22/11/2020

O impacto contínuo e transformador da TI


Há alguns anos, o McKinsey Global Institute publicou Dez tendências de negócios focados em TI para a próxima década. O relatório é fruto de uma pesquisa profunda e muito bem trabalhada; porém sem muitas surpresas. Qualquer tecnologia que tenha um impacto transformador nos negócios na próxima década deve, pelo menos, estar ao alcance imediato (agora) dos usuários, pois as inovações disruptivas levam tempo para acontecer.

Muitas tendências refletem o crescente domínio da Internet como uma tecnologia capacitadora, bem como um modelo e metáfora para interações comerciais e sociais”, diz o relatório em sua introdução. “Vinte anos após a revolução da Internet, as empresas e os consumidores esperam que as informações estejam a uma pesquisa do Google, amigos e colegas estão sempre disponíveis em sites de redes sociais e bens e serviços (incluindo bens públicos, como educação e serviços governamentais) podem ser obtido instantaneamente de um serviço online em qualquer lugar do mundo, a qualquer hora do dia.”

A matriz social, a Internet das coisas, o big data, as análises avançadas e a realização de qualquer coisa como um serviço, são as principais tendências do relatório. O SMAC – Social, Mobile, Analytics & Cloud, – se tornou o novo plástico, capturando o futuro da TI em uma palavra, ou melhor, em uma sigla. Quase todo mundo concorda que essas são tecnologias fundamentais, como a Internet há vinte anos, que todas as empresas deverão adotar.

No entanto, embora essas tecnologias estejam sendo amplamente discutidas, elas ainda estão nos estágios iniciais e até embrionários de implantação. Por exemplo, de acordo com um estudo da McKinsey, sobre a evolução da empresa em rede, mais de 80% das empresas pesquisadas usam tecnologias sociais, mas apenas 10% estão obtendo o valor de negócios esperado por estarem realmente em rede. E, embora a nuvem já esteja fornecendo muitos serviços ao consumidor, incluindo acesso a filmes, música e aplicativos móveis de todos os tipos, as empresas estão apenas começando a implantar e aprender como usá-la da melhor maneira, como foi discutido no MIT Sloan CIO Symposium. Seu potencial para impulsionar a inovação, ainda está no inicio.

Dada sua ampla aceitação e implantação crescente, há poucas dúvidas de que até 2025 essas tendências de TI terão um impacto transformador em empresas e setores em todo o mundo. E embora não sejam tão conhecidas e possivelmente não sejam tão impactantes, as próximas tendências de TI provavelmente também serão amplamente adotadas na próxima década: automação de trabalho do conhecimento, experiências digitais / físicas integradas, “eu + grátis + facilidade de uso = e-volução do comércio”.

Porém, sobre as duas últimas tendências – os próximos três bilhões de cidadãos digitais e a transformação do governo, da saúde e da educação – parecem de natureza diferente. Embora também tenham um impacto sobre os negócios e as economias, provavelmente terão um impacto ainda mais forte na qualidade de vida de indivíduos, nações e sociedades em todo o mundo. Consequentemente, essas tendências são significativamente mais complexas e sua evolução são mais difíceis de se prever, porque são diretamente afetadas por fortes forças sociais.

A McKinsey estima que, na próxima década, até três bilhões de pessoas adicionais poderão se conectar à Internet com dispositivos móveis e redes sem fio e, assim, tornar-se parte da economia digital global. Além disso, mais de 1,8 bilhão de pessoas se tornarão consumidores até 2025, ou seja, ganharão o suficiente para comprar bens e serviços além de atender às suas necessidades básicas.

Este rápido aumento na conectividade pode ser um fator-chave no desenvolvimento de comunidades em regiões menos desenvolvidas”, observa o relatório. A Internet móvel ajudará a levar pagamentos móveis e serviços financeiros aos ‘sem banco’. A inclusão financeira é um dos motores mais importantes do crescimento econômico e do consumo. O mesmo ocorre com o crescimento do empreendedorismo local impulsionado pela expansão do acesso a serviços digitais. Empresas locais e globais desenvolverão produtos e serviços voltados especificamente para esses consumidores recém-chegados ao mundo digital.

Essa pode muito bem ser a tendência de TI mais importante de todas. Uma previsão feita em um relatório, pelo Conselho Nacional de Inteligência dos EUA, analisando as principais tendências até 2030, mostra que haverá uma mega tendência ao empoderamento individual; e, como resultado, um amplo desenvolvimento econômico e redução da pobreza extrema e que a porcentagem da população classificada como classe média, irá se expandir substancialmente em quase todos os países. “Mesmo os modelos mais conservadores veem um aumento no total global de pessoas que vivem na classe média dos atuais 1 bilhão ou mais para mais de 2 bilhões de pessoas. Outros veem aumentos ainda mais substanciais com, por exemplo, a classe média global atingindo 3 bilhões de pessoas em 2030.

A Internet móvel agora está trazendo os benefícios de capacitação da revolução digital para quase todas as pessoas no planeta e ajudando a melhorar seu padrão de vida. A promessa de até três bilhões de cidadãos digitais adicionais está transformando a Internet em uma plataforma para inovação verdadeiramente inclusiva e de desenvolvimento econômico.

Mas, junto com seus enormes benefícios, o empoderamento econômico generalizado vem com seu próprio conjunto de desafios. O estudo Global Trends 2030 lista a crescente demanda por alimentos, água e energia como mega tendências mundial. Com bilhões saindo da pobreza e ingressando na classe média e uma população global crescente, podemos esperar um aumento na demanda por esses recursos essenciais, bem como por produtos e serviços de todos os tipos. Grandes inovações tecnológicas e colaborações globais são necessárias para nos ajudar a evoluir para uma economia baseada em padrões de produção e consumo mais sustentáveis.

O que nos traz à última e igualmente desafiadora tendência de TI: a transformação do governo, da saúde e da educação. Os setores público e privado reagiram de maneira bem diferente às mudanças estruturais provocadas pela revolução da tecnologia digital. Nos últimos vinte anos, as empresas adotaram a TI para melhorar significativamente sua produtividade, reduzir custos e se adaptar melhor às condições de mercado em rápida mudança e ao aumento da concorrência. As empresas aprenderam como se tornar organizações digitais eficazes.

No entanto, esses benefícios têm sido menos aparentes no governo, na saúde e na educação”, observa o relatório da McKinsey. “Esses serviços vitais respondem por quase um terço do PIB global, mas ficaram para trás no crescimento da produtividade. Até recentemente, eles demoravam a adotar plataformas baseadas na Web, análises de big data e outras inovações de TI”. No entanto, acreditamos que o governo, a saúde e a educação podem entrar em uma nova era de crescimento da produtividade via TI. Na verdade, o poder e a acessibilidade crescentes da TI estão enfrentando uma pressão crescente para fornecer melhores serviços públicos e sociais a um custo menor, superando cada vez mais a profunda resistência à mudança.

Alinhar o governo às realidades econômicas do século 21 exigirá inovações pelo menos tão disruptivas e profundas quanto aquelas adotadas pelo setor privado. Os gastos do governo têm aumentado constantemente nas nações ricas no século passado. Um relatório do Economist sobre O Futuro do Estado inclui dados mostrando que o gasto médio do governo como porcentagem do PIB em treze países do mundo rico passou de 10% em 1870 para 28% em 1960 e 48% em 2009.

Os cidadãos desses países democráticos e ricos continuaram a exigir mais serviços de seus governantes eleitos. Eles querem educação, saúde, segurança, transporte melhorados e assim por diante. Tudo isso faz parte do processo de se tornar uma economia avançada e uma sociedade rica. À medida que o padrão de vida aumenta nas economias emergentes, seus cidadãos exigem mais e melhores serviços públicos.

Embora os setores público e privado sejam inerentemente diferentes, várias práticas que ajudaram a melhorar a produtividade e a reduzir custos nos negócios nos últimos 20 anos podem ser aplicadas ao governo. Porém, tornar o governo mais eficiente é absolutamente necessário, mas não suficiente. Também é necessário enfrentar os custos crescentes dos serviços sociais, especialmente dos cuidados de saúde.

Os sistemas de TI podem fornecer serviços de saúde com mais eficiência na escala necessária para dar suporte a uma população envelhecida e com vários problemas crônicos. “Controlar os gastos com saúde e melhorar os resultados para os pacientes são objetivos compartilhados por nações ao redor do mundo”, observa o relatório. “Muitas das abordagens usadas para TI, presentes neste relatório, já estão sendo aplicadas hoje, mas em proporções significativamente menores, que ainda levarão tempo para mostrar sua eficácia e reais benefícios.

É o caso da educação. Uma educação acessível e de qualidade é um requisito fundamental da economia do conhecimento do século XXI. Mas, “Na maioria dos lugares, as principais instituições educacionais estão estruturadas hoje como no século 19 e prestam seus serviços da mesma maneira”, observa McKinsey e, em seguida, adiciona uma nota de esperança: “Acreditamos que as tendências descritas neste relatório irão se combinam para forçar os educadores a repensar os modelos de aprendizagem e abraçar novas plataformas e modos de ensino.” Avanços recentes na aprendizagem online, ainda em fase experimental, podem com o tempo expandir significativamente o número de pessoas em todo o mundo com acesso a uma educação de qualidade a custos razoáveis.

É difícil prever como essas tendências de TI se desenvolverão na próxima década. Haverá sérios obstáculos a serem superados ao longo do caminho, como privacidade pessoal e cibersegurança. As empresas terão que se adaptar a novos modelos de negócios e estruturas organizacionais. Tecnologias sofisticadas e mercados em rápida mudança irão valorizar as habilidades e a criatividade em todos os níveis. Algumas das tendências levarão mais de uma década para serem totalmente implementadas, e algumas serão significativamente reformuladas ao longo do caminho. Mas, quando pudermos juntar tudo, tenho certeza de que a TI continuará a ter um impacto transformador nos negócios e na sociedade por muitos anos.

16/11/2020

O dinheiro digital

A Royal Society of Arts (RSA), – Sociedade Real para o Encorajamento das Artes, Manufaturas e Comércio, – foi fundada em 1754 para “encorajar empresas, a ampliar a ciência, refinar a arte, melhorar produtos e estender o comércio”. Hoje, ela se autodenomina “uma organização iluminista comprometida em encontrar soluções práticas inovadoras para os desafios sociais dos nossos dias”.

Em 2013, eles abriram um importante debate, chamado de painel de discussões Da exclusão digital à inovação inclusiva: o caso do dinheiro digital e publicaram um documento sobre este tema. Participaram do ato, além de outros, os professores do Imperial College, David Gann e Gerald George e o professor da University of Queensland, Mark Dodgson.

Neste debate, foi discutido o poder transformador do dinheiro digital e como as transações econômicas estão cada vez mais, mudando da esfera física, para a digital, democratizando os serviços financeiros em todo o mundo e ajudando bilhões de pessoas a ingressar na economia digital e melhorar seu padrão de vida.

Assim como as comunicações e a publicação foram transformadas pelas tecnologias digitais, o mesmo acontecerá com os serviços financeiros. O progresso do dinheiro digital inevitavelmente nos surpreenderá e se desenvolverá de maneiras inesperadas, mas acreditamos que esteja prestes a realizar uma transformação notável na economia global. Isso acabará com a divisão entre aqueles que podem e aqueles que não podem participar das transações econômicas formais. Pode dar início a uma nova era de inovação mais inclusiva, que envolve bilhões de pessoas em todo o mundo na construção de serviços que afetam seu futuro”.

O crescimento massivo de dispositivos móveis conectados à Internet é uma das principais forças que impulsionam a evolução em direção a um ecossistema de dinheiro digital global. Nos últimos vinte anos, a Internet tem sido uma plataforma incrível para inovação, permitindo que empresas startups, grandes instituições, governos, ONGs e todos os demais, desenvolvam e tragam para o mercado muitos novos produtos e serviços digitais. Isso levou à criação de todos os tipos de aplicações. Ele transformou nossas atividades diárias, incluindo a maneira como trabalhamos, fazemos compras, aprendemos, fazemos operações bancárias, ouvimos música, assistimos a filmes e lidamos com o governo.

Para ficar online na década de 1990, era necessário um computador pessoal e uma conta em um provedor de serviços. As transações de comércio eletrônico exigiam um cartão de crédito ou conta bancária. Portanto, embora a Internet fosse realmente capacitadora para aqueles com os meios para usá-la, ela levou a uma enorme divisão digital em todo o mundo.

O alcance global e a conectividade com as quais ficamos tão entusiasmados na fase inicial da Internet não eram, na realidade, tão inclusivos. À medida que nossa economia estava se tornando cada vez mais digital, novas desigualdades surgiram, porque muitas pessoas ao redor do mundo não podiam pagar um PC ou uma conta na Internet e não tinham uma conta bancária ou cartão de crédito. Foi desconcertante ver uma revolução digital global que deixou de fora a maioria da população mundial.

Porém, esse quadro começou a mudar nos últimos anos. Os avanços contínuos da tecnologia, agora estão nos permitindo levar os benefícios de capacitação da revolução digital para quase todas as pessoas no planeta. Os telefones celulares e o acesso à Internet passaram de um luxo a uma necessidade que quase todo mundo pode pagar. Estamos fazendo a transição da economia conectada de PCs, navegadores e servidores da web para nossa economia cada vez mais hiper conectada de dispositivos móveis onipresentes, poderosos e baratos, aplicativos baseados em nuvem e redes de banda larga sem fio.

Um estudo recente da McKinsey examinou os 12 principais avanços tecnológicos disruptivos que transformarão a vida, os negócios e a economia global nos próximos anos. A Internet móvel apareceu no topo da lista: “Equipada com dispositivos e aplicativos de computação móvel habilitados para Internet para quase todas as tarefas, as pessoas cada vez mais realizam suas rotinas diárias usando novas maneiras de compreender, perceber e interagir com o mundo. . . No entanto, todo o potencial da Internet móvel ainda está para ser realizado; ao longo da próxima década, esta tecnologia pode alimentar transformações e interrupções significativas, não apenas devido ao seu potencial de trazer de dois a três bilhões de pessoas a mais para o mundo conectado, mas principalmente, de mover economias em desenvolvimento”.

A Internet móvel está agora inaugurando a próxima fase importante na evolução do dinheiro e dos pagamentos. O dinheiro está continuando sua transformação através dos séculos, de ser incorporado em moedas de ouro e prata, para nada mais do que informação nas carteiras digitais de nossos dispositivos móveis, bem como em nossas contas digitais em algum lugar na nuvem. E, uma vez que quase todas as pessoas no mundo, ricos e pobres, agora têm acesso a dispositivos móveis, este capítulo importante na história do dinheiro traz consigo o potencial de inclusão universal que não existia no passado. O dinheiro digital móvel está chegando, – com o tempo, – a todos os indivíduos em todos os cantos do mundo.

A Internet móvel também está prestes a se tornar uma plataforma para inovações digitais inclusivas, das quais o dinheiro digital e os muitos serviços que surgirão em torno dele são os principais exemplos. A inovação inclusiva é um conceito relativamente novo. Seu objetivo é desenvolver produtos e serviços que quase todos podem pagar, mesmo aqueles que estão na base da pirâmide, ou seja, os grupos socioeconômicos mais pobres em todo o mundo. .

Mas, por si só, a Internet móvel não pode conduzir a transição para um ecossistema de dinheiro digital inclusivo. Se examinarmos a revolução da Internet há 1/4 de século, o que foi verdadeiramente transformador não foi apenas a capacidade de se comunicar e acessar o conteúdo, mas também a capacidade de conduzir transações econômicas de todos os tipos. E para fazer isso, é necessário que nossas plataformas digitais suportem alguns serviços essenciais, em particular a capacidade de estabelecer nossa identidade de maneira única e lidar com pagamentos eletrônicos com segurança.

O acesso a esses serviços digitais não foi um problema, para aqueles de nós, que já tinham identidades únicas no mundo físico, – por exemplo, uma certidão de nascimento, carteira de motorista, conta bancária, passaporte, – que poderíamos usar para estabelecer nossa identidade no mundo digital. No entanto, como agora buscamos tornar essas plataformas digitais verdadeiramente inclusivas, muitas das pessoas que se pretende alcançar não possuem identidades únicas. A inclusão digital age assim como uma função de força para capacitar cada indivíduo no planeta, finalmente dando a cada um algo tão básico quanto sua identidade única, um pré-requisito absoluto para a inclusão econômica e social.

O professor Gerald George e Rajiv Gandhi, falaram sobre a iniciativa da Unique ID (UID) da Índia. O projeto UID visa emitir para cada residente na Índia um número único de 12 dígitos, que será armazenado em um banco de dados centralizado e será vinculado a dados demográficos básicos e biométricos. Entre outros benefícios, o projeto permitirá que os residentes menos favorecidos da Índia se beneficiem dos muitos serviços fornecidos pelo governo e pelo setor privado, incluindo serviços digitais, que agora poderão acessar por meio de seus dispositivos móveis.

Todas essas mudanças são de escala histórica. Embora todas as discussões abertas no painel e no documento da RSA sejam reais e estejam em andamento, sua evolução levará tempo. A maioria dessas mudanças massivas começa lentamente, pois precisamos superar muitos obstáculos técnicos, de mercado e políticos. Mas, em algum momento, uma massa crítica ou ponto de inflexão será alcançado e o progresso será significativamente acelerado. Como escrito nos parágrafos finais do documento RSA:

O potencial do dinheiro digital é extraordinário. Pode ser uma das tecnologias mais transformadoras de todos os tempos. Para bilhões em todo o mundo, carteiras digitais contendo identidades digitais, dinheiro e contas são uma passagem para a inclusão na economia global. Além disso, o surgimento dessa plataforma para inovação inclusiva dará origem a uma infinidade de aplicativos e serviços, muitos dos quais mal podemos imaginar hoje. As inovações que o dinheiro digital irá induzir aumentarão as oportunidades de empreendedorismo gerador de riqueza e o fornecimento de inovações altamente localizadas, aumentando assim os padrões e a qualidade de vida.” 

14/11/2020

“Techlash” – uma ameaça ao crescimento e ao progresso

Há alguns meses, a Information Technology and Innovation Foundation (ITIF) publicou um guia do formulador de políticas para o “Techlash” – o que é e por que é uma ameaça ao crescimento e ao progresso. “A tecnologia da informação (TI) resolve problemas e facilita nossas vidas, permitindo-nos fazer mais com menos?”, Questiona o relatório do ITIF. “Ou isso introduz complexidade adicional em nossas vidas, nos isola uns dos outros, ameaça a privacidade, destrói empregos e gera uma série de outros danos?”

Não faz muito tempo que as tecnologias digitais e a Big Tech eram amplamente vistas como catalisadores de mudanças positivas: a Internet se tornou uma plataforma global para inovação colaborativa; a mídia social foi uma força libertadora, ajudando levantes democráticos como a Primavera Árabe; e o smartphone estava transformando a vida de pessoas em todo o mundo.

Mas, a década de 2010 viu o surgimento do que veio a ser chamado de techlash. O Oxford English Dictionary (OED) define techlash como “uma reação negativa forte e generalizada ao crescente poder e influência de grandes empresas de tecnologia, especialmente aquelas sediadas no Vale do Silício”. O termo parece ter se originado em um artigo de novembro de 2013 no The Economist, que dizia que as elites da tecnologia estão se tornando alguns dos capitalistas mais implacáveis, e “se juntarão a banqueiros e petroleiros na demonologia pública“. Em 2018, techlash foi uma das oito palavras selecionadas como palavras do ano, para ser adicionadas ao OED.

O relatório do ITIF foi publicado no final de 2019, alguns meses antes do advento da Covid-19. Dado que as tecnologias digitais, – a Internet em particular, – mantiveram as economias e sociedades em movimento durante o maior choque que o mundo já experimentou desde a Segunda Guerra Mundial, talvez o techlash agora desapareça e as tecnologias digitais e Big Tech sejam mais uma vez vistas sob uma luz positiva. Mas não é provável que seja o caso, porque, como o relatório mostra, o medo e a oposição à tecnologia não são novidades.

“As pessoas há muito se opõem às novas tecnologias, temendo que não sejam seguras, destruam a moral, prejudiquem empregos, prejudiquem crianças e levem a uma série de outros supostos males.”

Durante a Revolução Industrial, houve pânicos periódicos sobre o impacto da automação nos empregos, voltando aos chamados Luddites, – trabalhadores têxteis que na década de 1810 destruíram as novas máquinas que ameaçavam seus empregos. E, embora o automóvel tenha sido saudado no início do século 20 por fornecer transporte seguro e rápido, também foi vilão de grandes problemas ao longo das décadas, incluindo a segurança, – os EUA tiveram mais de 36.000 mortes no trânsito em 2018, – sem contar a poluição e congestionamento.

O que deu origem ao techlash? O relatório cita várias razões. Em primeiro lugar, a lua de mel acabou. Agora consideramos os avanços que antes pareciam mágicos, por exemplo, a Internet e a Web em meados da década de 1990; motores de busca e e-commerce alguns anos depois; smartphones, streaming de música e vídeo na década de 2000; e assim por diante.

E, mesmo quando a TI era amplamente vista como uma força positiva, livros e artigos começaram a aparecer contrariando o exagero e as afirmações utópicas a que a TI costumava ser propensa, – como IT Doesn’t Matter de Nicholas Carr, que argumentou que as empresas superestimaram o valor estratégico de TI, que estava diminuindo como fonte de diferenciação competitiva porque era cada vez mais onipresente e comoditizada; e Alone Together, de Sherry Turkle, que alertou que a tecnologia estava tendo um impacto cada vez mais negativo em nossas interações sociais.

“Mas o combustível para o incêndio do techlash veio, pelo menos em parte, de eventos reais, incluindo, entre outros, as revelações que a Rússia usou plataformas de mídia social para interferir nas eleições dos EUA de 2016, Cambridge Analytica fez uso indevido de dados do Facebook para fins políticos e o Google foi investigado por violações antitruste”, disse o relatório. Mais de 37% dos entrevistados em uma pesquisa recente do Pew Research Center disseram que os humanos não serão melhores, em um futuro cada vez mais baseado em IA, aumento da vigilância, crimes cibernéticos, guerra cibernética e controle sobre as pessoas.

O relatório argumenta que “Para prosperar e ser competitivo na próxima fase da economia digital, os países devem resistir ao techlash e promover a aceitação da tecnologia … Em vez de techlash, precisamos de ‘realismo tecnológico’ – um reconhecimento pragmático de que as tecnologias de hoje, impulsionadas em particular por TI, são como praticamente todas as tecnologias anteriores: Eles são uma força fundamental para o progresso humano, mas podem, em alguns casos, representar desafios reais que merecem respostas inteligentes e eficazes.” No entanto, “ceder às paixões techlash desaceleraria o crescimento econômico e salarial, reduziria a competitividade nacional e limitaria o progresso em uma série de prioridades sociais críticas, incluindo educação, habitabilidade da comunidade, proteção ambiental e saúde humana”.

O relatório examina 22 das questões techlash mais prevalentes. E aqui está um breve resumo de cinco dessas questões, juntamente com os contra-argumentos do relatório contra cada uma.

1. As empresas de tecnologia estão destruindo a privacidade do consumidor.

A crítica mais generalizada à Internet e às empresas de tecnologia é que elas deram origem ao chamado capitalismo de vigilância que está corroendo a privacidade online de vítimas involuntárias. Mas, na verdade, os usuários on-line “estão bem cientes de que estão fornecendo dados em troca de serviços e obtêm um valor enorme do fato de que esses serviços são muitas vezes gratuitos … Um projeto de lei de privacidade equilibrado e focado pode resolver a maioria dessas preocupações“.

2. As plataformas online estão explorando os consumidores.

Os ativistas frequentemente argumentam que os consumidores não estão recebendo uma compensação adequada por seus dados, que valem mais do que os bens e serviços que recebem em troca. Isso é o equivalente a “querer uma televisão sem anúncios ou assinaturas. Mas as empresas não podem fornecer bens ou serviços sem gerar receita. Isso pode ocorrer por meio de pagamentos diretos de clientes ou por meio de pagamentos indiretos de anunciantes e patrocinadores.”

3. A mídia social facilita a desinformação.

Tecnologias de mídia de massa, – por exemplo panfletos, jornais, rádio, televisão, – há muito tempo são objeto de manipulação e propaganda. Mas, o problema se tornou mais agudo à medida que os modelos de negócios baseados em anúncios prosperam, alimentando a raiva e a polarização com sofisticados algoritmos de IA. “O governo, a indústria, a mídia de notícias e o público têm papéis a desempenhar na resolução do problema … tornando a publicidade mais transparente, melhorando a aplicação de anúncios impróprios, restringindo o conteúdo do anúncio e aumentando os requisitos para confirmar a identidade dos anunciantes.”

4. A AI é inerentemente tendenciosa.

Dado que os algoritmos de IA são treinados usando a vasta quantidade de dados coletados ao longo dos anos, se os dados incluírem preconceitos raciais, de gênero ou outros preconceitos anteriores, as previsões desses algoritmos de IA refletirão esses preconceitos. Isso é particularmente sério em áreas como o policiamento preventivo e no uso de IA pelos tribunais e departamentos de correção para auxiliar nas decisões de fiança, sentença e liberdade condicional. “Para reduzir o potencial do viés algorítmico de causar danos, os reguladores devem garantir que as empresas que usam IA cumpram as leis existentes em áreas que já são regulamentadas para evitar o viés.”

5. A TI está destruindo empregos.

O medo de que as máquinas deixem humanos sem trabalho não é recente. Mas os temores aumentaram compreensivelmente nos últimos anos, à medida que as máquinas estão cada vez mais inteligentes e sendo aplicadas a atividades que exigem inteligência e capacidades cognitivas jamais vistas, sendo de domínio exclusivo dos humanos, até o momento. A Covid-19 provavelmente agravará esse problema à medida que as empresas aceleram sua adoção de TI e de automação. “Embora por centenas de anos a tecnologia tenha eliminado empregos (por exemplo, fabricantes de carroças), ela também criou novos empregos (por exemplo, mecânicos de automóveis) e aumentou os padrões de vida, o que resultou em mais demanda por trabalhadores fazendo as mesmas tarefas (construindo casas, educando pessoas, vendendo mercadorias, etc.)”

Não voltaremos à era utópica e ingênua da TI como salvadora”, conclui o relatório do ITIF. “Devemos, em vez disso, examinar criticamente o impacto da nova tecnologia para ajudar a maximizar seu valor e limitar os danos … sucumbir ao techlash provavelmente reduzirá o bem-estar individual e social. Os formuladores de políticas devem resistir ao techlash e abraçar o “realismo tecnológico” pragmático – reconhecer a tecnologia é uma força fundamental para o progresso humano que também pode representar desafios reais, que merecem respostas inteligentes, cuidadosamente consideradas e eficazes.

08/11/2020

Planejamento é indispensável

Enquanto os cientistas correm para desenvolver uma cura para o Corona vírus, as empresas estão tentando avaliar o impacto dele em suas próprias operações”, escreveu o professor do MIT Yossi Sheffi em seu artigo de 18 de fevereiro no Wall Street Journal.

Assim como os cientistas estão enfrentando um inimigo desconhecido, os executivos também estão trabalhando as Vegas, sem saber se no dia seguinte terão matéria prima para trabalhar, porque o Corona vírus pode causar interrupções na cadeia de suprimentos.

Sheffi é Diretor do Centro de Transporte e Logística do MIT. Ele escreveu sobre a necessidade de resiliência nas empresas e em suas cadeias de suprimentos, – nos livros The Power of Resilience e The Resilient Enterprise, – para que possam reagir melhor frente a grandes eventos inesperados.

Embora aprender com precedentes históricos seja bom, as interrupções recentes na cadeia de suprimentos – o surto de SARS em 2003 na Ásia, o desastre nuclear de Fukushima em 2011 ou as enchentes na Tailândia em 2011 – todos estes eventos foram muito diferentes da pandemia atual. Esses eventos foram muito mais localizados, duraram relativamente pouco tempo e impactaram principalmente a oferta, não a demanda. O impacto da Covid-19 é muito maior, afetando a demanda do consumidor, bem como as cadeias de suprimentos em todo o mundo, e provavelmente durará um pouco mais.

As cadeias de abastecimento de hoje são globais e mais complexas do que eram em 2003”, com fábricas em todo o mundo afetadas por bloqueios e quarentenas. A Apple, por exemplo, trabalha com fornecedores em 43 países.

Em um artigo mais recente sobre como gerenciar o que ele chamou de Recuperação no estilo “enxugar gelo”, Sheffi escreveu que “A pressão para reabrir as economias do mundo está se intensificando. No entanto, reaberturas apressadas provavelmente estimularão ondas de infecções recorrentes em um local após o outro, seguido por mais fechamentos e mais quarentenas. A recuperação econômica global após o desligamento imposto pela pandemia, portanto, não é provável que seja em forma de ‘V’, em forma de ‘U’, em forma de ‘L’ ou em forma de ‘W’.”

Em vez disso, conforme o número de infecções, internações e mortes aumentam e diminuem, ciclos caóticos de renascimento e recaída econômicos afetarão as empresas e suas cadeias de suprimentos. As empresas enfrentam um jogo de “enxugar gelo” global, à medida que o vírus COVID-19 aparece ou desaparece nas cidades, estados e países que hospedam as extensas cadeias de suprimentos das quais as empresas dependem.”

Como as empresas devem gerenciar suas cadeias de suprimentos em um ambiente tão incerto e devastador?

Abordagens convencionais – por exemplo, previsão de demanda, planejamento de produção, – dependem de dados históricos, e não há tais dados neste evento massivo e único.

Dadas essas restrições”, diz Sheffi, “as palavras do General Dwight Eisenhower soam verdadeiras: Planos são inúteis, mas planejamento é indispensável.

O planejamento em tempos tão incertos deve se concentrar na capacidade de reagir de forma rápida às circunstâncias que mudam rapidamente. Fazer isso de forma eficaz exige que a empresa tenha mapeado completamente sua cadeia de suprimentos, incluindo as localizações físicas das fábricas e depósitos de seus fornecedores, para que possa identificar rapidamente quais de seus produtos podem ser afetados por uma paralisação em qualquer um dos locais dos fornecedores. Esse mapeamento não pode ser feito em tempo real. Em vez disso, deveria ter sido feito como parte do planejamento de resiliência da empresa, – especialmente para empresas grandes e complexas que normalmente têm milhares de fornecedores em todo o mundo.

Em seu artigo do WSJ, Sheffi recomenda que, dadas as muitas incógnitas que acompanham as principais interrupções da cadeia de suprimentos, as empresas devem adotar várias etapas just-in-case, incluindo:

  1. Criar um centro de gerenciamento de emergência com regras claras de tomada de decisão;
  2. Estabelecer prioridades para produtos que devam ser produzidos e quais clientes devem ser atendidos primeiro, se a capacidade for significativamente reduzida;
  3. Determinar quais fornecedores fazem peças críticas, rastrear seus estoques e estabelecer fontes alternativas;
  4. A curto prazo, planejar operações que irão maximizar o fluxo de caixa em vez de lucros;
  5. Manter comunicação próxima com autoridades locais e nacionais, bem como com colegas e parceiros.

Esperar o melhor enquanto se prepara para o pior pode não parecer uma boa abordagem empresarial para a crise. Mas, devido à falta de conhecimento, é a estratégia mais prudente para gerenciar riscos.

Agora, falando sobre o impacto da pandemia, a longo prazo, nas cadeias de abastecimento.

A longo prazo, a pandemia irá acelerar as tendências existentes, – por exemplo, a taxa e o ritmo da transformação digital, adoção de IA, robótica e automação; como um artigo recente da The Economist apontou, a transformação das cadeias de suprimentos globais é outra tendência importante que será acelerada rapidamente pela Covid-19.

Não há dúvida de que as empresas estão com pressa em suas cadeias de suprimentos”, disse The Economist. “De janeiro a maio, a interrupção da cadeia de suprimentos foi mencionada quase 30.000 vezes nas declarações de lucros das 2.000 maiores empresas do mundo, contra 23.000 no mesmo período do ano passado. As menções à eficiência diminuíram de 8.100 para 6.700”.

No entanto, o artigo acrescentou que as empresas estão se mostrando bastante resistentes à pandemia. Apesar do impacto do vírus em suas instalações de produção, “a espinha dorsal dos negócios têm, na maior parte, se mantido muito bem … Isso não quer dizer que os negócios estejam crescendo. Mas é a demanda, não a oferta, que está faltando. Se a espinha dorsal não funcionar, será por falta de tarefa, não por falta de força”.

A pandemia provavelmente acelerará uma série de esforços contínuos na cadeia de suprimentos, incluindo produção mais próxima ao consumidor, base de fornecedores diversificada e capacidade de produção diversificada e estoques.

Cadeias de suprimentos extensas serão substituídas por cadeias nacionais e regionais, especialmente para suprimentos essenciais como as dos setores médico e farmacêutico, e para produções complexas, onde as montagens precisam cruzar fronteiras geográficas. O The Economist cita o exemplo das cadeias de suprimentos automotivas, das quais 59% já são inter-regionais. Nos últimos três anos, a participação da China nas peças automotivas importadas pelos EUA caiu 2,2%, enquanto a participação proveniente de outras partes da América do Norte aumentou 2,8%.

Com o tempo, é bem possível que empresas em economias desenvolvidas tentem estabelecer novos clusters de produção nacional e regional, contando com tecnologia e automação em vez de arbitragem de custos de trabalho. A Zara, varejista de roupas espanhola, é um exemplo de empresa que estabeleceu uma base de fornecedores regionais diversificada, não apenas para ajudar a evitar as interrupções, mas também para ajudá-los a reagir mais rapidamente às mudanças de gosto da moda. As diferentes linhas de roupas da Zara chegam às lojas de forma independente, em vez de fazer parte de uma cadeia de suprimentos altamente integrada.

Outra maneira de reduzir as interrupções é mantendo uma fabricação sobressalente ou paralela.

Embora as empresas possam se orgulhar de sua manufatura enxuta, as fábricas do mundo normalmente não funcionam a 100%: em todo o mundo, a proporção da capacidade de produção que as empresas usam está estagnada ou caindo, nas últimas duas décadas.

Há estoque disponível.

É amplamente aceito que as cadeias de suprimentos modernas consomem implacavelmente a resiliência, mas isso não é totalmente verdade. Os investidores punem empresas que acumulam ações, mas eles também olham com desconfiança para empresas que trabalham exageradamente próximas ao seu limite”.

É difícil prever o impacto a longo prazo da pandemia sobre a eficiência-resiliência, enquanto ainda estamos no meio da tempestade. Haverá uma mudança significativa no equilíbrio em direção à resiliência? Ou uma empresa que investe em resiliência acabará em desvantagem competitiva se outros em seu setor sobreviverem sem fazer tais provisões? O tempo dirá.

02/11/2020

O novo normal digital

A mudança foi radicalmente transformadora e muito difícil de adoção por grandes empresas. Ao longo dos anos, as grandes empresas acumularam ativos valiosos e organizações extensas. Já ocupados com o gerenciamento de suas operações, elas olharam para a mudança mais como uma ameaça do que uma oportunidade, – mas, neste caso, do cenário pandêmico, não houve outra escolha.

Uma crise séria é uma oportunidade para se concentrar nas ações necessárias para sobreviver em um ambiente em rápida mudança. Se um gestor ou empresário nunca se deparar e atravessar uma crise seria em sua carreira, ele nunca vai estar preparado para um real desafio.

Quando as empresas entraram na crise da Covid-19 – sem dúvida o maior impacto que o mundo já experimentou, desde a Segunda Guerra Mundial – as empresas buscaram acelerar sua jornada em direção ao que, quase todos concordam, que será um futuro cada vez mais digital.

A crise do COVID-19 fornece um vislumbre repentino de um mundo futuro, no qual o digital se torna o centro para cada interação, forçando organizações e indivíduos a subirem mais na curva de adoção de tecnologias, quase da noite para o dia”, disse o artigo da McKinsey, Estratégia Digital em um tempo de crise.

Um mundo no qual os canais digitais se tornam o principal (e, em alguns casos, o único) modelo de engajamento do cliente e processos automatizados se tornam o principal impulsionador da produtividade – e a base de cadeias de suprimentos flexíveis, transparentes e estáveis. Um mundo no qual formas ágeis de trabalhar são um pré-requisito para atender às mudanças aparentemente diárias no comportamento do cliente.

Nesse mundo futuro, as empresas devem aprender mais rápido do que nunca, que uma crise é um “mandato para ser ousado”, observa o artigo, e recomenda que as empresas concentrem seus esforços em algumas dessas ações ousadas:

Ofertas digitais atraentes

“… a maioria das organizações está procurando substitutos virtuais para suas ofertas físicas, ou pelo menos novas maneiras de torná-las acessíveis com o mínimo de contato físico.” mas isso é mais fácil dizer do que fazer. Os produtos e serviços físicos evoluíram e foram aperfeiçoados ao longo de muitos e muitos anos. Uma recriação digital direta de uma oferta física geralmente resultará em uma experiência do usuário muito inferior. Em vez disso, a oferta deve ser reinventada para o mundo digital. O design thinking pode desempenhar um papel importante em tal reinvenção.

Uma abordagem centrada no design é focada antes de tudo na experiência do usuário. O bom design visa tornar nossas interações com produtos e instituições complexas – por exemplo, uma empresa, um provedor de saúde, uma sala de aula, uma função governamental – tão atraentes e intuitivas quanto possível. Isso é o que as empresas precisam fazer agora ao trazerem suas ofertas físicas para o mundo digital.

Novos modelos operacionais e de negócios

Embora os resultados variem significativamente de acordo com a indústria, alguns temas comuns sugerem as próximas mudanças normais nas estruturas de custo e modelos operacionais daqui para frente

O artigo cita três dessas novas mudanças normais em particular:

  1. Força de trabalho remota e automação;
  2. Transparência e flexibilidade da cadeia de suprimentos; e
  3. Segurança de dados.

As transformações de negócios mais bem-sucedidas são aquelas que alavancam os principais ativos de uma empresa e os trazem para o futuro integrando os principais ativos com as novas tecnologias e modelos de mercado. Por exemplo, um fator importante na rápida adoção comercial da Internet em meados da década de 1990 foi a relativa facilidade com que as empresas integraram seus principais sistemas back-end com um front-end da web, para que qualquer cliente com um PC e um navegador agora pudesse acessar suas transações legadas e aplicativos de banco de dados a qualquer hora, de qualquer lugar. Da mesma forma, a maneira mais pragmática de as empresas entrarem na curva de aprendizado de IA é aprimorando seus processos de negócios existentes com recursos de IA, transformando assim seus processos legados em processos conectados inteligentes.

Aprendendo no ritmo da crise

“Em situações de extrema incerteza, as equipes de liderança precisam aprender rapidamente o que está e o que não está funcionando e por quê … A ação ousada e a capacidade de aprender estão altamente relacionadas.”

O artigo da McKinsey recomenda várias áreas-chave que devem ajudar as empresas a aumentar o ritmo de aprendizado durante a crise.

Adoção de novas tecnologias e modelos de trabalho. A crise do COVID-19 “tornou a experimentação uma necessidade e uma expectativa”. A mudança abrupta de operações e interações físicas para virtuais é uma excelente oportunidade para aumentar o ritmo do mundo real de aprender a melhor implantar novas tecnologias digitais.

Além disso, a mudança para operações virtuais exige que as empresas mudem os modelos de trabalho aos quais os funcionários, clientes e parceiros de negócios se acostumaram, começando com como melhorar a experiência geral do usuário digital.

Escalabilidade rápida

Escalar o que você aprende é sempre um obstáculo em uma transformação digital.” Em tempos normais, as empresas podem não ter pressa em traduzir o que aprenderam em soluções digitais confiáveis, escaláveis e prontas para a produção. Mas, queiram ou não, a crise está forçando as empresas a fazerem a transição de seus pilotos experimentais para operações em escala real em tempo recorde. Isso é muito desafiador, mas também é uma oportunidade de aprendizado em tempo real com uma base de usuários mais indulgente e grata.

Efeitos sistêmicos. A rápida transição do físico para o virtual requer a mudança de vários modelos operacionais e de negócios simultaneamente, tornando muito importante avaliar como todos eles interagem e potencialmente interferem uns com os outros.

O artigo cita o exemplo de provedores de saúde, que estão enfrentando “uma maior demanda por serviços (incluindo saúde mental e outras apresentações não COVID-19) ao mesmo tempo que seus canais tradicionais são restritos, tudo no contexto de leis de privacidade estritas . Isso fez com que muitos provedores testassem e adotassem rapidamente protocolos de Tele saúde que muitas vezes não existiam em muitos consultórios médicos antes, e navegassem na conformidade com a privacidade, bem como na receptividade do paciente ao envolvimento nesses novos canais. ”

Algo semelhante está ocorrendo no ensino à distância, e-shopping, trabalho em casa, e-reuniões, videoconferências e outras atividades físicas que agora foram forçadas a se tornarem virtuais.

Simplifique e concentre-se

Dadas as enormes complexidades e desafios dessa virtualização forçada, as organizações devem aproveitar as vantagens dos métodos ágeis para ajudá-las a simplificar, focar e evitar a sobrecarga. Para fazer isso, eles precisam coletar e avaliar rapidamente dados em tempo real sobre clientes e mercados para ajudar a determinar o que está funcionando, o que não está, por que e como corrigir ou mudar o curso.

Muitas vezes, nos assuntos humanos, as maiores lições emergem dos tempos de crise mais devastadores”, conclui o artigo. “Acreditamos que as empresas que puderem atender e superar simultaneamente as demandas críticas e do dia a dia de sua resposta à crise poderão obter percepções exclusivas e respostas para ajudar a garantir que seu futuro digital seja mais robusto com o COVID- 19 do que quando nele entrou. ”

27/10/2020

A urgente necessidade de fortalecer a resiliência

Após a Segunda Guerra Mundial e o início da Guerra Fria, os EUA empreenderam uma série de medidas para fortalecer a resiliência interna. Isso incluiu uma significativa expansão do apoio governamental à pesquisa científica em universidades e laboratórios, levando a inovações de produtos do setor privado e melhores armas da indústria de defesa, o que contribuiu para tornar os Estados Unidos a nação mais próspera e segura do mundo.

Outra medida importante foi a expansão das oportunidades educacionais, como o GI Bill, que ofereceu aos 16 milhões de veteranos da Segunda Guerra Mundial pagamentos de mensalidades e despesas de subsistência para frequentar o ensino médio, faculdade ou escolas técnicas/vocacionais. Em 1956, mais de 2,2 milhões tinham usado o GI Bill para frequentar a faculdade ou universidade, e 5,8 milhões o haviam usado para algum tipo de programa de treinamento profissional.

Na década de 1950, o governo promulgou a Lei Nacional de Rodovias Interestaduais e de Defesa, que levou à construção de mais de 77.000 quilômetros do Sistema de Rodovias Interestaduais a um preço total estimado em mais de $ 500 bilhões – a maior obra pública na América. A lei tinha um duplo propósito: facilitar o crescimento econômico do país, bem como apoiar a defesa do país durante uma guerra convencional ou nuclear, se necessário.

E, por último, mas não menos importante, no final dos anos 1960, o governo lançou a ARPANET, a infraestrutura digital que mais tarde se tornou a Internet. A ARPANET foi apoiada pelo Departamento de Defesa para aumentar significativamente a resiliência do país após um ataque nuclear, permitindo que os computadores se comuniquem entre si usando uma rede digital flexível de comutação de pacotes. Esse foco do pós-guerra, na resiliência, diminuiu significativamente nas últimas décadas.

Dos anos 1930 aos 1970 – um período que abrangeu a Grande Depressão, a Segunda Guerra Mundial e o auge da Guerra Fria – os interesses das empresas e da sociedade estiveram intimamente alinhados. A economia keynesiana, batizada em homenagem ao economista britânico John Maynard Keynes, era o modelo econômico padrão durante esse período. Era um modelo pragmático e de capitalismo misto, baseado em uma economia predominantemente do setor privado, mas com um papel apropriado para o governo, como o New Deal e os programas de governo mencionados.

A economia keynesiana começou a cair em desuso com a ascensão da Escola de Economia de Chicago na década de 1970, que defendia uma confiança quase universal nos mercados, um papel circunscrito para o governo e um modelo de negócios baseado na maximização do valor para o acionista como o objetivo primordial de  uma empresa. Essas opiniões influenciaram os funcionários do governo nas décadas seguintes, especialmente o ex-presidente dos EUA Ronald Reagan, que disse a famosa frase: “O governo não é a solução para o nosso problema, o governo é o problema”.

Nas décadas seguintes, houve uma diminuição significativa no apoio governamental à P&D e à educação. Uma força-tarefa recente sobre Inovação e Segurança Nacional observou que “Washington não conseguiu manter níveis adequados de apoio público e financiamento para ciência básica. O investimento federal em P&D como porcentagem do PIB atingiu o pico de 1,86% em 1964, mas caiu de um pouco mais de 1% em 1990 para 0,66% em 2016 ”.

As iniciativas educacionais dos governos federal e estadual também foram significativamente reduzidas, apesar de a educação ser mais importante do que nunca. Um relatório recente sobre a liderança dos EUA no século 21 mostra que a expansão do ensino médio público e das universidades estaduais na primeira metade do século 20 foi um ingrediente crítico para os EUA se tornarem a economia mais bem-sucedida do mundo. 

“A falta de oportunidades educacionais acessíveis que estejam clara e transparentemente ligadas às novas demandas do mercado de trabalho é um obstáculo significativo para melhorar os resultados do trabalho para os americanos”, disse o relatório.

Mas não foi apenas o governo que reduziu seu foco na resiliência. Os negócios também, conforme explicado em The High Price of Efficiency, um artigo da Harvard Business Review de 2019, escrito por Roger Martin, professor emérito e ex-reitor da Rotman School of Management da Universidade de Toronto. 

“Por que não queremos que os gerentes se empenhem em um uso cada vez mais eficiente dos recursos?”, perguntou Martin.  Claro que nós fazemos.  Mas, um foco excessivo na eficiência pode produzir consequências surpreendentemente negativas.  Para contrabalançar esses potenciais efeitos negativos, as empresas devem prestar a mesma atenção à resiliência, – “a capacidade de se recuperar das dificuldades – de voltar à forma após um choque … Os sistemas resilientes são tipicamente caracterizados pelas próprias características – diversidade e redundância, ou  folga – essa eficiência busca destruir. ”

A eficiência é fundamental para a vantagem competitiva, maiores lucros da empresa e menores preços ao consumidor.  No entanto, um foco implacável na eficiência também pode levar a problemas sérios, incluindo os riscos de falhas catastróficas, que Martin ilustra com um exemplo da agricultura, – as monoculturas.

Na agricultura, uma monocultura se refere à prática de cultivar uma única linha de uma safra de alto rendimento ou criar uma raça de gado especializada de rápido crescimento. As monoculturas são amplamente utilizadas na agricultura industrial para aumentar a escala e a eficiência de suas operações.  No entanto, a monocultura contínua pode levar ao acúmulo de pragas e doenças. Se uma doença para a qual eles não têm resistência atacar, ela pode exterminar rapidamente uma população inteira de plantações ou rebanhos. Algo semelhante pode acontecer a uma empresa ou economia muito dependente de alguns produtos, setores, processos ou modelos de negócios.

Os sistemas biológicos têm sido uma inspiração no estudo de sistemas complexos. Alta resiliência em face de um ambiente incerto e mutante é a essência da biologia evolutiva e da seleção natural. Da mesma forma, a resiliência dos negócios é fundamental para uma empresa resistir a grandes interrupções e sobreviver a um futuro imprevisível e turbulento.

Uma das prioridades pós-pandêmicas mais críticas deve ser restaurar e fortalecer a resiliência da nação e do mundo. Como será esse mundo? Algumas das mudanças potenciais, as incógnitas desconhecidas, são quase impossíveis de prever.  Mas outros são mais fáceis de prever porque são essencialmente uma aceleração das tendências existentes.

  1. Infraestruturas digitais. Felizmente, nunca tivemos que testar a capacidade da Internet de manter os EUA em funcionamento após um ataque ou invasão militar.  Mas, quem teria pensado que 50 anos após o lançamento da ARPANET, seria uma pandemia global que agora está testando a capacidade da Internet de cumprir seu objetivo original de manter nações e economias durante o maior choque que o mundo já experimentou desde a Segunda Guerra Mundial. Podemos esperar aceleração da implantação da banda larga de ultra-alta velocidade, 5G, IoT e acesso quase universal à Internet, bem como melhorias críticas para a segurança cibernética e privacidade de dados.
  2. Aplicativos online. Durante anos, muitos encontraram todos os tipos de motivos para não adotar a telemedicina, o aprendizado online, o trabalho de casa, reuniões virtuais e outros tipos de recursos e atividades eletrônicas.  Mas, a necessidade é a mãe da invenção.  Estamos descobrindo que esses recursos eletrônicos não apenas funcionam muito bem, mas também oferecem uma série de benefícios importantes, como não esperar por uma consulta médica em uma sala cheia de pessoas doentes ou não ter que viajar para participar de um 45  reunião minuto.  Nos próximos anos, podemos esperar uma série de inovações em sistemas e aplicações eletrônicas online, especialmente uma experiência superior do usuário.
  3. Digitalização e adoção de IA. Um estudo da McKinsey de 2019 descobriu que 1/4 de século na era digital, mesmo as economias mais avançadas do mundo – os EUA, a Europa e a China – alcançaram apenas cerca de 20% de seu potencial digital.  Outro relatório recente da McKinsey sobre o estado da adoção da IA descobriu que, embora a IA esteja se tornando mais popular, “ainda há muito trabalho para dimensionar o impacto, gerenciar riscos e retreinar a força de trabalho” em mais de 95% das empresas.  Podemos esperar que a taxa e o ritmo de digitalização e adoção de IA aumentem significativamente.
  4. Automação e o futuro do trabalho. Finalmente, podemos esperar que a pandemia terá um grande impacto no futuro do trabalho, à medida que as instituições dos setores público e privado aceleram sua adoção de tecnologias e automação.  Estudos recentes sobre o futuro do trabalho, como o Trabalho do Futuro em andamento do MIT, terão que ser revisitados junto com suas recomendações de políticas.  É esperado também que o vínculo empregatício entre instituições e indivíduos – sejam empresas e funcionários ou governos e cidadãos – também seja revisitado e significativamente melhorado, incluindo saúde, educação e outros programas críticos de trabalho e de segurança social.

18/10/2020

Políticas de distanciamento social

Um dos projetos mais interessantes do grupo MIT Connection Science é o The Atlas of Inequality. O projeto – liderado pelos professores Esteban Moro e Alex ‘Sandy’ Pentland – usa dados de geolocalização anônimos de dispositivos digitais para estimar onde diferentes grupos de pessoas passam o tempo, nas cidades dos EUA e com o tempo, o projeto poderá ser expandido para cidades ao redor do mundo. Os dados mostram a significativa desigualdade de renda entre as pessoas nessas cidades, não apenas por bairros, mas também nos restaurantes, lojas e outros lugares.

O grupo de pesquisa aplica seus dados e métodos de geolocalização para analisar a eficácia das políticas de distanciamento social adotadas na área metropolitana de Nova York em resposta à pandemia de Covid-19. Essas políticas incluem o fechamento de escolas, proibição de reuniões não essenciais, limitação de pedidos de comida para viagem e medidas rígidas de permanência no local. Não há como medir empiricamente o impacto dessas medidas de distanciamento social em tempo real na disseminação da Covid-19, mas pode-se medir seu impacto de forma retrospectiva ou simular o que pode acontecer no futuro com base em dados.

Esses dados ajudam a abordar de forma empírica, um conjunto de questões importantes:

  1. Como as políticas de distanciamento mudaram a mobilidade e o comportamento social?;
  2. Como o comportamento de distanciamento social varia na área metropolitana de Nova York?;
  3. Como o comportamento varia entre a diversidade de grupos demográficos?; e, em geral,
  4. Quão bem as pessoas estão seguindo essas medidas de distânciamento social?

As descobertas iniciais revelam que as políticas de distanciamento social levaram a grandes mudanças onde as pessoas passam seu tempo e como elas interagem umas com as outras:

“A distância percorrida todos os dias caiu 70 por cento, de uma média de 40 Km em fevereiro para 11 Km” no final de março;

“O número de contatos sociais diminuiu 93% de 75 para 5”, onde o contato social é definido como estando a pelo menos a 2,5 metros um do outro por pelo menos 5 minutos;

“O número de pessoas que ficam em casa o dia todo aumentou de 20% para 60%”; e

“as políticas de distanciamento social reduziram muito as diferenças relativas entre os diferentes grupos demográficos, visto que a mobilidade e os contatos sociais de quase todos foram drasticamente reduzidos.”

As mudanças na distância percorrida e nos contatos sociais tornaram-se significantes somente depois que medidas de fechamento de negócios foram implementadas.

O varejo de alimentos e lojas de suprimentos essenciais tornaram-se os locais mais comuns para contatos sociais. Depois que essas medidas foram introduzidas, cerca de 5,5% dos nova-iorquinos começaram a passar o tempo em lugares fora da área metropolitana, incluindo Nova Jersey (37%), interior do estado de NY (23%), Pensilvânia (9,8%) e Flórida (6,7%).

Resultados mais detalhados podem ser encontrados no relatório preliminar. E aqui estão as fontes dos dados usados na análise, bem como os métodos usados para preservar a privacidade dos dados.

O tipo de diretivas do governo que foram implantadas na China para combater o surto de Covid-19 não são aplicáveis nos EUA e em outras democracias de livre mercado. Nesses países, é importante recorrer a métodos sofisticados de análise de dados que estejam em conformidade com as políticas de privacidade.

A principal fonte de dados para o projeto Atlas são dados de localização anônimos de uma variedade de aplicativos em smartphones. Os dados vêm da Cuebiq, uma empresa de inteligência e medição baseada em geolocalização e, em particular, da iniciativa Data for Good da Cuebiq, que disponibiliza seus dados para pesquisas acadêmicas e programas humanitários. Para a análise de distanciamento social de NY,

Cuebiq coleta registros anônimos de pontos GPS com registro de data / hora de usuários que optaram por compartilhar seus dados anonimamente nos EUA de 1º de janeiro de 2020 a 25 de março de 2020.” Os dados de mobilidade são extraídos apenas dos usuários que optaram por compartilhar seus dados por meio de uma estrutura compatível com GDPR e CCPA. Os dados residenciais e de áreas de trabalho são então agregados ao nível do Grupo de blocos do censo, permitindo a análise demográfica enquanto ofusca o local exato onde os usuários anônimos vivem e trabalham.

Os dados que recebemos são construídos a partir da sequência de pings informados pelos dispositivos”, explica o relatório. “Isso resulta em um conjunto de dados dos locais públicos onde muitas pessoas ficaram (com alta precisão espacial) correspondendo aos pontos de interesse que as pessoas normalmente visitam e os setores censitários mais prováveis de onde esses proprietários de dispositivos vivem e trabalham”. uma estadia é definida como um local onde um usuário anônimo parou por pelo menos 5 minutos. A análise é limitada a dados de pessoas que foram ativas durante o período de 17 de fevereiro a 9 de março e para as quais há relatórios de dados de localização que permaneceram em suas residências por mais de 10 dias. O conjunto de dados inclui informações sobre 567.000 pessoas.

Há muito, muito mais a ser feito. “A próxima questão empírica é: quão eficazes são essas políticas de distanciamento social para reduzir a propagação do Corona vírus?”, Conclui o relatório. “Com dados de mobilidade anônima de alta resolução, podemos estudar o efeito das políticas relacionadas à mobilidade nas respostas comportamentais da população e como o Corona vírus se espalha de maneira diferente em locais com políticas diferentes. Os dados de mobilidade de alta resolução, anônimos e agregados, podem monitorar a adesão às políticas de distanciamento social, mas também podem informar modelos epidemiológicos baseados em matrizes de contato em tempo real”.

12/10/2020

Tempos incertos x lições aprendidas

O que é necessário para superar tempos de grande incerteza, como estes que estamos passando? Estamos enfrentamos a pandemia de Covid-19, nossa economia está abalada, desemprego crescente, eleições locais estão chegando…

Como a maioria, também vivo tempos de incerteza em minha vida pessoal e profissional. No lado pessoal, minha principal observação é que a maioria de nós é muito mais resistente do que imaginamos. Deixo para os psicólogos e outros especialistas oferecer conselhos sobre o que é necessário para superar esses momentos.

Mas, quando se trata de passar por momentos difíceis no lado profissional, gostaria de compartilhar algumas lições aprendidas com base em minhas experiências. No início da década de 1990, quando eu acabava de entra no mercado de trabalho, houve uma grande desaceleção econômica, processos de reengenharia levaram muitas empresas a conduzir demissões em massa e quem não tinha certo grau de estudo ou conhecimento ficou muito vulnerável a estas mudanças.

Por anos, empresas que desfrutaram de uma posição de liderança, rapidamente sentiram-se ameaçadas, em parte pela necessidade de investir em recursos de TI e não dominar ou ter conhecimentos básicos de como fazê-lo. Coisas como microcomputadores, microprocessadores, cliente-servidor, softwares e hardwares, passaram a comandar o dia a dia das empresas. Estes investimentos diminuíam significativamente as margens de lucro enquanto obrigavam todos a se modernizar.

Poucas empresas conseguiam investir em recursos, treinamentos, qualidade e sobreviver. Um grande número de empresas anteriormente bem-sucedidas não sobreviveram a essas transições de tecnologia e mercado altamente disruptivas.

Por que algumas empresas foram capazes de sobreviver enquanto tantas outras não sobreviveram?

Na minha opinião, a sobrevivência no mundo dos negócios é possível por três fatores principais:

  1. Talento e investimentos em Pesquisa & Desenvolvimento;
  2. Relacionamentos de confiança; e
  3. Liderança sábia.

Investimentos em talentos e P&D.

Ninguém deseja ter que aprender sobre um asteroide que se aproxima da Terra quando ele está prestes a atingi-la e, ter que improvisar sua estratégia de sobrevivência no meio de uma crise.

Pessoas altamente talentosas estão atentas e preveem coisas potencialmente disruptivas e mudanças de mercado, – o equivalente a detectar um asteroide que se aproxima, – anos antes, e se preparam para o novo ambiente, desenvolvendo produtos apropriados e as estratégias de mercado. As empresas costumam ver o investimento em pesquisa como despesas desnecessárias e de baixo retorno. Mas, isso é como não fazer o seguro de sua casa porque a probabilidade de um incêndio ou algum outro evento catastrófico é relativamente pequena.

Por várias vezes, vi técnicos explicando aos seus diretores que mudanças eram necessárias; vi também a tecnologia quase matar o negócio de empresas, que não tinham em seu business, espaço para a ela.

Mas, lidar com coisas novas e altamente complexas requerem uma humildade considerável. No inicio, não estava claro se a nova arquitetura de negócios seria capaz de oferecer suporte a missão crítica da empresa. Somente depois de muitos testes e experimentos nos sentimos capazes a entender que realmente funcionaria. A transição do mainframe para o homem-máquina foi muito desafiadora, mas cada investimento em pesquisa e desenvolvimento e talentos, valeu a pena.

Relacionamento de confiança

Outro fator crítico de sobrevivência são as colaborações com clientes, parceiros de negócios, comunidades de pesquisa e outras partes interessadas. Isso, as vezes, pode levar anos para ser construído. E é particularmente importante se você estiver desenvolvendo soluções sofisticadas e complexas que no início podem não funcionar tão bem. Tente ver esta relação como parte de um ecossistema cujos membros precisam acreditar que pertencem à comunidade e confiam uns nos outros e trabalham juntos para resolver problemas comuns.

O segredo da longevidade das empresas que atravessaram crises nos anos 90, 2000 e outras, tem menos a ver com máquinas e softwares e mais com relacionamentos sólidos com os clientes”. Essas relações estreitas entre clientes e fornecedores, com o tempo, se tornaram o principal motivo da longevidade das empresas.

Liderança sábia

Sim. Profundas mudanças na tecnologia, nos modelos de negócios e nos mercados perturbaram o setor de TI nos anos 90 e 2000. E o que vi de alguns líderes sábios fazer e que deu certo foi imbuir a força de trabalho, nesses tempos de crises, de um forte senso de urgência, estimulando-a a lidar com problemas críticos que a empresa enfrentava. Eles buscaram se cercar de executivos que conheciam bem a empresa e, na maioria das vezes, entendiam o que precisava ser feito. Eles também trouxeram alguns especialistas do mercado e souberam mesclar com a mão de obra jovem – consolidando assim experiência considerável e novos talentos, para transformar dificuldades em vantagens, mesmo que isso, em algum momento, precisasse incluir demissões e fechamento de unidades.

Os líderes mais sábios que conheci, ajudaram a reforçar aos clientes que tais ações foram necessárias, reforçando a mensagem aos clientes, que deveriam se sensibilizar e entender que a empresa estava lutando para se manter competitiva e a continuar a resolver problemas complexos e construir soluções de mercado e que, como fornecedora, continuaria firmemente com a parceria.

Em 2020, o modelo atual de competição de mercado não permite que ninguém faça tudo sozinho. Toda empresa, em algum momento é cliente e também fornecedor. Isso torna a empresa mais competitiva e significativamente mais orientada para o mercado e colaborativa.

Espero que essa combinação de talento e P&D, colaborações confiáveis e liderança sábia nos ajudem a superar nossos tempos de incerteza atuais.

05/10/2020

Blockchain e saúde pública


O Blockchain Research Institute (BRI) é um think tank global dedicado às implicações estratégicas das tecnologias blockchain para negócios, governo e sociedade. Em março de 2020, eles promoveram uma reunião virtual para discutir o uso potencial de tecnologias de blockchain para soluções de saúde pública. As conclusões e recomendações deste fórum, foram publicadas no início de abril no Soluções Blockchain na Pandemia: Um chamado para a Inovação e Transformação na saúde pública.

O relatório identificou cinco áreas principais onde o blockchain pode ser implantado para combater a Covid-19, bem como futuras pandemias: identidade, registros de saúde e dados compartilhados; cadeias de suprimentos just-in-time; sustentando a economia; registro de resposta rápida para profissionais médicos; e modelos de incentivos para recompensar o comportamento responsável. Em cada uma dessas áreas, o relatório apresentado usa casos em que o blockchain já está sendo implantado e recomendou uma série de medidas de saúde pública relacionadas ao blockchain que ajudarão a se preparar melhor para futuras pandemias. Dado o amplo escopo do relatório, apresento aqui, parte de atenção particular: identidade, registros de saúde e dados compartilhados.

Os dados são o ativo mais importante no combate às pandemias … Precisamos de dados sobre o quê, onde, quando, como, quem – quantas pessoas estão infectadas, onde estão localizadas, quando foram infectadas (e quando se recuperaram), como foram infectados, e com quem mais eles tiveram contato”, mostra o relatório.

Os países com bom acesso aos dados – por exemplo, China, Cingapura, Coréia do Sul – conseguiram tomar medidas eficazes para controlar a propagação da pandemia. Mas os países com recursos de dados mais limitados, – por exemplo, Itália, Espanha e os EUA, – tiveram um desempenho significativamente pior. Além disso, o equilíbrio entre segurança pública e privacidade individual varia amplamente entre os países. Algumas das ações mais eficazes implantadas para controlar a propagação do vírus em países com governos centrais fortes, como China e Cingapura, são muito mais difíceis de implementar nos países ocidentais, onde a privacidade individual e as liberdades civis desempenham um papel muito mais forte. O Blockchain abre possibilidades inovadoras para soluções descentralizadas que dão mais controle aos indivíduos com base no desenvolvimento de identidades digitais soberanas.

Uma identidade digital é essencialmente uma coleção de atributos de dados associados a um indivíduo específico. Esses atributos de dados são geralmente isolados em diferentes instituições dos setores público e privado, cada uma usando seus dados para seus próprios fins. Embora cada um de nós tenha uma identidade única e exclusiva, com base em nossa certidão de nascimento e documentos emitidos pelo governo, temos várias identidades digitais derivadas, dependendo da natureza da transação, – por exemplo, financeira, viagem, saúde, – cada uma das quais se baseia em uma coleção diferente de dados e provedores de dados.

Para alcançar um nível mais alto de privacidade e segurança, precisamos estabelecer um ecossistema de dados confiável para cada tipo de identidade, o que requer a troca e o compartilhamento de dados entre uma variedade de instituições. Quanto mais fontes de dados cada ecossistema confiável tiver acesso, maior será a probabilidade de detecção de fraude e roubo de identidade, reduzindo os falsos positivos. No entanto, proteger os dados usados para validar identidades cria problemas de segurança e privacidade. Não é seguro reunir todos os atributos necessários em uma instituição ou local central de dados, pois ele acaba se tornando alvo para violações de dados. Além disso, cada instituição é responsável pela proteção de seus dados, especialmente em áreas críticas como saúde, finanças e governo.

Para reforçar nossa identidade, primeiro precisamos de um modelo que seja distribuído e mantido pelas pessoas cujas identidades, ele protege”. “Isso significa que os incentivos de todos se alinham em um bem comum de identidade, com direitos claros para os usuários administrarem sua própria identidade, protegendo sua privacidade, acessando (e permitindo que outros acessem) e monetizem seus próprios dados, e participem da criação de regras em torno da preservação e uso dos bens comuns. Vários projetos de identidade, no blockchain, estão trabalhando para fornecer essa estrutura e recursos”.

O Open Algorithms (OPAL) liderado pelo MIT é um desses projetos. Em Open Algorithms for Identity Federation, Alex ‘Sandy’ Pentland e Thomas Hardjono propuseram uma estrutura para o gerenciamento seguro de identidades digitais. O paradigma OPAL é baseado em vários princípios, incluindo:

  • Mover o algoritmo para os dados. Em vez de reunir dados brutos em um local central para processamento, o algoritmo deve ser enviado para os repositórios e processado lá.
  • Arquitetura de dados descentralizada. Os dados brutos devem sempre permanecer em seu repositório permanente sob o controle dos proprietários do repositório. Apenas os resultados da aplicação do algoritmo ou consulta aos dados são retornados.
  • Algoritmos abertos e controlados. Os algoritmos devem ser publicados abertamente, aceitos e examinados por especialistas para evitar violações de privacidade e atos não intencionais.
  • Consentimento do sujeito. Os repositórios de dados devem obter consentimento explícito dos indivíduos, cujos dados eles possuem para a execução de um algoritmo contra seus dados; os algoritmos verificados devem ser disponibilizados e compreensíveis para os sujeitos.
  • Transparência e conformidade regulatória. As solicitações e respostas devem ser armazenadas em um log de eventos imutável baseado em blockchain para permitir a auditoria de todas as interações, bem como a prova de conformidade regulatória.
Em um artigo recente, Pentland propôs uma abordagem para reiniciar a economia com base na criação de uma força de trabalho segura com base em uma identidade de saúde pública para certificar o estado de saúde dos indivíduos enquanto protege sua privacidade pessoal. Essa abordagem tem sido usada há muito tempo para certificar as credenciais financeiras de um indivíduo em uma transação de pagamento.

Uma força de trabalho segura consistiria em “pessoas que foram infectadas e então se recuperaram, para que possam ser certificadas como sendo menos propensas a serem reinfectadas”, escreveu Pentland. “Isso é semelhante a como já certificamos que os trabalhadores do setor de alimentos não têm certas doenças infecciosas e que os trabalhadores da puericultura tomam suas vacinas. Ao mesmo tempo, esse tipo de dados torna a detecção precoce da infecção e o rastreamento de contato muito, muito mais fácil, eventualmente evitando ondas sucessivas de infecção.

Além das necessidades imediatas de reiniciar a economia, o relatório do BRI recomendou uma série de medidas para ajudar as autoridades de saúde pública a antecipar e gerenciar futuras pandemias, incluindo:

  1. Dados de saúde agregados e anônimos. Todos disponibilizam as informações críticas de saúde, devidamente anônimas, que são necessárias para rastrear, prever e gerenciar uma pandemia, como temperatura corporal e localização.
  2. Informações de saúde individuais. Os indivíduos têm controle sobre suas informações de saúde e podem optar por disponibilizá-las aos profissionais médicos quando apropriado, – por exemplo, se estiverem apresentando sintomas de pandemia ou outros sintomas de saúde.
  3. Sistemas de incentivos. Embora muitos compartilhem seus dados pessoais explícitos e não anônimos por um senso de responsabilidade social para ajudar a rastrear e gerenciar uma pandemia em suas comunidades, podem ser necessários incentivos para disponibilizar esses dados suficientes para as autoridades de saúde pública.
  4. Dados populacionais.Todos esses dados representariam toda a população, não uma amostra parcial e potencialmente enganosa dela. Nunca antes médicos, epidemiologistas e autoridades tiveram acesso tão extraordinário a tal riqueza de dados. Usando análises de dados e IA, eles puderam entender as possíveis trajetórias de um vírus e tomar medidas para eliminá-lo.

As tecnologias Blockchain “são agora mais relevantes do que nunca, não apenas para os negócios e para a economia, mas também para o futuro da saúde pública e a segurança das populações globais. Os sistemas tradicionais falharam e é hora de um novo paradigma.

20/09/2020

Gerenciando equipes remotas


A primeira onda da Revolução Industrial decolou nas fábricas têxteis da Grã-Bretanha no século XVIII. Os trabalhadores eram necessários para operar teares que fiariam algodão, linho ou lã em grande escala para fazer roupas, tapetes, estofados e outros produtos.

A produtividade, naquela época, dependia exclusivamente de humanos se reunindo sob o mesmo teto e cuidando das máquinas. A destreza humana ou a tomada de decisões eram necessárias para ajudar as máquinas a gerar a melhor produção e, ao mesmo tempo, supervisionar o controle de qualidade. Este se tornou o modelo padrão para vários setores da indústria.

Hoje em dia, isso se inverteu. Fora do setor manufatureiro, a maioria dos trabalhadores não precisa mais se reunir dentro da mesma área física para cuidar de máquinas. Na verdade, as ferramentas de hoje, permitem, em grande parte, liberar os funcionários da necessidade de ficarem confinados no mesmo lugar. Bem-vindo à era do trabalho remoto.

Antes do COVID-19, cerca de 5% dos americanos empregados trabalhavam em casa ou remotamente. No auge da pandemia, essa porcentagem saltou para 62%.

Além do mais, três em cada cinco disseram que querem continuar trabalhando remotamente, se possível.

Se você é um empresário ou gestor de uma empresa, repentinamente se tornou responsável por gerenciar uma equipe remota de funcionários, aqui estão informações, para ajudar a ter sucesso com suas equipes.

  1. Comunique-se, comunique-se, comunique-se. A comunicação representa mais de 90% do gerenciamento de equipes remotas. No entanto, com os membros da equipe trabalhando em espaço de trabalho não comum, vários métodos de comunicação estão fora de questão. Lembretes, bate-papos no escritório, brain storms outros métodos de comunicação pessoal não são mais opções disponíveis. Sem todas essas opções, a comunicação pode ficar aleatória, permitindo que as suposições substituam a comunicação clara e tirando os projetos dos trilhos. À medida que os membros de sua equipe passam a trabalhar remotamente, seus métodos de comunicação também precisam se adaptar. Reconheça a importância de agilizar as comunicações para que a transmissão de informações importantes seja o mais eficiente possível e para que os membros da equipe permaneçam atualizados sobre os projetos e todos se sintam responsáveis sem ficar completamente sobrecarregados por uma enxurrada de chamadas, e-mails, bate-papos, etc. Da mesma forma, muitos gerentes frustram os membros da equipe ao escolher um método de comunicação inadequado. Todos nós já ouvimos a reclamação de “reunião que poderia ter sido um e-mail”. Evite ser um líder de equipe que considera comunicação como apenas uma passagem de informações e que elas são autoexplicativas. Envie e-mails claros. Ou se necessário, faça uma chamada em conferência ou um vídeo chat. Uma vantagem da vídeo chamada é a capacidade dos membros da equipe de captar as dicas verbais que não estão ausentes na comunicação escrita. Por outro lado, uma vantagem do e-mail é a capacidade de arquivar mensagens importantes, pesquisar por palavras-chave e recuperar quando necessário. No entanto, aplicativos gratuitos como o Otter também estão trazendo essa funcionalidade para chamadas em conferência. O Otter pode gravar as conversas de voz da sua equipe e fornecer transcrições automatizadas com base nessas gravações, dando aos membros da sua equipe um documento pesquisável para recuperar informações importantes mais tarde, quando necessário.
  2. Certifique-se de que sua equipe tenha os recursos adequados. O primeiro dia ou semana do novo funcionário é normalmente gasto na apresentação de todos os recursos e equipamentos disponíveis. De cadeiras ergonômicas a lanchonetes self service, os primeiros dias de trabalho geralmente são uma animada sessão de aprendizado. No entanto, nada disso faz sentido, quando falamos de trabalhadores remotos. É verdade que parte da vantagem dos trabalhadores remotos é o corte de custos, incluindo espaço de escritório e recursos relacionados. E, claro, isso não significa que você precisa enviar uma máquina de café expresso cara para cada um de seus funcionários remotos. Mas, parte de seus check-ins com os membros da equipe deve incluir garantir que eles tenham todas as ferramentas de que precisam para facilitar o fluxo de trabalho e alcançar a melhor produtividade possível. Peça que eles reflitam sobre seu fluxo de trabalho e identifiquem obstáculos à produtividade para deixar claro quais os recursos primários à produtividade deles. Também é importante considerar que pode haver uma diferença entre seus trabalhadores remotos mais experientes e membros da equipe que foram colocados no trabalho remoto pela primeira vez devido ao COVID-19. Estes últimos podem não estar acostumado em estruturar seu próprio espaço de trabalho para obter conforto, produtividade e fluxo de trabalho. Ajude-os com que tenham uma mesa minimamente adequada. Isso pode ser tão simples quanto colocar o computador em cima de alguns livros. Mesmo pequenas melhorias, como um amplificador de WiFi, fones de ouvido com cancelamento de ruído ou uma câmera melhor, se estiverem se apresentando a clientes, podem fazer uma grande diferença.
  3. Promova o espírito de equipe. As pessoas querem pertencer. Particularmente para a cultura americana, o trabalho é uma das principais formas pelas quais podemos nos definir e onde buscamos um sentimento de pertencimento. Muitos psicólogos observaram que os funcionários tendem a continuar trabalhando para as empresas quando têm relacionamentos positivos com seus colegas de trabalho, e a produtividade também aumenta. Esse sentimento de pertencimento fica complicado quando os colegas de trabalho estão dispersos e as interações face to face são minimizadas. Mesmo os momentos mais simples do local de trabalho – como as celebrações de aniversário – são contribuintes poderosos para fazer as pessoas sentirem que pertencem. Sem essas possibilidades de conexão, o trabalho remoto aumenta a probabilidade de os membros da equipe se sentirem isolados uns dos outros e menos alinhados com a missão da organização. Na verdade, de acordo com o “Relatório do trabalho Remoto” do Buffer, a solidão foi a segunda resposta mais citada dos entrevistados quando questionados sobre suas dificuldades para trabalhar remotamente. Para manter vivo o senso de camaradagem que ajuda as equipes a trabalharem juntas, os líderes de equipe devem criar oportunidades para os membros trazerem seu eu mais completo para as interações remotas no local de trabalho. As interações no local de trabalho remoto muitas vezes deixam de ser apenas trabalho. Os líderes de equipe devem criar canais onde os colegas de trabalho possam interagir em um nível mais pessoal, talvez para compartilhar interesses comuns, estabelecer relacionamentos úteis ou celebrar marcos. Se a força de trabalho for dividida entre funcionários de escritório e remotos, lembre-se de que todos os funcionários podem se sentir menosprezados ou isolados. Considere dar a eles mais papéis de liderança para equilibrar aquele senso de importância, mesmo que por vezes impreciso, aos olhos da organização.

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