16/06/2005

A Internet: minha versão


Meu primeiro contato com a Internet aconteceu mesmo antes dela nascer como World Wide Web em 1991, no CERN. Em 1986 fiz meu primeiro curso de programação (Basic I) e a BBS me permitiu, em 1988 abrir as portas ao mundo online. Muitas vezes penso — mesmo depois de trabalhar já há algum tempo na área — que há algo quase mágico sobre as maravilhas da Internet e da World Wide Web. Posso falar como um participante ativo dessa breve história, sobre como a Internet transformou os negócios, a sociedade e a vida das pessoas, e frequentemente o faço em conversas formais e em qualquer outra oportunidade que tenho. Com a chegada dos computadores, os escritórios passaram por uma revolução. Máquinas de escrever e pranchetas cedeam lugar aos computadores, e os arquivos físicos foram gradualmente transferidos para o arquivo morto. Eu atravessei o processo de trabalho do modo manufatureiro para o processo Homem-Máquina e isso foi mágico. Mas nós sabemos que a verdadeira "mágica" só acontece quando ela sai da teoria e entra na prática pessoal. O primeiro impacto real pessoal que a Internet trouxe pra mim, foi a possibilidade de baixar músicas em formato mp3 e, mais recentemente, a Internet apurou o meu prazer em assistir a filmes.

Gosto de filmes desde que me lembro. Ir ao cinema tem sido uma das minhas principais fontes de entretenimento. Gosto de ler o que os críticos dizem sobre os filmes. Quando tive contato com a Web, em 1994, um dos primeiros acessos que fiz foi buscar material sobre "vale do silício", materiais de estudo sobre "tecnologia" e material sobre "crítica de filmes", usando o provedor de acesso Mandic

Aos poucos, fui deixando de ver revistas ou jornais impressos, buscando cada vez mais conteúdos online e fui migrando para sites de conteúdo, como Starmediaimdb.com ... Em 1996, surgiu o Universo Online (UOL) como o primeiro portal de conteúdo no Brasil, seguido por Terra e tantos outros... e lá estavam eles, não apenas algumas críticas, mas uma verdadeira biblioteca de informações.

As locadoras de vídeo também fazem uso do recurso da internet, podendo acompanhar e atualizar informações sobre lançamentos e outros. Os VHSs aos poucos vão sendo substituídos pelos DVDs, de quase todos os gêneros possíveis, que você pode conferir e levar para casa. Eu consigo, hoje, fazer uma pesquisa na internet e buscar por informações de filmes antigos (para mim), como Flight of the Doves, um filme infantil britânico de 1971, que assisti quando era criança. Fui melhorando as consultas, e encontro muitas informações sobre o filme, incluindo a coleção de resenhas que expressavam muitos pontos de vista diferentes sobre filmes. Vários críticos, com diversas opiniões, inclusive, opiniões sobre outras obras do mesmo diretor, atores e atrizes. Então, navegando pela Internet, em termos de filmes, ou qualquer outra coisa, consigo fazer pesquisas, e, antes que eu me dê a perceber, não estou apenas buscando informações por filmes, estou fazendo o equivalente a um curso de cinema autodidata e informal, pela Internet.

Honestamente, eu nunca tinha prestado muita atenção em Cavaleiro Solitário. Também cheguei a John Wayne em minhas pesquisas. E eu continuo pesquisando, assistindo e aprendendo sobre quase tudo que eu queira ou tenha interesse.

É muito interessante e, francamente, uma surpresa agradável, que, na chamada: fase mais produtiva da vida - eu tenha tido a honra e a sorte de poder participar desta verdadeira revolução da informação: o advento da Internet! Quem souber usá-la de maneira correta, poderá fazer maravilhas. 

04/05/2005

O Open Source e sua excelência


Esta semana participei de eventos online muito interessantes e um deles foi o Red Hat Summit, focado em iniciativas de Open Source e há bastante FUD em torno do assunto.

Alguns dizem que o valor do Open Source é fornecer acesso ao código fonte do software; outros acham que licenças de software Open Source são muito confusas e reclamam por vezes da GPL, que é a licença usada pelo Linux. Licenças Open Source são importante para aqueles envolvidos no uso, modificação ou redistribuição de software Open Source. Mas para a grande maioria das pessoas que simplesmente usam computadores no trabalho ou em casa, o licenciamento de código aberto é um assunto bastante simples, com o qual eles realmente não precisam se preocupar.

Trabalho em uma empresa de telecom focada em redes de longa distância, com presença em toda América Latina, temos 18 servidores baseados em Linux, que fazem a gestão de toda a rede, além de DNS Bind e outros serviços. Muitas vezes os debates se extendem sobre usar ou não usar Linux. Qual distribuição, qual versão, etc. As pessoas às vezes debatem o quão livre o software de Open Source realmente é, referindo-se ao custo real do software, embora os defensores do Open Source, como eu, se esforcem muito para apontar que quando dizem livre, não estão falando sobre preço. A Free Software Foundation aponta em seu site que o software livre é mais uma questão de liberdade do que de preço; Devemos pensar em "livre" como em "liberdade de expressão".

Para mim, Open Source tem tudo a ver com inovação colaborativa, ou seja, trabalhar com pessoas inteligentes em todo o mundo como uma comunidade para resolver problemas importantes. No mundo das Comunicações e das Telecomunicações, onde trabalho desde que era um estudante da faculdade de Matemática do cursi de Ciências Exatas - da SCELISUL, essa inovação colaborativa não é novidade. Colaborar com colegas é como você progride, seja na física, medicina, ciências da computação ou direito. É por isso que existem periódicos profissionais livres, onde é uma honra ter seus artigos publicados, geralmente após terem sido revisados ​​por um grupo de especialistas, e onde é uma honra ainda maior ter seus colegas lendo seu artigo, usando o que você diz em suas próprias pesquisas e dando crédito a você citando seu artigo. Na verdade, Tim Berners-Lee inventou a World Wide Web com o propósito expresso de facilitar o compartilhamento de informações na comunidade de pesquisa. A capacidade de trabalhar colaborativamente com uma comunidade mudou drasticamente para melhor desde o advento da Internet e da World Wide Web.

Quando você colabora com seus colegas, eles precisam ser capazes de ler e entender o que você diz, quer você use uma linguagem natural, notações matemática, ou tabelas de números. Da mesma forma, quando a colaboração envolve software, então você esperaria ser capaz de ler, modificar e geralmente compartilhar o código-fonte do software no qual vocês estão trabalhando em conjunto. Assim, na minha opinião, o software Open Source é apenas um subproduto necessário para a inovação colaborativa envolvendo software. Nada mais, nada menos.

No final, o valor real de uma iniciativa de software Open Source é a qualidade da comunidade que está participando da iniciativa e o que eles são capazes de projetar e construir. Se você considerar LinuxApacheGrid e outras grandes e bem-sucedidas iniciativas, elas atraíram um grande número de programadores, cientistas da computação e outros especialistas técnicos ao redor do mundo, todos os quais, prontos a colaborar no desenvolvimento e suporte a diferentes aspectos da infraestrutura de TI compartilhada que a Internet e os padrões abertos tornaram possível. Então, esses são problemas tão importantes e complexos que somente por meio da colaboração, possibilitada pelo software Open Source, podemos esperar atingir os níveis necessários de inovação e progresso. 

A Nova Conectividade no Brasil

A conectividade, outrora um artigo de luxo, transformou-se na espinha dorsal da sociedade contemporânea. No Brasil, um país de d...