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11/05/2026

Além da Guerra de Preços: O Oceano Azul na Conectividade Brasileira

Introdução

Lançado em 2005 por W. Chan Kim e Renée Mauborgne, A Estratégia do Oceano Azul revolucionou o pensamento estratégico ao propor uma alternativa à competição predatória. Os autores diferenciam dois ambientes de mercado:

1. Oceano Vermelho: espaços conhecidos, saturados de concorrentes, onde as empresas brigam por fatias cada vez menores de um mercado estagnado. O resultado é guerra de preços, margens reduzidas e crescimento lento.
2. Oceano Azul: mercados inexplorados, sem concorrência direta. Em vez de lutar pelo mercado existente, a empresa cria nova demanda, inova em valor para o cliente e torna a concorrência menos relevante.

O livro surge num contexto pós-bolha da internet e de saturação em diversos setores. Ao estudar 150 movimentos estratégicos em 30 setores ao longo de 100 anos, os autores concluíram que nenhuma empresa obteve sucesso sustentável competindo apenas no "oceano vermelho". Exemplos clássicos incluem o Cirque du Soleil (reinventou o circo sem animais) e a Nintendo Wii (concorreu com não-jogadores).

A pergunta que se impõe agora é: como aplicar esse conceito às telecomunicações do Brasil? E, mais especificamente: ainda há um oceano azul para a conectividade no país?

O Estado Atual das Telecomunicações Brasileiras: Um Oceano Vermelho Típico

Para responder, é preciso primeiro reconhecer que o grosso do setor – planos pós-pagos, banda larga fixa em áreas urbanas, combos de TV por assinatura – opera em pleno Oceano Vermelho. As gigantes Vivo, Claro, TIM disputam agressivamente o mesmo perfil de consumidor, municípios e faixas de renda. Os sintomas são clássicos:

· Guerra de preços em franquias de dados ("lives sem desconto").
· Alta rotatividade (churn) e custos de aquisição crescentes.
· Commoditização da conectividade: "internet é internet" aos olhos do cliente.

Nesse ambiente, a diferenciação é mínima e a lucratividade, pressionada. No entanto, afirmar que o setor inteiro é um oceano vermelho seria ignorar enormes oportunidades. A chave está em abandonar a lógica de "vender mais internet para quem já tem" e explorar os não-consumidores e necessidades não atendidas perifericamente.

Ainda há Oceano Azul? Sim, em Quatro Frentes

A resposta direta à pergunta é sim, mas não na forma tradicional. O oceano azul na conectividade brasileira não está em oferecer mais megabits por real, mas em conectividade que resolve problemas específicos para grupos não atendidos pelas operadoras tradicionais.

1. Conectividade para quem não está servido

O Brasil ainda tem milhões de pessoas em áreas rurais, ribeirinhas e comunidades isoladas sem acesso adequado à internet. Para as grandes operadoras, o custo de levar fibra ótica até uma fazenda no interior do Amazonas ou a um pequeno agricultor no sertão é proibitivo.

Oceano Azul: Redes comunitárias, Wi-Fi rural utilizando sobras de espectro e parcerias com provedores regionais (ISPs pequenos). Mais do que acesso, criar soluções de valor agregado – por exemplo, ensinar o agricultor a usar sensores IoT para previsão de clima e manejo de pragas. Quem fizer isso não está vendendo internet; está vendendo produtividade rural.

2. Conectividade como serviço para a base da pirâmide

O brasileiro de baixa renda já compra chips pré-pagos – 5 GB por R$ 20, às vezes R$ 10. Mas esse acesso não é suficiente para trabalho remoto, estudo ou telemedicina. A necessidade real é outra.

Oceano Azul: Planos que não vendem "minutos" ou "gigas", mas resultados. Imagine um pacote que inclui conectividade + acesso a uma plataforma de cursos profissionalizantes gratuitos (parceria com Senai, Sebrae) + telemedicina básica + pequeno microcrédito digital. Empresas como a Blink (incorporada à Vivo) já ensaiaram esse caminho: vender um ecossistema de serviços com a conectividade como meio, não como fim.

3. Conectividade para máquinas (IoT industrial e agronegócio)

O campo e as fábricas já têm cobertura 4G/5G, mas o gargalo é outro: adaptar equipamentos antigos (tratores, motores, bombas) para enviar dados em tempo real é caro e complexo para o pequeno e médio produtor.

Oceano Azul: Oferecer soluções pré-montadas – um kit com sensor, chip de IoT, dashboard simples e manutenção inclusa – que um pecuarista médio possa instalar sozinho para monitorar pasto, vacas e porteiras. O cliente não quer um plano de dados; ele quer saber se a cerca da matriz arrombou. Quem fizer a ponte entre tecnologia (conectividade) e aplicação (problema resolvido) cria um mercado novo.

4. Conectividade temporária e por demanda

O modelo atual é de assinatura mensal, use ou não use. Isso gera ineficiências para muitos negócios.

Oceano Azul: Planos de conectividade por hora ou por evento. Exemplos concretos:

· Feiras, congressos e eventos que precisam de internet de alta capacidade por poucos dias.
· Canteiros de obras temporários.
· Consultórios médicos ou escritórios pop-up.
· Zonas de desastre (enchentes, apagões) que precisam de comunicação emergencial.

Empresas como a Starlink já oferecem internet via satélite, mas o custo ainda é elevado. A oportunidade está em um serviço de aluguel de roteador 5G com seguro por dia usado, direcionado a pequenos negócios e eventos. Não é um produto de massa, mas um nicho de alto valor.

Um Exemplo Prático: Conectividade que Educa e Empreende

Imagine uma operadora regional que decide aplicar a estratégia do Oceano Azul. Em vez de competir com outras empresas na capital, ela foca em assentamentos rurais no interior dos estados. Ela não vende apenas internet; vende um "kit de inclusão digital produtiva":

· Roteador com painel solar (porque a energia pode falhar).
· 100 GB mensais dedicados a uma plataforma de educação a distância (cursos do AgroSenai).
· Acesso a uma central de telemedicina por R$ 5/mês.
· Um mercado digital local onde o agricultor pode vender direto.

Resultado: O cliente não tem motivos para trocar de operadora – porque não há concorrência oferecendo essa combinação. A empresa criou uma nova curva de valor, exatamente como pregam os autores do livro, Kim e Mauborgne.

Conclusão: O Futuro não é mais Banda Larga, é Solução

O Oceano Azul nas telecomunicações brasileiras existe, mas exige uma mudança de mentalidade. As operadoras que continuarem a brigar por megabits e preços no varejo urbano permanecerão no vermelho, brigando por margens. Aquelas que ousarem olhar para quem não está conectado por custo ou geografia, ou quem está conectado mas não usa a internet para gerar renda, ou ainda quem conecta objetos em vez de pessoas – essas encontrarão águas azuis e lucrativas.

Como dizem os autores: não é sobre superar a concorrência, é sobre torná-la menos relevante para seus negócios. No Brasil, isso significa parar de vender acesso e começar a vender resultados: produtividade, educação na periferia, saúde a distância, eficiência na indústria.

A pergunta não é mais "ainda há oceano azul para conectividade?". A pergunta certa é: quem vai parar de olhar para o concorrente e começar a olhar para o cliente ignorado?

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Referências conceituais: KIM, W. Chan; MAUBORGNE, Renée. A Estratégia do Oceano Azul. 2005.

15/03/2025

O Momento Atual dos Carros Elétricos e Híbridos: Vantagens e Desvantagens

A indústria automotiva está passando por uma das maiores transformações de sua história, com a crescente popularização de veículos elétricos (EVs) e híbridos. Motivados por preocupações ambientais, avanços tecnológicos e políticas governamentais, esses veículos estão se tornando uma alternativa viável aos carros tradicionais a combustão. No entanto, apesar dos benefícios, ainda existem desafios significativos a serem superados.  

Neste artigo, comento o cenário atual dos carros elétricos e híbridos, destacando suas vantagens e desvantagens, além de discutir o futuro dessa tecnologia.  

1. O Crescimento dos Carros Elétricos e Híbridos
Nos últimos anos, a adoção de veículos elétricos e híbridos tem crescido exponencialmente. Segundo a International Energy Agency (IEA), em 2024, mais de 14 milhões de EVs estavam em circulação no mundo, representando um aumento significativo em relação a anos anteriores. Alguns fatores que impulsionam esse crescimento incluem:

- Regulamentações governamentais: Países como Noruega, Alemanha e China estão incentivando a transição para veículos limpos por meio de subsídios, isenções fiscais e restrições a carros a combustão.  
- Avancos tecnológicos: Baterias mais eficientes (como as de íon de lítio) e maior autonomia estão tornando os EVs mais atraentes.  
- Conscientização ambiental: A preocupação com as mudanças climáticas tem levado consumidores a optar por alternativas sustentáveis.  

Destaques do Mercado em 2024
- Tesla continua liderando o mercado de EVs, mas enfrenta concorrência de montadoras tradicionais como BYD, Volkswagen e Ford.  
- Carros híbridos (que combinam motor a combustão e elétrico) ainda são populares em regiões com infraestrutura de recarga limitada.  

2. Vantagens dos Carros Elétricos e Híbridos
a) Benefícios Ambientais
- Redução de emissões: Veículos elétricos não emitem poluentes, ajudando a diminuir a poluição urbana.  
- Eficiência energética: Motores elétricos convertem mais de 90% da energia em movimento, contra apenas 30-40% dos motores a combustão.  

b) Economia a Longo Prazo 
- Menor custo de manutenção: EVs têm menos peças móveis, reduzindo gastos com troca de óleo, correias e escapamentos.  
- Recarga mais barata que combustível: Em muitos países, eletricidade é mais econômica que gasolina ou diesel.  

c) Conforto e Tecnologia
- Aceleração instantânea: Motores elétricos oferecem torque imediato, proporcionando uma direção mais suave e rápida.  
- Tecnologias avançadas: Muitos EVs vêm com sistemas de automação, conectividade e atualizações por software.  

3. Desvantagens e Desafios
Apesar dos avanços, ainda existem barreiras significativas para a massificação dos carros elétricos e híbridos.  

a) Alto Custo Inicial
- Preço de compra elevado: A tecnologia das baterias ainda é cara, tornando os EVs mais caros que carros convencionais.  
- Baterias e substituição: A vida útil das baterias é longa (cerca de 8-15 anos), mas sua troca pode custar até 60% do valor do veículo novo.  

b) Infraestrutura de Recarga
- Falta de postos: Em muitos países, a rede de carregadores ainda é insuficiente, especialmente em zonas rurais.  
- Tempo de recarga: Mesmo com carregadores rápidos, recarregar um EV leva mais tempo que abastecer um carro a gasolina.  

c) Impacto Ambiental Indireto
- Produção de baterias: A extração de lítio, cobalto e níquel pode causar danos ambientais e problemas éticos (trabalho em minas, análogos a escravidão, por exemplo).  
- Fontes de energia: Se a eletricidade vier de usinas a carvão, o benefício ecológico dos EVs diminui muito.  

4. O Futuro dos Veículos Elétricos e Híbridos
Apesar dos desafios, o futuro parece promissor. Algumas tendências incluem:  

- Baterias de estado sólido: Prometem maior autonomia e recarga mais rápida.  
- Carregamento ultrarrápido: Tecnologias como a da Tesla Supercharger V4 reduzem o tempo de recarga para minutos.  
- Legislações mais rígidas: A União Europeia planeja banir carros a combustão até 2035, acelerando a transição.  

5. Conclusão
Os carros elétricos e híbridos representam uma revolução no transporte, trazendo benefícios ambientais, econômicos e tecnológicos. No entanto, questões como custo, infraestrutura e impacto da produção de baterias ainda precisam ser resolvidas. À medida que a tecnologia avança e os governos e indústrias investem em soluções sustentáveis, é provável que os EVs dominem as estradas nas próximas décadas. Para os consumidores, a escolha entre um carro elétrico, híbrido ou a combustão dependerá de fatores como orçamento, necessidades de mobilidade e acesso à infraestrutura de recarga. O momento é de transição, e o caminho para um futuro totalmente elétrico está apenas começando.

27/12/2023

Nuvem, segurança, mobilidade e MPLS

Um edifício e uma rede de computadores não são diferentes: ambos precisam de uma base sólida para permanecerem estáveis e seguros. Se a base não for boa ou segura não há como atender aos padrões desejados. E falando de redes, a disponibilidade, a segurança e o desempenho são a base do bom funcionamento.

Por tradição, as organizações confiam muito no Multi-Protocol Label Switching (MPLS), pela sua confiabilidade, segurança e conectividade de alta velocidade. No entanto, a adoção do MPLS está diminuindo após vários anos de domínio.

Embora o MPLS sempre tenha sido considerado seguro, pois atua em um ambiente ou infraestrutura privada, o MPLS ainda é vulnerável a ataques de DDoS. Além disso, as redes MPLS não são criptografadas e, portanto, qualquer indivíduo com acesso físico à conexão poderia interceptar as comunicações.

1. O MPLS foi desenhada para uma outra época

O MPLS foi introduzido na década de 1990, quando as redes eram muito mais simples e os usuários operavam a partir de um local fixo. Os softwares, sistemas e aplicativos corporativos eram hospedados internamente e o tráfego das filiais eram direcionados para um data center interno da empresa, para inspeção de segurança. Hoje, a localização do usuário não é fixa e a maioria dos sistemas está na nuvem. Para proteger usuários, sistemas, aplicativos e serviços, todo o tráfego da nuvem e da Internet teria que ser transferido para um data center central ou regional – uma coisa incabível de se fazer hoje, pois isso consome a preciosa capacidade do MPLS, levando à degradação do desempenho da Internet e da nuvem (também conhecido como efeito trombone).

2. Instalar e manter uma MPLS não é barato

Redes MPLSs são caras. Uma nova rede MPLS para cada novo escritório nem sempre é viável do ponto de vista econômico. Dependendo da complexidade ou localização da infraestrutura, as implantações de MPLS podem demorar muito (de 30 dias a seis meses); elas podem exigir recursos qualificados. Além disso, apenas um número limitado de operadoras podem fornecer serviços MPLS. Estes fornecedores não têm incentivos para negociar ou reduzir os custos. Trocar de operadora MPLS geralmente é a última opção e pode ser um processo lento e dispendioso.

3. Acordos de nível de serviço (SLAs) são ótimos no papel, mas não tão bons na vida real

Embora os SLAs proporcionem algum nível de conforto e responsabilidade, a realidade é que a aplicação de penalidades ao não cumprimento das metas dos SLAs é um desafio. Às vezes as cláusulas de exclusões podem ser muito abrangentes (por exemplo: SLAs limitados a localizações geográficas específicas) para limitar o escopo da penalidade. Mesmo que sejam impostas sanções, estas não compensarão os danos financeiros e de reputação por uma interrupção nos serviços. Além disso, a implantação de redes de redundância de última milha (conexões ativas-ativas com failover automático) nem sempre é viável para pequenas filiais.

A Internet é um bom substituto, mas tem suas limitações

Os usuários móveis podem acessar a rede corporativa e os aplicativos em nuvem pela Internet usando VPNs. Isso, no entanto, tem o custo de latência. Outra alternativa é utilizar o Acesso Dedicado à Internet (DIA), mas a Internet ainda não é tão confiável e segura quando comparada ao MPLS e pode não fornecer uma experiência de usuário, especialmente usuários que precisam de alta confiabilidade para aplicativos de missão crítica ou sensíveis a perdas. A Internet também apresenta falhas de design, como os algoritmos de roteamento sem consciência dos fluxos de tráfego, perdas de pacotes, jitter, latência ou congestionamento. Além disso, sabe-se que os prestadores de serviços abusam ou manipulam o encaminhamento da Internet em prol dos seus próprios interesses. Os provedores de serviços também podem encaminhar pacotes intencionalmente por longas distâncias, apenas porque faz mais sentido financeiro fazer isso.

A convergência de SD-WAN e segurança é o melhor caminho para a substituição do MPLS

A Rede de Amplo Alcance Definida por Software (SD-WAN) permite às organizações sobrepor seu tráfego (MPLS ou Internet) em uma sub camada (inteligência de roteamento de tráfego), permitindo escolher o caminho ideal para a entrega mais rápida de pacotes, permitindo um desempenho mais rápido a custos reduzidos, independentemente da localização. Além disso, o SD-WAN permite que as organizações implementem conexões ativas/ativas com failover automático, bem como uma série de diversos métodos de roteamento, para cumprir ou até mesmo exceder os compromissos de SLA prometidos pelos provedores de MPLS.

Resumindo, a SD-WAN pode interromper a abordagem legada de uso de MPLS para conectividade de última milha. Mas a SD-WAN por si só não é ideal. Os usuários móveis não são suportados por SD-WANs. Muitas equipes de TI são forçadas a criar camadas adicionais de infraestrutura de segurança e mecanismos de controle apenas para fornecer aos usuários móveis acesso seguro a aplicativos de nuvem pública e recursos WAN. A SD-WAN ajuda a abordar a última milha, mas ela pode ser considerada a milha intermediária.

Como superar os desafios de um provedor de serviços de Internet intermediário não confiável?

Secure Access Service Edge (SASE) é uma arquitetura de rede que converge SD-WAN com vários controles de segurança (ou seja, firewall, IPS, segurança de endpoint, gateway web seguro, acesso de rede de confiança zero) em um único serviço de nuvem. Ele aproveita a estrutura SD-WAN para monitorar ativamente as condições de conectividade, escolhendo dinamicamente o caminho ideal, minimizando a perda de pacotes e atendendo às metas de SLA. Os usuários móveis e fixos são protegidos com um conjunto de protocolos de segurança sem a necessidade de backhaul de tráfego ou instalação de hardware de segurança adicional. Algumas SD-WANs fornecem um backbone privado global com camadas de redundâncias em pontos de presença (POPs) e servidores. Os dispositivos SD-WAN conectam-se automaticamente ao backbone disponível mais próximo, garantindo tempo de atividade e eliminando a necessidade de medidas complexas de alta disponibilidade e redundância. Em 2018, o Gartner previu que a tecnologia SD-WAN acabaria por eliminar o MPLS. O Gartner fez uma nova previsão afirmando que até 2026, 60% das compras de SD-WAN farão parte de uma oferta SASE de um único fornecedor. Se as organizações se aprofundarem para compreender os benefícios que ele oferece em relação ao MPLS e ao SD-WAN tradicional, sem dúvida perceberão que o SASE está preparado para substituir o antigo MPLS no devido tempo.

03/02/2023

Carteiras digitais de código aberto e o futuro da Internet


Em setembro, a Linux Foundation (LF) anunciou sua intenção de formar a Open Wallet Foundation (OWF), no evento Open Source Summit Europe, em Dublin. O OWF quer desenvolver um software de código aberto e utilizar as principais boas práticas, para que qualquer pessoa possa criar carteiras digitais multiplataforma, altamente seguras e que protegem a privacidade das pessoas. Além disso, o OWF defenderá a adoção de carteiras de código aberto que possam ser usadas para oferecer suporte a aplicativos de pagamentos a identidades digitais.




O LF foi fundado em 2000 como o Open Source Development Labs para ajudar a definir os padrões para o sistema operacional Linux e dar suporte ao seu desenvolvimento contínuo e adoção comercial. O projeto cresceu ao longo dos anos e assumiu o nome atual, Linux Foundation, em 2007. Na última década, o LF passou por uma grande expansão além de sua missão Linux original. Agora, ela tem mais de 1.260 empresas membros e oferece suporte a centenas de projetos de código aberto. Alguns dos projetos estão focados em vertentes horizontais de tecnologia – como IA, blockchain, segurança e nuvem – e outros em setores verticais da indústria, como energia, automação, governo e assistência médica.

Deixe-me comentar a importância disso, abordando três questões principais:O que é uma carteira digital?;
O que são identidades digitais?; e
Por que precisamos de carteiras digitais de código aberto?
O que é uma carteira digital?

As carteiras digitais são geralmente definidas como um aplicativo em nossos smartphones, onde armazenamos as versões digitais dos itens que carregamos em nossas carteiras físicas. Isso inclui cartões digitais de crédito e débito e outras informações financeiras que nos permitem fazer pagamentos sem contato com cartões de crédito físicos. Elas também são usadas para armazenar e organizar uma variedade de itens, incluindo cartões de fidelidade, passagens aéreas, reservas de hotel, carteira de motorista, informações sobre vacinas e ingressos para eventos, bem como versões digitais de chaves de carros, casas, locais de trabalho e quartos de hotel.

Os aplicativos de carteira digital são oferecidos por empresas como Apple, Google e Samsung para suas respectivas plataformas, bem como empresas de pagamento como PayPal, Venmo e Zelle. Um mecanismo carteira digital de código aberto, forneceria um código-fonte comum para qualquer pessoa desenvolver carteiras interoperáveis e seguras, bem como as interfaces necessárias para desenvolver uma variedade de aplicativos.

Mas, além de suas aplicações atuais, as carteiras digitais estão sendo cada vez mais usadas para autenticar nossas identidades digitais individuais e outras credenciais pessoais importantes. Como resultado, as carteiras digitais desempenharão um papel crítico ao nos permitir levar nossa identidade digital de um lugar para outro no mundo digital. E, com o tempo, elas suportarão muitos outros dispositivos pessoais que usamos para interagir com o mundo digital, incluindo smartphones, laptops, desktop, tecnologias vestíveis e dispositivos IoT conectados a objetos físicos como nossos carros e casas.
O que são identidades digitais?

A identidade desempenha um papel importante na vida cotidiana. Pense em ir a um escritório, entrar em um avião, fazer login em um site ou fazer uma compra online. A identidade é a chave que determina as transações específicas nas quais podemos participar legalmente, bem como as informações que temos direito de acessar. Mas geralmente não prestamos muita atenção ao gerenciamento de nossas identidades, a menos que algo dê muito errado.

Durante grande parte da história, nossos sistemas de identidade foram baseados em interações face a face e em documentos e processos físicos. Mas a transição para uma economia digital requer sistemas de identidade radicalmente diferentes. Em um mundo cada vez mais governado por transações e dados digitais, nossos métodos para gerenciar segurança e privacidade não funcionaram tão bem. Violações de dados, fraudes e roubo de identidade estão se tornando mais comuns. Além disso, uma parcela significativa da população mundial carece das credenciais necessárias para participar com segurança da economia digital. Nossos métodos para gerenciar identidades digitais estão longe de serem adequados.

Conforme explicado em A Blueprint for Digital Identity, um relatório do Fórum Econômico Mundial, a identidade é uma coleção de informações ou atributos associados a um indivíduo. Esses atributos se enquadram em três categorias principais:Inerentes – atributos intrínsecos a um indivíduo, – por exemplo, idade, altura, data de nascimento, impressões digitais;
Atribuído – atributos associados, mas não intrínsecos ao indivíduo – por exemplo, endereço de e-mail, números de telefone, previdência social, carteira de motorista; e
Acumulados – atributos reunidos ou desenvolvidos ao longo do tempo – por exemplo, histórico de empregos, endereços residenciais, escolas frequentadas.

O Better Identity in America, em seu relatório Better Identity Coalition, observou que “a capacidade de oferecer transações e serviços de alto valor online está sendo testada mais do que nunca, em grande parte devido aos desafios de provar a identidade online. A falta de uma maneira fácil, segura e confiável para que entidades verifiquem online, identidades ou atributos das pessoas com quem estão lidando, cria atrito no comércio, leva ao aumento de fraudes e roubos, degrada a privacidade e dificulta a disponibilidade de muitos serviços.” Esses incidentes aumentaram significativamente, devido à digitalização acelerada das economias e sociedades desde o advento da Covid.
Por que precisamos de carteiras digitais de código aberto?

Não é de surpreender que proteger nossas identidades digitais seja um dos principais objetivos da evolução contínua da Internet na próxima década. Essa evolução é cada vez mais referida como Web3, sendo a Web1 a internet original dos anos 1990 e início dos anos 2000, seguida pela Web2 em meados dos anos 2000, que ao longo dos anos tornou-se altamente centralizada e dominada por um pequeno número de empresas globais.

“No paradigma da Web 2, terceiros como bancos, empresas de mídia social e conglomerados digitais nos fornecem nossas identidades e nos permitem acessar seus serviços”, escrito por Alex Tapscott em seu livro Digital Asset Revolution. A coisa mais comum da Web 2 era entregar nossos dados para esses intermediários (por meio de seus termos de uso e serviços). Concedemos a eles o direito de usar nossos dados para benefício próprio e depois eles prejudicariam nossa privacidade no processo.

Há um consenso geral de que esse é um problema sério para o futuro da Internet. Como resultado, as identidades auto-soberanas surgiram como um dos principais requisitos da Web3. “O logon único anônimo permitirá um nome de usuário e método de autenticação em todos os sites e contas, em vez de logins individuais para cada site”, escreveu Jerry Cuomo da IBM em Think Blockchain. “Este login não exigiria que você abrisse mão do controle de dados pessoais confidenciais.”

Em nosso atual sistema centrado em serviços, a identidade de um indivíduo está fortemente vinculada ao serviço, site ou aplicativo específico que deseja acessar, exigindo, assim, um ID de usuário e senha separados para cada um deles. Mas em um sistema auto soberano, os indivíduos possuem identidades auto soberanas, que eles carregariam em suas carteiras digitais em seus dispositivos. E somente os donos decidem quem tem permissão para ver suas credenciais e quais informações os provedores de serviços têm direito de ver. Isso permite que os indivíduos acessem serviços pela Internet de maneira segura, mantendo o controle sobre as informações associadas à sua identidade.

Como parte do lançamento da Open Wallet Foundation, Daniel Goldscheider realizou uma mesa redonda com representantes de empresas e organizações que já se comprometeram a fazer parte da OWF, como: MasterCard, Visa, Microsoft e Accenture, OpenID Foundation, Trust over IP Foundation, Open Identity Exchange e Ping Identity.

Todos os participantes afirmaram que carteiras digitais open source são necessárias para construir identidades digitais universais, auto soberanas, baseadas em criptografia, e que será complexo mante-las e administra-las; e caberá ao OWF, gerenciar essas complexidades.

Vou concluir com minha visão pessoal sobre o papel das carteiras digitais de código aberto, dizendo que elas provavelmente desempenharão um papel crítico na história da Internet. Lembremos que a internet é uma rede de redes, originalmente composta por diferentes redes, que na década de 1980 concordaram em adotar um conjunto comum de protocolos: o TCP/IP e outros padrões supervisionados pela Internet Engineering Task Force (IETF).

Durante a guerra dos navegadores da década de 1990, diferentes empresas estavam desenvolvendo seus próprios navegadores, cujos recursos incompatíveis ameaçavam o rápido crescimento da World Wide Web, até que todos os desenvolvedores de navegadores concordassem com os padrões estabelecidos pelo World Wide Web Consortium (W3C).

À medida que avançamos em direção à Web3 e à promessa de uma Internet segura e que protege a privacidade, carteiras e credenciais digitais universais se juntarão aos protocolos TCP/IP e a Web para abrir novos marcos importantes na história da Internet.

30/01/2022

Como o home office funcionou até agora?

“O COVID-19 desencadeou um experimento social em massa no trabalho em casa (WFH)”, disseram os economistas Jose Maria Barrero, Nicholas Bloom e Stephen J. Davis em Why Working from Home Will Stick, um artigo publicado em abril de 2021 pelo National Bureau of Economics Research (NBER).

“Os americanos, por exemplo, forneceram cerca de metade das horas de trabalho remuneradas em casa entre abril e dezembro de 2020, em comparação com cinco por cento antes da pandemia. Essa mudança nos arranjos de trabalho atraiu muitas opiniões sobre se o WFH permanecerá.”

O Trabalhar em casa (WFH) existe há décadas, crescendo modestamente na década de 1990 com o surgimento da Internet. A participação de WFH durante três ou mais dias por semana estava abaixo de 1% em 1980, 2,4% em 2010 e 4,0% em 2018. Depois veio o Covid-19, forçando dezenas de milhões em todo o mundo a trabalhar em casa e desencadeando um local de trabalho em massa experimento que rompeu as barreiras tecnológicas e culturais que impediram sua adoção no passado.

Para investigar se o WFH permanecerá, os autores do artigo do NBER elaboraram uma pesquisa que fez perguntas sobre arranjos de trabalho e experiências pessoais com o WFH durante a pandemia, bem como preferências dos trabalhadores e planos do empregador após o término da pandemia. A pesquisa foi realizada mensalmente entre maio de 2020 e março de 2021, quando havia coletado 28.597 respostas válidas de trabalhadores americanos de 20 a 64 anos, dos quais 43,8% eram do sexo feminino. O entrevistado típico tinha entre 40 e 50 anos, com um a três anos de faculdade, que ganhava de US$ 40 a US$ 50 mil em 2019.

Algumas das perguntas e descobertas da pesquisa:

Qual é a sua situação de trabalho? Em maio de 2020, dois terços dos entrevistados estavam trabalhando e um terço não trabalhava. Dos que trabalhavam, 61% já o faziam em casa. As porcentagens flutuaram nos próximos meses, dependendo das restrições baseadas em pandemia nas atividades comerciais e sociais. Em março de 2021, 45% dos que trabalhavam ainda o faziam em casa. No geral, cerca de 50% de todos os dias úteis de maio de 2020 a março de 2021 foram em casa, cerca de 10 vezes a participação pré-pandemia.

Após o COVID, em 2022 e depois, com que frequência seu empregador planeja que você trabalhe? Após a COVID, os empregadores esperam 21,3% dos dias de trabalho completos em casa.

“Os líderes empresariais costumam mencionar preocupações com a cultura, motivação e inovação do local de trabalho como razões importantes para trazer os trabalhadores ao local três ou mais dias por semana. Muitos empresários também nos dizem que veem benefícios líquidos para o WFH um ou dois dias por semana… [e] consideram essencial coordenar os dias e horários dos funcionários nas instalações para garantir a sobreposição no local de trabalho.”

Em 2022+ (após o COVID) com que frequência você gostaria de ter dias de trabalho remunerado em casa? Cerca de dois terços dos entrevistados estão em empregos que lhes permitiram trabalhar em casa; quase 80% deles o que fazer pelo menos um dia por semana; quase 40% preferem 1 a 3 dias por semana; e cerca de 30% querem trabalhar em casa a semana toda. As preferências para uma semana de trabalho híbrida são notavelmente consistentes entre sexo, idade, nível educacional e rendimentos.

Em comparação com suas expectativas antes do COVID (em 2019), como foi trabalhar em casa para você? No geral, a produtividade ao trabalhar em casa superou as expectativas. Quase 60% disseram que eram mais produtivos, incluindo 20% que disseram que eram “muito melhores”; 14% disseram que eram menos produtivos do que o esperado, incluindo 3,7% que disseram que eram “muito piores”; e 27% disseram que o WFH funcionou como esperado.

Trabalhadores e empregadores ajustarão seus planos futuros à luz do que aprenderem ao experimentar o WFH durante a pandemia? Sim, de acordo com os dados da pesquisa. “Entre as pessoas que relatam que o WFH acabou sendo ‘muito melhor’ do que o esperado, seus empregadores planejam um extra de 1,5 dias por semana de WFH na economia pós-pandemia em comparação com aqueles que relatam ‘muito pior’ e um extra de 0,8 dias por semana de WFH em comparação com aqueles que relatam ‘Quase o mesmo’.

Desde o início da pandemia do COVID, como as percepções sobre trabalhar em casa (WFH) mudaram entre as pessoas que você conhece? “Antes do COVID-19, trabalhar em casa era frequentemente visto como uma forma de evasão.” Mas, dado que a pandemia obrigou dezenas de milhões a trabalhar em casa por meses a fio, o estigma da WFH caiu drasticamente. Cerca de dois terços dos entrevistados disseram que as percepções de WFH melhoraram entre as pessoas que conhecem, incluindo 22% que disseram que “melhorou muito”; menos de 7% relataram um aumento nas percepções negativas; e 28% disseram que não houve mudança.

Então, trabalhar em casa vai ficar? “Grande parte da mudança induzida pelo COVID para o WFH permanecerá por muito tempo após o término da pandemia”, concluíram os autores do artigo do NBER. “[Nós] projetamos que os trabalhadores americanos fornecerão cerca de 20% dos dias de trabalho completos em casa na economia pós-pandemia, quatro vezes o nível pré-COVID. Os desejos de trabalhar em casa parte da semana são difundidos entre os grupos definidos por idade, educação, gênero, renda e circunstâncias familiares.”

“Também estimamos que níveis mais altos de WFH aumentarão a produtividade em cerca de 4,6%. Mais da metade desse ganho de produtividade reflete a economia de tempo de deslocamento proporcionada pelo WFH. Esses verdadeiros ganhos de produtividade não serão registrados nas estatísticas de produtividade convencionais, porque não abrangem os efeitos da redução do tempo de deslocamento”.

As descobertas acima são baseadas nos resultados da pesquisa até março de 2021. Mas Barrero, Bloom e Davis continuaram suas pesquisas mensais, que incluíam algumas perguntas adicionais. Em julho de 2021, eles publicaram os resultados de sua pesquisa de junho, que teve a seguinte temática: “Deixe-me trabalhar em casa, ou encontrarei outro emprego“.

Vamos discutir brevemente essa nova questão e suas implicações.

Como você responderia se seu empregador anunciasse que todos os funcionários devem retornar ao local de trabalho 5 ou mais dias por semana a partir de 1º de agosto de 2021? 58% disseram que cumpririam e retornariam em tempo integral às suas instalações comerciais; 36% disseram que obedeceriam, mas que iriam procurar um emprego que permitisse o trabalho híbrido; e 6% disseram que desistiriam do seu emprego em vez de retornar ao trabalho no escritório da empresa empregadora em tempo integral.

Suponha que você tenha recebido uma oferta para um novo emprego com o mesmo salário do seu emprego atual. Você estaria propenso a aceitar o novo emprego se ele permitisse que você trabalhasse em casa dois a três dias por semana? No geral, 56% dos funcionários disseram que estariam mais propensos a considerar um novo emprego que incluísse WFH; 33% disseram que não teria efeito; e 11% disseram que seriam menos propensos a considerar.

A proporção que consideraria uma nova oferta de emprego é um pouco maior entre as mulheres (57,8%) do que entre os homens (54,1%), e entre aqueles com graduação de quatro anos (58,3%) em relação aos demais entrevistados (53,8%). Mas, não surpreendentemente, o apelo de um trabalho que oferece trabalho híbrido é consideravelmente maior entre aqueles que têm filhos menores de 18 anos em casa (64%) do que aqueles que não têm (49%).

“Tanto trabalhadores quanto empregadores se animaram com a ideia de trabalhar em casa desde o início da pandemia”, escreveram os autores no artigo mais recente. “Durante todo o período desde maio de 2020, os trabalhadores dizem que gostariam de continuar trabalhando em casa mais de dois dias por semana, em média, após o término da pandemia. Nos últimos meses, eles dizem que gostariam de trabalhar em casa quase meio período (2,4 dias por semana) na economia pós-pandemia“. No entanto, “em junho de 2021, os empregadores passaram a dizer a seus funcionários que planejem cerca de 1,2 dias por semana de trabalho em casa na economia pós-pandemia”, cerca de metade do tempo do trabalho em casa que os trabalhadores desejam.

“Nossos resultados ajudam a entender o nível historicamente alto de demissões e vagas de emprego experimentado na economia dos EUA nos últimos meses. A rigidez do mercado de trabalho, a incompatibilidade espacial e a incompatibilidade de habilidades podem contribuir, mas também há outra força motriz. Em particular, muitos trabalhadores e empregadores descobriram que trabalhar em casa funciona melhor do que o previsto … [o que] levou a novos desejos de continuar trabalhando remotamente após o término da pandemia. Alguns empregadores estão dispostos e são capazes de acomodar esses desejos, e outros não. Como resultado, muitos trabalhadores estão se reorganizando com outros empregadores e em empregos que melhor atendam às suas preferências em relação aos arranjos de trabalho. À medida que esse processo se desenrola, ele aumentará as taxas de abandono de empregos. Também impulsionará altas taxas de abertura de empregos, já que os empregadores enfrentam a necessidade de um ritmo mais alto do que o normal de contratações de substituição.”

04/01/2022

A pandemia é fundamentalmente um problema de informação



O seminário online Economics in the Age of Covid-19, apresentado pelo professor da Universidade de Toronto, Joshua Gans, mostrou seu trabalho de pesquisa, dos últimos 18 meses e um vasto material escrito sobre o impacto da Covid-19, incluindo vários artigos, um boletim informativo e dois livros. Sua tese principal é que uma pandemia é fundamentalmente um problema de informação.

Se você sabe que alguém com quem interage está potencialmente infectado, pode tomar medidas para limitar as interações. No entanto, quando não se tem a informação se uma pessoa está infectada, você está correndo risco. Você não apenas pode ser infectado, mas também pode transmitir a infecção para outras pessoas.

“A diferença entre máximo conhecimento e conhecimento nenhum é o que faz com que uma doença infecciosa tenha impacto nas interações sociais e econômicas”, escreveu Gans em The Pandemics Information Gap, publicado pela primeira vez em abril de 2020, seguido por uma segunda edição expandida em novembro de 2020.

“Com máximo conhecimento, algumas pessoas ficam doentes, ficam isoladas e a vida segue (para a maioria das pessoas). … O máximo conhecimento permite que você evite todas as pessoas infectadas. Nenhum conhecimento torna quase certo que você encontrará pelo menos uma pessoa infectada.”

Além disso, quando não sabemos quem está infectado, temos que agir como se todos estivessem infectados, o que leva a grandes perturbações econômicas e sociais, incluindo escritórios e centros urbanos quase vazios, redução de viagens e atividades de lazer e aprendizado em casa, em vez de na escola.

Em seu seminário, Gans citou o surto de SARS em 2002 na China, Hong Kong e Taiwan e o surto de MERS em 2015 na Coreia do Sul como exemplos de pandemias que foram rapidamente contidas. Com a SARS e o MERS, as pessoas só se tornavam infecciosas quando apresentam febre, tosse e outros sintomas semelhantes aos da gripe facilmente identificáveis. Qualquer pessoa suspeita de estar infectada poderia ser isolada rapidamente antes de infectar muitas outras pessoas. Isso tornou possível conter os vírus SARS e MERS em poucos meses e suprimi-los completamente alguns meses depois.

O surto de COVID-19 em 2020 foi diferente. Cerca de um terço das pessoas infectadas com o vírus, permaneceram portadores assintomáticos e não desenvolveram sintomas perceptíveis, mas ainda eram capazes de infectar outras pessoas. Das pessoas que apresentaram sintomas, cerca de 80% foram apenas leves a moderados. E, geralmente, havia um atraso de vários dias entre o momento em que uma pessoa era infectada pela primeira vez e o aparecimento dos primeiros sintomas. Em outras palavras, o problema da informação era relativamente simples com SARS e MERS, o que as tornaram mais fáceis de gerenciar e conter, enquanto o gerenciamento do problema de informação com COVID-19 era muito, muito mais difícil.

O teste e o rastreamento de contato têm sido amplamente usados na tentativa de gerenciar essa lacuna de informações do COVID-19. Dada sua experiência com o surto de SARS em 2002, a Coréia do Sul, Taiwan e Hong Kong rapidamente implementaram testes extensivos e rastreamento de contatos e foram, assim, capazes de evitar os grandes bloqueios que os Estados Unidos e outros países foram forçados a implementar.

Como Gans explicou no seminário e em vários artigos, existem diferentes tipos de testes COVID-19. A principal decisão que deve orientar qual teste usar é se a pessoa está procurando pessoas infectadas ou infectantes.

“Uma noção intuitiva que orienta os testes para a presença de um vírus em um indivíduo é que é preferível ter testes que tenham a capacidade de detectar cargas menores do vírus em qualquer amostra (por exemplo, sangue, saliva ou muco nasal),”

Ele escreveu em Test Sensitivity for Infection versus infectiousness for SARS-COV-s, – um artigo do NBER de setembro de 2020.

Os testes de PCR foram os mais comumente usados para detectar a presença do vírus COVID-19, especialmente em 2020. A PCR pode detectar quantidades muito pequenas do vírus.

“Além disso, após o período mais infeccioso em um indivíduo, os testes de PCR ainda podem detectar infecções e, de fato, podem detectar remanescentes virais que podem não estar vivos.”

Os testes de PCR são o principal teste se você quiser saber se alguém está infectado com o vírus. Mas eles podem ser bastante caros, requerem máquinas especializadas e uma pessoa treinada para operá-los e estão sujeitos a atrasos de processamento de laboratório de várias horas a alguns dias.

“No entanto, embora estar infectado seja uma condição necessária para a infecção, não é suficiente”, acrescentou Gans.

“Com a pandemia Covid-19 de 2020, descobriu-se que os indivíduos infectados … podem não ser infecciosos. Isso ocorre porque a infecciosidade exige que o indivíduo tenha uma carga viral suficiente e o vírus presente deve estar ativo. Isso implica que, se sua decisão clínica relevante for isolar um indivíduo para prevenir infecções em outros, … a intuição de que você prefere um teste mais preciso vacila e testes menos precisos podem ser mais valiosos.”

Por outro lado, os testes de antígenos custam significativamente menos; com resultados em menos de 5 minutos; e requerem treinamento mínimo ou mínima infraestrutura de teste.

“Assim, embora o teste de antígeno seja menos preciso do que o PCR, para identificar uma infecção, seu custo e, consequentemente, a frequência de aplicação, podem torná-lo uma ferramenta mais eficaz para mitigar a disseminação de Covid-19.”

Mas Gans faz uma afirmação mais forte. “Mesmo na ausência de uma vantagem de custo ou teste mais frequente, um teste com um limite de detecção superior (por exemplo, um teste de antígeno) pode ser mais informativo do que um teste com um limite de detecção inferior, como o ‘Teste de PCR’. Em particular, quando a eficácia de um teste é medida em relação à decisão a ser tomada (isolamento versus tratamento), um teste de antígeno pode ser mais eficaz.” Um ensaio recente do NY Times, Testes rápidos são a resposta para viver com a Covid-19, apresentou um argumento semelhante.

Em The Pandemics Information Solution, – publicado no início deste ano e também disponível como um PDF gratuito, – Gans voltou sua atenção para as questões, compensações e soluções potenciais que deveriam ser usadas pelos principais tomadores de decisão para ajudar a gerenciar a pandemia e restaurar a normalidade. Esses incluem:

Correspondência de informações com o propósito.

Um teste é um meio de reunir as informações necessárias para tomar melhores decisões. Portanto, ao desenvolver um teste, é importante articular claramente as decisões que queremos que o teste nos ajude a tomar. Com a Covid-19, os testes fornecem informações para nos ajudar a melhorar quatro decisões gerais:

1) diagnóstico – tratar ou monitorar um paciente quanto a complicações;

2) autorização – permitir que um indivíduo interaja com outros em um ambiente físico próximo;

3) mitigação – isolar alguém de outras pessoas; e

4) vigilância – se deve envolver-se em intervenções mais amplas para prevenir a propagação de doenças.

Triagem de segurança. “Para resolver o problema de informação da pandemia, precisamos de um teste que nos diga se alguém está infectante e não simplesmente infectado com o coronavírus.” Testes rápidos e baratos nos permitem classificar sistematicamente pessoas infectadas e não infectantes.

Sistemas sustentáveis. Precisamos de um sistema que funcione em grande escala por um longo período de tempo. Tal sistema deve ser capaz de entregar e implementar grandes volumes de testes a baixo custo, facilmente acessível às pessoas com o mínimo de incômodo e deve ser acompanhado por intervenções comportamentais para encorajar as pessoas a seguir suas recomendações.

Dados de vigilância. Com dados em nível de população, é possível obter um alerta precoce de surtos em potencial, mesmo em um nível muito local. Esses dados podem ser coletados de águas residuais, por exemplo, e analisados usando algoritmos de IA. Além disso, ter mais informações sobre as redes de interação entre as pessoas possibilitaria intervenções mais direcionadas para lidar com surtos, reduzindo, assim, seu impacto econômico.

Gerenciamento de riscos pessoais. Isso requer fornecer às pessoas informações sobre a prevalência da doença em suas próprias redes, para que possam ajustar seu comportamento para mitigar seus riscos pessoais.

Rastreamento de contato. O rastreamento anterior ajuda a identificar quem pode ter sido exposto a uma pessoa infecciosa, enquanto o rastreamento reverso procura identificar quem transmitiu o vírus a uma pessoa infectada.

“Os vírus ficam fora de controle, a menos que sejam tratados rapidamente”, concluiu Gans. “Reúna as informações certas e teremos um arsenal para atacar pandemias.” No entanto, a informação precisa ser usada “para tomada de decisões, como isolar indivíduos mais arriscados de outros, ou decidir quais áreas da economia precisam ser bloqueadas. … Quando as decisões são tomadas às cegas, os custos são altos e as ações demoram muito. Por outro lado, a aquisição preventiva de informações permite que aqueles com autoridade parem as pandemias.”

“Em relação à Covid-19, várias falhas na obtenção de informações e, na aplicação das informações corretas às principais decisões levaram à nossa calamidade econômica e social. Para os potenciais Covid-xx, precisamos fazer melhor. Precisamos aprender essas lições básicas e garantir que temos instituições com informações e autoridade para agir.”

05/07/2021

O custo do touch & play


Em 2019 tive a oportunidade de conhecer a região do Vale do Silício – Califórnia e ver as sedes de empresas que constantemente estão na tela do meu smartphone.

Hoje, quando olho para o Google, no meu navegador, consigo imaginar um lugar, pessoas, histórias que se sobrepõe à virtualidade dos dados. Consigo imaginar o edifício, pátios, cantinas, etc. e as pessoas que trabalham duro, executando seus projetos.

Alguns pontos são bem comuns para quem trabalha em grandes empresas de tecnologia, outros pontos, me dão a sensação de algo muito paternalista. Não vou fazer críticas… A baía de São Francisco, cercada por autoestradas e montanhas distantes corroboram para o positivismo. San Jose, Santa Clara, Palo Alto, Mountain View, Cupertino, Sunny Valley, San Mateo, São Francisco, respiram a tech cultura e um incansável modernismo que inspira as necessidades e os caprichos dos usuários, com elegâncias incessantemente ajustadas para se adaptar a qualquer coisa e a qualquer pessoa. Também existe uma lógica de negócios agressiva associada a tudo – todas as high Techs, são obstinadas por catalogação e análise de dados, e para a estratégia enormemente lucrativa de associar propaganda a termos, produtos e serviços.

Para mim, assim como para muitas outras pessoas, as high Techs do Vale do Silício, são empresas cujos valores estão voltados para a simplicidade, a eficiência e a consistência; e eu aproveito tudo isso da melhor forma possível; ainda assim, por trás da maravilhosa mecânica algorítmica, existem pessoas brilhantes, parciais e imperfeitas, assim como em qualquer outro lugar. Existem discussões e sentimentos controversos sobre projetos; problemas conhecidos e frustrações.

Acho que nem os funcionários mais geniais das high Techs levam em consideração a formidável obra da tecnologia que carregam em seus bolsos. Ao manusearmos algo tão complexo e compacto como um smartphone, é difícil imaginar as cadeias de fornecimento e de
manufatura que o trazem à luz:

  • A mineração de metais para os circuitos, baterias e processadores;
  • A destilação do petróleo para obtenção de plásticos de alta performance;
  • O trabalho braçal e a engenharia de programação;
  • O design, os protótipos e as patentes.

Para as pessoas que olham para o smartphone como um objeto que existe apenas ali, como uma ferramenta de pesquisa, aplicativos e câmera, fica ainda mais difícil de entender.

Nossos hábitos de tratar aparelhos digitais como se fossem naturais ou inevitáveis, nos levam a situá-los além da história e do erro humano. No Google, na Amazon, na Apple, na Adobe, cada bit é fruto de trabalho humano tanto quanto uma calça jeans ou uma pilha Duracell. E por trás de suas existências, há contextos humanos, culturais e históricos.

Como o escritor Jaron Lanier ressaltou em seu livro Gadget – Você não é um aplicativo! mesmo algo aparentemente simples, como o armazenamento de dados, depende de formatos e dispositivos tecnológicos particulares. Um livro, um filme ou uma música salvos como um arquivo de computador não são um registro físico: sem o software e o hardware adequados para convertê-los em som e imagem, eles não servem para nada.

Ter acesso a essas tecnologias nunca foi tão fácil. Apesar disso, compreendê-las se torna cada vez mais difícil; um processo do qual os fabricantes estão cada vez mais cientes, decididos e até obstinados, explicitamente a encorajar a venda de dispositivos e serviços que funcionam assim “touch and play”, com pouca margem para os usuários personalizem suas próprias experiências ou que enxerguem além dos pixels na tela, para entender o que acontece lá dentro.

Vender conveniência e segurança fazem parte do encanto que esses dispositivos provocam. Abrir a caixa de um smartphone novo, ligar e usar diretamente, levou a perda de algumas formas de controle; que os usuários aceitam muito bem, como sendo preço a pagar – mas os usuários estão realmente cientes do preço que está sendo pago? A relação hardware, software e usuário de smartphone, não é clara e tão pouco difundida.

  • Intermináveis páginas não lidas de Contratos de Licença do Usuário Final listam os direitos que estamos repassando quando usamos a maioria dos serviços;
  • Contratos de compra especificam que muitos produtos digitais não pertencem de fato a seus compradores, mas estão apenas sendo cedidos;
  • Em ambos os casos, se o serviço ou o suporte apropriados forem revogados, tudo o que sobra é informação inútil e inerte.

Desvendar o significado desses contextos é um importante desafio, em última instância porque ele pode obstruir de modo significativo a rotina casual de utilização simples de produtos e serviços.

Vale lembrar, no entanto, que, a não ser que nos debrucemos atentamente sobre as intenções e limitações escondidas em nossas ferramentas, podemos esperar apenas pouquíssimas melhorias e cada vez mais abusos.

Como John Naughton, professor de compreensão pública da tecnologia da Open University, escreveu em um artigo, publicado no The Observer,

ao utilizar serviços ‘gratuitos’, é preciso aceitar que você (ou, mais especificamente, a sua identidade) é o produto”.

Não existe almoço grátis, nem mesmo na internet.

Entender os problemas e os potenciais das tecnologias é se tornar mais forte. Podemos estar vivendo em uma era na qual serviços e dispositivos parecem mais próximos de uma estrutura ecológica do que meramente mecânica – e isso pode fazer com que seus fabricantes exijam que os tratemos dessa forma – mas a única natureza que moldou essas tecnologias foi a nossa própria. Se não formos capazes de compreender as histórias e complexidades por trás desse cenário em constante mutação que é o mundo digital, jamais alcançaremos aqueles que o construíram – nem suas críticas, seus avisos, propagandas e alternativas.

É provável que você não consiga imaginar uma alternativa ao Facebook da noite para o dia, ou uma loja virtual capaz de superar a Amazon. Mas você pode aprender a usar cada um deles de uma forma um pouco melhor – e a prestar atenção naquilo que ninguém pode fazer por você.

28/03/2021

Redes móveis 5G e saúde

 


O aumento do uso de campos de radiofrequência (RF) acima de 6 GHz, particularmente para a rede de telefonia móvel de 5G, tem gerado preocupação pública sobre possíveis efeitos adversos à saúde humana.

Vou divulgar aqui um estudo importante da Comissão Internacional de Proteção contra Radiação Não Ionizante – ICNIRP.

A exposição pública a campos de RF de 5G e outras fontes, está abaixo dos limites de exposição humana. Um grupo de cientistas revisou a pesquisa sobre os efeitos biológicos e de saúde dos campos de RF acima de 6 GHz. A revisão incluiu 107 estudos experimentais que investigaram vários bioefeitos, incluindo genotoxicidade, proliferação celular, expressão gênica, sinalização celular, efeitos sobre a membrana celular e outros efeitos. A revisão também incluiu 31 estudos epidemiológicos que investigaram a exposição ao radar, que usa campos de RF acima de 6 GHz semelhantes ao 5G.

Os estudos mostraram poucas evidências de efeitos na saúde, incluindo cânceres, efeitos na reprodução e outras doenças. Estudos futuros devem continuar a monitorar os efeitos de longo prazo na saúde da população relacionados às telecomunicações sem fio.

Tecnologias emergentes continuamente  usam campos eletromagnéticos de radiofrequência (RF), particularmente em telecomunicações. A maioria das fontes de telecomunicações opera atualmente em frequências abaixo de 6 GHz, incluindo transmissão de rádio e TV e redes locais e telefonia móvel. Com a crescente demanda por taxas de dados mais altas, melhor qualidade de serviço e menor latência para os usuários, as futuras fontes de telecomunicações sem fio são planejadas para operar em frequências acima de 6 GHz e na faixa de ‘onda milimétrica’ (30-300 GHz). Frequências acima de 6 GHz têm sido usadas por muitos anos em várias aplicações, como radares, links de dados via microondas, triagem de segurança de aeroportos e na medicina para aplicações terapêuticas. No entanto, o uso planejado de ondas milimétricas por futuras telecomunicações sem fio, particularmente a 5ª geração (5G) de redes móveis, tem gerado preocupação pública sobre possíveis efeitos adversos à saúde humana.

Os mecanismos de interação dos campos de RF com o corpo humano, já foram amplamente descritos e o aquecimento do tecido corporal é o principal efeito para os campos de RF acima de 100 kHz (como divulgado pelo SCENHIR). Os campos de RF penetram menos no tecido corporal com o aumento da frequência e, para frequências acima de 6 GHz, a profundidade de penetração no tecido humano é relativamente curta, sendo o aquecimento da superfície da pele o efeito predominante.

Diretrizes internacionais de exposição para campos de RF foram desenvolvidas com base no conhecimento científico atual para garantir que a exposição à RF não seja prejudicial à saúde humana. As diretrizes desenvolvidas pela Comissão Internacional de Proteção contra Radiação Não Ionizante (ICNIRP), formam a base para regulamentações do uso de RF na maioria dos países do mundo. Na faixa de frequência acima de 6 GHz e até 300 GHz, as diretrizes da ICNIRP evitam o aquecimento excessivo na superfície da pele e nos olhos.

Dada a preocupação do público com a implementação planejada de 5G usando ondas milimétricas, é importante determinar se há quaisquer consequências adversas à saúde relacionadas aos níveis encontrados no meio ambiente.

A revisão científica ainda examinou a extensão, o alcance e a natureza das evidências dos bioefeitos de campos de RF acima de 6 GHz, em níveis abaixo dos limites ocupacionais da ICNIRP.  A revisão consistiu em estudos biomédicos sobre campos eletromagnéticos de RF de baixo nível de 6 GHz a 300 GHz publicados até dezembro de 2019.

Os estudos foram inicialmente encontrados por meio de pesquisas nas bases de dados PubMed, EMF-Portal, Google Scholar, Embase e Web of  Ciência usando os termos de pesquisa “onda milimétrica”, “onda milimétrica”, “gigahertz”, “GHz” e “radar”.  Foram pesquisandos ainda, as principais revisões publicadas por autoridades de saúde sobre RF e saúde. E finalmente, foi pesquisada a lista de referência de todos os estudos incluídos.  Os estudos só foram incluídos se o artigo completo estivesse disponível em inglês.

Embora mais de 300 estudos tenham sido considerados, esta revisão foi limitada a estudos experimentais (in vitro, in vivo, humanos) onde o nível de exposição à RF declarado estava igual ou abaixo dos limites ocupacionais de corpo inteiro especificados pelas diretrizes do ICNIRP (2020): densidade de potência (PD) nível de referência de 50 W/m2 ou restrição básica da taxa de absorção específica (SAR) de 0,4 W/kg.  Como os limites ocupacionais de DP para exposição local são mais relevantes para estudos in vitro, e como esses limites são mais altos, foram  incluídos ainda, aqueles estudos com DP de até 100–200 W/m2, dependendo da frequência.

O relato dos resultados é narrativo, com acompanhamento tabular mostrando as características do estudo.  A sigla “MMWs” (ou ondas milimétricas) é usada para denotar campos de RF acima de 6 GHz.

Resultados

A revisão incluiu 107 estudos experimentais (91 in vitro, 15 in vivo e 1 humano) que investigaram vários bioefeitos, incluindo proliferação celular, expressão gênica, sinalização celular, efeitos sobre a membrana celular e outros efeitos. As características de exposição e o sistema biológico investigados em estudos experimentais para os vários bioefeitos foram mostrados em Tabelas (de 1 a 6) no artigo original e comentadas abaixo:

Tabela 1 Estudos experimentais que investigam campos de RF de baixo nível acima de 6 GHz e genotoxicidade.

Tabela 2 Estudos experimentais que investigam campos de RF de baixo nível acima de 6 GHz e proliferação celular.

Tabela 3 Estudos experimentais que investigam campos de RF de baixo nível acima de 6 GHz e expressão gênica.

Tabela 4 Estudos experimentais que investigam campos de RF de baixo nível acima de 6 GHz e sinalização celular e atividade elétrica.

Tabela 5 Estudos experimentais que investigam campos de RF de baixo nível acima de 6 GHz e efeitos de membrana.

Tabela 6 Estudos experimentais que investigam campos de RF de baixo nível acima de 6 GHz e outros efeitos.

Genotoxicidade

Estudos examinaram os efeitos da exposição de amostras de sangue total humano ou de camundongo ou linfócitos e leucócitos a MMWs de baixo nível para determinar a possível genotoxicidade. Alguns dos estudos de genotoxicidade analisaram os possíveis efeitos dos MMWs nas aberrações cromossômicas. Em níveis de exposição abaixo dos limites da ICNIRP, os resultados têm sido inconsistentes, com um aumento estatisticamente significativo ou nenhum aumento significativo nas aberrações cromossômicas.

MMWs não penetram além da pele, portanto, células epiteliais e da pele têm sido um modelo comum de exame para possíveis efeitos genotóxicos.  Danos no DNA em vários tipos de células epiteliais e cutâneas e em parâmetros de exposição variados, tanto abaixo quanto acima dos limites da ICNIRP, foram examinados usando ensaios. Apesar dos modelos e métodos de exposição variados usados, nenhuma evidência estatisticamente significativa de dano ao DNA foi identificada nesses estudos.

O estudo na íntegra cita os métodos técnicos dos estudo científicos e mostra mais detalhes e evidências e pode ser visto aqui.

18/10/2020

Políticas de distanciamento social

Um dos projetos mais interessantes do grupo MIT Connection Science é o The Atlas of Inequality. O projeto – liderado pelos professores Esteban Moro e Alex ‘Sandy’ Pentland – usa dados de geolocalização anônimos de dispositivos digitais para estimar onde diferentes grupos de pessoas passam o tempo, nas cidades dos EUA e com o tempo, o projeto poderá ser expandido para cidades ao redor do mundo. Os dados mostram a significativa desigualdade de renda entre as pessoas nessas cidades, não apenas por bairros, mas também nos restaurantes, lojas e outros lugares.

O grupo de pesquisa aplica seus dados e métodos de geolocalização para analisar a eficácia das políticas de distanciamento social adotadas na área metropolitana de Nova York em resposta à pandemia de Covid-19. Essas políticas incluem o fechamento de escolas, proibição de reuniões não essenciais, limitação de pedidos de comida para viagem e medidas rígidas de permanência no local. Não há como medir empiricamente o impacto dessas medidas de distanciamento social em tempo real na disseminação da Covid-19, mas pode-se medir seu impacto de forma retrospectiva ou simular o que pode acontecer no futuro com base em dados.

Esses dados ajudam a abordar de forma empírica, um conjunto de questões importantes:

  1. Como as políticas de distanciamento mudaram a mobilidade e o comportamento social?;
  2. Como o comportamento de distanciamento social varia na área metropolitana de Nova York?;
  3. Como o comportamento varia entre a diversidade de grupos demográficos?; e, em geral,
  4. Quão bem as pessoas estão seguindo essas medidas de distânciamento social?

As descobertas iniciais revelam que as políticas de distanciamento social levaram a grandes mudanças onde as pessoas passam seu tempo e como elas interagem umas com as outras:

“A distância percorrida todos os dias caiu 70 por cento, de uma média de 40 Km em fevereiro para 11 Km” no final de março;

“O número de contatos sociais diminuiu 93% de 75 para 5”, onde o contato social é definido como estando a pelo menos a 2,5 metros um do outro por pelo menos 5 minutos;

“O número de pessoas que ficam em casa o dia todo aumentou de 20% para 60%”; e

“as políticas de distanciamento social reduziram muito as diferenças relativas entre os diferentes grupos demográficos, visto que a mobilidade e os contatos sociais de quase todos foram drasticamente reduzidos.”

As mudanças na distância percorrida e nos contatos sociais tornaram-se significantes somente depois que medidas de fechamento de negócios foram implementadas.

O varejo de alimentos e lojas de suprimentos essenciais tornaram-se os locais mais comuns para contatos sociais. Depois que essas medidas foram introduzidas, cerca de 5,5% dos nova-iorquinos começaram a passar o tempo em lugares fora da área metropolitana, incluindo Nova Jersey (37%), interior do estado de NY (23%), Pensilvânia (9,8%) e Flórida (6,7%).

Resultados mais detalhados podem ser encontrados no relatório preliminar. E aqui estão as fontes dos dados usados na análise, bem como os métodos usados para preservar a privacidade dos dados.

O tipo de diretivas do governo que foram implantadas na China para combater o surto de Covid-19 não são aplicáveis nos EUA e em outras democracias de livre mercado. Nesses países, é importante recorrer a métodos sofisticados de análise de dados que estejam em conformidade com as políticas de privacidade.

A principal fonte de dados para o projeto Atlas são dados de localização anônimos de uma variedade de aplicativos em smartphones. Os dados vêm da Cuebiq, uma empresa de inteligência e medição baseada em geolocalização e, em particular, da iniciativa Data for Good da Cuebiq, que disponibiliza seus dados para pesquisas acadêmicas e programas humanitários. Para a análise de distanciamento social de NY,

Cuebiq coleta registros anônimos de pontos GPS com registro de data / hora de usuários que optaram por compartilhar seus dados anonimamente nos EUA de 1º de janeiro de 2020 a 25 de março de 2020.” Os dados de mobilidade são extraídos apenas dos usuários que optaram por compartilhar seus dados por meio de uma estrutura compatível com GDPR e CCPA. Os dados residenciais e de áreas de trabalho são então agregados ao nível do Grupo de blocos do censo, permitindo a análise demográfica enquanto ofusca o local exato onde os usuários anônimos vivem e trabalham.

Os dados que recebemos são construídos a partir da sequência de pings informados pelos dispositivos”, explica o relatório. “Isso resulta em um conjunto de dados dos locais públicos onde muitas pessoas ficaram (com alta precisão espacial) correspondendo aos pontos de interesse que as pessoas normalmente visitam e os setores censitários mais prováveis de onde esses proprietários de dispositivos vivem e trabalham”. uma estadia é definida como um local onde um usuário anônimo parou por pelo menos 5 minutos. A análise é limitada a dados de pessoas que foram ativas durante o período de 17 de fevereiro a 9 de março e para as quais há relatórios de dados de localização que permaneceram em suas residências por mais de 10 dias. O conjunto de dados inclui informações sobre 567.000 pessoas.

Há muito, muito mais a ser feito. “A próxima questão empírica é: quão eficazes são essas políticas de distanciamento social para reduzir a propagação do Corona vírus?”, Conclui o relatório. “Com dados de mobilidade anônima de alta resolução, podemos estudar o efeito das políticas relacionadas à mobilidade nas respostas comportamentais da população e como o Corona vírus se espalha de maneira diferente em locais com políticas diferentes. Os dados de mobilidade de alta resolução, anônimos e agregados, podem monitorar a adesão às políticas de distanciamento social, mas também podem informar modelos epidemiológicos baseados em matrizes de contato em tempo real”.

16/06/2020

Gerenciando equipes remotas

O COVID-19 mudou o cenário dos negócios de maneira tão repentina e completa que não há mais volta ao modelo anterior de trabalho. O Twitter, por exemplo, anunciou recentemente que os funcionários podem trabalhar em casa permanentemente, mesmo que o bloqueio seja suspenso. Isso sinaliza uma grande mudança na maneira como as organizações pensam em sua força de trabalho. Para os gerentes, isso está mudando a forma como lideram, porque, à medida que o trabalho remoto se torna o novo normal, o gerenciamento de equipes remotas abre um novo conjunto de desafios.

Gerenciando equipe remota

O trabalho remoto era visto como um compromisso e uma opção de último recurso para a maioria das equipes e o trabalho em pessoa era insubstituível. Tudo isso mudou da noite para o dia com o advento do COVID-19. Gerentes de todos os níveis tiveram que enfrentar a realidade do trabalho remoto.

Os gerentes já começaram a compartilhar práticas recomendadas e dicas sobre como gerenciar uma equipe remota. O mais importante são as reuniões 1: 1 que são agendadas regularmente e cumprem essa rotina. As reuniões são realizadas por videoconferência e focadas nos resultados. Essa é uma das vantagens do uso de ferramentas de videoconferência e colaboração – a comunicação se tornou mais produtiva e objetiva.

A solidão do trabalho remoto

Existem desafios do mundo real que os funcionários remotos enfrentam enquanto trabalham em casa. Isso inclui cuidados com as crianças, educação escolar em casa, tarefas domésticas e a solidão de ter que trabalhar sem uma equipe fisicamente próxima a você. Esses desafios são mais difíceis de identificar nos funcionários, pois os gerentes não os veem fisicamente e não seriam capazes de identificar essas pistas comportamentais. Os gerentes precisam prestar atenção aos padrões e pistas de trabalho para identificar os funcionários que precisam de ajuda. Eles também precisam encontrar maneiras de garantir que a equipe remota tenha alguma conexão humana com o restante da equipe ou até incentivá-los a sair e se encontrar e conversar com alguém pessoalmente, sempre que possível.

Colaborando como equipe remota

À medida que as equipes e os processos de trabalho mudam, as ferramentas que as equipes usam para colaboração também precisam mudar. Anteriormente, as reuniões presenciais eram da ordem do dia, com ferramentas como bate-papo e intranet sendo complementos. Hoje, essas ferramentas ocuparam o centro do palco, pois as reuniões pessoais ainda não são possíveis.

As videoconferências são a solução ideal para as equipes que desejam colaborar e se comunicar internamente. Em um espaço de trabalho isolado, visualizar o rosto de um colega de equipe pode ser tranquilizador e fortalecer as conexões.

Plataformas de colaboração

É provável que exista uma unificação das ferramentas de colaboração à medida que o mercado se alarga e as empresas maiores procuram absorver concorrentes menores e promissores para reforçar suas ofertas. Pensamos nas equipes da Microsoft, G Suite, Atlassian e Slack fazendo compras direcionadas para obter uma vantagem competitiva.

Um espaço de trabalho unificado que oferece mais recursos em uma única plataforma pode ser atraente para empresas que desejam consistência entre as equipes. Uma plataforma unificada também incluiria integrações e automação naturais que aumentarão a eficiência das equipes que trabalham nelas. Hoje, em uma força de trabalho amplamente global, recursos como a tradução incorporada seriam atraentes. Por fim, uma única fatura pode ser mais acessível do que pagar por várias ferramentas SaaS diferentes todos os meses, o que pode aumentar com o tempo.

Preparando a casa para o trabalho

À medida que a casa se torna o novo local de trabalho, os funcionários pensam conscientemente sobre como melhorar a configuração do escritório em casa. Isso pode significar algo como redirecionar os móveis e o espaço existente para um escritório em casa, redesenhar completamente sua casa ou até mudar para uma casa mais amigável para o trabalho. Não ter que viajar para o trabalho diariamente significa que as pessoas agora ficariam livres para mudar de um apartamento no centro da cidade, para um subúrbio, ou ainda mais longe, para um lugar mais próximo da natureza.

Os gerentes precisam conhecer essas unidades, que se tornarão mais comuns à medida que o trabalho remoto se tornar padrão. Reservar um orçamento para a criação de um escritório remoto pode ser uma ótima maneira de aumentar os gerentes, em vez de ir contra essa maré.

Demissões e mudança de estruturas organizacionais

As taxas de desemprego tem aumentado rapidamente, atingindo 14,7% e 13,3% em abril e maio respectivamente nós EUA. As empresas de tecnologia não foram poupadas com muitos unicórnios como Uber, Airbnb e We Work demitindo milhares de funcionários. Mesmo se não demitindo funcionários, as empresas estão reestruturando equipes e reorganizando sua força de trabalho para economizar o tentar salvar seus resultados.

Tudo isso cria uma atmosfera de medo, insegurança e pânico entre os funcionários. Cabe aos líderes da organização sentir o pulso de suas equipes e se comunicar com clareza e confiança durante esses períodos de incerteza.

Facilitando as transições e as conversas difíceis

À medida que a carga de trabalho e as rotinas diárias mudam, a equipe remota precisa estar equipada para lidar com essas mudanças. Eles podem precisar assumir mais do que o papel exigido anteriormente. Eles podem precisar trabalhar com novas pessoas e equipes. Os líderes podem tomar medidas proativas para preparar melhor sua força de trabalho para essas mudanças. Isso inclui detalhes de excesso de comunicação sobre as alterações, para que não haja ambiguidade, usando vários meios de comunicação, como e-mail e videoconferência, e implementando documentação e processos para facilitar as transições.

No caso de ter uma conversa difícil sobre demitir um funcionário, isso pode ser feito de uma maneira que mostre que a organização e a gerência se importam. O Airbnb liderou o caminho nesse sentido, esforçando-se para se comunicar de maneira humana e com muitos detalhes como eles abordaram a decisão de demissão. Além disso, eles criaram um pacote de indenização generoso que incluía assistência médica prolongada para o próximo ano e também permitiu que os funcionários mantivessem seus computadores Apple.

Gerenciar bem equipes remotas tem recompensas

Vivemos um tempo de grandes mudanças no funcionamento do local de trabalho. É fascinante pensar em como o mundo pode mudar da noite para o dia e a ordem das coisas podem ficar tão instável no momento seguinte. Nestes tempos de mudança e incerteza, os líderes empresariais podem fazer uma grande diferença na vida de suas equipes remotas. Ao mostrar um entendimento humano da situação com a qual a equipe remota está lidando, e facilitando essa fase, gerentes e líderes de negócios podem obter lealdade de suas equipes. Isso certamente será recompensado mesmo em termos de produtividade e lucros para os negócios em geral. Essa produtividade é o que as organizações precisam no momento em que as empresas estão fazendo todo o possível para permanecer no jogo.

06/04/2020

Os celulares mudaram o mundo, para melhor ou para pior?

Conte a um jovem como era o mundo antes dos telefones celulares. Já passou por essa experiência? Já viu a cara deles?

Em 1º de janeiro de 1985, quando a primeira chamada móvel do Reino Unido foi feita em um Vodafone transportável VT1 que pesava 4,9Kg; se você quisesse um, teria que gastar cerca de 10 mil Reais.

Interessante que, o que pra nós parece ser mais chocante, não tem o mesmo impacto para os jovens; mas continue a conversa. Conte que não havia Uber. Conte que as viagens, na maioria das vezes eram feiras de ônibus, que se você tivesse um walkman, carregaria com você, com muita sorte, 20 ou 30 músicas. Continue sua viagem pelo passado e conte que em algumas paradas de ônibus havia um telefone público que você podia disputar com outras dezenas de pessoas pra tentar falar com seus familiares; em menos de um minuto para que a chamada não ficasse muito cara, quando a cobrar ou que suas fichas telefônicas não acabassem antes do previsto. As chamadas eram de qualidade ruim e sujeitas a interrupção repentina.

Quando os celulares começaram a se tornar comuns, a diferença que eles faziam em nossas vidas era simples; poderíamos comunicar informações importantes, geralmente de natureza sensível ao tempo, sem estar em casa ou no trabalho e sem depender da disponibilidade de uma linha telefônica fixa.

O aborrecimento que eles criaram – os detalhes domésticos e quotidianos, começaram a ser contados em voz alta em um local público, e parecia patético ver alguém aparentemente tagarelando para si enquanto caminhavam pela rua – era algo diferente e estranho para a geração anterior.

Mas logo depois, ficamos entusiasmados com a inovação adicional de poder transmitir nossas notícias em forma de texto – e nem era preciso falar com um ser humano! Era só digitar e enviar.

Um pouco de história: Evolução dos celulares.

Mas o que seu telefone está fazendo agora?

Consigo falar com meu diretor de negócios e ao mesmo tempo dar uma bronca no meu pet que esta latindo, mas meu interlocutor, do outro lado da linha não ouve os ruídos, pois posso acionar a função ‘mute’. Recebo um alerta sobre o jogo de hoje da Champions League e mais de uma dezena de e-mails de ofertas de tudo: imóveis, carros, produtos esportivos e eletrodomésticos.

As pessoas, na verdade, fizeram do smartphone o seu refugio, pois encontraram nele muito mais que uma chamada a qualquer momento. Nele há diversão e entretenimento – música, podcasts, mídias sociais, fotografias, jogos. É em um smartphone que agora dígito este texto e posso inclusive incluir imagens, vídeos, etc.

Enquanto sigo de Uber para o trabalho, reorganizo minha agenda, faço uma blitz nos meus e-mails, ligo para dois vendedores para falar de projetos e ainda consigo ler um capítulo de um livro em PDF.

Os telefones celulares mudaram a cultura e continuam a fazê-lo; não apenas na natureza da comunicação em si, mas na forma de como distribuir e consumir conteúdo, além do óbvio.

Um exemplo perfeito: o hit Caneta azul, ganhou destaque ao ser milhões de vezes transferida de celular para celular via aplicativo e redes sociais e tornou o seu compositor famoso, em apenas alguns dias.

O compartilhamento de música e outros conteúdos por telefonia móvel é uma resposta criativa a uma situação óbvia: uma maneira de se conectar com a cultura pop, criando uma rede de intercâmbio de conteúdo. Para mim, o exemplo ‘caneta azul’ deixa claro que seria improvável esta música, alcançar a repercussão que teve, não fosse o poder do compartilhamento de conteúdo via celular.

Mas eu preciso disso? Meu mundo é ampliado pelo fácil acesso a qualquer coisa que meus olhos, ouvidos e pensamento possam dar atenção; por outro lado, minha atenção está muito enfraquecida por um excesso de possibilidades. Exemplo: quantos números de telefone você tem memorizado? Você não precisa mais memoriza-los pois seu smartphone tem uma agenda com tantos quantos números você quiser guardar nele.

Sabemos de outros e outros exemplos em todo o mundo, da parte vital que os celulares desempenharam em situações políticas, conectando milhares de manifestantes entre si e com o mundo exterior, documentando abusos, calamidades e vitórias. Sabemos o quanto eles podem ser valiosos no rastreamento de pessoas; da facilidade de localizar alguém e explicar o uso do telefone, em casos de crimes cometidos.

Mas há momentos em que também somos escravizados pela inovação; onde, o que de fato parece nos conectar, pode ser o que está a nos separar – um do outro e de nossa própria experiência de vida. Esse é um pensamento que me vem por vezes, quando vejo várias pessoas em uma sala – mas ninguém se fala, pois estão todos envolvidos em alguma coisa ou atividade na tela do seu celular.

Um concerto é um concerto (e ponto). Mas ele pode ser devidamente apreciado por uma live no YouTube? Um pensamento não twittado vale uma desatenção ao seus filhos ou pais? Se você não registrar sua sessão de ginástica, sua capacidade cardiovascular realmente fará diferença? Um retumbante SIM a todos os três por grande parte das pessoas.

A Deloitte fez um survey com mais de 2.000 usuários de telefone celular no Brasil, que contaram seus hábitos de uso do aparelho.

O resultado do estudo mostra como o smartphone tem se consolidado como um hub de controle de outros dispositivos conectados, e também os aspectos relacionados à segurança de dados e à infraestrutura de telecomunicações no país.

Além da Guerra de Preços: O Oceano Azul na Conectividade Brasileira

Introdução Lançado em 2005 por W. Chan Kim e Renée Mauborgne, A Estratégia do Oceano Azul revolucionou o pensamento estratégico...