Quando examinamos as características das aplicações de TI bem-sucedidas — aquelas que atraem maior número de pessoas — fica claro que elas nos atraem por serem intuitivas e fáceis de se usar. O que torna as aplicações intuitivas, é o fato de serem projetadas para o mundo real, onde as pessoas estão familiarizadas com elas.
Os aplicativos são desenvolvidos para o mundo dos computadores, incluindo simulações dos objetos do mundo físico nos quais se baseiam, juntamente com recursos adicionais que os designers também aplicam à elas, para que sejam o mais intuitivas possível. Como nossas interações com o mundo físico são de natureza visual, não é surpreendente que, quanto mais visual é um aplicativo, mais intuitivo ele provavelmente será.
Vamos ver alguns exemplos: Os aplicativos de processamento de texto foram projetados levando-se em conta a familiaridade das pessoas com máquinas de escrever e documentos. Eles normalmente incluem recursos como modificação, correção instantânea de erros, uma variedade de fontes, cores e formatos, e assim por diante. Os aplicativos de processamento de texto são WYSIWYG (What You See Is What You Get) por natureza, ou seja, o objeto com o qual os usuários interagem no computador se parece o mais próximo possível do documento com o qual estão trabalhando, para que possam visualizar verdadeiramente o que estão fazendo.
Não é de surpreender que a World Wide Web tenha decolado com o surgimento do navegador web, em meados da década de 1990. O navegador organizava todos os textos, imagens e outras informações, em algo que se assemelhava a uma página, por exemplo, de um jornal, revista ou livro, enriquecida de recursos adicionais, como hiperlinks. A apresentação visual e realista do conteúdo nos navegadores desempenhou um papel fundamental em seu apelo universal.
Em aplicações de engenharia, a conexão intuitiva é feita em torno do objeto que está sendo projetado, que pode ser um carro, um avião, um edifício, uma ponte, um frasco de perfume ou uma peça de roupa. As aplicações de Design Assistido por Computador (CAD) baseiam-se na noção das pranchetas usadas por engenheiros, arquitetos e designers para esboçar seus projetos com muitos detalhes. Boas aplicações de CAD são visuais, focando na aparência, nas propriedades, no estilo e no desempenho do objeto que está sendo projetado. Com o tempo, recursos sofisticados foram adicionados para que os projetos pudessem ser analisados e simulados em diversas dimensões, desde a aerodinâmica de um avião até a resistência a colisões de um carro e o comportamento de um edifício quando submetido às forças de terremotos ou furacões.
Aplicações científicas geralmente apresentam vastas quantidades de informação produzidas em simulações de supercomputação com visualizações realistas, como a trajetória de uma tempestade na previsão do tempo, as mudanças sofridas por moléculas durante uma reação química ou a estrutura detalhada do cérebro em imagens médicas. Essas visualizações são necessárias para que os cientistas possam absorver todas as informações apresentadas e obter os insights que levem à descoberta científica.
O design de aplicativos está agora no mundo dos videogames. O objetivo desses jogos interativos, sejam eles desenvolvidos para jogadores individuais ou para plataformas online, é permitir que os jogadores tomem decisões rapidamente. Portanto, suas interfaces precisam ser muito intuitivas. Videogames e jogos online são aplicativos WYSIWYG.
Na realidade, apenas um número pequeno de aplicações de TI pode ser considerado intuitivo por natureza. Muitas, talvez a maioria, das aplicações foram desenvolvidas em torno do computador e de seus recursos e conceitos, e não em torno das pessoas que as utilizam. As interfaces de usuário geralmente são apenas uma fina camada sobre a aplicação. A natureza computacional dessas aplicações é evidente em diversos aspectos: a aplicação não parece natural ou intuitiva, e em termos de recursos, muitas vezes se revelam aos usuários, de forma que, geralmente não conseguimos entender.
Isso é verdadeiro para aplicativos legados, que foram desenvolvidos há alguns anos, numa época em que os computadores eram menos potentes e muito mais caros, e os softwares eram mais primitivos. Aplicativos de Planejamento de Recursos Empresariais (ERP) (por exemplo, finanças, RH, gestão da cadeia de suprimentos, relacionamento com clientes, etc.), como um exemplo, são complicados de implantar e usar. Muitos fatores são responsáveis por sua complexidade, incluindo a complexidade intrínseca das funções corporativas que os aplicativos gerenciam. Mas grande parte dessa complexidade resulta da lacuna entre a maneira como as pessoas geralmente pensam sobre as funções do negócio e a maneira como esses aplicativos representam essas funções.
A mudança de aplicações centradas em máquinas para centradas em pessoas geralmente se torna possível quando as tecnologias se tornam baratas o suficiente para tornar as interfaces de usuário orientadas e acessíveis a humanos. O sucesso de mercado dos aplicativos de processamento de texto nos anos 80 e dos navegadores web nos anos 90 coincidiu com o advento de computadores pessoais cada vez mais potentes e acessíveis. A visualização de aplicações científicas e de engenharia foi possibilitada pelos avanços e pela queda nos custos dos supercomputadores na última década. As capacidades altamente visuais e interativas da nova geração de games foram possibilitadas por uma nova geração de microprocessadores potentes e com recursos gráficos avançados.
Mas os avanços tecnológicos, embora necessários, estão longe de ser suficientes. O maior desafio, mas também a oportunidade mais promissora para inovação, está em entender como as pessoas percebem e interagem com os aplicativos – por exemplo, o que torna um aplicativo intuitivo, setor por setor e processo por processo. Como podemos projetar sistemas de gestão hospitalar, cadeias de suprimentos para lojas de varejo ou aplicativos de RH para um banco que sejam verdadeiramente amigáveis para todos os usuários?
Este trabalho exigirá muito talento e uma variedade de habilidades. É realmente uma das áreas do setor de TI que mais precisa de inovação, mas também uma área repleta de oportunidades.
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