08/08/2006

A liderança da Inovação

O Innovation Summit de Stanford de 2006 foi patrocinado pela AlwaysOn, uma rede social para profissionais de tecnologia, mídia e negócios. A AlwaysOn foi fundada por Tony Perkins, criador da Red Herring e da Upside.

O Stanford Innovation Summit, trouxe, em um dos seus painéis "Os Estados Unidos ainda têm um controle sobre a inovação?". Este é um assunto amplamente discutido, dado o mundo cada vez mais competitivo em que vivemos. Uma questão importante levantada é: se importa de onde vem a inovação e se faz sentido falar sobre algum país ter um "controle sobre a inovação" em um mundo integrado, conectado e plano.

O painel discutiu uma série de tópicos, desde Propriedade Intelectual até a China como uma potência inovadora emergente. Mas o tema central das discussões foi a imigração. Houve consenso de que, para os Estados Unidos, a imigração tem sido um dos principais motores da inovação. Os países e empresas que têm uma tradição de acolher e aceitar diferentes povos – uma cultura de diversidade – terão vantagem nesse mundo cada vez mais global e colaborativo. Seja falando de inovação ou negócios, o fato é que sociedades multiculturais com muitas visões e habilidades diferentes tem grande vantagem ao  compartilhar essa cultura de diversidade.   
O painel também demonstrou sua preocupação de que os EUA estejam se fechando e dificultando a vinda de pessoas para estudar e trabalhar. É um movimento natural que os EUA se tornassem mais vigilantes após os ataques terroristas de 11 de setembro e as constantes ameaças à segurança em todo o mundo. Mas há uma preocupação, de que uma sociedade aberta e multicultural esteja sob ataque e que os problemas de imigração enfrentado por profissionais e estudantes sejam a manifestação de um nacionalismo crescente – uma espécie de cultura isolacionista e nativista do tipo "vamos sozinhos". Ao longo da história, vimos que é difícil para um país se tornar ou permanecer um líder em inovação se ele se fechar para o mundo.   

Nesse sentido é preocupante ver algumas figuras poderosas da mídia e da política em debates sobre imigração nos EUA, colocando os imigrantes de primeira geração, bem como os filhos de imigrantes, em desconforto e em estado de atenção sobre sua permanência no país.

As questões em torno da imigração são complexas. Há uma necessidade de solução, mas isso envolve reforço da segurança das fronteiras; maior diligência na aplicação das regras trabalhistas; busca de equilíbrio entre a demanda e a oferta de mão de obra; e uma maneira prática e decente de lidar com a população de imigrantes ilegais. 

O painel ainda discutiu que quer gostemos ou não do projeto de lei do Senado ou ache que ele precisa de melhorias, seria importante envolver  a todos em um debate para construir um consenso em torno de uma questão tão importante. Infelizmente, isso não está acontecendo. Em vez disso, os críticos pró reforma imigratória redobraram seus esforços para adotar uma abordagem simples: endurecer com os imigrantes e ponto final. Eles estão retratando a imigração ilegal como a ameaça mais urgente que o país enfrenta, responsável pela ansiedade econômica sentida por muitos trabalhadores de renda média e baixa. De fato, a reforma imigratória tem sido retratada por alguns como parte de uma "Guerra contra a Classe Média" conduzida pelo governo, empresas e outros.   

Culpar instituições, como o governo e as empresas, pelos males da sociedade não é justo, mesmo que a culpa seja totalmente injustificada. Essas instituições têm os meios para se defender e a história mostra que, quando se escolhe atacar um grupo impotente e desfavorecido – como os imigrantes ilegais pobres –, demoniza-se e tenta-se fazer deles bodes expiatórios para qualquer raiva que o país possa estar sentindo, isso não só é injusto, como muitas vezes termina com consequências ruins. 

Os EUA continuarão a ser líderes em inovação no século XXI? Sim. Um mundo em rápida transformação exige flexibilidade e adaptabilidade, ambos pontos fortes dos Estados Unidos. O fato da sociedade estar enraizada em instituições democráticas e princípios de livre mercado é de suma importância. Já houveram outros períodos nacionalistas e isolacionistas no passado, que foram resolvidos, há uma confiança, por todos os participantes, de que passaremos por isso novamente. 

É preciso lembrar que, desde a fundação dos Estados Unidos, sua cultura cresceu em diversidade e abertura, assimilando e se beneficiando de muitas culturas diferentes sem, ao mesmo tempo, eliminá-las. Especialistas concordam que a diversidade – de perspectivas, ideias, informações, pensamento, etc. – é um elemento essencial para o florescimento da inovação. E a profunda diversidade dos Estados Unidos tem sido um dos principais fatores que os tornaram líderes em inovação. Essas qualidades serão ainda mais importantes à medida que a competição global pela liderança em inovação se intensifica.

E esse foi um dos mais políticos eventos tecnológicos que já tive a oportunidade de acompanhar.

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