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23/07/2024
Produtividade: crescimento lento x avanços tecnológicos vertiginosos
A produtividade, na economia, é considerada a relação entre aquilo o que é produzido e os meios empregados (mão-de-obra, materiais, energia, etc.). Produtividade tem a ver com eficiência e tempo: quanto menor for o tempo levado para obter o resultado pretendido, mais produtivo será o sistema.
“Um dos quebra-cabeças mais difíceis de se resolver nas últimas décadas é a desaceleração no crescimento da produtividade em nações industrializadas, apesar dos avanços vertiginosos nas tecnologias de informação e comunicação (TIC) e na eletrônica”, escreveram os economistas Daron Acemoglu, David Autor e Christina Patterson em seu artigo Bottlenecks: Sectoral Imbalance and the US Productivity Paradox.
Nas últimas três décadas, as patentes de TIC e eletrônica e o crescimento da produtividade têm se movido em direções totalmente opostas. O número total de patentes concedidas entre 1990 e 2010 cresceu de 99.000 para 208.000, com as patentes de TIC e eletrônica respondendo por 80% desse aumento. E, enquanto o Fator Total de Produtividade (FTP), — geralmente considerada o principal contribuinte para o crescimento do PIB, — cresceu 1,7% nos EUA entre 1997 e 2005, sendo o crescimento mínimo, cerca de 0,4% desde 2005. Veja o gráfico dos últimos 10 anos.
“Como esses fatos antagônicos podem ser resolvidos?”, perguntam os autores. Estamos em uma “nova era de abundância impulsionada por nossas máquinas cada vez mais inteligentes?” Ou entramos em “uma era de crescimento mais lento porque as tecnologias de maior impacto já foram desenvolvidas e exploradas?”
Em artigo de 2018, The Productivity J-Curve, Erik Brynjolfsson, Daniel Rock e Chad Syverson explicam que tecnologias transformadoras — por exemplo, a máquina a vapor, eletricidade, semicondutores, internet, IA — são tecnologias definidoras de seus tempos. Mas, historicamente, alguns padrões nos dizem que há um atraso entre a aceitação do mercado de uma tecnologia transformadora e seu impacto mais amplo nas indústrias, economias e sociedades. Embora essas tecnologias tenham grande potencial desde o início, perceber esse potencial requer grandes investimentos, incluindo o redesenho de processos de negócios; novos produtos, aplicativos e modelos de negócios inovadores; a requalificação da força de trabalho; e um repensar da própria natureza da produção.
Em seu artigo, Acemoglu, Autor e Patterson ofereceram uma estrutura conceitual que explica as tendências conflitantes entre avanços tecnológicos e crescimento da produtividade: avanços tecnológicos e inovação em qualquer indústria dependem de inovações complementares nos insumos e ideias das indústrias fornecedoras em seu setor. Quando a inovação está desequilibrada em um setor, ela retém o crescimento da produtividade e gera obstáculos à inovação. “Nossa estrutura conceitual, portanto, enfatiza que uma distribuição equilibrada de avanços tecnológicos entre setores é importante para a viabilidade de inovações futuras. … Nossa perspectiva também enfatiza como uma distribuição mais equilibrada do progresso tecnológico (e pesquisa e desenvolvimento) pode melhorar o desempenho da produtividade.”
O artigo ilustra como os obstáculos surgem e como sua resolução acelera a inovação e o crescimento, com exemplos concretos de três tecnologias relativamente recentes: baterias recarregáveis, transistores e GPS.
Baterias recarregáveis. Baterias recarregáveis desempenharam um papel importante na alimentação de laptops, dispositivos móveis pessoais, carros elétricos e outras inovações importantes do século XXI. Baterias recarregáveis foram um obstáculo tecnológico até a década de 1970 porque, por mais de cem anos, as melhores baterias disponíveis, baterias de chumbo, tinham baixa densidade de energia, uma taxa de carregamento lenta, um ciclo de vida curto e o potencial de liberar gás hidrogênio explosivo durante a recarga. O gargalo da bateria recarregável foi finalmente superado pelas baterias de íons de lítio, inventadas em 1973 e melhoradas ao longo da década de 1980. Em 1991, a Sony começou a produzir e vender as primeiras baterias de íons de lítio recarregáveis do mundo.
Transistores. Embora na década de 1950, dispositivos eletrônicos, linhas telefônicas, rádios, transmissores, amplificadores de áudio e os primeiros computadores fossem grandes, frágeis e lentos porque os interruptores eletromecânicos e válvulas de vácuo que esses produtos usavam eram tecnologias de gargalo. O transistor, inventado nos Laboratórios Bell da ATT em 1947, foi comercializado pela primeira vez na década de 1950 em produtos simples como rádios transistorizados. Os transistores então permitiram o rápido crescimento dos computadores a partir da década de 1960. A Lei de Moore captura sucintamente os avanços impressionantes dos transistores e circuitos integrados nas décadas seguintes. "Estima-se que o transistor seja o dispositivo mais fabricado na história, com 13 sextilhões (1021) de unidades até o momento, com bilhões a mais produzidos a cada dia."
Sistema de Posicionamento Global. “A navegação tradicional foi complementada com sistemas de posicionamento de rádio na década de 1970, mas essas ferramentas sofriam de baixa precisão ou cobertura geográfica limitada e, portanto, não iam além das aplicações de transporte militar e comercial.” O GPS foi desenvolvido pelos militares dos EUA para superar essas deficiências. Os satélites GPS foram lançados pela primeira vez em 1978 e abertos ao uso público mundial em 1983. Ao longo dos anos, o GPS permitiu uma série de inovações importantes, incluindo “agricultura de precisão, mineração e exploração de petróleo; informações de tempo de precisão atômica para sincronização de sistemas de transmissão de energia; levantamento remoto para geologia e previsão do tempo; e inúmeros serviços voltados para o consumidor, como transporte por aplicativo, publicidade direcionada e rastreadores de objetos.”
Os autores desenvolveram um modelo matemático para formalizar sua estrutura conceitual, a saber, que o crescimento lento decorre em parte de uma distribuição desequilibrada de inovação. Eles então validaram empiricamente sua hipótese usando dados de uma variedade de fontes, incluindo links de citação, patentes e dados de crescimento de produtividade de 462 indústrias de manufatura e 42 indústrias não manufatureiras e aqui estão suas principais descobertas.
- “Por meio de uma variedade de abordagens de medição, resultados de produtividade e países, verificamos a previsão primária desta hipótese: o crescimento da produtividade de uma indústria é aumentado pelo crescimento médio da produtividade de seus fornecedores (medido pelo PTF ou inovação) e, crucialmente, é prejudicado pela variância do crescimento de sua produtividade.”
- Há uma ligação poderosa entre a capacidade de inovação de um setor ou empresa e os desequilíbrios que ela enfrenta em seus setores a montante (ideia-fornecedor). Quanto maior a dispersão, ou seja, a variação ou a distribuição do crescimento da produtividade entre os fornecedores de uma indústria, maior a influência negativa que ela tem nas oportunidades de crescimento dessa indústria. Dobrar a variação do crescimento do FTP dos fornecedores em um setor está associado a um crescimento de produtividade aproximadamente 0,9 ponto percentual mais lento para esse setor.
- “A dispersão do crescimento do FTP entre as principais indústrias aumentou significativamente nas últimas décadas.” Essa dispersão maior explica essencialmente toda a desaceleração da produtividade agregada na manufatura entre as décadas de 1970 e 2007. Por exemplo, se a variação no crescimento do FTP na manufatura tivesse permanecido em seu nível de 1977–1987 nas duas décadas subsequentes, a produtividade da manufatura dos EUA teria crescido duas vezes mais rápido em 1997–2007 do que cresceu.
- “A variação do FTP do fornecedor na indústria aumentou durante este período, tanto porque as indústrias atrasadas não conseguiram crescer quanto porque as indústrias líderes se afastaram das demais.”
As indústrias de crescimento mais rápido, definidas como aquelas que tiveram o maior impacto na variação do FTP do fornecedor entre 1997 e 2007, incluem computadores eletrônicos, dispositivos de armazenamento de computador e semicondutores. As indústrias de crescimento lento que se tornaram os maiores gargalos no mesmo período incluem refinarias de petróleo, preparação farmacêutica, montagem de circuitos impressos e geradores de turbina. E as indústrias com mais gargalos, definidas como aquelas retidas pela inovação desigual entre seus fornecedores, incluem instrumentos cirúrgicos e médicos, motores a gás e válvulas industriais.
Esses resultados empíricos valem para toda a economia e, dentro do setor de manufatura (onde o FTP é melhor medido), eles estão presentes em diferentes sub períodos e com medidas alternativas de dispersão de produtividade. “Também verificamos que esses padrões não são impulsionados por outliers, nem são exclusivamente devidos aos rápidos avanços nos setores de computadores e eletrônicos (embora esses setores desempenhem um papel central em nossos resultados).” Além disso, “documentamos padrões análogos usando dados internacionais e estabelecemos que a dispersão na produtividade entre as principais indústrias fornecedoras nacionais e internacionais também tem sido um grande impedimento ao crescimento da produtividade para várias economias líderes da OCDE.”
“Vemos nossos resultados como sugestivos de uma ligação potencialmente importante entre gargalos de produtividade e crescimento de produtividade. … Nossa análise sugere ainda que, após avanços em setores que atuam como gargalos, deve haver uma aceleração do crescimento da produtividade agregada e da indústria.”
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O trabalho remoto é produtivo; mas...
E se o trabalho em casa continuasse … para sempre? Essa foi a pergunta do jornalista de ciência e tecnologia Clive Thompson em seu artigo na NY Times Magazine, de junho passado.
“A crise do coronavírus forçou o mundo a reconsiderar quase todos os aspectos da vida, inclusive no trabalho. Algumas práticas, que agora parecem perda de tempo, são descartadas; outras parecem ser inesperadamente cruciais e impossíveis de se replicar online. Para os trabalhadores que estão se perguntando, se agora vão voltar para o escritório, a resposta mais honesta é esta: mesmo que voltem, o escritório pode nunca mais ser o mesmo”.
Essa pesquisa descobriu que dos 56% das pessoas entrevistadas, empregadas antes da Covid-19, metade trabalhava em casa, – 35% passaram para trabalhar em casa, enquanto outros 15% já o faziam antes da Covid; 37% continuaram a se deslocar para o trabalho e 10% foram dispensados ou desligados de suas empresas. A pesquisa foi baseada em duas amostras distintas de dados – uma que coletou 25.000 respostas no início de abril e a segunda, que coletou outras 25.000 respostas no início de maio.
O artigo de Thompson cita a experiência da Accenture, que tem cerca de 500.000 funcionários em mais de 200 cidades em 120 países. Antes da pandemia, não mais do que 10% trabalhavam remotamente em um determinado dia da semana. Mas, em meados de março, quase todos foram convidados a trabalhar em casa. Os funcionários se adaptaram rapidamente, disse o CTO da Accenture. O volume das chamadas de vídeo aumentou seis vezes, enquanto o das chamadas de áudio triplicou. Apesar de ter que mudar das interações face a face para áudio e vídeo, a produtividade geral realmente aumentou conforme indicado por várias métricas.
“É difícil avaliar se o aumento no trabalho remoto vai durar. A vida em confinamento é muito mais difícil do que parece”, observa Thompson. “Muitos trabalhadores que vivem sozinhos estão vivenciando o isolamento de forma forçada como uma chatice emocional … Quase todos os pais com quem conversei cruzaram os dedos para que as escolas e creches reabrissem no outono – ponto em que o trabalho remoto pode se tornar uma opção, oposta àquela que foram forçados a suportar no início da Pandemia. Supondo que esse dia chegue, é possível que alguns optem por continuar trabalhando fora do escritório.”
O trabalho remoto, também conhecido como teletrabalho, existe há décadas, mas decolou em meados da década de 1990 com o crescimento explosivo da Internet. Alguns até previram que a Internet levaria ao declínio das cidades, porque permitiria às pessoas trabalhar, manter contato com amigos e colegas e fazer compras em casa. Por que alguém escolheria morar em uma área metropolitana cara e lotada, se eles poderiam morar em um local mais acessível, menos estressante e potencialmente mais saudável?
“A pesquisa conduzida antes da pandemia descobriu que o trabalho remoto oferece efeitos positivos significativos tanto para o funcionário quanto para o empregador... O que a Accenture descobriu não é, ao que parece, um acaso: a produção geralmente aumenta quando as pessoas trabalham remotamente.” O artigo ainda aponta dois estudos de caso de produtividade: um, focado no trabalho de casa (WFH - work from home) e o segundo no trabalho de qualquer lugar (WFA - work from anywhere). A pesquisa sobre trabalho remoto tem lidado amplamente com os programas da WFH, nos quais os funcionários geralmente vivem perto do escritório. Esses programas oferecem flexibilidade temporal aos trabalhadores, incluindo tempos de deslocamento reduzidos e melhor equilíbrio entre vida pessoal e profissional.
Mas, quão eficaz é trabalhar em casa?
Pesquisadores de Stanford abordaram essa questão em um artigo de 2013 com base em um experimento de 9 meses conduzido com a CTrip, – a maior agência de viagens da China. A CTrip perguntou a quase 1.000 funcionários em seu call center em Xangai se eles estariam interessados em trabalhar em casa quatro dias por semana, com o quinto dia no escritório como de costume. Cerca de metade dos funcionários se interessou, – principalmente aqueles que tinham filhos e deslocamentos longos para o trabalho, – e cerca de 250 qualificados em virtude de terem pelo menos seis meses de mandato, além de acesso à banda larga e um quarto privativo em que pudessem trabalhar em casa. CTrip então realizou um sorteio, e um grupo foi selecionado para o experimento, enquanto o restante continuou a trabalhar no escritório como um grupo de controle.
“O trabalho em casa levou a um aumento de desempenho de 13%, dos quais cerca de 9% foi de trabalhar mais minutos por turno (menos pausas e dias de licença médica) e 4% de mais chamadas por minuto (atribuído a um ambiente de trabalho mais silencioso)... Esses trabalhadores também relataram maior satisfação no trabalho e menos rotatividade, mas sua taxa de promoção, condicionada ao desempenho, caiu. Devido ao sucesso do experimento, a CTrip implementou a opção WFH para toda a empresa e permitiu que os funcionários decidissem entre trabalhar em casa ou o escritório. Curiosamente, mais da metade deles optou por trabalhar à partir de casa, o que levou o modelo WFH quase dobrar, passando para 22% da força de trabalho”.
Como trabalhar em qualquer lugar (WFA) se compara a trabalhar em casa (WFH)?
Um outro artigo avaliou a diferença de produtividade entre os programas WFH e WFA, com base nas experiências do US Patent and Trademark Office (USPTO), que em 2006, implantou um programa WFH de forma voluntária, com um grupo inicial de 500 examinadores de patentes, permitindo que os funcionários trabalhassem em casa até quatro dias por semana. Então, em 2012, o USPTO lançou um programa piloto WFA, agora permitindo que seus funcionários, trabalhassem em qualquer lugar. Os funcionários elegíveis para o piloto WFA deveriam já estar inscritos no WFH, e residir a mais de 50 milhas da sede do USPTO e também que concordassem em renunciar aos seus direitos de serem reembolsados pelas viagens à sede, que eram limitadas a cinco por ano. No geral, o programa WFA levou a um aumento adicional na produção de trabalho de 4,4% em comparação com o programa WFH.
Trabalhar em casa também pode melhorar a forma como os funcionários se sentem em relação ao trabalho, disse Thompson, citando estudos e mostrando uma correlação positiva entre o teletrabalho e a satisfação no trabalho. “As pessoas tendem a valorizar a maior flexibilidade na definição de suas horas de trabalho, o tempo adicional com os membros da família, as distrações reduzidas.”
Além de aumentar a produtividade e a satisfação no trabalho de seus funcionários, outra atração para os empregadores é a redução dos custos imobiliários. O USPTO estima que eles economizaram mais de US $38 milhões em espaço para escritórios. Além disso, as empresas têm acesso a um grupo maior de funcionários talentosos que podem não ter recursos para se mudar para cidades caras ou preferir não fazê-lo por motivos familiares ou outros. “E depois da pandemia – muitos não vão querer voltar”, acrescentou Thompson. “Muitos hesitarão com a ideia de elevadores lotados e escritório, onde as pessoas ficam amontoadas.”
“Mas há um outro lado, como ouvi de muitos dos trabalhadores que entrevistei, que afirmam que, por mais que nossos escritórios possam ser ineficientes, disseminadores de doenças e outras coisas que atrapalham a produtividade, muitas pessoas querem voltar para eles”, escreveu Thompson em conclusão. “Isso porque o trabalho no escritório é mais do que apenas produtividade direta. Ele também influencia a química da cultura do local de trabalho, que vem da interação de funcionários o dia todo, de maneiras inesperadas e até despretensiosas; e muitos funcionários temem que essa cultura esteja se desgastando ou no final de um ciclo”.
10/03/2020
O paradoxo da produtividade
Nos últimos 10 a 15 anos, assistimos a vários avanços tecnológicos, de smartphones a aprendizado de máquina. No entanto, apesar desses avanços impressionantes, durante a maior parte deste período, as economias do mundo ficaram paralisadas em uma era de lento crescimento da produtividade. As opiniões são muitas, mas, no final, não há consenso sobre as causas desse aparente paradoxo da produtividade, sobre quanto tempo a desaceleração durará ou sobre o que fazer a respeito.
Alguns economistas argumentaram que a estagnação secular é a razão por trás dessa situação incomum, causada principalmente pela relutância das empresas em investir e dos consumidores em gastar. Outros acham que o envelhecimento da população em todo o mundo, acompanhado por uma força de trabalho lenta ou em declínio, é um fator importante. Alguns outros afirmam que houve um declínio em inovação e produtividade nas últimas décadas, em comparação com o período entre 1870 e 1970.
Outros argumentam ainda que sempre houve atrasos entre os avanços tecnológicos e seu impacto no crescimento econômico. Embora as tecnologias possam avançar rapidamente, humanos e instituições mudam lentamente. E, quanto mais transformadoras as tecnologias – como atualmente acontece -, mais tempo leva para que seu impacto seja sentido nas economias e sociedades.
Mas as empresas e os setores não são os únicos que tentam se adaptar à nossa rápida economia digital. Os indivíduos também estão experimentando sua própria versão do paradoxo da produtividade. Os computadores pessoais, juntamente com aplicativos como processamento de texto e planilhas, introduziram uma nova categoria de ferramentas de produtividade pessoal nos anos 80. Uma década depois, a Internet e a World Wide Web permitiram que as pessoas se comunicassem facilmente entre si e deram acesso a todos os tipos de informações e aplicativos.
Mais recentemente, o advento de smartphones, aplicativos e outras tecnologias importantes levaram as ferramentas de produtividade pessoal a um nível totalmente novo. É difícil imaginar como era a vida sem essas ferramentas, que se tornaram uma parte indispensável de nossas vidas pessoais e profissionais nas últimas duas décadas.
A princípio, essas ferramentas deveriam economizar tempo e facilitar nossa vida. Mas, como sabemos, não foi o caso. Artigo após artigo nos lembra que, graças à Internet e aos smartphones, todos estão disponíveis o tempo todo; isso se parece com um ciclo interminável de caixas de entrada transbordantes e demandas urgentes; que, por mais que trabalhemos, estamos sobrecarregados e sobrecarregados, porque há muito mais a fazer todos os dias do que tempo para fazê-lo.
O que explica esse paradoxo da produtividade pessoal?
O executivo financeiro e o professor sênior do MIT Robert Pozen há muito se interessa pelos desafios de produtividade enfrentados pelos profissionais. Ele escreveu sobre o assunto, incluindo seu livro, Produtividade extrema: aumente seus resultados, reduza suas horas.
“Você está se sentindo sobrecarregado com suas obrigações no trabalho e em casa?”,
Perguntou Pozen em um artigo de agosto de 2018 na Harvard Business Review (HBR).
“Você não está só. A maioria dos funcionários dos EUA reclama que se sente sobrecarregado”.
O artigo fez referência a uma pesquisa de 2016, que constatou que:
- 58% dos trabalhadores dizem que são, às vezes, sobrecarregados com o trabalho,
- 28% se sentem assim apenas raramente e
- 9% dizem que o trabalho nunca os sobrecarrega.
O artigo de Pozen incluiu uma série de perguntas para ajudar os profissionais a avaliar sua produtividade pessoal. A avaliação consiste em 21 perguntas divididas em sete categorias: desenvolvimento de rotinas diárias, planejamento de sua agenda, lidar com mensagens, muito trabalho, realização de reuniões eficazes, aprimoramento das habilidades de comunicação e delegação de tarefas a outras pessoas.
Os resultados foram publicados em um artigo da HBR em março de 2019, O que torna algumas pessoas mais produtivas que outras. Quase 20.000 entrevistados de todo o mundo responderam às perguntas: aproximadamente 50% eram da América do Norte; 21% da Europa; 19% da Ásia; e os 10% restantes da Austrália, América do Sul e África. 55% dos entrevistados eram do sexo masculino e 45% do sexo feminino. No geral, três padrões principais se destacaram.
Trabalhar de forma mais inteligente é mais importante para a produtividade pessoal do que trabalhar longas horas. Profissionais com as maiores pontuações de produtividade geralmente exibiam alguns comportamentos-chave: “Eles planejaram seu trabalho com base em suas principais prioridades e depois agiram com um objetivo definido. Eles desenvolveram técnicas eficazes para gerenciar um alto volume de informações e tarefas. E eles entenderam as necessidades de seus colegas – para reuniões curtas, comunicações responsivas e orientações claras. ”
Idade e antiguidade estavam altamente correlacionadas com a produtividade pessoal. Os entrevistados foram agrupados em cinco faixas etárias, de menos de 30 a mais de 60 anos. As pontuações de produtividade aumentaram sistematicamente quanto mais velhos os respondentes, provavelmente refletindo os benefícios de aprender a trabalhar de forma mais inteligente com anos de experiência. “Os fatores que motivaram essas pontuações mais altas de produtividade para os entrevistados em faixas etárias mais velhas foram seus hábitos mais fortes em quatro áreas: desenvolvimento de rotinas para atividades de baixo valor, gerenciamento de fluxo de mensagens, realização de reuniões eficazes e delegação de tarefas a outros.
Os dados também capturaram cinco níveis de antiguidade, do mais jovem ao mais antigo. Assim como a idade, os índices de produtividade foram mais altos nos níveis mais altos de antiguidade, sugerindo que bons hábitos de produtividade podem ajudar os profissionais a alcançar cargos de nível superior e que, à medida que as pessoas crescem na organização, elas precisam aprender a se tornar mais produtivas. “Mais entrevistados seniores alcançaram alta produtividade com um melhor planejamento de suas agendas, muito trabalho e habilidades de comunicação mais fortes.”
Embora as pontuações gerais de produtividade dos entrevistados masculinos e femininos sejam quase as mesmas, houve diferenças de gênero em categorias específicas. As mulheres tiveram pontuações mais altas na preparação de seus calendários na noite anterior e na realização de reuniões eficazes, por exemplo, enviando uma agenda com antecedência, mantendo as reuniões em menos de 90 minutos e garantindo que houvesse um acordo sobre as próximas etapas. Os homens tendiam a pontuar mais alto ao lidar com o alto volume de mensagens, mantendo horários livres em seus planejamentos para eventos não planejados e agindo rapidamente para finalizar tarefas e produtos.
O artigo concluiu com um conjunto de recomendações para lidar com os desafios de produtividade enfrentados pela maioria dos profissionais:
Planeje seu trabalho com base em suas principais prioridades e depois aja com um objetivo definido. Isso inclui revisar os horários diários na noite anterior para enfatizar as prioridades e enviar uma agenda detalhada a todos os participantes antes de qualquer reunião.
Desenvolva técnicas eficazes para gerenciar a sobrecarga de informações e tarefas. Isso inclui transformar processos diários em rotinas nas quais você não precisa pensar, deixando tempo na sua agenda diária para lidar com eventos não planejados e delegar tarefas a colegas de trabalho com os quais eles possam lidar sem o seu envolvimento pessoal.
Entenda as necessidades de seus colegas para reuniões curtas, comunicações responsivas e orientações claras. Isso inclui limitar a maioria das reuniões a não mais de 90 minutos, encerrar todas as reuniões com etapas e responsabilidades claramente definidas e estabelecer objetivos e métricas claros para os esforços da equipe.
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