22/11/2020

O impacto contínuo e transformador da TI


Há alguns anos, o McKinsey Global Institute publicou Dez tendências de negócios focados em TI para a próxima década. O relatório é fruto de uma pesquisa profunda e muito bem trabalhada; porém sem muitas surpresas. Qualquer tecnologia que tenha um impacto transformador nos negócios na próxima década deve, pelo menos, estar ao alcance imediato (agora) dos usuários, pois as inovações disruptivas levam tempo para acontecer.

Muitas tendências refletem o crescente domínio da Internet como uma tecnologia capacitadora, bem como um modelo e metáfora para interações comerciais e sociais”, diz o relatório em sua introdução. “Vinte anos após a revolução da Internet, as empresas e os consumidores esperam que as informações estejam a uma pesquisa do Google, amigos e colegas estão sempre disponíveis em sites de redes sociais e bens e serviços (incluindo bens públicos, como educação e serviços governamentais) podem ser obtido instantaneamente de um serviço online em qualquer lugar do mundo, a qualquer hora do dia.”

A matriz social, a Internet das coisas, o big data, as análises avançadas e a realização de qualquer coisa como um serviço, são as principais tendências do relatório. O SMAC – Social, Mobile, Analytics & Cloud, – se tornou o novo plástico, capturando o futuro da TI em uma palavra, ou melhor, em uma sigla. Quase todo mundo concorda que essas são tecnologias fundamentais, como a Internet há vinte anos, que todas as empresas deverão adotar.

No entanto, embora essas tecnologias estejam sendo amplamente discutidas, elas ainda estão nos estágios iniciais e até embrionários de implantação. Por exemplo, de acordo com um estudo da McKinsey, sobre a evolução da empresa em rede, mais de 80% das empresas pesquisadas usam tecnologias sociais, mas apenas 10% estão obtendo o valor de negócios esperado por estarem realmente em rede. E, embora a nuvem já esteja fornecendo muitos serviços ao consumidor, incluindo acesso a filmes, música e aplicativos móveis de todos os tipos, as empresas estão apenas começando a implantar e aprender como usá-la da melhor maneira, como foi discutido no MIT Sloan CIO Symposium. Seu potencial para impulsionar a inovação, ainda está no inicio.

Dada sua ampla aceitação e implantação crescente, há poucas dúvidas de que até 2025 essas tendências de TI terão um impacto transformador em empresas e setores em todo o mundo. E embora não sejam tão conhecidas e possivelmente não sejam tão impactantes, as próximas tendências de TI provavelmente também serão amplamente adotadas na próxima década: automação de trabalho do conhecimento, experiências digitais / físicas integradas, “eu + grátis + facilidade de uso = e-volução do comércio”.

Porém, sobre as duas últimas tendências – os próximos três bilhões de cidadãos digitais e a transformação do governo, da saúde e da educação – parecem de natureza diferente. Embora também tenham um impacto sobre os negócios e as economias, provavelmente terão um impacto ainda mais forte na qualidade de vida de indivíduos, nações e sociedades em todo o mundo. Consequentemente, essas tendências são significativamente mais complexas e sua evolução são mais difíceis de se prever, porque são diretamente afetadas por fortes forças sociais.

A McKinsey estima que, na próxima década, até três bilhões de pessoas adicionais poderão se conectar à Internet com dispositivos móveis e redes sem fio e, assim, tornar-se parte da economia digital global. Além disso, mais de 1,8 bilhão de pessoas se tornarão consumidores até 2025, ou seja, ganharão o suficiente para comprar bens e serviços além de atender às suas necessidades básicas.

Este rápido aumento na conectividade pode ser um fator-chave no desenvolvimento de comunidades em regiões menos desenvolvidas”, observa o relatório. A Internet móvel ajudará a levar pagamentos móveis e serviços financeiros aos ‘sem banco’. A inclusão financeira é um dos motores mais importantes do crescimento econômico e do consumo. O mesmo ocorre com o crescimento do empreendedorismo local impulsionado pela expansão do acesso a serviços digitais. Empresas locais e globais desenvolverão produtos e serviços voltados especificamente para esses consumidores recém-chegados ao mundo digital.

Essa pode muito bem ser a tendência de TI mais importante de todas. Uma previsão feita em um relatório, pelo Conselho Nacional de Inteligência dos EUA, analisando as principais tendências até 2030, mostra que haverá uma mega tendência ao empoderamento individual; e, como resultado, um amplo desenvolvimento econômico e redução da pobreza extrema e que a porcentagem da população classificada como classe média, irá se expandir substancialmente em quase todos os países. “Mesmo os modelos mais conservadores veem um aumento no total global de pessoas que vivem na classe média dos atuais 1 bilhão ou mais para mais de 2 bilhões de pessoas. Outros veem aumentos ainda mais substanciais com, por exemplo, a classe média global atingindo 3 bilhões de pessoas em 2030.

A Internet móvel agora está trazendo os benefícios de capacitação da revolução digital para quase todas as pessoas no planeta e ajudando a melhorar seu padrão de vida. A promessa de até três bilhões de cidadãos digitais adicionais está transformando a Internet em uma plataforma para inovação verdadeiramente inclusiva e de desenvolvimento econômico.

Mas, junto com seus enormes benefícios, o empoderamento econômico generalizado vem com seu próprio conjunto de desafios. O estudo Global Trends 2030 lista a crescente demanda por alimentos, água e energia como mega tendências mundial. Com bilhões saindo da pobreza e ingressando na classe média e uma população global crescente, podemos esperar um aumento na demanda por esses recursos essenciais, bem como por produtos e serviços de todos os tipos. Grandes inovações tecnológicas e colaborações globais são necessárias para nos ajudar a evoluir para uma economia baseada em padrões de produção e consumo mais sustentáveis.

O que nos traz à última e igualmente desafiadora tendência de TI: a transformação do governo, da saúde e da educação. Os setores público e privado reagiram de maneira bem diferente às mudanças estruturais provocadas pela revolução da tecnologia digital. Nos últimos vinte anos, as empresas adotaram a TI para melhorar significativamente sua produtividade, reduzir custos e se adaptar melhor às condições de mercado em rápida mudança e ao aumento da concorrência. As empresas aprenderam como se tornar organizações digitais eficazes.

No entanto, esses benefícios têm sido menos aparentes no governo, na saúde e na educação”, observa o relatório da McKinsey. “Esses serviços vitais respondem por quase um terço do PIB global, mas ficaram para trás no crescimento da produtividade. Até recentemente, eles demoravam a adotar plataformas baseadas na Web, análises de big data e outras inovações de TI”. No entanto, acreditamos que o governo, a saúde e a educação podem entrar em uma nova era de crescimento da produtividade via TI. Na verdade, o poder e a acessibilidade crescentes da TI estão enfrentando uma pressão crescente para fornecer melhores serviços públicos e sociais a um custo menor, superando cada vez mais a profunda resistência à mudança.

Alinhar o governo às realidades econômicas do século 21 exigirá inovações pelo menos tão disruptivas e profundas quanto aquelas adotadas pelo setor privado. Os gastos do governo têm aumentado constantemente nas nações ricas no século passado. Um relatório do Economist sobre O Futuro do Estado inclui dados mostrando que o gasto médio do governo como porcentagem do PIB em treze países do mundo rico passou de 10% em 1870 para 28% em 1960 e 48% em 2009.

Os cidadãos desses países democráticos e ricos continuaram a exigir mais serviços de seus governantes eleitos. Eles querem educação, saúde, segurança, transporte melhorados e assim por diante. Tudo isso faz parte do processo de se tornar uma economia avançada e uma sociedade rica. À medida que o padrão de vida aumenta nas economias emergentes, seus cidadãos exigem mais e melhores serviços públicos.

Embora os setores público e privado sejam inerentemente diferentes, várias práticas que ajudaram a melhorar a produtividade e a reduzir custos nos negócios nos últimos 20 anos podem ser aplicadas ao governo. Porém, tornar o governo mais eficiente é absolutamente necessário, mas não suficiente. Também é necessário enfrentar os custos crescentes dos serviços sociais, especialmente dos cuidados de saúde.

Os sistemas de TI podem fornecer serviços de saúde com mais eficiência na escala necessária para dar suporte a uma população envelhecida e com vários problemas crônicos. “Controlar os gastos com saúde e melhorar os resultados para os pacientes são objetivos compartilhados por nações ao redor do mundo”, observa o relatório. “Muitas das abordagens usadas para TI, presentes neste relatório, já estão sendo aplicadas hoje, mas em proporções significativamente menores, que ainda levarão tempo para mostrar sua eficácia e reais benefícios.

É o caso da educação. Uma educação acessível e de qualidade é um requisito fundamental da economia do conhecimento do século XXI. Mas, “Na maioria dos lugares, as principais instituições educacionais estão estruturadas hoje como no século 19 e prestam seus serviços da mesma maneira”, observa McKinsey e, em seguida, adiciona uma nota de esperança: “Acreditamos que as tendências descritas neste relatório irão se combinam para forçar os educadores a repensar os modelos de aprendizagem e abraçar novas plataformas e modos de ensino.” Avanços recentes na aprendizagem online, ainda em fase experimental, podem com o tempo expandir significativamente o número de pessoas em todo o mundo com acesso a uma educação de qualidade a custos razoáveis.

É difícil prever como essas tendências de TI se desenvolverão na próxima década. Haverá sérios obstáculos a serem superados ao longo do caminho, como privacidade pessoal e cibersegurança. As empresas terão que se adaptar a novos modelos de negócios e estruturas organizacionais. Tecnologias sofisticadas e mercados em rápida mudança irão valorizar as habilidades e a criatividade em todos os níveis. Algumas das tendências levarão mais de uma década para serem totalmente implementadas, e algumas serão significativamente reformuladas ao longo do caminho. Mas, quando pudermos juntar tudo, tenho certeza de que a TI continuará a ter um impacto transformador nos negócios e na sociedade por muitos anos.

16/11/2020

O dinheiro digital

A Royal Society of Arts (RSA), – Sociedade Real para o Encorajamento das Artes, Manufaturas e Comércio, – foi fundada em 1754 para “encorajar empresas, a ampliar a ciência, refinar a arte, melhorar produtos e estender o comércio”. Hoje, ela se autodenomina “uma organização iluminista comprometida em encontrar soluções práticas inovadoras para os desafios sociais dos nossos dias”.

Em 2013, eles abriram um importante debate, chamado de painel de discussões Da exclusão digital à inovação inclusiva: o caso do dinheiro digital e publicaram um documento sobre este tema. Participaram do ato, além de outros, os professores do Imperial College, David Gann e Gerald George e o professor da University of Queensland, Mark Dodgson.

Neste debate, foi discutido o poder transformador do dinheiro digital e como as transações econômicas estão cada vez mais, mudando da esfera física, para a digital, democratizando os serviços financeiros em todo o mundo e ajudando bilhões de pessoas a ingressar na economia digital e melhorar seu padrão de vida.

Assim como as comunicações e a publicação foram transformadas pelas tecnologias digitais, o mesmo acontecerá com os serviços financeiros. O progresso do dinheiro digital inevitavelmente nos surpreenderá e se desenvolverá de maneiras inesperadas, mas acreditamos que esteja prestes a realizar uma transformação notável na economia global. Isso acabará com a divisão entre aqueles que podem e aqueles que não podem participar das transações econômicas formais. Pode dar início a uma nova era de inovação mais inclusiva, que envolve bilhões de pessoas em todo o mundo na construção de serviços que afetam seu futuro”.

O crescimento massivo de dispositivos móveis conectados à Internet é uma das principais forças que impulsionam a evolução em direção a um ecossistema de dinheiro digital global. Nos últimos vinte anos, a Internet tem sido uma plataforma incrível para inovação, permitindo que empresas startups, grandes instituições, governos, ONGs e todos os demais, desenvolvam e tragam para o mercado muitos novos produtos e serviços digitais. Isso levou à criação de todos os tipos de aplicações. Ele transformou nossas atividades diárias, incluindo a maneira como trabalhamos, fazemos compras, aprendemos, fazemos operações bancárias, ouvimos música, assistimos a filmes e lidamos com o governo.

Para ficar online na década de 1990, era necessário um computador pessoal e uma conta em um provedor de serviços. As transações de comércio eletrônico exigiam um cartão de crédito ou conta bancária. Portanto, embora a Internet fosse realmente capacitadora para aqueles com os meios para usá-la, ela levou a uma enorme divisão digital em todo o mundo.

O alcance global e a conectividade com as quais ficamos tão entusiasmados na fase inicial da Internet não eram, na realidade, tão inclusivos. À medida que nossa economia estava se tornando cada vez mais digital, novas desigualdades surgiram, porque muitas pessoas ao redor do mundo não podiam pagar um PC ou uma conta na Internet e não tinham uma conta bancária ou cartão de crédito. Foi desconcertante ver uma revolução digital global que deixou de fora a maioria da população mundial.

Porém, esse quadro começou a mudar nos últimos anos. Os avanços contínuos da tecnologia, agora estão nos permitindo levar os benefícios de capacitação da revolução digital para quase todas as pessoas no planeta. Os telefones celulares e o acesso à Internet passaram de um luxo a uma necessidade que quase todo mundo pode pagar. Estamos fazendo a transição da economia conectada de PCs, navegadores e servidores da web para nossa economia cada vez mais hiper conectada de dispositivos móveis onipresentes, poderosos e baratos, aplicativos baseados em nuvem e redes de banda larga sem fio.

Um estudo recente da McKinsey examinou os 12 principais avanços tecnológicos disruptivos que transformarão a vida, os negócios e a economia global nos próximos anos. A Internet móvel apareceu no topo da lista: “Equipada com dispositivos e aplicativos de computação móvel habilitados para Internet para quase todas as tarefas, as pessoas cada vez mais realizam suas rotinas diárias usando novas maneiras de compreender, perceber e interagir com o mundo. . . No entanto, todo o potencial da Internet móvel ainda está para ser realizado; ao longo da próxima década, esta tecnologia pode alimentar transformações e interrupções significativas, não apenas devido ao seu potencial de trazer de dois a três bilhões de pessoas a mais para o mundo conectado, mas principalmente, de mover economias em desenvolvimento”.

A Internet móvel está agora inaugurando a próxima fase importante na evolução do dinheiro e dos pagamentos. O dinheiro está continuando sua transformação através dos séculos, de ser incorporado em moedas de ouro e prata, para nada mais do que informação nas carteiras digitais de nossos dispositivos móveis, bem como em nossas contas digitais em algum lugar na nuvem. E, uma vez que quase todas as pessoas no mundo, ricos e pobres, agora têm acesso a dispositivos móveis, este capítulo importante na história do dinheiro traz consigo o potencial de inclusão universal que não existia no passado. O dinheiro digital móvel está chegando, – com o tempo, – a todos os indivíduos em todos os cantos do mundo.

A Internet móvel também está prestes a se tornar uma plataforma para inovações digitais inclusivas, das quais o dinheiro digital e os muitos serviços que surgirão em torno dele são os principais exemplos. A inovação inclusiva é um conceito relativamente novo. Seu objetivo é desenvolver produtos e serviços que quase todos podem pagar, mesmo aqueles que estão na base da pirâmide, ou seja, os grupos socioeconômicos mais pobres em todo o mundo. .

Mas, por si só, a Internet móvel não pode conduzir a transição para um ecossistema de dinheiro digital inclusivo. Se examinarmos a revolução da Internet há 1/4 de século, o que foi verdadeiramente transformador não foi apenas a capacidade de se comunicar e acessar o conteúdo, mas também a capacidade de conduzir transações econômicas de todos os tipos. E para fazer isso, é necessário que nossas plataformas digitais suportem alguns serviços essenciais, em particular a capacidade de estabelecer nossa identidade de maneira única e lidar com pagamentos eletrônicos com segurança.

O acesso a esses serviços digitais não foi um problema, para aqueles de nós, que já tinham identidades únicas no mundo físico, – por exemplo, uma certidão de nascimento, carteira de motorista, conta bancária, passaporte, – que poderíamos usar para estabelecer nossa identidade no mundo digital. No entanto, como agora buscamos tornar essas plataformas digitais verdadeiramente inclusivas, muitas das pessoas que se pretende alcançar não possuem identidades únicas. A inclusão digital age assim como uma função de força para capacitar cada indivíduo no planeta, finalmente dando a cada um algo tão básico quanto sua identidade única, um pré-requisito absoluto para a inclusão econômica e social.

O professor Gerald George e Rajiv Gandhi, falaram sobre a iniciativa da Unique ID (UID) da Índia. O projeto UID visa emitir para cada residente na Índia um número único de 12 dígitos, que será armazenado em um banco de dados centralizado e será vinculado a dados demográficos básicos e biométricos. Entre outros benefícios, o projeto permitirá que os residentes menos favorecidos da Índia se beneficiem dos muitos serviços fornecidos pelo governo e pelo setor privado, incluindo serviços digitais, que agora poderão acessar por meio de seus dispositivos móveis.

Todas essas mudanças são de escala histórica. Embora todas as discussões abertas no painel e no documento da RSA sejam reais e estejam em andamento, sua evolução levará tempo. A maioria dessas mudanças massivas começa lentamente, pois precisamos superar muitos obstáculos técnicos, de mercado e políticos. Mas, em algum momento, uma massa crítica ou ponto de inflexão será alcançado e o progresso será significativamente acelerado. Como escrito nos parágrafos finais do documento RSA:

O potencial do dinheiro digital é extraordinário. Pode ser uma das tecnologias mais transformadoras de todos os tempos. Para bilhões em todo o mundo, carteiras digitais contendo identidades digitais, dinheiro e contas são uma passagem para a inclusão na economia global. Além disso, o surgimento dessa plataforma para inovação inclusiva dará origem a uma infinidade de aplicativos e serviços, muitos dos quais mal podemos imaginar hoje. As inovações que o dinheiro digital irá induzir aumentarão as oportunidades de empreendedorismo gerador de riqueza e o fornecimento de inovações altamente localizadas, aumentando assim os padrões e a qualidade de vida.” 

14/11/2020

“Techlash” – uma ameaça ao crescimento e ao progresso

Há alguns meses, a Information Technology and Innovation Foundation (ITIF) publicou um guia do formulador de políticas para o “Techlash” – o que é e por que é uma ameaça ao crescimento e ao progresso. “A tecnologia da informação (TI) resolve problemas e facilita nossas vidas, permitindo-nos fazer mais com menos?”, Questiona o relatório do ITIF. “Ou isso introduz complexidade adicional em nossas vidas, nos isola uns dos outros, ameaça a privacidade, destrói empregos e gera uma série de outros danos?”

Não faz muito tempo que as tecnologias digitais e a Big Tech eram amplamente vistas como catalisadores de mudanças positivas: a Internet se tornou uma plataforma global para inovação colaborativa; a mídia social foi uma força libertadora, ajudando levantes democráticos como a Primavera Árabe; e o smartphone estava transformando a vida de pessoas em todo o mundo.

Mas, a década de 2010 viu o surgimento do que veio a ser chamado de techlash. O Oxford English Dictionary (OED) define techlash como “uma reação negativa forte e generalizada ao crescente poder e influência de grandes empresas de tecnologia, especialmente aquelas sediadas no Vale do Silício”. O termo parece ter se originado em um artigo de novembro de 2013 no The Economist, que dizia que as elites da tecnologia estão se tornando alguns dos capitalistas mais implacáveis, e “se juntarão a banqueiros e petroleiros na demonologia pública“. Em 2018, techlash foi uma das oito palavras selecionadas como palavras do ano, para ser adicionadas ao OED.

O relatório do ITIF foi publicado no final de 2019, alguns meses antes do advento da Covid-19. Dado que as tecnologias digitais, – a Internet em particular, – mantiveram as economias e sociedades em movimento durante o maior choque que o mundo já experimentou desde a Segunda Guerra Mundial, talvez o techlash agora desapareça e as tecnologias digitais e Big Tech sejam mais uma vez vistas sob uma luz positiva. Mas não é provável que seja o caso, porque, como o relatório mostra, o medo e a oposição à tecnologia não são novidades.

“As pessoas há muito se opõem às novas tecnologias, temendo que não sejam seguras, destruam a moral, prejudiquem empregos, prejudiquem crianças e levem a uma série de outros supostos males.”

Durante a Revolução Industrial, houve pânicos periódicos sobre o impacto da automação nos empregos, voltando aos chamados Luddites, – trabalhadores têxteis que na década de 1810 destruíram as novas máquinas que ameaçavam seus empregos. E, embora o automóvel tenha sido saudado no início do século 20 por fornecer transporte seguro e rápido, também foi vilão de grandes problemas ao longo das décadas, incluindo a segurança, – os EUA tiveram mais de 36.000 mortes no trânsito em 2018, – sem contar a poluição e congestionamento.

O que deu origem ao techlash? O relatório cita várias razões. Em primeiro lugar, a lua de mel acabou. Agora consideramos os avanços que antes pareciam mágicos, por exemplo, a Internet e a Web em meados da década de 1990; motores de busca e e-commerce alguns anos depois; smartphones, streaming de música e vídeo na década de 2000; e assim por diante.

E, mesmo quando a TI era amplamente vista como uma força positiva, livros e artigos começaram a aparecer contrariando o exagero e as afirmações utópicas a que a TI costumava ser propensa, – como IT Doesn’t Matter de Nicholas Carr, que argumentou que as empresas superestimaram o valor estratégico de TI, que estava diminuindo como fonte de diferenciação competitiva porque era cada vez mais onipresente e comoditizada; e Alone Together, de Sherry Turkle, que alertou que a tecnologia estava tendo um impacto cada vez mais negativo em nossas interações sociais.

“Mas o combustível para o incêndio do techlash veio, pelo menos em parte, de eventos reais, incluindo, entre outros, as revelações que a Rússia usou plataformas de mídia social para interferir nas eleições dos EUA de 2016, Cambridge Analytica fez uso indevido de dados do Facebook para fins políticos e o Google foi investigado por violações antitruste”, disse o relatório. Mais de 37% dos entrevistados em uma pesquisa recente do Pew Research Center disseram que os humanos não serão melhores, em um futuro cada vez mais baseado em IA, aumento da vigilância, crimes cibernéticos, guerra cibernética e controle sobre as pessoas.

O relatório argumenta que “Para prosperar e ser competitivo na próxima fase da economia digital, os países devem resistir ao techlash e promover a aceitação da tecnologia … Em vez de techlash, precisamos de ‘realismo tecnológico’ – um reconhecimento pragmático de que as tecnologias de hoje, impulsionadas em particular por TI, são como praticamente todas as tecnologias anteriores: Eles são uma força fundamental para o progresso humano, mas podem, em alguns casos, representar desafios reais que merecem respostas inteligentes e eficazes.” No entanto, “ceder às paixões techlash desaceleraria o crescimento econômico e salarial, reduziria a competitividade nacional e limitaria o progresso em uma série de prioridades sociais críticas, incluindo educação, habitabilidade da comunidade, proteção ambiental e saúde humana”.

O relatório examina 22 das questões techlash mais prevalentes. E aqui está um breve resumo de cinco dessas questões, juntamente com os contra-argumentos do relatório contra cada uma.

1. As empresas de tecnologia estão destruindo a privacidade do consumidor.

A crítica mais generalizada à Internet e às empresas de tecnologia é que elas deram origem ao chamado capitalismo de vigilância que está corroendo a privacidade online de vítimas involuntárias. Mas, na verdade, os usuários on-line “estão bem cientes de que estão fornecendo dados em troca de serviços e obtêm um valor enorme do fato de que esses serviços são muitas vezes gratuitos … Um projeto de lei de privacidade equilibrado e focado pode resolver a maioria dessas preocupações“.

2. As plataformas online estão explorando os consumidores.

Os ativistas frequentemente argumentam que os consumidores não estão recebendo uma compensação adequada por seus dados, que valem mais do que os bens e serviços que recebem em troca. Isso é o equivalente a “querer uma televisão sem anúncios ou assinaturas. Mas as empresas não podem fornecer bens ou serviços sem gerar receita. Isso pode ocorrer por meio de pagamentos diretos de clientes ou por meio de pagamentos indiretos de anunciantes e patrocinadores.”

3. A mídia social facilita a desinformação.

Tecnologias de mídia de massa, – por exemplo panfletos, jornais, rádio, televisão, – há muito tempo são objeto de manipulação e propaganda. Mas, o problema se tornou mais agudo à medida que os modelos de negócios baseados em anúncios prosperam, alimentando a raiva e a polarização com sofisticados algoritmos de IA. “O governo, a indústria, a mídia de notícias e o público têm papéis a desempenhar na resolução do problema … tornando a publicidade mais transparente, melhorando a aplicação de anúncios impróprios, restringindo o conteúdo do anúncio e aumentando os requisitos para confirmar a identidade dos anunciantes.”

4. A AI é inerentemente tendenciosa.

Dado que os algoritmos de IA são treinados usando a vasta quantidade de dados coletados ao longo dos anos, se os dados incluírem preconceitos raciais, de gênero ou outros preconceitos anteriores, as previsões desses algoritmos de IA refletirão esses preconceitos. Isso é particularmente sério em áreas como o policiamento preventivo e no uso de IA pelos tribunais e departamentos de correção para auxiliar nas decisões de fiança, sentença e liberdade condicional. “Para reduzir o potencial do viés algorítmico de causar danos, os reguladores devem garantir que as empresas que usam IA cumpram as leis existentes em áreas que já são regulamentadas para evitar o viés.”

5. A TI está destruindo empregos.

O medo de que as máquinas deixem humanos sem trabalho não é recente. Mas os temores aumentaram compreensivelmente nos últimos anos, à medida que as máquinas estão cada vez mais inteligentes e sendo aplicadas a atividades que exigem inteligência e capacidades cognitivas jamais vistas, sendo de domínio exclusivo dos humanos, até o momento. A Covid-19 provavelmente agravará esse problema à medida que as empresas aceleram sua adoção de TI e de automação. “Embora por centenas de anos a tecnologia tenha eliminado empregos (por exemplo, fabricantes de carroças), ela também criou novos empregos (por exemplo, mecânicos de automóveis) e aumentou os padrões de vida, o que resultou em mais demanda por trabalhadores fazendo as mesmas tarefas (construindo casas, educando pessoas, vendendo mercadorias, etc.)”

Não voltaremos à era utópica e ingênua da TI como salvadora”, conclui o relatório do ITIF. “Devemos, em vez disso, examinar criticamente o impacto da nova tecnologia para ajudar a maximizar seu valor e limitar os danos … sucumbir ao techlash provavelmente reduzirá o bem-estar individual e social. Os formuladores de políticas devem resistir ao techlash e abraçar o “realismo tecnológico” pragmático – reconhecer a tecnologia é uma força fundamental para o progresso humano que também pode representar desafios reais, que merecem respostas inteligentes, cuidadosamente consideradas e eficazes.

08/11/2020

Planejamento é indispensável

Enquanto os cientistas correm para desenvolver uma cura para o Corona vírus, as empresas estão tentando avaliar o impacto dele em suas próprias operações”, escreveu o professor do MIT Yossi Sheffi em seu artigo de 18 de fevereiro no Wall Street Journal.

Assim como os cientistas estão enfrentando um inimigo desconhecido, os executivos também estão trabalhando as Vegas, sem saber se no dia seguinte terão matéria prima para trabalhar, porque o Corona vírus pode causar interrupções na cadeia de suprimentos.

Sheffi é Diretor do Centro de Transporte e Logística do MIT. Ele escreveu sobre a necessidade de resiliência nas empresas e em suas cadeias de suprimentos, – nos livros The Power of Resilience e The Resilient Enterprise, – para que possam reagir melhor frente a grandes eventos inesperados.

Embora aprender com precedentes históricos seja bom, as interrupções recentes na cadeia de suprimentos – o surto de SARS em 2003 na Ásia, o desastre nuclear de Fukushima em 2011 ou as enchentes na Tailândia em 2011 – todos estes eventos foram muito diferentes da pandemia atual. Esses eventos foram muito mais localizados, duraram relativamente pouco tempo e impactaram principalmente a oferta, não a demanda. O impacto da Covid-19 é muito maior, afetando a demanda do consumidor, bem como as cadeias de suprimentos em todo o mundo, e provavelmente durará um pouco mais.

As cadeias de abastecimento de hoje são globais e mais complexas do que eram em 2003”, com fábricas em todo o mundo afetadas por bloqueios e quarentenas. A Apple, por exemplo, trabalha com fornecedores em 43 países.

Em um artigo mais recente sobre como gerenciar o que ele chamou de Recuperação no estilo “enxugar gelo”, Sheffi escreveu que “A pressão para reabrir as economias do mundo está se intensificando. No entanto, reaberturas apressadas provavelmente estimularão ondas de infecções recorrentes em um local após o outro, seguido por mais fechamentos e mais quarentenas. A recuperação econômica global após o desligamento imposto pela pandemia, portanto, não é provável que seja em forma de ‘V’, em forma de ‘U’, em forma de ‘L’ ou em forma de ‘W’.”

Em vez disso, conforme o número de infecções, internações e mortes aumentam e diminuem, ciclos caóticos de renascimento e recaída econômicos afetarão as empresas e suas cadeias de suprimentos. As empresas enfrentam um jogo de “enxugar gelo” global, à medida que o vírus COVID-19 aparece ou desaparece nas cidades, estados e países que hospedam as extensas cadeias de suprimentos das quais as empresas dependem.”

Como as empresas devem gerenciar suas cadeias de suprimentos em um ambiente tão incerto e devastador?

Abordagens convencionais – por exemplo, previsão de demanda, planejamento de produção, – dependem de dados históricos, e não há tais dados neste evento massivo e único.

Dadas essas restrições”, diz Sheffi, “as palavras do General Dwight Eisenhower soam verdadeiras: Planos são inúteis, mas planejamento é indispensável.

O planejamento em tempos tão incertos deve se concentrar na capacidade de reagir de forma rápida às circunstâncias que mudam rapidamente. Fazer isso de forma eficaz exige que a empresa tenha mapeado completamente sua cadeia de suprimentos, incluindo as localizações físicas das fábricas e depósitos de seus fornecedores, para que possa identificar rapidamente quais de seus produtos podem ser afetados por uma paralisação em qualquer um dos locais dos fornecedores. Esse mapeamento não pode ser feito em tempo real. Em vez disso, deveria ter sido feito como parte do planejamento de resiliência da empresa, – especialmente para empresas grandes e complexas que normalmente têm milhares de fornecedores em todo o mundo.

Em seu artigo do WSJ, Sheffi recomenda que, dadas as muitas incógnitas que acompanham as principais interrupções da cadeia de suprimentos, as empresas devem adotar várias etapas just-in-case, incluindo:

  1. Criar um centro de gerenciamento de emergência com regras claras de tomada de decisão;
  2. Estabelecer prioridades para produtos que devam ser produzidos e quais clientes devem ser atendidos primeiro, se a capacidade for significativamente reduzida;
  3. Determinar quais fornecedores fazem peças críticas, rastrear seus estoques e estabelecer fontes alternativas;
  4. A curto prazo, planejar operações que irão maximizar o fluxo de caixa em vez de lucros;
  5. Manter comunicação próxima com autoridades locais e nacionais, bem como com colegas e parceiros.

Esperar o melhor enquanto se prepara para o pior pode não parecer uma boa abordagem empresarial para a crise. Mas, devido à falta de conhecimento, é a estratégia mais prudente para gerenciar riscos.

Agora, falando sobre o impacto da pandemia, a longo prazo, nas cadeias de abastecimento.

A longo prazo, a pandemia irá acelerar as tendências existentes, – por exemplo, a taxa e o ritmo da transformação digital, adoção de IA, robótica e automação; como um artigo recente da The Economist apontou, a transformação das cadeias de suprimentos globais é outra tendência importante que será acelerada rapidamente pela Covid-19.

Não há dúvida de que as empresas estão com pressa em suas cadeias de suprimentos”, disse The Economist. “De janeiro a maio, a interrupção da cadeia de suprimentos foi mencionada quase 30.000 vezes nas declarações de lucros das 2.000 maiores empresas do mundo, contra 23.000 no mesmo período do ano passado. As menções à eficiência diminuíram de 8.100 para 6.700”.

No entanto, o artigo acrescentou que as empresas estão se mostrando bastante resistentes à pandemia. Apesar do impacto do vírus em suas instalações de produção, “a espinha dorsal dos negócios têm, na maior parte, se mantido muito bem … Isso não quer dizer que os negócios estejam crescendo. Mas é a demanda, não a oferta, que está faltando. Se a espinha dorsal não funcionar, será por falta de tarefa, não por falta de força”.

A pandemia provavelmente acelerará uma série de esforços contínuos na cadeia de suprimentos, incluindo produção mais próxima ao consumidor, base de fornecedores diversificada e capacidade de produção diversificada e estoques.

Cadeias de suprimentos extensas serão substituídas por cadeias nacionais e regionais, especialmente para suprimentos essenciais como as dos setores médico e farmacêutico, e para produções complexas, onde as montagens precisam cruzar fronteiras geográficas. O The Economist cita o exemplo das cadeias de suprimentos automotivas, das quais 59% já são inter-regionais. Nos últimos três anos, a participação da China nas peças automotivas importadas pelos EUA caiu 2,2%, enquanto a participação proveniente de outras partes da América do Norte aumentou 2,8%.

Com o tempo, é bem possível que empresas em economias desenvolvidas tentem estabelecer novos clusters de produção nacional e regional, contando com tecnologia e automação em vez de arbitragem de custos de trabalho. A Zara, varejista de roupas espanhola, é um exemplo de empresa que estabeleceu uma base de fornecedores regionais diversificada, não apenas para ajudar a evitar as interrupções, mas também para ajudá-los a reagir mais rapidamente às mudanças de gosto da moda. As diferentes linhas de roupas da Zara chegam às lojas de forma independente, em vez de fazer parte de uma cadeia de suprimentos altamente integrada.

Outra maneira de reduzir as interrupções é mantendo uma fabricação sobressalente ou paralela.

Embora as empresas possam se orgulhar de sua manufatura enxuta, as fábricas do mundo normalmente não funcionam a 100%: em todo o mundo, a proporção da capacidade de produção que as empresas usam está estagnada ou caindo, nas últimas duas décadas.

Há estoque disponível.

É amplamente aceito que as cadeias de suprimentos modernas consomem implacavelmente a resiliência, mas isso não é totalmente verdade. Os investidores punem empresas que acumulam ações, mas eles também olham com desconfiança para empresas que trabalham exageradamente próximas ao seu limite”.

É difícil prever o impacto a longo prazo da pandemia sobre a eficiência-resiliência, enquanto ainda estamos no meio da tempestade. Haverá uma mudança significativa no equilíbrio em direção à resiliência? Ou uma empresa que investe em resiliência acabará em desvantagem competitiva se outros em seu setor sobreviverem sem fazer tais provisões? O tempo dirá.

02/11/2020

O novo normal digital

A mudança foi radicalmente transformadora e muito difícil de adoção por grandes empresas. Ao longo dos anos, as grandes empresas acumularam ativos valiosos e organizações extensas. Já ocupados com o gerenciamento de suas operações, elas olharam para a mudança mais como uma ameaça do que uma oportunidade, – mas, neste caso, do cenário pandêmico, não houve outra escolha.

Uma crise séria é uma oportunidade para se concentrar nas ações necessárias para sobreviver em um ambiente em rápida mudança. Se um gestor ou empresário nunca se deparar e atravessar uma crise seria em sua carreira, ele nunca vai estar preparado para um real desafio.

Quando as empresas entraram na crise da Covid-19 – sem dúvida o maior impacto que o mundo já experimentou, desde a Segunda Guerra Mundial – as empresas buscaram acelerar sua jornada em direção ao que, quase todos concordam, que será um futuro cada vez mais digital.

A crise do COVID-19 fornece um vislumbre repentino de um mundo futuro, no qual o digital se torna o centro para cada interação, forçando organizações e indivíduos a subirem mais na curva de adoção de tecnologias, quase da noite para o dia”, disse o artigo da McKinsey, Estratégia Digital em um tempo de crise.

Um mundo no qual os canais digitais se tornam o principal (e, em alguns casos, o único) modelo de engajamento do cliente e processos automatizados se tornam o principal impulsionador da produtividade – e a base de cadeias de suprimentos flexíveis, transparentes e estáveis. Um mundo no qual formas ágeis de trabalhar são um pré-requisito para atender às mudanças aparentemente diárias no comportamento do cliente.

Nesse mundo futuro, as empresas devem aprender mais rápido do que nunca, que uma crise é um “mandato para ser ousado”, observa o artigo, e recomenda que as empresas concentrem seus esforços em algumas dessas ações ousadas:

Ofertas digitais atraentes

“… a maioria das organizações está procurando substitutos virtuais para suas ofertas físicas, ou pelo menos novas maneiras de torná-las acessíveis com o mínimo de contato físico.” mas isso é mais fácil dizer do que fazer. Os produtos e serviços físicos evoluíram e foram aperfeiçoados ao longo de muitos e muitos anos. Uma recriação digital direta de uma oferta física geralmente resultará em uma experiência do usuário muito inferior. Em vez disso, a oferta deve ser reinventada para o mundo digital. O design thinking pode desempenhar um papel importante em tal reinvenção.

Uma abordagem centrada no design é focada antes de tudo na experiência do usuário. O bom design visa tornar nossas interações com produtos e instituições complexas – por exemplo, uma empresa, um provedor de saúde, uma sala de aula, uma função governamental – tão atraentes e intuitivas quanto possível. Isso é o que as empresas precisam fazer agora ao trazerem suas ofertas físicas para o mundo digital.

Novos modelos operacionais e de negócios

Embora os resultados variem significativamente de acordo com a indústria, alguns temas comuns sugerem as próximas mudanças normais nas estruturas de custo e modelos operacionais daqui para frente

O artigo cita três dessas novas mudanças normais em particular:

  1. Força de trabalho remota e automação;
  2. Transparência e flexibilidade da cadeia de suprimentos; e
  3. Segurança de dados.

As transformações de negócios mais bem-sucedidas são aquelas que alavancam os principais ativos de uma empresa e os trazem para o futuro integrando os principais ativos com as novas tecnologias e modelos de mercado. Por exemplo, um fator importante na rápida adoção comercial da Internet em meados da década de 1990 foi a relativa facilidade com que as empresas integraram seus principais sistemas back-end com um front-end da web, para que qualquer cliente com um PC e um navegador agora pudesse acessar suas transações legadas e aplicativos de banco de dados a qualquer hora, de qualquer lugar. Da mesma forma, a maneira mais pragmática de as empresas entrarem na curva de aprendizado de IA é aprimorando seus processos de negócios existentes com recursos de IA, transformando assim seus processos legados em processos conectados inteligentes.

Aprendendo no ritmo da crise

“Em situações de extrema incerteza, as equipes de liderança precisam aprender rapidamente o que está e o que não está funcionando e por quê … A ação ousada e a capacidade de aprender estão altamente relacionadas.”

O artigo da McKinsey recomenda várias áreas-chave que devem ajudar as empresas a aumentar o ritmo de aprendizado durante a crise.

Adoção de novas tecnologias e modelos de trabalho. A crise do COVID-19 “tornou a experimentação uma necessidade e uma expectativa”. A mudança abrupta de operações e interações físicas para virtuais é uma excelente oportunidade para aumentar o ritmo do mundo real de aprender a melhor implantar novas tecnologias digitais.

Além disso, a mudança para operações virtuais exige que as empresas mudem os modelos de trabalho aos quais os funcionários, clientes e parceiros de negócios se acostumaram, começando com como melhorar a experiência geral do usuário digital.

Escalabilidade rápida

Escalar o que você aprende é sempre um obstáculo em uma transformação digital.” Em tempos normais, as empresas podem não ter pressa em traduzir o que aprenderam em soluções digitais confiáveis, escaláveis e prontas para a produção. Mas, queiram ou não, a crise está forçando as empresas a fazerem a transição de seus pilotos experimentais para operações em escala real em tempo recorde. Isso é muito desafiador, mas também é uma oportunidade de aprendizado em tempo real com uma base de usuários mais indulgente e grata.

Efeitos sistêmicos. A rápida transição do físico para o virtual requer a mudança de vários modelos operacionais e de negócios simultaneamente, tornando muito importante avaliar como todos eles interagem e potencialmente interferem uns com os outros.

O artigo cita o exemplo de provedores de saúde, que estão enfrentando “uma maior demanda por serviços (incluindo saúde mental e outras apresentações não COVID-19) ao mesmo tempo que seus canais tradicionais são restritos, tudo no contexto de leis de privacidade estritas . Isso fez com que muitos provedores testassem e adotassem rapidamente protocolos de Tele saúde que muitas vezes não existiam em muitos consultórios médicos antes, e navegassem na conformidade com a privacidade, bem como na receptividade do paciente ao envolvimento nesses novos canais. ”

Algo semelhante está ocorrendo no ensino à distância, e-shopping, trabalho em casa, e-reuniões, videoconferências e outras atividades físicas que agora foram forçadas a se tornarem virtuais.

Simplifique e concentre-se

Dadas as enormes complexidades e desafios dessa virtualização forçada, as organizações devem aproveitar as vantagens dos métodos ágeis para ajudá-las a simplificar, focar e evitar a sobrecarga. Para fazer isso, eles precisam coletar e avaliar rapidamente dados em tempo real sobre clientes e mercados para ajudar a determinar o que está funcionando, o que não está, por que e como corrigir ou mudar o curso.

Muitas vezes, nos assuntos humanos, as maiores lições emergem dos tempos de crise mais devastadores”, conclui o artigo. “Acreditamos que as empresas que puderem atender e superar simultaneamente as demandas críticas e do dia a dia de sua resposta à crise poderão obter percepções exclusivas e respostas para ajudar a garantir que seu futuro digital seja mais robusto com o COVID- 19 do que quando nele entrou. ”

Além da Guerra de Preços: O Oceano Azul na Conectividade Brasileira

Introdução Lançado em 2005 por W. Chan Kim e Renée Mauborgne, A Estratégia do Oceano Azul revolucionou o pensamento estratégico...