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16/04/2020

Fazendo mais com menos recursos

Finalmente aprendemos a consumir menos recursos do nosso planeta. Já estava na hora”,

Isso foi escrito por Andrew McAfee na Introdução ao seu novo livro: Mais com Menos: A surpreendente história de como aprendemos a prosperar usando menos recursos – e o que acontece a seguir

A História é surpreendente de como Aprendemos a Prosperar Usando Menos Recursos – mas, e agora?

McAfee é co-diretor da Iniciativa do MIT digital e principal pesquisador da MIT Sloan School of Management, além de redator de livros e artigos.

Durante quase toda a história da humanidade, nossa prosperidade esteve fortemente associada à nossa capacidade de retirar recursos da Terra. Assim, à medida que nos tornamos mais numerosos e prósperos, inevitavelmente consumimos mais minerais, mais combustíveis fósseis, mais terra para as culturas, mais árvores, mais água e assim por diante. Mas isso mudou. Nos últimos anos, vimos surgir um padrão diferente: o padrão do mais com menos”.

O que levou ao surgimento de um novo padrão?

O livro fornece uma resposta provocativa a essa pergunta. As forças mais importantes responsáveis pelo surgimento do novo padrão são o progresso tecnológico e o capitalismo.

Muitos acharão essa conclusão – a tese central do livro – um tanto provocativa e difícil de aceitar, observa o próprio McAfee.

Alguns poderão dizer:

Não baseamos nossa prosperidade na era industrial, cortando florestas, consumindo recursos, matando animais e sujando o ar e a água do nosso planeta?

Temos certeza que sim, mas agora entramos uma nova fase. E fizemos isso sem reduzir radicalmente as trocas entre a prosperidade humana e a saúde do nosso planeta.

Em vez disso, ficamos muito melhores em fazer o que já estávamos fazendo. Em particular, melhoramos a combinação do progresso tecnológico com o capitalismo para satisfazer os desejos e necessidades humanas.

A mudança crítica não foi o capitalismo, que continua se espalhando pelo mundo, apesar de vários obstáculos e percalços. O que foi radicalmente transformador, foi a própria natureza do progresso tecnológico.

“Inventamos o computador, a Internet e um conjunto de outras tecnologias digitais que nos permitem desmaterializar nosso consumo: com o tempo, eles nos permitiram consumir cada vez mais, tirando cada vez menos do planeta. Isso aconteceu porque as tecnologias digitais ofereceram a economia de custos resultante da substituição de átomos por bits, e as intensas pressões de custo do capitalismo fizeram as empresas aceitarem essa oferta repetidamente.”

Nesta visão geral, McAfee informa que o livro está organizado em torno de perguntas e respostas a seis perguntas principais sobre a condição humana, o estado da natureza e o relacionamento entre as duas. Vamos comentar brevemente cada uma das perguntas.

Qual é a história da prosperidade humana e nosso relacionamento com o nosso planeta?

A prosperidade humana e o crescimento populacional estão intimamente entrelaçados. É uma história com vários períodos. O primeiro foi um período muito longo de crescimento populacional anual muito lento – bem abaixo de 1% – desde os tempos pré-históricos até o início do século XIX, quando a população estava em torno de um bilhão. Durante a maior parte desse tempo, a grande maioria das pessoas vivia à beira da fome e a população era limitada pelo número de pessoas que a terra poderia sustentar.

Em seguida, veio um período de alto crescimento populacional. As novas tecnologias da Era Industrial levaram ao aumento dos padrões de vida e a grandes melhorias nos cuidados de saúde. Os limites anteriores de crescimento e prosperidade foram significativamente reduzidos. A população mundial atingiu 2 bilhões no final da década de 1920, depois subiu para 4 bilhões em meados da década de 1970 e 6 bilhões em 2000. As taxas de crescimento anual aumentaram particularmente rapidamente no século 20, atingindo um pico de cerca de 2,1% na década de 1960 antes de começar sistematicamente declinar.

No entanto, a Era Industrial foi difícil para o planeta.

“Extraímos cada vez mais recursos dele, deixamos muitas espécies à beira da extinção ou extintos e poluímos muito o ar, a terra e a água. À medida que a população humana continuava aumentando, esses danos continuavam se acumulando, até que muitos começaram a acreditar que nossa espécie era uma grave ameaça ao nosso planeta.”

O que está acontecendo agora?

O terceiro período da população está agora se desenrolando, caracterizado por taxas de crescimento muito mais lentas. Nossa população atual é de cerca de 7,7 bilhões, com uma taxa de crescimento anual de 1,1%. A população global deverá atingir o pico no final deste século. As projeções medianas da Divisão de População da ONU estimam que a população chegará a 9,8 bilhões, com uma taxa de crescimento de 0,5% em 2050, e atingirá o pico em torno de 2100, com aproximadamente 11,2 bilhões, com uma taxa de crescimento de 0,1%.

O padrão de vida per capita, medido pelo PIB, tem aumentado em todo o mundo. Dados do Banco Mundial e de outras fontes mostram que o PIB global aumentou dramaticamente de menos de US $ 500 em 1960 para mais de US $ 11.000 em 2018 em dólares atuais. Mas, embora a prosperidade tenha aumentado constantemente, o consumo de recursos começou a declinar na maioria das economias avançadas, incluindo os EUA.

“O país agora (EUA) geralmente usa menos metal, fertilizante, água, papel e madeira e energia ano após ano, mesmo com o aumento da produção. Esse fenômeno é conhecido como desmaterialização da economia e está nos levando ao que eu chamo de ‘segunda iluminação’ – literal. Os Estados Unidos, agora estão obtendo mais com menos; o país está pós-pico no uso de recursos e outras explorações do meio ambiente. Padrões similares são vistos em outros países ricos.”

Por que as coisas mudaram?

A desmaterialização é principalmente o resultado do progresso tecnológico e do capitalismo. TI, Internet, dispositivos móveis e tecnologias avançadas estão permitindo que as empresas façam mais com menos. Ao mesmo tempo, as pressões competitivas do capitalismo global estão forçando as empresas a adotar essas tecnologias para aumentar as receitas e os lucros, enquanto se tornam mais eficientes e reduzem os custos, ou seja, fazem mais com menos.

“No entanto, o capitalismo e o progresso tecnológico não resolvem todos os nossos problemas ambientais. Eles não lidam bem com a poluição, que é um efeito colateral negativo de muita atividade econômica, e não poupam animais em extinção. Portanto, precisamos de outro par de forças: conscientização pública e governo responsivo … Juntos, capitalismo, progresso tecnológico, conscientização pública e governo responsivo são os quatro cavaleiros do otimismo. Quando todos esses fazem a sua parte, pisamos cada vez mais leve em nosso planeta (fazemos mais com menos).”

Quais são as consequências dessa mudança?

Os chamados quatro cavaleiros estão provocando outras mudanças importantes em todo o mundo – algumas positivas e outras negativas:

Melhorias para o ser humano e a natureza. Nas últimas décadas, o mundo está melhorando silenciosamente, mas incansavelmente, incluindo maior expectativa de vida; pobreza em declínio; redução da mortalidade materna e infantil; melhor acesso ao conhecimento, educação, alimentação, água potável e saneamento.

Aumento da concentração da riqueza. Embora o capitalismo e o progresso tecnológico façamos mais com menos, eles também levaram ao aumento da desigualdade econômica, pois seus benefícios estão indo para menos regiões, empresas e pessoas.

Maior desconexão, ou seja, uma diminuição preocupante em nossas interações e relacionamentos sociais, resultando em maior depressão e polarização política.

O que aguardar do futuro?

“Mais do mesmo. Há todas as razões para acreditar que o capitalismo e o progresso da tecnologia farão com que a desmaterialização se aprofunde e amplie. Em uma década, é provável que os Estados Unidos estejam usando menos recursos do que agora: não importa quanto sua população e economia cresçam nos próximos dez anos”.

O que precisamos fazer de diferente?

Existem duas prioridades urgentes: reduzir as emissões de efeito estufa e reverter as desconexões e declínios no capital social que vemos em tantas comunidades.

“Nosso planeta está ficando mais quente e nós, humanos, estamos mais frios; nenhuma delas é uma tendência saudável. Governos, empresas, filantropos e outras organizações sem fins lucrativos, e famílias e indivíduos, todos têm um papel a desempenhar nessas áreas e, simultaneamente, melhorando nossa prosperidade e nosso planeta.”

06/04/2020

Os celulares mudaram o mundo, para melhor ou para pior?

Conte a um jovem como era o mundo antes dos telefones celulares. Já passou por essa experiência? Já viu a cara deles?

Em 1º de janeiro de 1985, quando a primeira chamada móvel do Reino Unido foi feita em um Vodafone transportável VT1 que pesava 4,9Kg; se você quisesse um, teria que gastar cerca de 10 mil Reais.

Interessante que, o que pra nós parece ser mais chocante, não tem o mesmo impacto para os jovens; mas continue a conversa. Conte que não havia Uber. Conte que as viagens, na maioria das vezes eram feiras de ônibus, que se você tivesse um walkman, carregaria com você, com muita sorte, 20 ou 30 músicas. Continue sua viagem pelo passado e conte que em algumas paradas de ônibus havia um telefone público que você podia disputar com outras dezenas de pessoas pra tentar falar com seus familiares; em menos de um minuto para que a chamada não ficasse muito cara, quando a cobrar ou que suas fichas telefônicas não acabassem antes do previsto. As chamadas eram de qualidade ruim e sujeitas a interrupção repentina.

Quando os celulares começaram a se tornar comuns, a diferença que eles faziam em nossas vidas era simples; poderíamos comunicar informações importantes, geralmente de natureza sensível ao tempo, sem estar em casa ou no trabalho e sem depender da disponibilidade de uma linha telefônica fixa.

O aborrecimento que eles criaram – os detalhes domésticos e quotidianos, começaram a ser contados em voz alta em um local público, e parecia patético ver alguém aparentemente tagarelando para si enquanto caminhavam pela rua – era algo diferente e estranho para a geração anterior.

Mas logo depois, ficamos entusiasmados com a inovação adicional de poder transmitir nossas notícias em forma de texto – e nem era preciso falar com um ser humano! Era só digitar e enviar.

Um pouco de história: Evolução dos celulares.

Mas o que seu telefone está fazendo agora?

Consigo falar com meu diretor de negócios e ao mesmo tempo dar uma bronca no meu pet que esta latindo, mas meu interlocutor, do outro lado da linha não ouve os ruídos, pois posso acionar a função ‘mute’. Recebo um alerta sobre o jogo de hoje da Champions League e mais de uma dezena de e-mails de ofertas de tudo: imóveis, carros, produtos esportivos e eletrodomésticos.

As pessoas, na verdade, fizeram do smartphone o seu refugio, pois encontraram nele muito mais que uma chamada a qualquer momento. Nele há diversão e entretenimento – música, podcasts, mídias sociais, fotografias, jogos. É em um smartphone que agora dígito este texto e posso inclusive incluir imagens, vídeos, etc.

Enquanto sigo de Uber para o trabalho, reorganizo minha agenda, faço uma blitz nos meus e-mails, ligo para dois vendedores para falar de projetos e ainda consigo ler um capítulo de um livro em PDF.

Os telefones celulares mudaram a cultura e continuam a fazê-lo; não apenas na natureza da comunicação em si, mas na forma de como distribuir e consumir conteúdo, além do óbvio.

Um exemplo perfeito: o hit Caneta azul, ganhou destaque ao ser milhões de vezes transferida de celular para celular via aplicativo e redes sociais e tornou o seu compositor famoso, em apenas alguns dias.

O compartilhamento de música e outros conteúdos por telefonia móvel é uma resposta criativa a uma situação óbvia: uma maneira de se conectar com a cultura pop, criando uma rede de intercâmbio de conteúdo. Para mim, o exemplo ‘caneta azul’ deixa claro que seria improvável esta música, alcançar a repercussão que teve, não fosse o poder do compartilhamento de conteúdo via celular.

Mas eu preciso disso? Meu mundo é ampliado pelo fácil acesso a qualquer coisa que meus olhos, ouvidos e pensamento possam dar atenção; por outro lado, minha atenção está muito enfraquecida por um excesso de possibilidades. Exemplo: quantos números de telefone você tem memorizado? Você não precisa mais memoriza-los pois seu smartphone tem uma agenda com tantos quantos números você quiser guardar nele.

Sabemos de outros e outros exemplos em todo o mundo, da parte vital que os celulares desempenharam em situações políticas, conectando milhares de manifestantes entre si e com o mundo exterior, documentando abusos, calamidades e vitórias. Sabemos o quanto eles podem ser valiosos no rastreamento de pessoas; da facilidade de localizar alguém e explicar o uso do telefone, em casos de crimes cometidos.

Mas há momentos em que também somos escravizados pela inovação; onde, o que de fato parece nos conectar, pode ser o que está a nos separar – um do outro e de nossa própria experiência de vida. Esse é um pensamento que me vem por vezes, quando vejo várias pessoas em uma sala – mas ninguém se fala, pois estão todos envolvidos em alguma coisa ou atividade na tela do seu celular.

Um concerto é um concerto (e ponto). Mas ele pode ser devidamente apreciado por uma live no YouTube? Um pensamento não twittado vale uma desatenção ao seus filhos ou pais? Se você não registrar sua sessão de ginástica, sua capacidade cardiovascular realmente fará diferença? Um retumbante SIM a todos os três por grande parte das pessoas.

A Deloitte fez um survey com mais de 2.000 usuários de telefone celular no Brasil, que contaram seus hábitos de uso do aparelho.

O resultado do estudo mostra como o smartphone tem se consolidado como um hub de controle de outros dispositivos conectados, e também os aspectos relacionados à segurança de dados e à infraestrutura de telecomunicações no país.

Além da Guerra de Preços: O Oceano Azul na Conectividade Brasileira

Introdução Lançado em 2005 por W. Chan Kim e Renée Mauborgne, A Estratégia do Oceano Azul revolucionou o pensamento estratégico...