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28/02/2022

Blockchain e os ativos do mundo real

O Blockchain apareceu pela primeira vez em 2008 como a arquitetura do bitcoin, a criptomoeda mais conhecida e amplamente difundida.

É uma arquitetura realmente brilhante. construída com base em pesquisas fundamentais de décadas em criptografia, dados distribuídos, teoria dos jogos e outras tecnologias avançadas. A visão original do blockchain limitava-se a permitir que os usuários de bitcoin realizassem transações diretamente entre si, sem a necessidade de uma instituição financeira ou agência governamental certificar a validade das transações. Mas, como a Internet e outras tecnologias transformadoras, o blockchain agora transcendeu seus objetivos originais.

Blockchains são um tipo de tecnologia de contabilidade distribuída (Distributed Ledger Technologies), que também inclui DLTs não blockchain. Na última década, um número crescente de pessoas, inclusive eu, passou a considerar blockchains e DLTs como os próximos passos na evolução da Internet. Em 2016, o Fórum Econômico Mundial (WEF) nomeou O Blockchain em sua lista anual das Dez principais tecnologias emergentes citando seu potencial para mudar fundamentalmente a maneira como os mercados e os governos funcionam.

“Assim como a Internet, o blockchain é uma infraestrutura global aberta sobre a qual outras tecnologias e aplicativos podem ser construídos”, disse o WEF. “E, como a Internet, permite que as pessoas ignorem os intermediários tradicionais em suas negociações, reduzindo ou mesmo eliminando os custos de transação.”

A Internet é uma plataforma de rede de uso geral que permitiu grandes inovações e valor econômico ao reduzir significativamente o custo das conexões e oferecer suporte a uma grande variedade de aplicativos. A principal razão para sua capacidade de oferecer suporte a tantos tipos diferentes de aplicações é que os fundamentos da Internet, sua camada TCP-IP, mantiveram sua missão básica de transporte de dados, ou seja, apenas mover bits. Ela não controla o significado dos bits ou o que eles estão tentando realizar.

As decisões de design que moldaram a Internet em meados da década de 1980 não otimizavam a segurança, a privacidade ou a capacidade de autenticar transações entre duas ou mais partes; isso fica sob responsabilidade das aplicações, executadas no topo da camada TCP/IP, e cada aplicação faz isso do seu jeito, e às vezes, não faz nada. Não é surpresa que, a falta de padrões de segurança, privacidade e integridade transacional, têm sido os maiores desafios enfrentados pela Internet em nossa economia digital.

O Blockchain promete nos ajudar a melhorar a segurança e a integridade da Internet desenvolvendo uma malha de middleware, acima da camada TCP/IP, adicionando serviços de segurança, privacidade e transação necessários, fornecendo implementações de software de código aberto desses serviços, de forma padronizada, permitindo que todas as plataformas e aplicativos suportem o blockchain.

Lembremos também que a Internet é uma ‘rede de redes’, um sistema global de redes interconectadas, todas usando os mesmos protocolos de comunicação TCP/IP. O uso da Internet decolou em meados da década de 1980, à partir do momento que houve um acordo sobre a padronização de uso dos protocolos TCP/IP, com implementações de código aberto dos protocolos que todos poderiam usar e o estabelecimento da Força-Tarefa de Engenharia da Internet (IETF) para supervisionar o uso e o padrão da evolução da Internet.

O Blockchain ainda não está nesta fase. Existem várias plataformas blockchain em amplo uso, como Ethereum e Hyperledger. Eles são todos baseados no design original de 2009, mas com algumas variações e interoperabilidade limitada. Vários grupos têm trabalhado em padrões de blockchain e interoperabilidade entre plataformas, incluindo ISO e IETF. Mas, embora os padrões e a interoperabilidade sejam necessários, eles não são suficientes. Para que o blockchain alcance um amplo sucesso comercial, é absolutamente necessário integrar soluções emergentes de blockchain e DLT com sistemas de TI legados que as instituições vêm desenvolvendo nas últimas décadas.

“A inovação da tecnologia blockchain leva a uma questão importante sobre como os sistemas digitais legados, operados por empresas, governos e instituições, serão afetados”, disse Bridging the Governance Gap, um white paper recente do WEF.

“Atualmente, as respostas para essa pergunta variam de um extremo (‘todos os sistemas legados serão substituídos’) para o outro (‘DLT é muito lento e não comprovado para realmente substituir qualquer sistema legado em funcionamento’). No entanto, a resposta final pode estar em algum lugar, no meio termo, onde a utilidade de sistemas legados eleitos, possam ser atualizados, pela integração DLT, e as soluções DLT permitam um crescimento na adoção corporativa.”

O white paper argumentou que duas tecnologias principais são necessárias para permitir a interoperabilidade entre blockchain/DLT e sistemas de TI legados:Contratos inteligentes: acordos autoexecutáveis embutidos em código digital, que são acionados com base em eventos predefinidos sem intervenção humana.
Oracles: middlewares seguros que conectam os mundo autônomos de blockchains e contratos inteligentes baseados em blockchain com o mundo externo, incluindo sistemas de TI legados.

“A razão principal e predominante para a interoperabilidade do legado DLT é permitir que contratos inteligentes (on-chain) usem um oracle para buscar informações de um sistema legado (off-chain), formatá-lo, validá-lo e armazená-lo no blockchain onde pode ser usado para acionar algum tipo de acordo”, acrescenta o white paper do WEF. “O caso de uso reverso também existe, em que informações on-chain ou algum tipo de comando de um contrato inteligente são enviados para um sistema externo que as usa para processamento adicional ou para atuar no mundo real.”

Um artigo de pesquisa recente, Towards Blockchain-enabled Open Architectures for Scalable Digital Asset Platforms, de Denis Avrillionis e Thomas Hardjono, propôs uma estrutura muito interessante para interoperabilidade DLT-legada. As entradas em uma blockchain ou DLT devem ser vistas como a representação digital de um ativo do mundo real, seja digital ou físico, com o objetivo de proteger sua integridade ao longo do ciclo de vida do ativo. O documento apresenta o conceito de gêmeo digital para garantir o estado consistente entre um ativo do mundo real fora da cadeia e sua representação DLT na cadeia, bem como uma camada de software de mediação correspondente que fica entre os dois mundos, – o gêmeo digital recipiente.

O conceito de gêmeo digital tem sido usado por empresas de engenharia na última década para rastrear o estado de um objeto físico complexo, – como um motor a jato, um elevador, uma turbina eólica, um scanner de ressonância magnética – para antecipar possíveis problemas e agendar a manutenção preventiva antes que os problemas ocorram. O gêmeo digital de cada objeto é um modelo de computador altamente realista do objeto físico específico que está sendo rastreado. As enormes quantidades de dados operacionais coletados de sensores IoT incorporados ao objeto, – por exemplo, um motor a jato transmitindo dados enquanto o avião está em vôo, – possibilita que o modelo do objeto espelhe com precisão seu estado quase em tempo real.

“Um contêiner de gêmeo digital é utilizado para permitir a persistência de estado fora da cadeia e a rastreabilidade de estado na cadeia, onde o contêiner pode ser implantado no blockchain, bem como em servidores de aplicativos tradicionais”, observam Avrillionis e Hardjono. “O contêiner de gêmeo digital se torna a ponte entre as infraestruturas legadas e as infraestruturas de blockchain recém-emergentes, permitindo que os sistemas legados interoperem de forma consistente com os sistemas blockchain.”

“Acreditamos que um novo e mais amplo paradigma computacional é necessário para sustentar e abranger transações de ativos digitais baseadas em blockchain. Esse novo paradigma deve permitir que os ativos entrem e saiam de blockchains e sistemas legados sem problemas. Ele também deve permitir que dados fora da cadeia e outras informações de estado relacionadas a ativos em formato digital sejam acessíveis pelo contrato inteligente. Além disso, os cálculos que ocorrem em sistemas legados também devem ser possíveis em coordenação com contratos inteligentes.”

Por exemplo, se um aplicativo procura modificar o estado de um ativo, ele deve garantir que o ativo do mundo real, – como uma conta bancária, registro médico, certificado de propriedade imobiliária ou modelo de computador de um objeto físico, – e sea respectiva representação de gêmeos digitais no blockchain ou DLT, sejam totalmente sincronizados. “Essa sincronização contínua é realizada para evitar que mudanças na propriedade do ativo no blockchain sejam conduzidas sem uma mudança de estado correspondente no ativo do mundo real.”

O artigo põe em check estratégias de e-business legadas, principalmente, aquelas mais antigas, implementadas no começo da Internet e que evoluíram para sistemas complexos, que hoje permitem que empresas possam interagir com seus clientes, fornecedores, parceiros de negócios e funcionários de uma maneira muito mais produtiva e eficiente, simplesmente integrando seus aplicativos legados e bancos de dados com as tecnologias emergentes da Internet e da Web. O mundo dos negócios foi assim capaz de abraçar rapidamente a Internet, o que levou a uma série de grandes inovações nas décadas seguintes. Da mesma forma, os atuais esforços de interoperabilidade entre as tecnologias blockchain/DLT e a base agora muito maior de sistemas de TI legados, facilitarão a adoção comercial dessas tecnologias e levarão a grandes inovações futuras.

03/11/2021

Segurança cibernética e o comércio internacional

O sucesso explosivo da Internet na década de 1990 levou a uma transição histórica da era industrial dos últimos dois séculos para uma economia e sociedade cada vez mais baseadas em interações digitais globais.

Essa transição continuou a avançar nas últimas duas décadas com o advento de bilhões de smartphones, centenas de bilhões de dispositivos IoT, uma ampla variedade de aplicativos online e aplicativos móveis e enormes quantidades de dados, todos conectados por meio de redes de banda larga baseadas na Internet.

E então, veio a Covid-19. Uma pesquisa recente da McKinsey menciona que a pandemia acelerou a adoção geral de tecnologias e aplicativos digitais em três a sete anos em apenas alguns meses.

Ao mesmo tempo, as ameaças à segurança cibernética têm crescido, como o recente acontecimento com a Atento, no Brasil. Fraudes em grande escala, violações de dados e roubos de identidade se tornaram muito mais comuns. À medida que passamos de um mundo de interações físicas e documentos em papel para um mundo regido principalmente por dados e transações digitais, nossos métodos de segurança cibernética existentes estão longe de ser adequados.

As ciberameaças internacionais aumentaram assustadoramente. A segurança cibernética é agora invocada pelos governos como um aspecto importante da segurança nacional, pois eles se concentram na proteção de suas infraestruturas críticas e no bem-estar geral de suas nações. No início de junho, por exemplo, o diretor do FBI Christopher Wray comparou o perigo de ataques de ransomware, aos ataques terroristas de 11 de setembro. E, em um editorial recente, o NY Times argumentou que os ataques de ransomware surgiram como

“uma ameaça potencial à segurança nacional“, dada “sua capacidade de perturbar seriamente as economias e violar empresas ou agências estrategicamente críticas“, exortando os governos que “É uma guerra que precisa ser travada e vencida.”

Além do terrorismo e da segurança nacional, as ameaças cibernéticas têm o potencial de causar estragos no comércio internacional e na economia global. Em um artigo recente, Framework for Understanding Cybersecurity Impacts on International Trade, os professores do MIT Stuart Madnick e Simon Johnson e o cientista pesquisador Keman Huang disseram que as preocupações com a cibersegurança se tornaram uma questão fundamental para a política de comércio internacional.

“Governos em todo o mundo estão desenvolvendo estratégias para se proteger contra ameaças cibernéticas”, escreveram os autores.

“Mais de 50 países publicaram uma estratégia de segurança cibernética para definir a segurança do ambiente online de uma nação. … No entanto, diferentes políticas são implementadas para cumprir esses objetivos estratégicos. Um exemplo típico, que foi sugerido informalmente, é que produtos potencialmente perigosos vindos de países questionáveis devem ser excluídos da importação. Mas isso levanta muitas questões políticas, como:

(1) o que é um país questionável considerando as cadeias de suprimentos globalizadas para quase todos os produtos,

(2) quais produtos são mais preocupantes e

(3) presumindo que tais restrições rapidamente se tornem políticas mundiais com retaliações, qual pode ser o impacto no comércio internacional e na economia?”

As preocupações com a segurança cibernética estão aumentando.

Dada a ampla adoção de tecnologias digitais em todas as economias e sociedades, a segurança cibernética se tornou cada vez mais importante para a segurança nacional de um país. A segurança cibernética nacional é um conceito multidimensional, incluindo segurança militar, segurança política, segurança econômica e segurança cultural. Ao mesmo tempo, as empresas e as instituições governamentais dependem cada vez mais das cadeias de abastecimento globais. As cadeias de suprimentos se tornaram uma ameaça significativa de ataque cibernético para muitas organizações, aprofundando ainda mais suas preocupações com a segurança cibernética.

Os países estão agindo em resposta às suas preocupações com a segurança cibernética.

Os países estão aumentando suas capacidades ofensivas e defensivas para proteger suas sociedades, organizações e indivíduos de ataques cibernéticos em potencial.

“Não há dúvida de que essas políticas e regulamentações impactarão o ciberespaço, não apenas para os próprios países, mas também para a sociedade globalizada da Internet, resultando em um impacto no comércio internacional, incluindo a importação e exportação de bens e serviços de TI.”

As ações dos países geralmente se enquadram em uma das quatro categorias:

1) ignorar ou expressar preocupações,

2) desenvolver barreiras comerciais de importação,

3) desenvolver barreiras comerciais relacionadas à exportação e

4) colaborar para mitigar conflitos.

As organizações afetadas estão tomando medidas com base em suas preocupações com a segurança cibernética.

As organizações precisam gerenciar cuidadosamente seus riscos de segurança cibernética para proteger suas cadeias de suprimentos físicas e digitais. Isso definitivamente afetará suas decisões sobre fornecedores e seleção de mercado, incluindo onde comprar bens e serviços e em quais países fazer negócios. Geralmente, as organizações colaborarão com seu governo em políticas que podem impactar o comércio internacional. Mas, em alguns casos específicos, a organização tentará encorajar ambos os lados a se comprometer e evitar o potencial de uma guerra comercial que acaba prejudicando a todos.

As questões de segurança cibernética nacional e da cadeia de suprimentos interagem e impactam uma à outra.

As nações e as organizações podem escolher entre várias ações diferentes para lidar com essas questões. Depois de examinar as ações potenciais, a equipe de pesquisa do CAMS identificou três cenários diferentes para pensar sobre o impacto da segurança cibernética no comércio internacional:

Conformidade com a regulamentação: neste cenário, a nação iniciadora implementará políticas e regulamentações comerciais relacionadas à segurança cibernética, o que impactará o comércio internacional. As organizações cumprirão esses regulamentos, os quais orientarão sua gestão de risco da cadeia de abastecimento global. Em alguns casos, as organizações podem tentar negociar com a nação iniciadora para diminuir o impacto negativo da regulamentação do comércio.

Estratégia de negócios da cadeia de suprimentos: neste cenário, as organizações consideram o impacto dos riscos de segurança cibernética em suas cadeias de suprimentos como um aspecto importante de sua estratégia de negócios. As empresas desenvolverão diretrizes para o gerenciamento da segurança cibernética de suas cadeias de suprimentos globais. Eles também podem tentar influenciar as nações a implementar regulamentos de comércio de importação / exportação que podem impactar ainda mais o comércio internacional. “Essas influências trabalharão juntas para remodelar a cadeia de abastecimento global.”

Geopolítica da cibersegurança: este cenário considera o impacto da cibersegurança no comércio internacional de uma perspectiva geopolítica. “Considerando as preocupações com a segurança cibernética nacional, a nação inicial usará as regulamentações de comércio de importação / exportação para impactar o comércio internacional, o que definitivamente impactará as outras nações. A nação que está enfrentando as mudanças tomará diferentes ações em reação aos regulamentos comerciais recém-iniciados.”

A segurança cibernética desempenhará um papel cada vez mais crítico no comércio internacional, dado o desenvolvimento acelerado da economia digital. Essa função não é apenas sobre políticas e conformidade, mas também pode ser uma importante estratégia de negócios e questão geopolítica. Os governos precisam considerar como evitar confrontos desnecessários para mitigar o impacto negativo das guerras comerciais e melhorar os resultados para todos.

“Do ponto de vista da organização, ignorar a segurança cibernética não é mais uma opção”, concluem os autores.

“Isso é especialmente verdadeiro para as empresas que dependem fortemente da tecnologia da Internet ou de cadeias de suprimentos globais, físicas e digitais. O impacto da segurança cibernética nessas empresas se tornará cada vez mais significativo no futuro. Em vez de considerar apenas a segurança cibernética uma questão de regulamentação e tentar cumprir as políticas e regulamentações emergentes, as organizações devem … envolver-se no processo de regulamentação, não apenas durante os períodos de comentários, mas também durante o processo de minuta de regulamentação. Uma vez que neste momento ainda não existem cibernorms no comércio internacional, ainda há um longo caminho pela frente“.

23/09/2021

A Evolução dos Shoppings Centers na Economia Digital

No início do ano, The Economist publicou uma reportagem especial, muito interessante, sobre O Futuro do Shopping, incluindo alguns artigos sobre o assunto.

“uma nova espécie de comprador está surgindo: mais empenhado em garantir que o que ele compra reflita o que ele acredita. Esta última versão do consumidor global parece susceptível de mudar a forma como o capitalismo funciona – para melhor.”

O novo consumidor tem sua importante parte neste novo modelo de consumo, mas três grandes mudanças estão transformando o mundo do varejo:

1) A Europa Ocidental e a América do Norte não são mais os maiores mercados de varejo; e essas regiões também não resumem mais a vanguarda do varejo, como sempre foi, com inovações como as lojas de departamentos, os Shoppings Centers, compras por catálogo e e-commerce. Os compradores estão cada vez mais asiáticos.

“No ano passado, a China e a América eram praticamente os maiores mercados de varejo do mundo. Os dois maiores mercados online da China, Taobao e Tmall, do Alibaba, fazem mais negócios com terceiros do que a Amazon.”

E os compradores da Ásia estão agora na fronteira do varejo, com inovações como o comércio eletrônico ao vivo.

2) Além dos preços baixos, os compradores mais jovens são cada vez mais influenciados por seus valores sociais, éticos e políticos ao tomar decisões de compra. Eles estão selecionando com quais marcas se engajar com base em seus valores sociais, como credenciais ambientais e ambiente de trabalho.

Empresas bem administradas trabalham arduamente para estabelecer o tipo de reputação positiva que atrai as pessoas que desejam se associar à marca e a seus produtos e serviços. Isso é particularmente importante na era da Internet, que permite que as ações de uma empresa sejam comunicadas instantaneamente a todos.

“O capitalismo se adapta às preferências da sociedade, por meio de regulamentações e leis governamentais, que os eleitores influenciam, pelo menos nas democracias. Mas a resposta das empresas aos sinais que os consumidores enviam, é uma força para a mudança também”, e é a razão pela qual as empresas gastam tempo, energia e fundos consideráveis cultivando suas marcas.

3) A digitalização cada vez maior da economia. O crescimento explosivo dos dispositivos móveis significa que uma empresa pode se envolver com seus clientes não apenas quando eles estão comprando online, mas onde quer que estejam – em casa, no trabalho ou em uma loja.

“Dados mais precisos e volumosos sobre os padrões de compra estão quebrando a relação de décadas entre o consumo em massa e a produção em massa. Em seu lugar, está um mundo mais variado, no qual o comprador pode decidir se deseja comprar online ou na loja, se compra em plataformas ou em marcas individuais, e se aceita ou não anúncios direcionados”.

As interações digitais personalizadas permitem que as empresas construam laços mais profundos do que nunca com seus clientes e, assim, evoluam de uma estratégia de comprar o que temos para uma estratégia de cliente conectado. Além disso, produtores e consumidores agora podem ter um relacionamento mais direto entre si, espremendo os intermediários da cadeia de suprimentos se eles não agregarem valor.

Embora a pandemia tenha impulsionado as vendas no varejo online, as maiores inovações não estão no e-commerce, mas no que o The Economist chama de O retorno do comércio um-para-um. Um breve histórico de compras explica a importância de tal inovação.

A primeira revolução do varejo ocorreu na Inglaterra elisabetana do século 16, quando artesãos que antes mantinham uma relação direta com seus clientes abriram as primeiras lojas onde venderam uma variedade de itens produzidos por diferentes artesãos.

A segunda grande transformação do varejo ocorreu alguns séculos depois, quando a Revolução Industrial inaugurou a era da produção e do consumo em massa. As fábricas produziam uma variedade de produtos acessíveis voltados para um número crescente de consumidores da classe trabalhadora e média, que eram vendidos em lojas que aumentavam de tamanho para se beneficiar das economias de escala.

A terceira revolução do varejo está ocorrendo agora, com o retorno de uma espécie de relação pré-elisabetana um a um entre consumidor e produtor, possibilitada por tecnologias digitais e grandes quantidades de dados.

“Um para um é um atalho para a turbulência atual no mundo das compras”, observa The Economist.

“O consumidor nunca teve tantas coisas para comprar, ou maneiras de comprá-las. Novas formas de comunicação via mídia social, serviços de mensagens e aplicativos aproximaram produtores e consumidores. Usando trilhões de gigabytes de dados, os fabricantes sabem melhor do que nunca o que os clientes desejam. Seus produtos podem ser entregues direto na porta. O intermediário tradicional, que durante séculos acumulou custos ocultos com custos ocultos, está sendo espremido.”

A pandemia aumentou a penetração do comércio eletrônico, que em poucos meses atingiu níveis não esperados há anos. No entanto, essa explosão do comércio eletrônico não anuncia a morte da loja física. Em 2020, as vendas mundiais de comércio eletrônico foram de US $ 4,2 trilhões, menos de 20% de todas as vendas no varejo. Depois que a Covid-19 for controlada, o ritmo de crescimento do comércio eletrônico provavelmente será moderado.

Mas, o comércio um para um mudará a natureza das lojas, especialmente no Ocidente, porque a infraestrutura de varejo atual não foi construída para a era digital.

“A América tem 24 pés quadrados de espaço de varejo por pessoa,… três vezes mais que a Grã-Bretanha e seis vezes mais que a China. Na América, mais de 8.700 lojas fecharam no ano passado. … Na Grã-Bretanha, 16.000 lojas foram fechadas e 183.000 empregos no varejo foram perdidos. … A adoção do e-commerce na China reflete a onipresença dos smartphones, a escassez de shopping centers atraentes fora das grandes cidades e a alta densidade urbana, o que reduz o custo de entrega.”

O futuro será online e offline. Os varejistas têm desenvolvido estratégias omnichannel, onde as compras físicas e digitais interagem perfeitamente para o benefício de seus clientes. Os consumidores ganharão maior comodidade, dando-lhes a opção de comprar fisicamente ou online, dependendo de suas preferências. Por outro lado, os varejistas têm se esforçado para tornar o omnicanal eficiente e lucrativo.

“Eles têm que pagar não apenas pelos custos de suas lojas, mas também por uma forma de‘ aluguel ’digital para exibir seus produtos em canais de busca online como o Facebook. Eles não devem apenas pagar pela entrega, mas também permitir que os clientes retirem as mercadorias em suas lojas. E eles enfrentam um pesadelo crescente de devoluções de processamento que agora custam aos varejistas mais de US $ 1 trilhão em todo o mundo a cada ano.”

As estratégias omnicanal são particularmente desafiadoras no setor de supermercados. A indústria teve o maior crescimento na atividade online de qualquer categoria de varejo, – crescendo quase 50% na América em 2020, uma tendência que deve durar mais que a pandemia. Mas poucos varejistas têm probabilidade de ganhar dinheiro com a venda de mantimentos online, por causa dos custos mais altos de coleta e entrega dos itens de mercearia, em vez de os clientes escolherem e levarem eles próprios para casa.

“Em um negócio como o varejo de alimentos, que já tinha margens de 2 a 4% antes de entrar online, apenas os mais bem capitalizados e mais eficientes têm garantia de sobreviver ao ataque online.”

E futuro do varejo?

Os pessimistas se preocupam com shoppings mortos, lojas de departamentos abandonadas, milhões de operários desempregados e a redução da receita tributária. Os otimistas, por outro lado, esperam o potencial de democratizar o varejo e permitir que as marcas alcancem os clientes diretamente sem pagar grandes margens, ao mesmo tempo em que criam uma economia com menos atrito, com preços mais suaves, menos barreiras à entrada e mais inovação.

“Inevitavelmente, a transição incorporará partes de ambos”, mas eu acredito que as visões dos otimistas prevaleçam.

A Nova Conectividade no Brasil

A conectividade, outrora um artigo de luxo, transformou-se na espinha dorsal da sociedade contemporânea. No Brasil, um país de d...