as empresas localizadas na UE investiram cerca de € 1 bilhão em OSS em 2018.” O relatório explicou como chegou a essa estimativa. Em 2018, havia pelo menos 260.000 colaboradores de OSS no GitHub e mais de 3,1 milhões de desenvolvedores de software nos países da UE. Esses contribuidores de OSS fizeram mais de 30 milhões de commits no Github, o que representa um investimento em pessoal de cerca de 16.000 posições de trabalho em tempo integral (FTE). Com base nos custos médios de mão de obra da UE, 16.000 FTEs representam um investimento de 1 bilhão de euros. “A análise econométricas dos dados do PIB dos Estados Membros da UE indica que em 2018, em todos os Estados Membros, o impacto econômico do OSS foi entre € 65 e € 95 bilhões.” Com base nessa análise, o estudo estimou que um aumento de 10% nas contribuições do OSS geraria um PIB adicional à UE, por ano, entre 0,4% e 0,6%. Em 2018, o PIB da UE foi de € 15.900 bilhões, portanto, um aumento do PIB de 0,4% – 0,6% corresponde a um aumento de € 65 – € 95 bilhões. “No geral, os benefícios do Open Source superam em muito os custos associados a ele.” De acordo com o estudo, em 2018 “a contribuição do OSS para o PIB da UE e as contribuições dos funcionários da UE para o OSS geram uma relação custo-benefício ligeiramente acima de 1:10. Depois de levar em conta o hardware e outros custos de capital dos 260.000 contribuintes da UE para o OSS, a relação custo-benefício ainda está ligeiramente acima de 1:4.” A metodologia desta análise de custo-benefício é explicada em detalhes no relatório da CE.

2. Informações da pesquisa. Além da análise quantitativa, o estudo recolheu e analisou os pontos de vista das partes interessadas da UE sobre o impacto do OSS e OSH. A pesquisa recebeu respostas de mais de 900 empresas e desenvolvedores. A maioria dos entrevistados estava envolvida em projetos OSS como usuários, desenvolvedores ou provedores de serviços, com apenas um pequeno número envolvido no desenvolvimento de OSS. A pesquisa mostrou que as principais motivações para se envolver em código aberto foram encontrar soluções técnicas, evitar o aprisionamento de fornecedores, avançar no estado da arte da tecnologia, desenvolver código de alta qualidade e buscar e criar conhecimento. Outras motivações incluíam economia de custos, redução dos esforços internos de manutenção, acesso a código livre de royalties e aumento do retorno dos investimentos em P&D. Além disso, a pesquisa descobriu que os indivíduos eram motivados por seus interesses pessoais em contribuir com código para comunidades de OSS. Os entrevistados individuais da pesquisa disseram que os maiores benefícios de trabalhar com grupos de OSS foram o suporte a padrões abertos e interoperabilidade, acesso aprimorado ao código-fonte, independência de fornecedores de software proprietário, acesso a uma comunidade altamente experiente e ativa e segurança e qualidade aprimoradas.

3. Estudos de caso. Para resolver a falta de dados em algumas áreas, em particular sobre OSH, o estudo realizou uma série de entrevistas. Depois elas foram filtradas e detalhadas em vários estudos de caso, incluindo:Inovação de Processo de Fabricante para Fabricante. Projetos de OSH como Arduino, MyriadRF e RepRap reúnem a academia e o movimento maker e fornecem uma ponte entre a fabricação cidadã e a indústria.
Computação e Infraestrutura de Hardware Aberta. Histórias de sucesso de SST como RISC-V e SiFive fornecem uma plataforma para inovação e exploração comercial.
Sistemas Embarcados e IoT. Projetos OSH como OpenCompute, CentOS e Yocto ajudam os desenvolvedores a incorporar computadores de uso geral em dispositivos físicos, de smartphones a carros, usando hardware de prateleira e software licenciado gratuitamente.

4. Recomendações de políticas. Com base nas análises, o estudo fez uma série de recomendações à Comissão Europeia, que incluem:Capacitação Institucional. Criar e financiar uma rede de até 20 Escritórios de Projetos de Código Aberto para apoiar e acelerar o consumo, a criação e a aplicação de tecnologias abertas.

Criação de Legitimidade. Integrar a OSS e as suas comunidades nas políticas europeias de investigação e inovação, bem como na estratégia industrial europeia; envolver-se com fundações OSS/OSH que possam oferecer uma abordagem adequada para financiamento e apoio.
Inteligência Estratégica. Expandir o Open Source Observatory – um lugar onde a comunidade OSS se reúne para aprender, encontrar soluções relevantes de software de código aberto e ler sobre o uso de código aberto e gratuito em administrações públicas em toda a Europa e fora dela; e integrar o Open Source nas atividades de coleta de dados do Eurostat.

Criação do Conhecimento. Aumentar o financiamento de P&D relacionado a projetos OSS e OSH por meio de programas existentes, como Horizon Europe, e novas iniciativas voltadas para startups de PMEs e desenvolvedores individuais; e oferecer prêmios e prêmios de pesquisa para comunidades, estudantes e professores de OSS e OSH.
Difusão de Conhecimento e Networking. Apoiar o desenvolvimento e manutenção de plataformas e repositórios OSS/OSH; e fornecer incentivos para o upload de código gerado em projetos de P&D com financiamento público.
Atividades Empreendedoras. Fornecer habilidades empreendedoras em start-ups baseadas em OSS e OSH com apoio financeiro de fundações para esses fins.
Criação de Mercado. Considerar o Open Source explicitamente nas políticas de concorrência e plataforma relacionadas à governança de comunidades de código aberto.

Desenvolvimento do Capital Humano. Promover a educação Open Source, – incluindo desenvolvimento, modelos de negócios, licenciamento e gestão, – em instituições de ensino superior; oferecer licenças de certificação para indivíduos com habilidades em OSS/OSH; e apoiar projetos de pesquisa para aumentar a diversidade de colaboradores.

Desenvolvimento de Capital Financeiro. Tratar contribuições OSS/OSH de pessoas físicas e jurídicas como doações de caridade para fins fiscais; e lançar instrumentos financeiros como fundos de capital de risco focados para ajudar as startups OSS/OSH a se unirem a empresas.

Ambiente regulatório. Promover o OSS como um importante canal de transferência de conhecimento e tecnologia; melhorar a inclusão de OSS nas compras públicas; considerar Open Source em futuras revisões da legislação europeia de direitos autorais e patentes; e financiar auditorias de segurança de projetos críticos de OSS.

O software de código aberto já está tendo um grande impacto na economia europeia e o potencial do hardware de código aberto está começando a surgir. É necessária uma abordagem abrangente e coordenação política certa para ampliar e incentivar ainda mais as produções de código aberto em benefício da economia global.

24/06/2021

O passado e o presente digital


A breve história das interações humanas com as tecnologias digitais é marcada por uma relação em constante evolução: em meio século, de uma ferramenta complexa, para às mãos de bilhões de pessoas.

Os primeiros computadores digitais, desenvolvidos na década de 1940, eram máquinas extremamente complexas, desenvolvidas e operadas por algumas das mentes mais brilhantes do planeta, como Alan Turing, cujo trabalho teórico e prático ajudou os britânicos a decodificar as mensagens cifradas dos alemães durante a Segunda Guerra Mundial.

A geração de computadores que veio a seguir, os mainframes, surgiu no final da década de 1950. Presentes principalmente em instituições acadêmicas e militares, os mainframes ainda ocupavam salas inteiras e continuavam a ser um terreno reservado a especialistas – as informações inseridas eram formadas por comandos altamente abstratos, e as respostas não faziam sentido algum para quem não fosse versado em ciência da computação.

Tudo começou a mudar nos anos 1970, com o surgimento do microprocessador e a chegada dos primeiros computadores aos lares das pessoas. Thomas Watson, presidente da IBM, supostamente teria dito, em 1943:

Acredito que exista uma demanda mundial para talvez cinco computadores.

Tenha ele dito ou não a frase (a própria Wikipédia afirma que há “poucos indícios” de que isso seja verdade), quando o primeiro computador pessoal foi lançado, em 1971, ninguém esperava que o mercado doméstico para tais máquinas fosse muito além de alguns milhares de entusiastas. Os computadores, no entanto, mostraram-se uma atração muito mais poderosa do que esperavam até mesmo os acadêmicos mais ambiciosos. Ao fim da década de 1970, novas máquinas desenvolvidas por empresas como Apple, Commodore e Tandy estavam vendendo centenas de milhares de unidades. A revolução digital havia se tornado pública.

Mas isso era apenas o começo da ininterrupta expansão das interações entre os seres humanos e a tecnologia digital. Desde a década de 1970, nossas máquinas têm se tornado cada vez mais poderosas, mais interconectadas e mais fáceis de usar. As que possuímos hoje são centenas de milhares de vezes mais poderosas que a primeira geração doméstica, dez vezes mais baratas e extremamente mais fáceis de usar.
Mais importante do que a capacidade, no entanto, é a experiência que essas máquinas proporcionam. Nesse campo, a grande revolução está apenas começando. Isso porque o conceito de “computador pessoal” como sendo um desktop em casa ou um laptop na mochila está sendo gradualmente substituída.

Pra mim, tudo começou em 1983, com os primeiro videogame de massa, o Atari. Em 1985, comecei a estudar computação. Andava por aí com um disco flexível de 5″1/4 com a imensa capacidade de 1.2 Megabits, onde rodavamos jogos, compilavamos alguns códigos e tínhamos textos e outros. Um computador conectado era um terminal burro e nas escolas e empresas, havia sistemas de compartilhamento de tempo para uso de tais terminais.

Depois, todos passaram a ter poder de computação. No início dos anos 90, consegui levar um computador pessoal pra casa, para fazer o que quisésse, a hora que fosse.

Em 2021, temos o Windows Virtual Desktop, que parece dar prenúncio ao fim da era do PC. Percebo que, mesmo que nossas vidas se tornem cada vez mais centradas na tecnologia, menos pessoas realmente estão interessadas na tecnologia em si. Sim, elas adoram tecnologia, mas como usuários.

Hoje, para realizar qualquer trabalho com um computador, primeiro você tem que saber um pouco, sobre computadores, sistemas operacionais e alguns comandos. Mas vai por mim, hoje, isso tudo e muito “amigável”.

O Google tem o Chrome OS que a maioria de nós pode fazer tudo o que precisa em um computador, apenas com um navegador web.

A Microsoft, em vez disso, Caminha para o Windows desktop-como-serviço (DaaS) por meio do Microsoft Managed Desktop (MMD). Isso reúne o Windows 10 Enterprise, Office 365 e Enterprise Mobility + Security e o gerenciamento de sistemas baseados em nuvem no Microsoft 365 Enterprise. Na próxima etapa, o Windows Virtual Desktop, irá permitir que as empresas virtualizem aplicativos do Windows 7, do Windows 10, do Office 365 ProPlus e de outros aplicativos de terceiros em máquinas virtuais baseadas no Azure. Se tudo correr bem, você poderá se inscrever no Windows Virtual Desktop até o final do ano; e até 2025, o Windows como um sistema operacional de desktop real será um produto de nicho.

Isso parece lhe soar estranho? A Microsoft só quer que você “alugue” o Office 365 em vez de comprar o Office 2019.

Mas e os jogos? Sempre teremos o Windows desktop para jogos! Será?

O Google, com seu serviço de nuvem de jogos (Google Stadia), também está apostando que estamos prontos para mover nossos jogos para a nuvem. A Valve tem se saído muito bem há anos com a sua variação neste tema – o Steam.

Então, para onde tudo isso nos leva?

Eu acredito que o PC desktop irá desaparecer, na forma mais tradicional que conhecemos. A maioria de nós estará escrevendo documentos, preenchendo planilhas e fazendo o que fazemos hoje em nossos PCs por meio de aplicativos baseados em nuvem em terminais inteligentes que executam o Chrome OS ou o Windows Lite.

Para um PC “real”, suas escolhas serão Linux ou macOS.

Nenhuma das principais empresas do Linux – Canonical, Red Hat, SUSE – afirma que o Linux assumirá uma forma de sistema operacional virtual, em cloud etc, mas continuará da mesma forma que é agora: uma plataforma desktop para entusiastas e com muito potencial.

O macOS, da Apple, que também tem o Unix como raiz, não demonstra querer evoluir para um Sistema Operacional virtual. Mas as vendas de Macs representam uma porcentagem cada vez menor do lucro líquido da Apple.

Não é que os Macs não sejam ótimos. Eles são. Mas, como mencionei acima: as pessoas estão se tornando menos técnicas…

Haverá também pessoas que precisam do poder de processamento, que só pode vir de ter processadores rápidos, com armazenamento rápido, em seu desktop. Mas essas pessoas estão diminuindo – assim como o mundo dos PCs desktop.

04/05/2005

O Open Source e sua excelência


Esta semana participei de eventos online muito interessantes e um deles foi o Red Hat Summit, focado em iniciativas de Open Source e há bastante FUD em torno do assunto.

Alguns dizem que o valor do Open Source é fornecer acesso ao código fonte do software; outros acham que licenças de software Open Source são muito confusas e reclamam por vezes da GPL, que é a licença usada pelo Linux. Licenças Open Source são importante para aqueles envolvidos no uso, modificação ou redistribuição de software Open Source. Mas para a grande maioria das pessoas que simplesmente usam computadores no trabalho ou em casa, o licenciamento de código aberto é um assunto bastante simples, com o qual eles realmente não precisam se preocupar.

Trabalho em uma empresa de telecom focada em redes de longa distância, com presença em toda América Latina, temos 18 servidores baseados em Linux, que fazem a gestão de toda a rede, além de DNS Bind e outros serviços. Muitas vezes os debates se extendem sobre usar ou não usar Linux. Qual distribuição, qual versão, etc. As pessoas às vezes debatem o quão livre o software de Open Source realmente é, referindo-se ao custo real do software, embora os defensores do Open Source, como eu, se esforcem muito para apontar que quando dizem livre, não estão falando sobre preço. A Free Software Foundation aponta em seu site que o software livre é mais uma questão de liberdade do que de preço; Devemos pensar em "livre" como em "liberdade de expressão".

Para mim, Open Source tem tudo a ver com inovação colaborativa, ou seja, trabalhar com pessoas inteligentes em todo o mundo como uma comunidade para resolver problemas importantes. No mundo das Comunicações e das Telecomunicações, onde trabalho desde que era um estudante da faculdade de Matemática do cursi de Ciências Exatas - da SCELISUL, essa inovação colaborativa não é novidade. Colaborar com colegas é como você progride, seja na física, medicina, ciências da computação ou direito. É por isso que existem periódicos profissionais livres, onde é uma honra ter seus artigos publicados, geralmente após terem sido revisados ​​por um grupo de especialistas, e onde é uma honra ainda maior ter seus colegas lendo seu artigo, usando o que você diz em suas próprias pesquisas e dando crédito a você citando seu artigo. Na verdade, Tim Berners-Lee inventou a World Wide Web com o propósito expresso de facilitar o compartilhamento de informações na comunidade de pesquisa. A capacidade de trabalhar colaborativamente com uma comunidade mudou drasticamente para melhor desde o advento da Internet e da World Wide Web.

Quando você colabora com seus colegas, eles precisam ser capazes de ler e entender o que você diz, quer você use uma linguagem natural, notações matemática, ou tabelas de números. Da mesma forma, quando a colaboração envolve software, então você esperaria ser capaz de ler, modificar e geralmente compartilhar o código-fonte do software no qual vocês estão trabalhando em conjunto. Assim, na minha opinião, o software Open Source é apenas um subproduto necessário para a inovação colaborativa envolvendo software. Nada mais, nada menos.

No final, o valor real de uma iniciativa de software Open Source é a qualidade da comunidade que está participando da iniciativa e o que eles são capazes de projetar e construir. Se você considerar LinuxApacheGrid e outras grandes e bem-sucedidas iniciativas, elas atraíram um grande número de programadores, cientistas da computação e outros especialistas técnicos ao redor do mundo, todos os quais, prontos a colaborar no desenvolvimento e suporte a diferentes aspectos da infraestrutura de TI compartilhada que a Internet e os padrões abertos tornaram possível. Então, esses são problemas tão importantes e complexos que somente por meio da colaboração, possibilitada pelo software Open Source, podemos esperar atingir os níveis necessários de inovação e progresso. 

Além da Guerra de Preços: O Oceano Azul na Conectividade Brasileira

Introdução Lançado em 2005 por W. Chan Kim e Renée Mauborgne, A Estratégia do Oceano Azul revolucionou o pensamento estratégico...