25/09/2021

Cyber Defesa Colaborativa

Após a Segunda Guerra Mundial e o início da Guerra Fria, os EUA empreenderam uma série de medidas para fortalecer sua resiliência. Isso incluiu a expansão significativa do apoio governamental à pesquisa científica, trazendo inovações de produtos do setor privado e melhores armas da indústria de defesa.

Na década de 1950, o governo promulgou a Lei Nacional de Rodovias Interestaduais e de Defesa, que levou à construção do Sistema de Rodovias Interestaduais. A lei tinha um duplo propósito: facilitar o crescimento econômico do país, bem como apoiar a defesa do país durante uma guerra, se necessário.

E, no final dos anos 1960, o Departamento de Defesa lançou a ARPANET, a infraestrutura digital que mais tarde se tornou a Internet. A ARPANET foi projetada como uma rede digital flexível que permitiria aos computadores continuar a se comunicar com indivíduos e entre si após um ataque militar.

Desenho da ARPANET de 1977

Felizmente, nunca foi necessário testar a capacidade da Internet de manter os EUA funcionando após um ataque ou invasão. Mas, quem teria pensado que 50 anos após o lançamento da ARPANET, uma pandemia global testaria a capacidade da Internet de cumprir seu objetivo original de manter nações e economias em funcionamento, durante a maior crise que o mundo já experimentou, desde a Segunda Guerra Mundial.

A Internet é uma rede de dados de uso geral que oferece suporte a uma variedade notável de aplicativos. O fato da rede ser de propósito geral, permitiu que a Internet continuasse crescendo e se adaptando a aplicativos amplamente diferentes e se tornasse uma das, senão, a plataforma de inovação mais prolífica que o mundo já viu.

Uma das principais razões para a sua capacidade de suportar uma diversidade tão rica de aplicativos é que em sua estrutura lógica, a camada TCP-IP, tem a missão básica de transporte de dados, ou seja, mover bits.

Quase tudo o mais, incluindo segurança, é responsabilidade dos aplicativos executados na Internet. As decisões de design que moldaram a Internet não foram otimizadas para operações seguras e confiáveis.

Não há, na estrutura lógica, dos protocolos básicos da Internet, algo propriamente responsável pela segurança, e isso é o maior desafio que a Internet tem enfrentado, desde seu crescimento explosivo na década de 1990.

As ameaças da Internet têm aumentado junto com a digitalização cada vez maior da economia e da sociedade. Fraudes em larga escala, violações de dados e roubos de identidade se tornaram muito mais comuns. À medida que passamos de um mundo de interações físicas e documentos em papel para um mundo governado principalmente por dados e transações digitais, nossos métodos tradicionais para proteger identidades e dados se mostram bastante inadequados. As empresas estão descobrindo que é caro prevenir e recuperar ataques cibernéticos.

Uma pesquisa recente da McKinsey descobriu que a pandemia acelerou a adoção geral de tecnologias digitais e aplicativos online em três a sete anos, em apenas alguns meses. A maioria das mudanças, que fomos forçados a fazer, em tempo recorde, funcionou muito bem, como o trabalho em casa, reuniões virtuais e telemedicina – com a notável exceção para o aprendizado online, especialmente para crianças mais novas. Também não surpreende que essa aceleração da digitalização tenha sido acompanhada por um volume crescente de ataques cibernéticos contra indivíduos, empresas e governos, sendo alguns deles, bastante sérios.

As ameaças cibernéticas aumentaram significativamente com um número crescente de ataques por grupos criminosos e governos adversários. Em junho, o diretor do FBI Christopher Wray comparou o perigo de ataques de ransomware às ameaças terroristas de 11 de setembro.

Quando Biden e Putin se encontraram em Genebra no final de Junho, o controle de ataques cibernéticos estava no topo da agenda, um assunto que, em outros tempos, seria ocupado pelo controle de armas nucleares. Um editorial recente do NY Times instou Biden a tomar uma posição mais firme contra a Rússia e outras nações que encorajam ou toleram ataques cibernéticos.

A CISA, Cybersecurity & Infrastructure Security Agency, tem a liderança para se defender contra ameaças cibernéticas e construir infraestruturas mais seguras e resilientes.

“As ameaças que enfrentamos – digitais e físicas, artificiais, tecnológicas e naturais – são mais complexas e os atores da ameaça mais diversificados do que em qualquer momento de nossa história”, observa a CISA em seu site.

“A CISA está no centro da mobilização de uma ação de defesa coletiva, à medida que lideramos os esforços para compreender e gerenciar os riscos para nossa infraestrutura crítica.”

Em 12 de maio, o presidente Biden emitiu uma Ordem Executiva para Melhorar a Segurança Cibernética da Nação, com observações importantes a uma série de termos contratuais e restrições que limitam o compartilhamento de informações entre agências governamentais e empresas do setor privado.

“Remover essas barreiras contratuais e aumentar o compartilhamento de informações sobre tais ameaças, incidentes e riscos são passos necessários para acelerar os esforços de dissuasão, prevenção e resposta a incidentes e para permitir uma defesa mais eficaz dos sistemas das agências e das informações coletadas, processadas e mantidos pelo ou para o Governo Federal”, disse o decreto.

Os ataques de 11 de setembro levaram à criação do Escritório do Diretor de Inteligência Nacional (ODNI) para aumentar o compartilhamento da inteligência doméstica, estrangeira e militar em 18 organizações federais. Da mesma forma, o 11 de setembro também levou ao estabelecimento do Departamento de Segurança Interna (DHS), que combinou 22 agências federais, em uma agência unificada para coordenar melhor o antiterrorismo, segurança de fronteira, imigração e alfândega, prevenção e gestão de desastres, e cibersegurança.

Na época dos ataques de 11 de Setembro, a economia digital estava surgindo e era muito diferente de hoje. Nos anos que se seguiram, o número de usuários da Internet e de aplicativos on-line aumentaram exponencialmente, assim como o volume e a variedade de incidentes graves de segurança cibernética nos setores público e privado. Para lidar melhor com esse aumento nas ameaças cibernéticas, a CISA lançou um novo Joint Cyber Defense Collaborative (JCDC)

“para integrar capacidades cibernéticas em várias agências federais, governos estaduais e locais e inúmeras entidades do setor privado para atingir objetivos comuns.”

O anúncio do JCDC lista uma série de objetivos, incluindo:Planos de defesa cibernética abrangentes para enfrentar os riscos e facilitar a ação coordenada;Compartilhar percepções para moldar a compreensão conjunta dos desafios e oportunidades para a defesa cibernética;Coordenar operações cibernéticas defensivas para prevenir e reduzir os impactos das intrusões cibernéticas;Capacidades de defesa cibernética integradas para proteger as infraestruturas críticas da nação;Flexibilidade no planejamento e colaboração para atender às necessidades de defesa cibernética dos setores público e privado; eExercícios conjuntos para melhorar as operações de defesa cibernética.

O anúncio pede explicitamente um planejamento cibernético conjunto com as principais agências federais, incluindo DHS, FBI, NSA, ODNI e o Departamento de Justiça, bem como com governos estaduais e locais e com os proprietários e operadores de infraestruturas críticas, como serviços financeiros, alimentação e agricultura, energia e saúde e saúde pública. Mas, dado o uso generalizado de TI em todo o setor privado e a complexidade das tecnologias de segurança cibernética, o anúncio afirma explicitamente que o JCDC

“envolverá parceiros da indústria e da academia para alavancar percepções, capacidades e recursos exclusivos para apoiar os esforços de planejamento de defesa cibernética, incluindo fornecedores e representantes de TIC de todo o ecossistema cibernético.”

Neste estágio inicial, é difícil prever o papel que o JCDC desempenhará no fortalecimento da segurança cibernética da Nação. Em minha experiência, a cooperação estreita entre governo, empresas e comunidades acadêmicas e de pesquisa é essencial para progredir em iniciativas altamente complexas, multifacetadas e consequentes, como a segurança cibernética. Todos devemos esperar que o JCDC seja bem-sucedido e ajudá-lo nesse sentido. Como disse a diretora da CISA, Jen Easterly, no anúncio:

“O JCDC apresenta uma oportunidade estimulante e importante para esta agência e nossos parceiros – a criação de uma capacidade de planejamento única para ser proativo versus reativo em nossa abordagem coletiva para lidar com as ameaças cibernéticas mais sérias à nossa nação. Os parceiros da indústria que concordaram em trabalhar lado a lado com a CISA e nossos colegas de equipe de outras agências compartilham o mesmo compromisso de defender as funções críticas nacionais de nosso país contra invasões cibernéticas e a imaginação para gerar novas soluções. Com esses parceiros extraordinariamente capazes, nosso foco inicial será nos esforços para combater o ransomware e desenvolver uma estrutura de planejamento para coordenar os incidentes que afetam os provedores de serviços em nuvem.”

23/09/2021

A Evolução dos Shoppings Centers na Economia Digital

No início do ano, The Economist publicou uma reportagem especial, muito interessante, sobre O Futuro do Shopping, incluindo alguns artigos sobre o assunto.

“uma nova espécie de comprador está surgindo: mais empenhado em garantir que o que ele compra reflita o que ele acredita. Esta última versão do consumidor global parece susceptível de mudar a forma como o capitalismo funciona – para melhor.”

O novo consumidor tem sua importante parte neste novo modelo de consumo, mas três grandes mudanças estão transformando o mundo do varejo:

1) A Europa Ocidental e a América do Norte não são mais os maiores mercados de varejo; e essas regiões também não resumem mais a vanguarda do varejo, como sempre foi, com inovações como as lojas de departamentos, os Shoppings Centers, compras por catálogo e e-commerce. Os compradores estão cada vez mais asiáticos.

“No ano passado, a China e a América eram praticamente os maiores mercados de varejo do mundo. Os dois maiores mercados online da China, Taobao e Tmall, do Alibaba, fazem mais negócios com terceiros do que a Amazon.”

E os compradores da Ásia estão agora na fronteira do varejo, com inovações como o comércio eletrônico ao vivo.

2) Além dos preços baixos, os compradores mais jovens são cada vez mais influenciados por seus valores sociais, éticos e políticos ao tomar decisões de compra. Eles estão selecionando com quais marcas se engajar com base em seus valores sociais, como credenciais ambientais e ambiente de trabalho.

Empresas bem administradas trabalham arduamente para estabelecer o tipo de reputação positiva que atrai as pessoas que desejam se associar à marca e a seus produtos e serviços. Isso é particularmente importante na era da Internet, que permite que as ações de uma empresa sejam comunicadas instantaneamente a todos.

“O capitalismo se adapta às preferências da sociedade, por meio de regulamentações e leis governamentais, que os eleitores influenciam, pelo menos nas democracias. Mas a resposta das empresas aos sinais que os consumidores enviam, é uma força para a mudança também”, e é a razão pela qual as empresas gastam tempo, energia e fundos consideráveis cultivando suas marcas.

3) A digitalização cada vez maior da economia. O crescimento explosivo dos dispositivos móveis significa que uma empresa pode se envolver com seus clientes não apenas quando eles estão comprando online, mas onde quer que estejam – em casa, no trabalho ou em uma loja.

“Dados mais precisos e volumosos sobre os padrões de compra estão quebrando a relação de décadas entre o consumo em massa e a produção em massa. Em seu lugar, está um mundo mais variado, no qual o comprador pode decidir se deseja comprar online ou na loja, se compra em plataformas ou em marcas individuais, e se aceita ou não anúncios direcionados”.

As interações digitais personalizadas permitem que as empresas construam laços mais profundos do que nunca com seus clientes e, assim, evoluam de uma estratégia de comprar o que temos para uma estratégia de cliente conectado. Além disso, produtores e consumidores agora podem ter um relacionamento mais direto entre si, espremendo os intermediários da cadeia de suprimentos se eles não agregarem valor.

Embora a pandemia tenha impulsionado as vendas no varejo online, as maiores inovações não estão no e-commerce, mas no que o The Economist chama de O retorno do comércio um-para-um. Um breve histórico de compras explica a importância de tal inovação.

A primeira revolução do varejo ocorreu na Inglaterra elisabetana do século 16, quando artesãos que antes mantinham uma relação direta com seus clientes abriram as primeiras lojas onde venderam uma variedade de itens produzidos por diferentes artesãos.

A segunda grande transformação do varejo ocorreu alguns séculos depois, quando a Revolução Industrial inaugurou a era da produção e do consumo em massa. As fábricas produziam uma variedade de produtos acessíveis voltados para um número crescente de consumidores da classe trabalhadora e média, que eram vendidos em lojas que aumentavam de tamanho para se beneficiar das economias de escala.

A terceira revolução do varejo está ocorrendo agora, com o retorno de uma espécie de relação pré-elisabetana um a um entre consumidor e produtor, possibilitada por tecnologias digitais e grandes quantidades de dados.

“Um para um é um atalho para a turbulência atual no mundo das compras”, observa The Economist.

“O consumidor nunca teve tantas coisas para comprar, ou maneiras de comprá-las. Novas formas de comunicação via mídia social, serviços de mensagens e aplicativos aproximaram produtores e consumidores. Usando trilhões de gigabytes de dados, os fabricantes sabem melhor do que nunca o que os clientes desejam. Seus produtos podem ser entregues direto na porta. O intermediário tradicional, que durante séculos acumulou custos ocultos com custos ocultos, está sendo espremido.”

A pandemia aumentou a penetração do comércio eletrônico, que em poucos meses atingiu níveis não esperados há anos. No entanto, essa explosão do comércio eletrônico não anuncia a morte da loja física. Em 2020, as vendas mundiais de comércio eletrônico foram de US $ 4,2 trilhões, menos de 20% de todas as vendas no varejo. Depois que a Covid-19 for controlada, o ritmo de crescimento do comércio eletrônico provavelmente será moderado.

Mas, o comércio um para um mudará a natureza das lojas, especialmente no Ocidente, porque a infraestrutura de varejo atual não foi construída para a era digital.

“A América tem 24 pés quadrados de espaço de varejo por pessoa,… três vezes mais que a Grã-Bretanha e seis vezes mais que a China. Na América, mais de 8.700 lojas fecharam no ano passado. … Na Grã-Bretanha, 16.000 lojas foram fechadas e 183.000 empregos no varejo foram perdidos. … A adoção do e-commerce na China reflete a onipresença dos smartphones, a escassez de shopping centers atraentes fora das grandes cidades e a alta densidade urbana, o que reduz o custo de entrega.”

O futuro será online e offline. Os varejistas têm desenvolvido estratégias omnichannel, onde as compras físicas e digitais interagem perfeitamente para o benefício de seus clientes. Os consumidores ganharão maior comodidade, dando-lhes a opção de comprar fisicamente ou online, dependendo de suas preferências. Por outro lado, os varejistas têm se esforçado para tornar o omnicanal eficiente e lucrativo.

“Eles têm que pagar não apenas pelos custos de suas lojas, mas também por uma forma de‘ aluguel ’digital para exibir seus produtos em canais de busca online como o Facebook. Eles não devem apenas pagar pela entrega, mas também permitir que os clientes retirem as mercadorias em suas lojas. E eles enfrentam um pesadelo crescente de devoluções de processamento que agora custam aos varejistas mais de US $ 1 trilhão em todo o mundo a cada ano.”

As estratégias omnicanal são particularmente desafiadoras no setor de supermercados. A indústria teve o maior crescimento na atividade online de qualquer categoria de varejo, – crescendo quase 50% na América em 2020, uma tendência que deve durar mais que a pandemia. Mas poucos varejistas têm probabilidade de ganhar dinheiro com a venda de mantimentos online, por causa dos custos mais altos de coleta e entrega dos itens de mercearia, em vez de os clientes escolherem e levarem eles próprios para casa.

“Em um negócio como o varejo de alimentos, que já tinha margens de 2 a 4% antes de entrar online, apenas os mais bem capitalizados e mais eficientes têm garantia de sobreviver ao ataque online.”

E futuro do varejo?

Os pessimistas se preocupam com shoppings mortos, lojas de departamentos abandonadas, milhões de operários desempregados e a redução da receita tributária. Os otimistas, por outro lado, esperam o potencial de democratizar o varejo e permitir que as marcas alcancem os clientes diretamente sem pagar grandes margens, ao mesmo tempo em que criam uma economia com menos atrito, com preços mais suaves, menos barreiras à entrada e mais inovação.

“Inevitavelmente, a transição incorporará partes de ambos”, mas eu acredito que as visões dos otimistas prevaleçam.

07/09/2021

Vem por aí uma era de crescimento da produtividade?

“Os últimos 15 anos foram tempos difíceis para muitos, mas agora há sinais encorajadores de uma virada”,

escreveram os economistas Erik Brynjolfsson e Georgios Petropoulos em The Coming Productivity Boom, um artigo de opinião publicado no MIT Technology Review.

“O crescimento da produtividade, um fator-chave para padrões de vida mais elevados, foi, em média, de apenas 1,3% desde 2006, menos da metade da taxa da década anterior. Mas em 3 de junho, o Bureau of Labor Statistics dos EUA relatou que a produtividade do trabalho dos EUA aumentou 5,4% no primeiro trimestre de 2021. O que é melhor, há motivos para acreditar que isso não é apenas algo pontual, mas sim um prenúncio de tempos melhores à frente: um aumento de produtividade que igualará ou ultrapassará os tempos de boom da década de 1990”.

Depois de crescer a uma taxa média anual de cerca de 2,8% entre 1947 e 1973, a produtividade dos EUA diminuiu significativamente, exceto pelo aumento de produtividade impulsionado pela Internet entre 1996 e 2004. Apesar dos avanços implacáveis das tecnologias digitais nos últimos 15 anos, – de smartphones e banda larga sem fio à computação em nuvem e aprendizado de máquina, – a produtividade cresceu apenas 1,3%, entre 2006 e 2019. A maioria dos países da OCDE experimentou desacelerações semelhantes.

O que explica esse intrigante assim chamado paradoxo da produtividade e quando ele pode finalmente terminar? Nos últimos anos, Brynjolfsson e seus vários colaboradores exploraram essa questão, primeiro no MIT, onde foi diretor docente da Initiative on the Digital Economy, e desde 2020 em Stanford, onde é diretor do Stanford Digital Economy Lab. Brynjolfsson discutiu explicações alternativas para o paradoxo em uma conferência do MIT.

Há uma dificuldade de medir a produtividade em uma economia cada vez mais digital e orientada para os serviços. A maioria das medidas de desempenho econômico usadas por funcionários do governo para informar suas políticas e decisões são baseadas no Produto Interno Bruto (PIB). Mas o PIB é uma relíquia de uma época dominada pela manufatura, onde a produção de bens físicos era muito mais fácil de medir. O PIB é uma medida muito menos confiável de produção econômica e produtividade em nossa economia digital, onde os serviços desempenham um papel muito maior e estão sujeitos a uma variação consideravelmente maior em qualidade e valor.

Como medir o valor das quantidades de produtos gratuitos disponíveis na Internet, incluindo Wikipedia, Facebook, Linux e YouTube? Uma vez que todos esses serviços são gratuitos, eles são excluídos das medidas do PIB. Além disso, muitos dos novos serviços que costumávamos pagar agora também são gratuitos ou quase isso, incluindo chamadas de longa distância, notícias, artigos, mapas e música.

Um artigo de pesquisa de 2019 com coautoria de Brynjolfsson apresentou um novo método para medir o valor de produtos digitais gratuitos para consumidores usando experimentos online. Os experimentos forneceram uma estimativa do excedente do consumidor de um bem digital – vagamente definido como a diferença entre a quantia que os consumidores estariam dispostos a pagar e o preço real que pagaram pelo bem digital. Os dados mostraram que a economia digital está contribuindo com muito mais valor para o consumidor do que imaginamos, especialmente quando você considera que há 15 anos muitos desses serviços digitais nem existiam ou estavam no início. Agora, eles estão totalmente integrados em nosso trabalho e vida pessoal, muito mais porque muitas de nossas interações foram impulsionadas ao mundo online, pela pandemia.

Declínio da inovação e produtividade.

Alguns economistas afirmam, – principalmente Robert Gordon da Northwestern University, – que nossas tecnologias digitais atuais, não são tão transformadoras quanto as tecnologias da era industrial do período entre 1870 e 1970, quando experimentamos alta de crescimento da produtividade e um padrão de vida crescente. Gordon argumenta que o crescimento lento das últimas décadas não é cíclico, mas sim uma evidência de que o crescimento econômico de longo prazo pode estar parando. Houve pouco crescimento antes de 1800 e pode haver pouco crescimento no futuro.

No entanto, mesmo sendo cético da tecnologia, Gordon admite que a pandemia provavelmente terá um impacto positivo na produtividade, – embora pequeno, – como resultado da digitalização e reorganização acelerada do trabalho. Na verdade, Brynjolfsson e Gordon fizeram uma modesta aposta no crescimento da produtividade no decorrer da década de 2020.

Brynjolfsson prevê que “o crescimento da produtividade dos negócios privados não agrícolas será em média mais de 1,8% ao ano desde o primeiro trimestre (Q1) de 2020 até o último trimestre de 2029 (Q4).”

Gordon desafia essa previsão, argumentando que o crescimento da produtividade de 1,8% não é consistente com o recorde histórico. Quem perder a aposta fará uma doação de $400 para instituições de caridade GiveWell.

O intervalo de tempo entre os avanços da tecnologia e seu impacto na economia.

Uma terceira explicação para o paradoxo da produtividade, – essa, que para mim, parece ser a mais convincente, – é descrita em The Productivity J-Curve, um documento de 2020 de co-autoria de Brynjolfsson. De acordo com o artigo da Curva J, geralmente há um lapso de tempo significativo para que uma nova tecnologia de transformação importante seja amplamente adotada nas economias e sociedades. Embora as tecnologias possam avançar rapidamente, os humanos e as instituições mudam lentamente.

Uma vez que essas tecnologias são de uso geral, elas exigem investimentos massivos para que todos os seus benefícios sejam alcançados, incluindo novos produtos, processos e modelos de negócios, incluindo também a requalificação da força de trabalho. Além destes, quanto mais transformadora a tecnologia, mais tempo leva para chegar à fase de colheita, que é a fase quando ela será amplamente aceita e adotada por empresas e indústrias. Traduzir avanços tecnológicos em ganhos de produtividade requer grandes transformações na estratégia, na organização e na cultura das instituições – e isso leva um tempo considerável.

Por exemplo, a produtividade do trabalho nos Estados Unidos cresceu apenas 1,5% entre 1973 e 1995. Esse período de baixa produtividade coincidiu com o rápido crescimento do uso de TI nos negócios, dando origem ao paradoxo da produtividade de Solow, uma referência ao economista do Prêmio Nobel do MIT, Robert Solow, que fez uma piada sobre o tema, em 1987:

“Você pode ver a era do computador em qualquer lugar, menos nas estatísticas de produtividade”.

Mas, a partir de meados da década de 1990, a produtividade da mão-de-obra nos Estados Unidos subiu para mais de 2,5%, à medida que as tecnologias de Internet, em rápido crescimento e a reengenharia de processos de negócios ajudaram a disseminar inovações que aumentam a produtividade por toda a economia.

Da mesma forma, o crescimento da produtividade não aumentou até 40 anos após a introdução da energia elétrica no início da década de 1880. Demorou até a década de 1920 para que as empresas descobrissem como reestruturar suas fábricas para aproveitar as vantagens da energia elétrica com inovações de fabricação, como a linha de montagem e novos produtos elétricos, como eletrodomésticos. E, enquanto a máquina a vapor de James Watt inaugurou a Revolução Industrial na década de 1780, seu impacto na economia britânica foi imperceptível até a década de 1830 porque seu uso era restrito às poucas indústrias que podiam pagar seus altos custos iniciais.

Brynjolfsson argumenta que a década de 2020 será uma década de inovação e produtividade, uma espécie de anos 20 do século 20, como The Economist a chamou em um artigo no início deste ano. O que explica sua previsão otimista? O artigo da Technology Review cita três razões pelas quais

“desta vez em torno da curva J de produtividade será maior e mais rápida do que no passado”, que ele também resumiu na previsão do LongBet.

1. Avanços tecnológicos, especialmente IA.

A IA surgiu como a tecnologia definidora de nossa era, tão transformadora ao longo do tempo quanto a máquina a vapor, eletricidade e TI. Nos últimos anos, os ingredientes necessários finalmente foram reunidos, permitindo que a IA acelerasse o ritmo de descobertas e aumentasse a produtividade em várias áreas, incluindo varejo, finanças, manufatura, energia, biotecnologia e medicina. A computação em nuvem está tornando essas inovações de IA acessíveis a instituições de todos os tamanhos.

2. Estamos nos aproximando da parte crescente da curva J da produtividade.

Além da IA, vários avanços científicos e tecnológicos estão prontos para a transição da fase de investimento da Curva J para a fase de colheita e crescimento da produtividade. Isso inclui inovações digitais como telemedicina, comércio eletrônico e trabalho remoto, cuja implantação foi consideravelmente acelerada pela pandemia. Também inclui inovações revolucionárias em energia renovável e em ciências biomédicas.

“Na descoberta e desenvolvimento de medicamentos, novas tecnologias têm permitido aos pesquisadores otimizar o design de novos medicamentos e prever as estruturas 3D das proteínas. Ao mesmo tempo, a tecnologia de vacina inovadora usando um mensageiro RNA, introduziu uma abordagem revolucionária que pode levar a tratamentos muito mais eficazes para muitas doenças.”

3. Políticas fiscais e monetárias agressivas dos EUA.

Essas políticas estão criando maiores incentivos para que as empresas implementem melhorias de produtividade.

“O recente pacote de medidas de incentivos pós covid-19, provavelmente reduzirá a taxa de desemprego de 5,8% (em maio de 2021) para os níveis historicamente mais baixos, pré-covid em torno de 4%. … Os baixos níveis de desemprego geram salários mais altos, o que significa que as empresas têm mais incentivos para colher os benefícios potenciais da tecnologia para melhorar ainda mais a produtividade.”

“Quando se junta esses três fatores – os avanços tecnológicos, o estreito cronograma de reestruturação devido ao covid-19 e uma economia funcionando a plena capacidade – os ingredientes estão mais que prontos para um boom de produtividade. Isso não apenas aumentará os padrões de vida/consumo , mas também liberará recursos para uma agenda política mais ambiciosa.”

05/09/2021

O trabalho e o otimismo pós-pandêmico

“Os bloqueios induzidos pela pandemia de COVID-19 e a recessão global relacionada de 2020 criaram uma perspectiva altamente incerta para o mercado de trabalho … milhões de pessoas passaram por mudanças que transformaram profundamente suas vidas dentro e fora do trabalho, seu bem-estar e sua produtividade,”

Dito pelo Fórum Econômico Mundial (WEF) no The Future of Jobs Report, publicado em outubro de 2020.

“Comparando o impacto da Crise Financeira Global de 2008 em indivíduos com níveis de educação mais baixos, com o impacto da crise COVID-19, o impacto hoje é muito mais significativo e tem mais probabilidade de aprofundar as desigualdades existentes”.

The Economist foi consideravelmente mais otimista em uma reportagem especial sobre O Futuro do Trabalho na edição de 10 de abril, que incluiu vários artigos sobre o assunto.

“Uma retomada de empregos, mudanças políticas e tecnológicas podem trazer uma era de ouro para o trabalho nos países ricos”, disse o artigo.

“Pode parecer prematuro prever um mundo maravilhoso para o trabalho apenas um ano depois de uma catástrofe global. Mas a América está mostrando como os empregos podem voltar rapidamente à medida que o impacto do vírus diminui. Em Maio de 2020, a taxa de desemprego do país era de quase 15%. Em Junho 2021 já é de apenas 6%; um dos melhores meses para contratações da história.”

A principal razão para a perspectiva otimista do The Economist é que, à medida que o mercado de trabalho se recupera, duas mudanças mais profundas estão ocorrendo:Um ambiente político mais amigável para os trabalhadores, não visto há décadas; eUma economia digital acelerada que promete gerar um crescimento mais rápido da produtividade.

Ambiente político – Trabalhadores em todo o mundo tiveram um ano muito difícil. Mas o futuro vai ser bom A Covid-19 teve um impacto terrível sobre os trabalhadores do mundo. O desemprego aumentou para os níveis vistos pela última vez na década de 1930, especialmente entre os trabalhadores menos qualificados. A pandemia também acentuou as desigualdades existentes. Enquanto os trabalhadores de escritórios puderam se proteger trabalhando em casa, os trabalhadores da saúde, alimentos, agricultura, transporte e serviços essenciais

“tiveram que continuar se deslocando para seus locais de trabalho, expondo-se ao vírus e morrendo em grande número.”

Antes do advento da pandemia, tanto a direita quanto a esquerda sentiam que

“os trabalhadores do século 21 estavam presos a empregos inseguros e mal pagos, quando conseguiam um emprego – e que muitos enfrentavam um futuro ainda mais desafiador, vendo suas vagas sendo absorvidas por robôs cada vez mais inteligentes.”

No entanto, com base em dados de 37 países da OCDE, The Economist argumenta que as percepções populares sobre o mundo do trabalho têm sido enganosas. Em 2019, por exemplo, a taxa de desemprego nos países da OCDE foi a menor, desde a década de 1960.

“Na América, o desemprego entre os negros foi o mais baixo de todos os tempos, assim como na Grã-Bretanha. O desemprego juvenil, que antes parecia sem solução (especialmente na Europa), também caiu.”

Além disso, a participação de pessoas de 16 a 64 anos empregadas, atingiu o nível mais alto em mais da metade desses países.

“Uma grande surpresa para muitos economistas da direita foi que esse boom de empregos ocorreu mesmo com o aumento dos salários mínimos em todo o mundo, considerado economicamente rico e com o aumento da imigração. Um choque semelhante para a esquerda, foi que o capitalismo estava proporcionando ganhos claros para aqueles que estavam na extremidade inferior do mercado de trabalho.”

Embora os salários não estivessem subindo tão rápido quanto muitos gostariam, no final de 2019 os ganhos cresciam quase 3% ao ano nos países da OCDE, e

“Os salários dos americanos mais mal pagos aumentavam 50% mais rápido do que os dos mais bem pagos.“

De acordo com uma pesquisa recente do Gallup, a proporção de americanos completamente ou um pouco satisfeitos com seus empregos está entre as mais altas desde que o Gallup começou a fazer pesquisas de satisfação no local de trabalho, em 1993.

“O mercado de trabalho antes de covid-19 estava longe de ser perfeito, mas era melhor do que muitos críticos afirmavam – e estava melhorando ainda mais. A pandemia foi uma catástrofe para muitos, … Mas seu legado pode ser um mundo melhor para o trabalho, pois acelera as mudanças que já estavam em andamento e destaca os lugares onde melhorias adicionais são necessárias”.

Tecnologia e automação – Recessões e pandemias aceleram a automação. No entanto, os avisos de um futuro sem empregos são exagerados

“Muitas pessoas esperam que a pandemia acelere a automação”, observa The Economist.

“Há inúmeras histórias de robôs trazidos para trabalhar no setor de limpeza para conter os riscos de infecção, de matadouros automatizados a entregas de bagagem automatizadas por robôs em aeroportos. Esta onda de automação, temida por muitos, eliminará empregos, especialmente para aqueles com habilidades menos comercializáveis, o que significa mais desemprego e desigualdade. … As recessões, ao longo da história, costumam levar a uma explosão de automação e esta não será a última … que levará o mundo à mais falta de empregos.”

The Economist tentou rastrear algumas evidências de aceleração da automação, mas o que eles encontraram na verdade apontava para a conclusão oposta:

“As importações americanas de robôs industriais caíram 3% em 2020”;

“O crescimento dos gastos com automação desacelerou em 2020”; e

“Rockwell Automation, a maior empresa do mundo dedicada à automação industrial, viu uma queda nas vendas de 5,5% no ano passado.“

“Se uma onda de robôs destruidores de empregos induzida por uma pandemia não acontecer, isso é apenas mais um exemplo de medos equivocados sobre as máquinas.”

Esses temores não são novos, remontando aos chamados Luditas, – trabalhadores têxteis que na década de 1810 destruíram as novas máquinas que ameaçavam seus empregos e continuaram a ressurgir no século 20, junto com os avanços da tecnologia. Em um ensaio de 1930, o economista inglês John Maynard Keynes escreveu sobre o aparecimento de

“uma nova doença” que ele chamou de desemprego tecnológico, ou seja, “desemprego devido à nossa descoberta de meios de economizar o uso da mão de obra ultrapassando o ritmo em que podemos encontrar novos usos para o trabalho.”

Os temores da automação aumentaram compreensivelmente nos últimos anos, à medida que as máquinas, cada vez mais inteligentes, agora estão sendo aplicadas a atividades que exigem inteligência e capacidades cognitivas que eram vistas como domínio exclusivo dos humanos.

“A inovação tecnológica sempre gerou mais empregos de longo prazo, não menos. Mas as coisas podem mudar”, disse um artigo da Economist de janeiro de 2014.

“Hoje em dia, a maioria dos economistas dispensa essas preocupações. … No entanto, alguns temem que uma nova era de automação habilitada por computadores cada vez mais poderosos e capazes, possa funcionar de forma diferente.”

Uma das principais razões para esses temores recorrentes é a chamada falácia do bloco de trabalho, o equívoco de que há uma quantidade finita de trabalho, portanto, se algum for automatizado, há menos para fazer. A automação de fato substitui o trabalho. No entanto, a automação também complementa a mão-de-obra, aumentando os resultados econômicos de maneiras que muitas vezes levam a mais empregos de longo prazo, não menos. Automatizar as partes mais rotineiras de um trabalho frequentemente aumentará a produtividade e a qualidade dos trabalhadores, complementando suas habilidades com computadores e robôs, além de permitir que eles se concentrem nos aspectos do trabalho que mais precisam de sua atenção.

“Ainda é cedo pra dizer se a pandemia irá fazer com que robôs tomem mais e mais empregos das pessoas. Mas alguns acreditam que desta vez será diferente. A tecnologia é tão sofisticada que é difícil dividir os trabalhos entre os que podem e os que não podem ser automatizados. … Talvez, então, este seja um ponto de inflexão para o relacionamento dos humanos com as máquinas. Se há algo que pode causar uma mudança tão grande nos mercados de trabalho, essa coisa seria uma pandemia, por exemplo, que ocorre uma vez a cada geração. Mesmo assim, dada a história de previsões bizarras e fracassadas, é difícil, por princípio, levar as piores previsões muito a sério.”

“As pessoas tendem a ficar sentimentais sobre como o trabalho costumava ser, e; mal-humoradas sobre como ele é; e sobre temores do que pode se tornar”, conclui The Economist.

As Inteligências Artificial, Autêntica e Aumentada

“A história do trabalho – particularmente desde a Revolução Industrial – é a história de pessoas terceirizando seu trabalho para máquinas”.

Este é o tema de um artigo recente na Harvard Business Review, – AI Should Augment Human Intelligence, Not Replace It, do professor David De Cremer, da National University of Cingapura e do grande mestre de xadrez Garry Kasparov.

“Embora tudo tenha começado com tarefas físicas repetitivas e mecânicas, as máquinas evoluíram até o ponto em que agora podem fazer o que podemos considerar um trabalho cognitivo complexo, como equações matemáticas, reconhecimento de linguagem e fala e escrita. As máquinas, portanto, parecem prontas para replicar o trabalho de nossas mentes, e não apenas de nossos corpos.”

Durante a Revolução Industrial, houve pânico, sobre o impacto da automação nos empregos, remontando aos chamados Luddites, – trabalhadores têxteis que na década de 1810 destruíram as novas máquinas que ameaçavam seus empregos. A automação de fato substitui o trabalho. No entanto, a automação também complementa a mão-de-obra, aumentando os resultados econômicos de maneiras que muitas vezes levam a mais empregos de longo prazo.

A maioria dos trabalhos envolve várias tarefas ou processos. Algumas dessas tarefas são de natureza mais rotineira, enquanto outras requerem julgamento, habilidades sociais e outras capacidades humanas. Quanto mais rotineira e baseada em regras for a tarefa, mais fácil ela será para a automação. Mas só porque algumas das tarefas foram automatizadas, isso não significa que todo o trabalho tenha desaparecido. Ao contrário, automatizar as partes mais rotineiras de um trabalho frequentemente aumentará a produtividade e a qualidade dos trabalhadores, complementando suas habilidades com máquinas e computadores, além de permitir que eles se concentrem nos aspectos do trabalho que mais precisam de sua atenção.

A IA já é superior aos humanos em uma série de tarefas, mas o futuro do trabalho não é um jogo, em que só pode haver um vencedor.

“A questão de saber se a IA substituirá os trabalhadores humanos pressupõe que a IA e os humanos tenham as mesmas qualidades e habilidades – mas, na realidade, não têm”, observaram De Cremer e Kasparov.

“As máquinas baseadas em IA são rápidas, precisas e consistentemente racionais, mas não são intuitivas, emocionais ou culturalmente sensíveis. E são exatamente essas habilidades que os humanos possuem e que nos tornam eficazes.”

“Em geral, as pessoas reconhecem os computadores avançados de hoje como inteligentes porque têm o potencial de aprender e tomar decisões com base nas informações que absorvem. Mas, embora possamos reconhecer essa capacidade, é um tipo de inteligência decididamente diferente da que possuímos.”

De acordo com o artigo, existem três tipos diferentes de IA:Artificial (AI1),Autêntica (AI2) eInteligência aumentada (AI3).

Inteligência artificial (AI1).

“Em sua forma mais simples, a IA é um computador agindo e decidindo de maneiras que parecem inteligentes”.

Também conhecido como inteligência artificial suave, estreita ou especializada, a AI1 é inspirada, mas não tem como objetivo imitar o cérebro humano. A AI1 geralmente se baseia em métodos de aprendizado de máquina, ou seja, na análise de grandes quantidades de informações por meio de computadores poderosos e algoritmos sofisticados, cujos resultados apresentam qualidades que tendemos a associar à inteligência humana.

Os avanços da tecnologia permitiram que aplicativos de AI1 alcançassem ou superassem os níveis humanos de desempenho em tarefas específicas, incluindo reconhecimento de imagem e fala, classificação do câncer de pele, detecção do câncer de mama e classificação do câncer de próstata.

“Além disso, ao contrário dos humanos, a IA nunca se cansa fisicamente e, desde que seja alimentada com dados, ela continuará avançando. Essas qualidades significam que a IA é perfeitamente adequada para trabalhar em tarefas rotineiras de nível inferior que são repetitivas e ocorrem dentro de um sistema de gerenciamento fechado. Nesse sistema, as regras do jogo são claras e não são influenciadas por forças externas.”

Inteligência autêntica (AI2).

Em 1994, o Wall Street Journal publicou uma definição de inteligência que refletia o consenso de 52 pesquisadores acadêmicos importantes em campos associados à inteligência humana:

“Inteligência é uma capacidade mental muito geral que, entre outras coisas, envolve a habilidade de raciocinar, planejar, resolver problemas, pense abstratamente, compreenda ideias complexas, aprenda rapidamente e aprenda com a experiência. Não é apenas o aprendizado de livros, uma habilidade acadêmica restrita ou habilidade para fazer testes. Em vez disso, reflete uma capacidade mais ampla e mais profunda de compreender o que está ao nosso redor – ‘perceber’, ‘dar sentido’ às coisas ou ‘descobrir’ o que fazer.”

Esta é uma definição muito boa de inteligência geral – o tipo de inteligência que há muito é medida em testes de QI e que, em um futuro previsível, apenas os humanos terão.

“Ao contrário das habilidades de IA que respondem apenas aos dados disponíveis, os humanos têm a capacidade de imaginar, antecipar, sentir e julgar situações de mudança, o que lhes permite mudar de preocupações de curto para longo prazo. …Em um sistema de gestão aberto, a equipe ou organização está interagindo com o ambiente externo e, portanto, tem que lidar com influências externas. Esse ambiente de trabalho requer a capacidade de antecipar e trabalhar com, por exemplo, mudanças repentinas e troca de informações distorcidas, ao mesmo tempo em que é criativo ao destilar uma visão e uma estratégia futura. Em sistemas abertos, os esforços de transformação estão continuamente em ação e o gerenciamento eficaz desse processo requer inteligência autêntica.”

Inteligência Aumentada (AI3).

“Acreditamos que será a combinação dos talentos incluídos tanto no AI1 quanto no AI2, trabalhando em conjunto, que contribuirá para o futuro do trabalho inteligente. Ele criará o tipo de inteligência que permitirá que as organizações sejam mais eficientes e precisas, mas, ao mesmo tempo, criativas e pró-ativas. Este outro tipo de IA nós chamamos de Inteligência Aumentada.”

Nas últimas duas décadas, vimos vários exemplos em que a combinação de humanos e máquinas toma melhores decisões do que qualquer um por conta própria. Sabermetrics, – o uso de estatísticas no beisebol para projetar o desempenho e a carreira de um jogador, – é um exemplo proeminente. Sabermetrics foi popularizado por Michael Lewis em Moneyball, – seu livro mais vendido posteriormente se transformou em um filme. A análise de esportes agora é usada por quase todas as equipes profissionais do mundo.

Quando Moneyball foi lançado em 2003, muitos viram isso como uma história sobre o conflito entre a abordagem tradicional dos olheiros, – os avaliadores de talentos profissionais que aprendem sobre os jogadores em primeira mão, conhecendo-os pessoalmente e vendo-os jogar, – versus as novas abordagens sendo introduzidas pelos statheads, que contam principalmente com análises estatísticas sofisticadas para prever o desempenho futuro.

Mas, anos depois, – como Nate Silver explicou em seu best-seller de 2012, The Signal and the Noise, – quando já haviam dados suficientes para comparar o desempenho dos olheiros com as abordagens mais puramente estatísticas. As previsões dos olheiros foram cerca de 15 por cento melhores do que aquelas que se baseavam apenas nas estatísticas. Os bons olheiros, ao que parece, usam uma abordagem híbrida combinando estatísticas com tudo o mais que aprendem sobre os jogadores. As estatísticas por si só não podem dizer tudo o que você quer saber sobre um jogador, e as avaliações pessoais adicionais dos olheiros fazem uma diferença significativa.

O xadrez é outro exemplo proeminente, em que o co-autor do artigo Garry Kasparov tem alguns insights pessoais únicos. Em 1997, o então campeão mundial Kasparov perdeu uma partida de xadrez para o supercomputador Deep Blue da IBM. A vitória do Deep Blue sobre Kasparov foi um marco importante da IA. Mas, tendo mostrado que as máquinas podiam derrotar os grandes mestres do xadrez, o experimento de pesquisa estava encerrado. O próprio Kasparov percebeu que o jogo de xadrez agora poderia ser abordado não apenas como um esforço individual, mas também como um esforço colaborativo entre humanos e máquinas. Ele então foi o pioneiro no conceito de xadrez avançado, no qual os humanos usam ferramentas de computador para aumentar suas capacidades de jogo de xadrez enquanto competem contra outras equipes homem-mais-máquina.

A experiência com torneios de xadrez avançados mostrou que a força dos jogadores humanos – sejam grandes mestres ou amadores – não é o que determina a equipe vencedora. Em vez disso, é a qualidade da parceria que importa, ou seja, o processo de como os jogadores e os computadores interagem.

“O potencial de aprimoramento e colaboração que imaginamos, contrasta totalmente com as previsões de soma zero que a IA fará para nossa sociedade e organizações”, concluíram os autores.

“Em vez disso, acreditamos que maior produtividade e a automação do trabalho cognitivamente rotineiro são uma benção, nem uma ameaça. Afinal, a nova tecnologia sempre tem efeitos perturbadores no início das fases de implementação e desenvolvimento e geralmente revela seu valor real somente depois de algum tempo.”

Além da Guerra de Preços: O Oceano Azul na Conectividade Brasileira

Introdução Lançado em 2005 por W. Chan Kim e Renée Mauborgne, A Estratégia do Oceano Azul revolucionou o pensamento estratégico...