15/02/2021

Os conceitos da computação em nuvem


Nem todo mundo é um DevOps Engineer e Cloud Architect; mas todo administrador de negócios deve ter boas noções sobre computação em nuvem e saber que ela é a melhor maneira, hoje em dia, de administrar seus negócios.

A possibilidade de melhorar os negócios é algo que atrai todos os tomadores de decisões em todo o mundo. Quem pensava que a nuvem um dia seria considerada a ferramenta que iria guiar o processo de digitalização do mundo, acertou em cheio.

A virada do milênio, início dos anos 2000 será sempre lembrada como o marco do ritmo cada vez mais acelerado do progresso tecnológico. Vinte e um anos depois, as tecnologias novas e antigas estão tão próximas como nunca antes. O aumento quase incontrolável do conhecimento humano leva a infinitas possibilidades de inovações. A busca pelo próximo grande sucesso parece não ter fim.

A computação em nuvem já está sendo seguida pela inteligência artificial e pelo blockchain. Essas infraestruturas permitem que a maioria das novas tecnologias possam nascer e se desenvolver totalmente baseada em grandes dados (big data) e inteligência.

Em outras palavras: os servidores que fazem parte da tecnologia de nuvem, mantêm os dados que a IA pode acessar e usar para tomar decisões e aprender coisas como estabelecer um diálogo virtual de atendimento com um cliente. Mas, à medida que a IA aprende isso, ela pode transmitir esses novos dados de volta para a nuvem, que podem ajudar outras IAs a aprender também. E isso vale para o blockchain e outras tecnologias baseadas em dados.

A computação em nuvem não é apenas a ferramenta de digitalização por excelência, ela é onipresente e desempenha, sem dúvida, um papel fundamental no progresso tecnológico de hoje.

Simplificando: a computação em nuvem é a entrega de serviços de computação – servidores, armazenamento, bancos de dados, rede, software, análise e muito mais – pela Internet (“a nuvem”). As empresas que oferecem esses serviços de computação são chamadas de provedores de nuvem e normalmente cobram pelos serviços de computação em nuvem com base no uso, semelhante à forma como você é cobrado pela água ou eletricidade em sua casa.

Quer você execute aplicativos que compartilham fotos com milhões de usuários móveis ou dê suporte a operações críticas de negócios em sua organização, a nuvem é uma tecnologia que fornece acesso rápido a recursos de TI flexíveis e econômicos. Quando se trata de computação em nuvem, você não precisa investir em hardware antecipadamente ou gastar muito tempo com o gerenciamento deles. Em vez disso, você pode fornecer o tipo e o tamanho exatos dos recursos de computação necessários para implementar seus projetos ou operar seu departamento de TI. Você pode acessar quantos recursos precisar quase imediatamente, pagando apenas pelo que usar. A computação em nuvem oferece uma maneira fácil de acessar servidores, armazenamento, bancos de dados e uma gama completa de serviços de aplicativos pela Internet.

Provedores de nuvem, como Amazon Web Services, Microsoft Azure, Google Cloud Platform, operam e gerenciam o hardware, fornecendo os recursos que você precisa, por meio de um aplicativo de interface da web.

Vantagens da computação em nuvem

A nuvem se tornou uma tecnologia que influencia o dia a dia de todos. A adoção de suas soluções e serviços apresentam uma série de vantagens e benefícios, entre outros:

  • Custos de operação e manutenção de data centers: permite focar em projetos que diferenciam sua empresa no mercado, não em infraestrutura.  A computação em nuvem permite focar nos clientes, em vez de configurar e operar servidores.

  • Velocidade e agilidade: em um ambiente de computação em nuvem, novos recursos de TI estão sempre a apenas um clique de distância. O tempo necessário para implantar esses recursos será reduzido para minutos. Isso leva a um aumento notável na agilidade da empresa. Na verdade, os custos e as despesas com experimentos e desenvolvimento diminuem substancialmente.

  • Opte por custos variáveis em vez de custos de investimento: em vez de investir pesado em data centers e servidores, a computação em nuvem torna possível trabalhar pagando apenas pelos recursos de computação que são realmente usados.

  • Capacidade flexível: não há mais incertezas na determinação dos requisitos de capacidade da infraestrutura. Os clientes podem acessar tanta ou tão pouca capacidade conforme necessário e essa capacidade pode ser ajustada à sua demanda, em curto prazo conforme desejado.

Tipos de serviços em nuvem

A computação em nuvem consiste em três tipos principais, comumente chamados de:

  • Infraestrutura como serviço (IaaS),
  • Plataforma como serviço (PaaS) e
  • Software como serviço (SaaS).

Escolher o tipo certo de computação em nuvem consiste em conhecer suas necessidades para atingir um nível ideal de controle sem se preocupar com tarefas desnecessárias. A Microsoft define esses tipos da seguinte forma:

Infraestrutura como serviço (IaaS): é a categoria mais básica de serviços de computação em nuvem. Com IaaS, você aluga infraestrutura de TI – servidores e máquinas virtuais (VMs), armazenamento, redes, sistemas operacionais – de um provedor de nuvem com pagamento conforme o uso.

Plataforma como serviço (PaaS): refere-se a serviços de computação em nuvem que fornecem um ambiente sob demanda para desenvolver, testar, entregar e gerenciar aplicativos de software. PaaS é projetado para tornar mais fácil para os desenvolvedores criarem aplicativos web ou móveis rapidamente, sem se preocupar em configurar ou gerenciar a infraestrutura de servidores, armazenamento, rede e bancos de dados necessários para o desenvolvimento.

Software como serviço (SaaS): é um método de entrega de aplicativos de software pela Internet, sob demanda e, normalmente, por assinatura. Com SaaS, os provedores de nuvem hospedam e gerenciam o aplicativo de software e a infraestrutura e lidam com qualquer manutenção, como atualizações de software e patches de segurança. Os usuários se conectam ao aplicativo pela Internet, geralmente com um navegador da web em seu telefone, tablet ou notebook.

Implementações em nuvem

Existem três maneiras diferentes de implantar recursos de computação em nuvem. Eles são conhecidos como: nuvem pública, nuvem privada e nuvem híbrida.

As nuvens públicas pertencem e são operadas por um provedor de serviços em nuvem terceirizado e fornecem recursos de computação como servidores e armazenamento pela Internet usando um navegador da web. Os provedores de nuvem Amazon AWS e Microsoft Azure, são exemplos de nuvem pública.

Uma nuvem privada ou local refere-se a recursos de computação em nuvem usados internamente e exclusivamente por uma única empresa ou organização. A particularidade aqui é que uma nuvem privada pode estar fisicamente localizada no datacenter da empresa, com recursos exclusivos e dedicados a ela.

Uma combinação de nuvens públicas e privadas leva ao que chamamos de nuvem híbrida. A vantagem aqui é que uma nuvem híbrida permite que dados e aplicativos sejam compartilhados entre elas. Ao permitir que dados e aplicativos se movam entre nuvens privadas e públicas, os clientes desfrutam de maior flexibilidade e mais opções de implantação.

Quais critérios usar para decidir por um provedor de nuvem?

Costumeiramente, costuma-se dizer os administradores de negócios não decidem por um provedor de nuvem e sim, por uma estratégia de nuvem para manter a capacidade e flexibilidade de selecionar diferentes serviços de diferentes provedores. Hoje existem vários fornecedores de infraestrutura de nuvem. Eles se tornaram uma alternativa para quem precisa de uma plataforma segura e robusta. A ideia é permitir que as pessoas projetem sua infraestrutura em nuvem de acordo com seus requisitos específicos, seja como um modelo de serviço, uma versão local em ambientes de TI ou como uma variante híbrida. Além disso, todos os modelos de serviço em nuvem, desde Infraestrutura como Serviço (IaaS), Plataforma como Serviço (PaaS) e Software como Serviço (SaaS) e outros, fazem parte de uma plataforma. Tudo isso fica disposto em um catálogo interno de soluções do provedor se nuvem. Alguns catálogos chegam a oferecer mais de 200 soluções, em mais de 30 categorias diferentes, alguns gratuitos e outros sob demanda, bem como a oportunidade de fazer upload também de outros aplicativos e ferramentas de desenvolvimento de forma ágil, simples e segura; tudo isso com suporte pessoal e modelos de preços competitivos, conectividade de API para transferências fáceis e rápidas de desenvolvimentos existentes de ou para outras plataformas de nuvem. Todos esses pontos geram vantagem competitiva para sua empresa, seja em valor agregado, economia de recursos ou agilidade.

Benefícios e preocupações

  • Valor:
    • Experiência do usuário.
    • Foco no cliente e no Alinhamento Estratégico.
  • Objetivos: Flexibilidade e velocidade.
    • Gerenciamento incerto Escopos difíceis de serem definidos.
    • Requisitos incertos ou passíveis de constante alteração, tanto no Piloto e Experimental.
  • Cultura:
    • Foco no Negócio e/ou no produto a ser desenvolvido
    • Próximo do cliente
    • Direcionado pelo planejamento estratégico da organização, assim como pelo planejamento de TI.
  • Requerimentos:
    • Requisitos são incertos e funcionalidades mudam constantemente.
    • Escopo difícil de ser bem definido, principalmente no início do projeto.
    • Capacidade dos ambientes são imprevisíveis.
    • Crescimento ocorre conforme a demanda do negócio.
  • Frequências de mudanças:
    • Alta (Dias ou Semanas),
    • Mudanças rápidas e mais frequentes,
    • Necessidade contínua de deploy em ambientes produtivos.
  • Necessidade de Tecnologias:
    • Tecnologias podem ser imaturas
    • Fornecedores podem ser pequenos ou imaturos,
    • Contratos de curto prazo.
  • Modelo de gerenciamento:
    • Métodos ágeis de gerenciamento de projeto,
    • Práticas e princípios de Dev/Sec/Ops,
    • Gerenciamento e deploy de soluções de maneira automatizada.

Lembre-se: na sua jornada para a nuvem, será necessário avaliar criteriosamente os modelos contratuais dos serviços, principalmente as regras de saída de um provedor de nuvem a fim de evitar o “Lock-in”. Algumas vezes, esse tipo de análise é negligenciado, ao se contratar um serviço em nuvem. Lembre-se de que dificilmente você será um cliente estratégico para um grande provedor de nuvem, seja qual for o tamanho da sua operação. A nuvem é global e tanto faz para o provedor o tamanho de sua organização, pois ele terá tantos outros clientes iguais ou até maiores do que a sua empresa. Por isso a análise do modelo de contratação de um serviço em nuvem passa a ser uma atividade de extrema importância para a TI.

10/02/2021

A Ciência e as implicações da Crise Covid


The Public Face of Science foi lançado há quatro anos pela Academia Americana de Artes e Ciências para compreender melhor a complexa relação entre cientistas e o público americano. A iniciativa já publicou três relatórios.

O primeiro, Perceptions of Science in America, foi publicado em 2018. Ele reporta que a maioria dos americanos expressa grande confiança na comunidade científica, uma confiança que se manteve estável nos últimos trinta anos. Mas, também descobriu que a confiança na ciência varia de acordo com dados demográficos, incluindo idade, raça, nível de escolaridade, localização regional, filiação política e outras características.

O relatório recomendou pesquisas adicionais para entender melhor por que certos tópicos eram particularmente controversos, especialmente mudanças climáticas, segurança de vacinas e alimentos geneticamente modificados.

Esse relatório foi seguido pelo Encountering Science in America, publicado em 2019. Este segundo relatório explorou a diversidade de crescentes oportunidades para as pessoas aprenderem sobre ciências fora da sala de aula, incluindo visitas a centros de ciências e museus, fontes de notícias gerais, informações online, mídia social e entretenimento. Ele concluiu que tal cenário complexo exige uma abordagem multifacetada para a face pública da ciência e recomendou pesquisas adicionais para entender melhor como comunicações e compromissos eficazes moldam o interesse do público em sua compreensão e apoio à ciência.

Priorities for the Future, o terceiro e último relatório, foi publicado em agosto de 2020. Embora o relatório não aborde diretamente as implicações da Covid-19 para a iniciativa Pública da Ciência, ele o faz em um documento anexo que destaca o papel crítico desempenhado pela ciência para garantir o bem-estar dos indivíduos e da sociedade durante a pandemia.

A experiência com COVID-19 reforça a necessidade de um trabalho cuidadoso contínuo para abordar o acesso público a conteúdo científico confiável e para aumentar a capacidade do público de identificar e rejeitar informação e desinformação (informações intencionalmente falsas).

Uma pesquisa recente do Pew Research Center mostra, de maneira geral, que o público tem cada vez mais confiança na ciência, em particular na ciência médica, e isso obviamente é reconfortante”.

No entanto, a pesquisa também revela que a ideologia política se estende a atitudes em relação à ciência médica,

uma questão na qual os republicanos conservadores desconfiam mais do consenso científico do que os democratas liberais. Essa divergência, é claro, tem um impacto importante na implementação de políticas para enfrentar a pandemia. Isso reforça a importância de nossas recomendações para buscar entender e fechar as lacunas entre o consenso científico e o entendimento público.

O relatório está organizado em torno de três prioridades principais e aqui vai um resumo das conclusões e recomendações de cada uma das prioridades.

Capacitar a comunidade científica

A comunidade científica deve aumentar sua capacidade de engajamento com o público, bem como sua valorização e compreensão das habilidades necessárias para fazê-lo. A comunidade também deve contar com conhecimentos de uma variedade de campos além da ciência e da engenharia, incluindo comunicações, relações públicas, educação e ciências sociais e comportamentais.

Para apoiar essa prioridade, o relatório recomenda uma série de ações, incluindo:

  • Integrar comunicação científica e competências de engajamento em programas de graduação e pós-graduação STEM;
  • Garantir que as sociedades científicas tenham os recursos adequados para comunicações e compromissos eficazes;
  • Aumentar a capacidade de apoiar comunidades científicas e compromissos em instituições de ensino superior;
  • Designar uma equipe dedicada para conectar e apoiar tais atividades em diferentes disciplinas acadêmicas; e
  • Incluir a participação em atividades de comunicação científica nas decisões de promoção e posse.

Moldar a narrativa em torno da ciência.

As discussões sobre ciência na mídia jornalística, plataformas digitais, documentários e entretenimento têm um grande impacto na percepção pública. Eles não apenas aumentam a conscientização sobre o tópico que está sendo discutido, mas também formam opiniões e confiança na ciência. Além disso, as comunicações científicas devem abordar o problema crescente de informação e desinformação que corrompem a confiança pública na legitimidade dos resultados científicos, o que, no caso de questões como COVID-19, pode resultar em perigo para todos. Para apoiar esta prioridade, o relatório recomenda:

  • Abordar a descaracterização da informação científica explicando cuidadosamente os processos usados para chegar a um consenso científico, destacando questões para as quais no momento não temos resposta e, portanto, precisamos de pesquisas adicionais;
  • As sociedades científicas devem desenvolver planos de ação que as ajudem a responder rapidamente a grandes descaracterizações e desinformação;
  • As instituições de ensino superior devem desenvolver workshops para ajudar os jornalistas a compreender os principais avanços científicos e como eles surgiram; e
  • Jornalistas e editores devem ter acesso a fontes, fichas técnicas, recursos e acesso a especialistas em tópicos científicos de impacto, especialmente aqueles que tratam de assuntos polêmicos.

Desenvolver suporte sistêmico para esforços de engajamento científico

Conforme discutido anteriormente, as pessoas geralmente encontram a ciência por meio de um conjunto diversificado e crescente de experiências. Dada a complexidade e amplitude dos avanços científicos, é importante adotar uma abordagem sistêmica para melhorar a compreensão do público sobre os tópicos discutidos. Isso requer estreita coordenação e compartilhamento de recursos entre as instituições participantes e profissionais. As ações recomendadas para esta prioridade final incluem:

  • Apoiar o desenvolvimento de centros, bancos de dados e abordagens práticas que ajudarão a conectar profissionais para que possam compartilhar recursos e melhores práticas;
  • As organizações envolvidas em comunicações científicas e engajamento devem colaborar em áreas de interesses comuns;
  • Diversidade, equidade e inclusão com a comunidade em geral devem ser incorporadas em todos os aspectos desses esforços;
  • A indústria, as universidades e o governo devem fazer parceria com instituições locais – por exemplo, escolas, bibliotecas, museus, centros de ciências – para apoiar e fortalecer seus esforços de engajamento científico; eAumentar os recursos necessários para avaliar os resultados e o impacto de longo prazo das atividades de comunicação e engajamento da ciência.

No século XXI, a ciência continuará a ter uma influência profunda na vida diária e no bem-estar das pessoas”, concluiu o relatório Priorities for the Future.

As atitudes das pessoas em relação à ciência e as maneiras pelas quais elas se envolvem com o conteúdo científico impactarão em tudo, desde sua curiosidade sobre descobertas científicas até a tomada de decisão baseada em evidências e seu desejo de participar da ciência … Estamos em um momento em que o entusiasmo e o apoio à comunicação científica e ao engajamento pode ser aproveitado para um maior impacto por meio de esforços em larga escala para desenvolver capacidades. As metas e áreas prioritárias neste relatório oferecem um ponto de partida para ações de longo prazo.

O verdadeiro negócio do Blockchain


Empresas em setores tão diversos como finanças, esportes, saúde, varejo, petróleo e gás e farmacêutico estão se envolvendo em uma onda de experimentos de blockchain”,

Escreveram os analistas do Gartner David Furlonger e Christophe Uzureau em seu livro The Real Business of Blockchain.

Muitos o veem como a solução para trazer confiança e transparência aos ambientes digitais.

O Blockchain realmente tem capturado a imaginação do mundo dos negócios. De acordo com uma previsão de pesquisa do Gartner, o valor agregado do blockchain deve ultrapassar US $ 3 trilhões em 2030, mais da metade desse valor, já será alcançado em 2025. Mas, em linguagem simples, o que tudo isso significa?

Isso significa que você pode, teoricamente, fazer negócios com um parceiro desconhecido localizado em qualquer lugar do planeta e negociar qualquer ativo em qualquer tamanho de transação e não precisa de um advogado, um banco, uma seguradora ou qualquer outro intermediário, certificando-se de que ambos sigam em frente o que se prometeu fazer”,

escrevem os autores do livro. “Essa solução expande amplamente a gama de ativos que uma empresa pode negociar. O acordo também aumenta muito com quem ou com o que uma empresa pode negociar diretamente, sem a necessidade de terceiros (que ficariam com uma parte do valor).

Blockchain surgiu por volta de 2008 como o livro-razão público e distribuído para a criptomoeda Bitcoin. Ele combinou uma série de tecnologias e métodos existentes em uma arquitetura verdadeiramente inovadora. O livro explica que um blockchain, funcionando de forma correta, inclui cinco elementos principais:

Distribuição. O Blockchain permite que seus participantes fisicamente distribuídos, compartilhem um livro-razão digital, distribuído pela Internet e troquem informações sem precisar de um intermediário confiável. Cada participante mantém uma cópia completa do livro razão, que é atualizada em tempo real à medida que novas transações ocorrem.

Criptografia. O Blockchain criptografa todos os dados armazenados no livro-razão, bem como os dados que fluem pela rede usando tecnologias de chaves públicas e privadas. Os participantes controlam com quem eles compartilham informações para cada transação específica.

Imutabilidade. Uma vez que as informações são criptografadas, com registro de data e hora e adicionadas ao livro razão, não podem ser alteradas, a menos que todos os participantes concordem.

Tokenização. Os blockchains oferecem suporte à troca segura de valor na forma de tokens.

Os tokens podem funcionar como representações digitais de ativos físicos, como um mecanismo de recompensa para incentivar os participantes da rede ou para permitir a criação e troca de novas formas de valor.

Descentralização. Cada participante do blockchain tem uma cópia criptografada idêntica do livro razão.

Um mecanismo de consenso operado por cada nó completo, verifica e aprova as transações. Essa estrutura descentralizada e orientada por consenso, elimina a necessidade de governança por uma autoridade central e atua como uma proteção contra fraudes e transações incorretas.” …

O livro razão em um blockchain é muito diferente de um banco de dados. Um banco de dados é um repositório geral de informações, que pode ser lido, escrito, excluído e alterado conforme apropriado. Este claramente não é o caso com o livro razão de um blockchain. A criptografia é uma opção em bancos de dados, mas absolutamente obrigatória no blockchain. Uma base de dados distribuída é geralmente gerenciada por um administrador central, não por um mecanismo de consenso entre todos os seus participantes, como é o caso do blockchain.

O Blockchain tem o potencial de transformar indústrias e economias, mas ainda está evoluindo, como é o caso de qualquer tecnologia em seus estágios iniciais de maturidade. Ele ainda precisa cruzar o abismo de um mercado dominado por pioneiros para um mercado mais amplo. Atualmente, muitas soluções de blockchain estão nas fases iniciais de desenvolvimento e experimentação e usam alguns dos cinco elementos descritos no livro.

De acordo com nossa pesquisa, a arquitetura de dados tradicional poderia ter se saído tão bem ou melhor que o blockchain em 85 por cento desses projetos.

Há uma grande quantidade de informações contraditórias em torno do blockchain. Em 2016, o blockchain fez sua primeira aparição nos ciclos anuais de campanha publicitária do Gartner. Em 2018, ele já havia ultrapassado o pico da expectativa e estava começando a cair no vale da desilusão. Quase todos concordam que, com o tempo, o blockchain tem o potencial de se tornar uma tecnologia verdadeiramente transformadora. Mas, o hype em torno do blockchain torna difícil definir não apenas seu valor estratégico de longo prazo, mas também o que realmente é e o que não é no presente.

Para explicar melhor seu valor no mundo real, Furlonger e Uzureau criaram o espectro de blockchain do Gartner com base nas experiências de centenas de clientes. O espectro consiste em três fases, que são explicadas em detalhes no livro e ajudam a ilustrar como o blockchain provavelmente evoluirá nos próximos 10-15 anos.

Fase 1: Inspirado no Blockchain. A primeira fase começou por volta de 2012 e foi até o início de 2020. Nesta primeira fase, as empresas estavam entrando na curva de aprendizado explorando a tecnologia por meio de provas de conceito e pilotos. Essas soluções inspiradas em blockchain usam apenas três dos cinco elementos: distribuição, criptografia e imutabilidade. Eles visam a reengenharia de processos manuais existentes e melhorar a eficiência em empresas individuais, indústrias ou ecossistema da cadeia de suprimentos. Alguns incorporam tokens de forma muito limitada. Poucos abraçam a descentralização, o mais difícil dos cinco elementos.

As soluções inspiradas no Blockchain são geralmente centralizadas, com permissão, proprietárias e orientadas para a empresa. O Gartner espera que os principais desafios técnicos necessários para atingir blockchains confiáveis e seguros em escala empresarial serão resolvidos até 2025.

Enquanto isso, o mercado tem centenas de experimentos em andamento, mas poucas implementações completas. Apenas 3% dos 2.871 chief information officer (CIO) entrevistados na pesquisa CIO de 2019 do Gartner disseram ter um blockchain ativo e operacional para seus negócios, e outros 8% dos entrevistados estão em planejamento de curto prazo ou em execução piloto. Poucas ou nenhuma dessas implementações usam todos os cinco elementos do blockchain.”

Fase 2: Blockchain-Completo. Implementadas com todos os cinco elementos, as soluções completas de blockchain oferecem a proposta de valor total do blockchain. Eles incluem tokens operando em um ambiente descentralizado usando contratos inteligentes, o que permite a criação de novos ativos digitais que podem ser negociados de forma autônoma. A descentralização permite o uso de consenso para autenticar usuários, ativos e transações.

Nenhuma empresa ou governo convencional que conheçamos está construindo soluções completas de blockchain ainda. Muitas startups estão fazendo isso, no entanto, e algumas provavelmente ganharão impulso no mercado no início de 2020, com mais escala aparente após 2025. Embora não seja imediata, a proliferação de soluções completas de blockchain empurrará as organizações a explorar novas maneiras de operar em maior grau da descentralização do que agora.

Fase 3: Blockchain aprimorado. Em algum momento depois de 2025, as redes de blockchain começarão a adotar uma série de tecnologias complementares e avançadas, especialmente IA, IoT e soluções de identidade. Os blockchains serão então capazes de lidar com um número muito maior de pequenas transações e microtransações suportadas por contratos inteligentes sem a necessidade de intervenção humana. Esses blockchains ajudarão a criar novos mercados ao expandir os tipos de ativos que podem ser monetizados e trocados como tokens digitais. Além disso, as soluções de identidade descentralizadas permitirão aos participantes de uma rede blockchain aprimorada proteger seus dados pessoais em uma carteira digital e compartilhá-los de acordo com regras pré-estabelecidas.

“À medida que novas formas de valor se tornam online com soluções de blockchain aprimoradas, as empresas também inovam em novos modelos de negócios usando estruturas operacionais descentralizadas. As organizações serão tecnicamente capazes de delegar a tomada de decisões econômicas às “coisas”,

que vão agir de forma autônoma e de acordo com os termos definidos em um contrato inteligente executado no blockchain. Essas coisas aprimoradas poderiam remover humanos da transação e, eventualmente, mover as redes de blockchain em direção a transações completamente autônomas e, em última instância, ao estabelecimento de organizações autônomas descentralizadas.

Pensamento Sistêmico


No post, Preparando alunos para negócios complexos, abordei as questões que os alunos precisam estar preparados para atuar em situações que envolvem complexidade em suas decisões. Eles precisam, mais do que nunca, estar preparados para a aprender, adaptar e influenciar e nesse contexto a adaptabilidade, o pensamento 360º, a curiosidade intelectual, a competência cultural e a empatia são os pontos fortes de quem almeja não só ter uma formação acadêmica adequada ao novo contexto de competências, mas também estar preparado para ser líder e se destacar no mercado.

Isso tudo está de acordo com o que Peter Senge escreveu, em um dos seus principais trabalhos: A quinta disciplina, considerado pelo Financial Times um dos cinco maiores livros de negócios de todos os tempos, ele apresenta técnicas convincentes para uma organização empresarial de sucesso, onde o aprendizado é colocado como o ponto de vantagem competitiva, não só pessoal, mas de empresas e de países e o pensamento sistêmico, seria então o ponto chave para os melhores resultados, ao longo dos anos.

Vamos falar um pouco mais sobre pensamento sistêmico. A aplicação do pensamento sistêmico no trabalho lhe traz a possibilidade de olhar para os problemas de negócios de novas maneiras. O site The System Thinker, no artigo de Michael Goodman, traz dicas importantes, que oferecem suporte a essa abordagem.

O que envolve o pensamento sistêmico?

A disciplina de pensamento sistêmico é mais do que apenas uma coleção de métodos – é também uma filosofia. Muitos são atraídos por ferramentas, como diagramas e simuladores de gerenciamento, na esperança de que essas ferramentas os ajudem a lidar com problemas de negócios reais. Mas o pensamento sistêmico também é uma sensibilidade pessoal do mundo em que vivemos; uma consciência do papel da criação das condições que enfrentamos; um reconhecimento de que existem leis poderosas de sistemas operacionais, das quais não temos conhecimento e que existem consequências para nossas ações, as quais não percebemos.

O pensamento sistêmico também é uma ferramenta de diagnóstico. Como na área médica, o tratamento eficaz segue um diagnóstico completo. Nesse sentido, o pensamento sistêmico é uma abordagem disciplinada para examinar os problemas de forma mais completa e precisa, antes de agir. Isso nos permite fazer perguntas melhores antes de tirar conclusões precipitadas. Os japoneses são incríveis neste contexto. Veja o quadro abaixo:

Comparação do ciclo processual Plan, Do, Check, Act.
Contribuição: Grupo Whatsapp (Wenicia)

Temos muito que aprender com outras culturas. Os processos de negócios conduzidos pelos japoneses, por exemplo, dá muito valor a questão do planejamento; já os brasileiros, dão mais ênfase, ao fazer e agir. Ambos podem chegar ao mesmo resultado, mas a energia gasta em cada um deles determina, muitas vezes o sucesso ou não de cada projeto.

O pensamento sistêmico frequentemente envolve deixar de observar eventos ou dados para identificar padrões de comportamento ao longo do tempo, para trazer à tona as estruturas que conduzem esses eventos e padrões. Ao compreender e mudar as estruturas que não estão nos servindo bem (incluindo nossos modelos mentais e percepções), podemos expandir as opções disponíveis e criar soluções mais satisfatórias e de longo prazo para problemas crônicos.

Em geral, uma perspectiva de pensamento sistêmico requer curiosidade, clareza, compaixão, escolha e coragem. Esta abordagem inclui a vontade de ver uma situação mais plenamente, de reconhecer que estamos inter-relacionados, de reconhecer que muitas vezes existem várias intervenções para um problema e de defender intervenções que podem não ser populares.

Por que usar o pensamento sistêmico?

O pensamento sistêmico expande o leque de opções disponíveis para resolver um problema, ampliando nosso pensamento e ajudando-nos a articular problemas de maneiras novas e diferentes. Ao mesmo tempo, os princípios do pensamento sistêmico nos tornam conscientes de que não existem soluções perfeitas; as escolhas que fazemos terão impacto em outras partes do sistema. Ao antecipar o impacto de cada compensação, podemos minimizar sua gravidade ou até mesmo usá-la em nosso próprio benefício. O pensamento sistêmico, portanto, nos permite fazer escolhas informadas. Ele também é valioso para contar histórias reais que descrevem como um sistema funciona. Por exemplo, a prática de desenhar diagramas, força uma equipe a desenvolver e compartilhar imagens ou histórias de uma situação e como ela foi resolvida. Essa histórias são veículos eficazes para identificar, descrever e comunicar a compreensão dos sistemas, especialmente em grupos.

Quando usar o pensamento sistêmico?

Quanto temos problemas com as seguintes características lógicas:

A questão é importante.
O problema é crônico, não um evento único.
O problema é familiar e tem uma história conhecida.
As pessoas já tentaram sem sucesso resolver o problema antes.

Por onde começar?

Ao abordar um problema, evite atribuir culpas (isso gera discussão!). Em vez disso, concentre-se nos itens que as pessoas parecem estar ignorando e tente despertar a curiosidade do grupo sobre o problema em discussão. Para focar a conversa, pergunte: “O que há nesse problema que não entendemos?”

Além disso, enfatize a estrutura do iceberg. Peça ao grupo que descreva o problema de três ângulos ou perspectivas: eventos, padrões e estrutura (veja “O Iceberg”).

Muitas vezes presumimos que todos têm a mesma imagem do problema ou que possuem as mesmas informações. Portanto, é importante obter diferentes perspectivas para garantir que todos os pontos de vista sejam representados e que as soluções sejam aceitas pelas pessoas que precisam implementá-las. Ao investigar um problema, envolva pessoas de vários departamentos ou áreas funcionais; você pode se surpreender ao saber como os modelos mentais deles são diferentes dos seus.

Como usamos as ferramentas de pensamento sistêmico?

Diagramas de Loop Causal: Primeiro, lembre-se de que menos é mais. Comece pequeno e simples; adicione mais elementos à história conforme necessário. Mostre a história em partes. O número de elementos deve ser determinado pelas necessidades da história e das pessoas que usam o diagrama. Uma descrição simples pode ser suficiente para estimular o diálogo e fornecer uma nova maneira de ver um problema. Em outras situações, você pode precisar de mais loops para esclarecer as relações causais que estão surgindo.

Também tenha em mente que as pessoas geralmente pensam que um diagrama deve incorporar todas as variáveis ​​possíveis de uma história; Isto não é necessariamente verdade. Em alguns casos, existem elementos externos que não mudam muito lentamente ou cujas mudanças são irrelevantes para o problema em questão. Você pode complicar as coisas, incluindo muitos detalhes, especialmente aqueles sobre os quais você tem pouco ou nenhum controle. Alguns dos loops mais eficazes revelam conexões ou relacionamentos entre partes da organização ou sistema que o grupo pode não ter notado antes. Não se preocupe se um loop está “certo”; em vez disso, pergunte-se se o loop reflete com precisão a história que seu grupo está tentando retratar. Loops são descrições abreviadas do que percebemos como realidade atual; se refletem essa perspectiva, estão “certos” o bastante.

Como sabemos se estamos indo bem?

  • Você está fazendo perguntas diferentes das que fazia antes.
  • Ao ouvir um comentário, levanta uma bandeiras de advertência. Por exemplo, você se pega pensando na discussão: “O problema é que precisamos de mais (pessoas de vendas, receita)”.
  • Você está revelando modelos mentais (tanto os seus quanto os dos outros).
  • Você está reconhecendo os pontos de alavancagem das histórias de sistemas clássicos.
  • Depois de começar a usar o pensamento sistêmico para investigação e diagnóstico, você pode querer avançar para maneiras mais complexas de modelar sistemas e diagramas de fluxo, simuladores de gerenciamento ou software de simulação. Ou você pode descobrir que adotar uma perspectiva de pensamento sistêmico e usar diagramas de loop causal fornecem insights suficientes para ajudá-lo a resolver problemas. Não importa como você prossiga, o pensamento sistêmico mudará para sempre a maneira como você pensa sobre o mundo e aborda as questões.

Dicas

  • Pratique com frequência, usando artigos de jornal e manchetes do dia.
  • Use o pensamento sistêmico no trabalho e em casa.
  • Use o pensamento sistêmico para obter uma visão de como os outros podem ver um sistema de forma diferente.
  • Aceite as limitações de não ter experiência; pode demorar um pouco para se tornar hábil no uso das ferramentas.
  • Quanto mais prática, mais rápido será o processo!
  • Reconheça que o pensamento sistêmico é uma prática para toda a vida.

09/02/2021

A natureza mutável do talento técnico

 


Um tema importante que sempre gosto de tratar é a importância do talento técnico e como isso pode impactar pessoas, empresas e países que queiram se destacar no século 21. Aprender, Adaptar e Influenciar. Esse é um dos motivos pelo qual este blog chama-se Fluência Digital.

Estamos vivendo em um mundo cada vez mais complexo, em constantes mudanças, aberto, integrado e global, onde por várias vezes ouvimos algo como: “vivemos em um mundo On Demand”.

Em tal mundo, a capacidade de analisar e resolver problemas, mesmo aqueles que você nunca viu antes, é particularmente importante, assim como a capacidade de trazer rapidamente ao mercado novos produtos, serviços e soluções integradas de todos os tipos. A tecnologia e a inovação são absolutamente críticas para se competir nesse mundo e, como na Iniciativa de Inovação, os estudos têm apontado para ser o grande diferencial, somado ao talento, especialmente o talento técnico, como sendo essencial para a inovação.

Como a tecnologia continua a permear todos os aspectos dos negócios e da sociedade, os requisitos de talento técnico para o século 21 estão mudando. No passado, os matemáticos cientistas e engenheiros eram encontrados principalmente fazendo pesquisas e projetando novos produtos em laboratório. Porém, cada vez mais, os empolgantes problemas e oportunidades baseados em tecnologia são encontrados no mercado, ajudando empresas, governos e outras instituições a aproveitarem os avanços da tecnologia para transformar seus processos, organizações e modelos de negócios. E, como resultado da Internet e seus padrões relacionados, encontrar soluções como o Grid Computing e a Arquitetura Orientada a Serviços, que possibilitaram integrar processos de negócios, informações e pessoas dentro do negócio, bem como com clientes, fornecedores e praticamente todos as outras cadeias de produção. Como resultado, os problemas que agora podemos resolver são significativamente mais amplos, diversificados e complexos, exigindo um grau de colaboração muito maior do que antes.

Então, como preparar os alunos técnicos, digamos nas faculdades e universidades, em seus cursos de Tecnologias, para esses novos tipos de requisitos que devem combinar competência técnica com compreensão de negócios e habilidades de comunicação e pessoas?

Vários estudos têm sido feitos para abordar essa questão, como este sobre a reestruturação do ensino de engenharia pela National Science Foundation, que visa tornar a engenharia mais diversificada, ampla e voltada para o futuro. E organizações como a ABET, que credenciam programas educacionais de faculdades e universidades em áreas técnicas, publicaram seus “Critérios para Programas de Credenciamento de Engenharia“, que lista as competências que esperam que todos os graduados em engenharia alcancem. Além de competências “clássicas” como “Capacidade de projetar e conduzir experimentos, bem como de analisar e interpretar dados”, agora incluem requisitos como:

  • Capacidade de trabalhar em equipes multidisciplinares,
  • Capacidade de comunicação efetiva, e o
  • Reconhecimento da necessidade e a capacidade de se engajar na aprendizagem ao longo da vida.

Este último tópico acima é fascinante! Eu me formei em uma pequena e nova faculdade, na cidade de São Paulo, Brasil, que teve a primeira turma de Sistemas de Informação, no início de 2001, formando esta turma, no final de 2004. A faculdade recebeu, na época, incentivos para buscar novas abordagens para o ensino de Sistemas e eu e minha turma tivemos a honra de participar deste projeto onde recebemos não só orientações técnicas, como também, noções de direito, empreendedorismo e comunicação. Os objetivos educacionais do curso nos ajudaram a melhor entender o mundo e suas complexas demandas e como a tecnologia tem um papel fundamental sobre os negócios. Costumo dizer que, em um curso de quatro anos, conseguimos abordar ciência e tecnologia, empresa e sociedade; e me ajudou a me engajar para a aprendizagem ao longo da vida. E até hoje sigo aprendendo, adaptando e influenciando pessoas, processos e produtos por onde vou.

Se o talento técnico é mais importante do que nunca para o século 21, temos um grande desafio pela frente para convencer os jovens, que a educação técnica e carreiras técnicas como ciências, matemática e engenharias são importantes e deveriam ser mais desejadas e vistas como carreiras que envolvem trabalho em equipes para resolver problemas reais.

As áreas onde o talento técnico é mais necessário são precisamente aquelas que abordam esses problemas sociais e de negócios do mundo real aos quais agora podemos aplicar a tecnologia, trabalhando em equipes com habilidades diversas, muitas vezes com pessoas de todo o mundo. Precisamos de alguma forma divulgar que os requisitos da carreira técnica são muito mais amplos agora, e realmente precisamos acelerar os programas educacionais para unir melhor a ciência e a tecnologia com habilidades de negócios e artes liberais. Este é um desafio muito importante e difícil que requer um esforço considerável de todos nós.

08/02/2021

Devo mudar meu app de mensagens?

 


O WhatsApp se tornou o aplicativo de mensagens preferido para grande parte do mundo. E isso por um bom motivo: é um aplicativo leve, que funciona bem com todos os smartphones, antigos e novos. São mais de 5 bilhões de downloads no Google Play e muito mais em outras plataformas como iOS, é seguro dizer que pelo menos uma boa parte de toda a população mundial está no WhatsApp e não se pode competir de forma realista contra um aplicativo de comunicação desta magnitude. A menos que ele mesmo possa fazer algo que mude a opinião de seus usuários, como por exemplo, apresentar um serviço de má qualidade, que não é o caso aqui; mas há poucos dias, o WhatsApp tentou introduzir políticas de privacidade mais invasivas (em seguida, atrasou-as após a reação das pessoas) e os usuários começaram a migrar para outros aplicativos concorrentes.

Você faz parte destas pessoas? Então, quais foram as suas alternativas? Hoje vamos falar em duas alternativas principais: Telegram e Signal, que são os dois aplicativos que se tornaram os mais populares, após os problemas do WhatsApp. Vamos dar uma olhada e comparar o WhatsApp com esses outros dois.

Signal: muito bom em privacidade e segurança.

Se segurança e criptografia são o que você procura, então o Signal é o melhor que você pode encontrar, nesses quesitos.

Ele é totalmente desenvolvido em código aberto, tanto no lado do servidor quanto no lado cliente, isso significa que, tudo o que o aplicativo faz com as informações é totalmente transparente. O aplicativo é totalmente livre de anúncios e desenvolvido, mantido e financiado pela Signal Foundation, que é totalmente sem fins lucrativos, ao contrário do WhatsApp, que pertence ao Facebook Inc – que se preocupa em primeiro lugar, com os lucros.
O Signal não armazena nenhum dos seus dados e também vem com um monte de recursos focados na privacidade, bem como, criptografia de ponta a ponta para todas as suas mensagens e conversas, de forma que, nada que passe pelo servidor do aplicativo pode ser visto ou interceptado por qualquer pessoa – a mensagem é criptografado no servidor e descriptografada no destinatário. Então, se você se preocupa muito com sua privacidade, o Signal é o seu aplicativo. Ele também é um aplicativo de mensagens bastante amigável. A IU (Interface do Usuário), mas possui poucas variedades e recursos, como o visto de mensagens, histórico de mensagens e ele não tem a mesma base de usuários do WhatsApp ou do Telegram. Ele cresceu muito nas últimas semanas, é verdade, mas são apenas 50 milhões de downloads,

que representa, aproximadamente, 10% dos usuários do Telegram, que recentemente quebrou 500 milhões de instalações, que representa 1% das instalações do WhatsApp, que registra seus 5 bilhões de usuários. Se você tiver a sorte de conhecer pessoas que usem o Signal, então vale muito a pena você usar também, se você se importa muito com a privacidade.

Telegram: muitos recursos

Muitos analistas de segurança apontam que o Signal é mais seguro do que o Telegram.

O aparente lado “negativo” do Telegram é que ele tem um método diferente de criptografia. Enquanto o Signal usa seu próprio protocolo Signal, que criptografa os dados de ponta a ponta, o Telegram não tem criptografia ponta a ponta. Os chats do Telegram são acessíveis em qualquer dispositivo em que você fizer login e os dados são armazenados na nuvem usando um esquema de criptografia simétrica chamado MTProto, desenvolvido internamente pela equipe do Telegram e possuem recursos como

O Telegram está mais para um ecossistema social integrado, quando comparado com outros aplicativos de mensagens. O aplicativo oferece canais e grupos com milhares de pessoas que agem mais como uma comunidades do que apenas chats em grupo. Ele também tem uma base instalada diversificada para iOS e Android. E é absolutamente repleto de recursos. Só para mencionar alguns deles, há suporte para bots que adicionam funcionalidade extra ao aplicativo, bem como para chats em grupo, há adesivos animados, tornando o aplicativo muito personalizável; possui pastas de bate-papo, permite que você use mais de um número de telefone (ou não use nenhum)… Eu poderia continuar por muito tempo falando, mas você pode saber mais informações aqui. E ele também tem uma base de usuários bastante estável: com o recente problema do WhatsApp, a equipe do Telegram anunciou recentemente que ultrapassou 500 milhões de usuários ativos, um novo marco que ainda é muito menor do que o WhatsApp, mas ele responde bem às demanda atual e parece estar totalmente preparado para o que está por vir.

WhatsApp: a escolha popular

Por fim, temos que comparar o WhatsApp com as duas outras opções acima. O WhatsApp na verdade oferece criptografia de ponta a ponta para tudo, incluindo mensagens, chamadas, e chamadas de vídeo, e usa o mesmo protocolo que o Signal, o protocolo Signal. Seu histórico de mensagens, no entanto, é armazenado sem criptografia. Na verdade, as preocupações com o aplicativo não são por falta de segurança, mas sim por privacidade.

O WhatsApp é propriedade do Facebook, que não tem exatamente um bom histórico no que diz respeito à privacidade. E as políticas de privacidade mais recentes, que devem entrar em vigor em Maio/2021, tornaram essas preocupações ainda maiores. O WhatsApp coleta muitas informações do usuário, como suas informações pessoais, seu número de telefone, sua localização e muito mais, o que certamente chama a atenção de quem se preocupa com a privacidade. Isso poderia ser visto como uma violação ao GDPR. A sigla, que significa General Data Protection Regulation, faz referência à legislação europeia de proteção aos dados. Mais rígida do que sua equivalente brasileira (a LGPD), a GDPR estipula que as empresas precisam ser claras quanto à finalidade dos dados coletados. Você também pode ver no FAQ do WhatsApp, as informações que serão compartilhadas.

O Facebook diz que a finalidade para a coleta de dados é permitir que os usuários entrem em contato direto com as empresas, ao verem um anúncio no Facebook. De acordo com a big tech, usuários que tiverem o WhatsApp instalado em seus celulares poderão enviar mensagens diretamente para as empresas através de um botão, que será incluído na rede social…

O WhatsApp continua popular, e por um motivo principal: a enorme base de usuários. A grande maioria dos usuários de smartphones em escala global, está usando o WhatsApp e, embora a indignação com essas novas políticas tenha feito muitas pessoas mudarem para outros aplicativos alternativos, isso não é o suficiente para roubar o gigantismo do WhatsApp, pelo menos por agora.

Quanto aos recursos, ele vem com uma quantidade considerável de recursos. Suporta videochamadas, adesivos, histórias e, recentemente, até mensagens que desapareceram. Eles também têm um aplicativo especial para empresas, que permite aos usuários baterem papo diretamente com uma empresa para falar de negócios e até mesmo comprar produtos diretamente pelo aplicativo.

Então, qual é o melhor?

Honestamente, depende de quais são suas prioridades e, sem surpresa, quais serviços de mensagens seus amigos e parentes usam. O WhatsApp é o aplicativo de mensagens que uso mais porque é aquele onde está a maioria dos meus amigos e familiares, mas em termos de recursos e experiência geral do usuário, meu favorito é o Telegram. Tanto o WhatsApp quanto o Telegram são considerados um dos melhores aplicativos de mensagens instantâneas.

Então, novamente, se você se preocupa muito com privacidade e tem sorte de ter todos os seus amigos nela (ou você pode fazer com que as pessoas de quem você gosta para baixar o aplicativo), então o Signal é a melhor opção, devido aos recursos focados em privacidade e segurança.

Se você se preocupa com os recursos e ter um aplicativo de mensagens que você pode realmente fazer funcionar da maneira que quiser, então o Telegram é provavelmente a melhor opção para você.

Se você não se preocupa com nenhuma dessas coisas e quer apenas algo que possa usar para alcançar amigos e familiares, então o WhatsApp é, no momento, provavelmente a melhor opção para você. Isso pode mudar no futuro. O WhatsApp pode se enfraquecer aos poucos, à medida que os outros dois grandes players crescem, mas por enquanto, isso não é uma realidade. Se você realmente deseja se livrar do WhatsApp, talvez o melhor meio-termo seja usar Signal e Telegram – Signal para qualquer coisa que valha a pena manter particular, e Telegram para todos os seus demais recursos.

05/02/2021

O que deve-se saber sobre as interrupções massivas da Internet


Este é o título do artigo (em português) da Internet Society, uma organização global sem fins lucrativos que capacita as pessoas a manter a Internet como uma força aberta, globalmente conectada, segura e confiável.

O artigo foi publicado originalmente em novembro de 2017 e atualizado em dezembro de 2019.

Introdução

As restrições ao acesso à Internet estão aumentando globalmente, com notícias freqüentes de interrupções do acesso à Internet ordenadas por governos. Impulsionados em grande parte por preocupações políticas e de segurança nacional, os desligamentos da Internet ordenados pelo estado já se tornaram o “novo normal” em muitos países.

As Nações Unidas consideram desproporcional o corte do acesso dos usuários à Internet, independentemente da justificativa fornecida, inclusive com base na violação da lei de direitos de propriedade intelectual, e, portanto, uma violação do Artigo 19, Parágrafo 3, do Pacto Internacional sobre Direitos civis e políticos. Também apela a todos os Estados para que garantam que o acesso à Internet seja mantido em todos os momentos, inclusive durante os momentos de agitação política.

Em um momento em que governos de todo o mundo se comprometem em alavancar esforços para ampliar o alcance e poder da Internet e das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) para alcançar as metas das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, em áreas como educação, saúde e crescimento econômico; isolar populações inteiras da Internet é exatamente o oposto do compromisso firmado.

Este artigo destaca uma série de externalidades associadas ao desligamento da Internet e pede aos formuladores de políticas que “repensem” ao considerar restringir o acesso a Internet, como meio de enfrentar desafios políticos.

Definição de o “Desligamento da Internet”

Um desligamento da Internet é uma interrupção massiva intencional das comunicações baseadas na Internet, tornando-as inacessíveis ou efetivamente indisponíveis, para uma população ou uma região geográfica, muitas vezes para exercer controle sobre o fluxo de informações. O desligamento da Internet pode ocorrer em nível nacional, onde os usuários de todo o país não conseguem acessar a Internet, ou em nível sub nacional (local), onde o acesso à Internet móvel e / ou fixa de um estado, cidade ou outra área, é interrompido. Para os fins deste documento informativo, o bloqueio de aplicativo / conteúdo deve ser considerado separado e distinto. Consulte as Perspectivas da sociedade da Internet sobre o bloqueio de conteúdo: uma visão geral, para obter informações adicionais.

O que vem acontecendo?

O desligamento da Internet começou a ganhar atenção global durante o levante no Egito em 2011, quando as autoridades fecharam a Internet por quase uma semana para interromper as comunicações dos manifestantes. Desde então, o uso de paralisações da Internet como ferramenta de fins políticos tem aumentado constantemente: de acordo com o Access Now,75 paralisações em 2016;
106 paralisações em 2017;
196 paralisações em 2018; e
114 paralisações em 23 países nos primeiros seis meses de 2019,

de acordo com a Access Now e a Keep It On, a tendência não mostra sinais de desaceleração.

Embora o fenômeno seja global, as tendências atuais indicam que a Índia e o Paquistão lideram com as paralisações mais documentadas, seguidos pelo MENA e as regiões Subsaarianas. Destas paralisações, apenas uma fração é reconhecida pelos governos ou entidades que as ordenaram.

O Access Now observa que os governos que realizam interrupções na Internet, historicamente usam justificativas semelhantes para solicitar interrupções, mas que raramente correspondem ao que os observadores podem concluir ser a verdadeira motivação. Em 2018, as informações oficiais incluíram o combate às “notícias falsas” (apropriadamente chamadas de desinformação e má informação), discurso de ódio e violência relacionada, proteção da segurança pública e nacional, medidas cautelares e prevenção de fraudes, entre outros.

Nesse contexto, um número crescente de governos, empresas, organizações da sociedade civil, órgãos da comunidade técnica e indivíduos têm se manifestado contra o desligamento da Internet. O Keep It On!, já inclui mais de 200 organizações em quase 100 países.

Principais considerações

O desligamento da Internet tem impactos técnicos, econômicos e de direitos humanos de longo alcance. Eles minam a confiança dos usuários na Internet, colocando em movimento toda uma série de consequências para a economia local, a confiabilidade de serviços governamentais online essenciais e até mesmo para a reputação do próprio país. Os políticos precisam considerar esses custos juntamente com os imperativos de segurança.

Impacto Técnico

Quando ocorre uma interrupção completa da Internet em um determinado país, o impacto técnico pode se estender além das fronteiras do país para o resto da Internet global.

Fazer parte de uma rede interconectada significa ter responsabilidade pela rede como um todo, e as interrupções têm o potencial de gerar riscos sistêmicos (desbalanceamentos de tráfego e sobrecargas de roteadores).

Danos intencionais à infraestrutura, como o corte físico de cabos de fibra óptica, é provavelmente o método mais extremo de implementar uma interrupção da Internet. Para vários países, os danos físicos aos cabos de telecomunicações são particularmente problemáticos porque são estados de trânsito. Por exemplo, o Egito está em uma posição geográfica única para ser fisicamente atravessado por vários cabos de alta capacidade que vão do Leste Asiático, ao longo do Oceano Índico, através do Mar Vermelho e através do Mediterrâneo até a Europa Ocidental, conforme mostrado na figura abaixo.

Figura 1: Mapa mostrando vários cabos de telecomunicações cruzando o Egito
Fonte: https://www.treinaweb.com.br/blog/cabos-submarinos-sua-internet-cruzando-oceanos/amp/

Várias das linhas desembarcam no Canal de Suez e passam por terra através do Cairo antes de entrar no Mediterrâneo em Abu Talat ou Alexandria. Cortar cabos de fibra ótica para impedir o acesso do Egito à Internet global seria uma proposta perigosa, pois poderia interromper uma parte significativa das conexões de telecomunicações entre a Ásia e a Europa Ocidental também.

Os serviços ou aplicativos baseados na Web desenvolvidos e hospedados em um determinado país, costumam se tornar populares entre os expatriados e / ou emigrados e costumam ser usados por essas comunidades para manter a comunicação, transferir dinheiro ou comprar mercadorias. Outros serviços e aplicativos, ao ficar indisponíveis, podem afetar toda a cadeia de suprimentos global de uma organização internacional. Embora uma paralisação da Internet, tenha como objetivo interromper o acesso naquele país, ela acaba bloqueando o acesso a serviços e aplicativos do restante da Internet global, interrompendo a comunicação interpessoal crítica, as transações financeiras e os fluxos de trabalho corporativos.

O desligamento da Internet em larga escala também pode ter um impacto prejudicial no sistema de nomes de domínio (DNS). Em algumas situações, os cortes de tráfego são assimétricos: o tráfego da Internet global é impedido de chegar ao país que sofre o corte, mas o tráfego do país ainda é capaz de alcançar a Internet global. Nesse caso, ocorre um aumento nas solicitações de DNS, pois os sistemas do país afetado repetidamente tentam, em vão, resolver os nomes de host – as respostas são enviadas pelos servidores DNS, mas não são recebidas pelos sistemas de origem; que continuam reenviando as solicitações. Dependendo da resiliência da infraestrutura autoritativa de DNS, essa carga pode aumentar o tempo de resposta dos servidores ou fazer com que os servidores fiquem indisponíveis. Além disso, os usuários podem configurar serviços de DNS backup, fora de seus provedores de serviço locais; no momento em que os DNSs locais não conseguirem concluir as pesquisas solicitadas, os DNSs backup passarão a tentar resolver as requisições e isso pode potencialmente resultar no “vazamento” de informações para provedores de serviços de fora do país, bem como na criação de carga adicional inesperada nessas outras infraestruturas.

A política de roteamento da Internet é baseada em relacionamentos entre Sistemas Autônomos (ASs), e os relacionamentos podem ser do tipo cliente-servidor e ponto-a-ponto. Em ambos os casos, as interconexões podem cruzar as fronteiras nacionais e uma rede pode sofrer disponibilidade reduzida e latência aumentada como danos colaterais se a rede do AS vizinho for impactada por um desligamento da Internet, mesmo que os dois estejam em países diferentes.

Por fim, se o desligamento da Internet for usado como um meio direto de bloquear o acesso local a um serviço ou aplicativo específico, o acesso a outros serviços não relacionados também pode ser impactado como dano colateral. Por exemplo, desligar o acesso à Internet para bloquear o acesso aos serviços de mídia social também limitará o acesso local a aplicativos de compartilhamento logístico e táxi, provavelmente criando uma grande interrupção para os serviços de transporte.

Impacto econômico

Os desligamentos da Internet afetam as economias de várias maneiras, afetando a produtividade e gerando perdas monetárias.

Vários estudos determinaram que há um impacto real no Produto Interno Bruto (PIB) dos países. Por exemplo, uma pesquisa da Brookings Institution mostra que o desligamento da Internet custou aos países cerca de US $ 2,4 bilhões entre 1º de julho de 2015 e 30 de junho de 2016, com perdas máximas incorridas pela Índia (US $ 968 milhões). De acordo com um relatório da CIPESA, a África Subsaariana perdeu até US $ 237 milhões com o desligamento da Internet desde 2015. Em países onde a banda larga móvel está aumentando, um relatório da Ericsson de 2017 descobriu que conforme a penetração da banda larga móvel aumenta em 10%, ela causa um aumento de 0,6-2,8% no PIB, o que significa que o desligamento da infraestrutura móvel terá um impacto na economia do país.

Estudo da Deloitte de 2016

Os impactos de um desligamento temporário da Internet crescem à medida que um país se desenvolve e um ecossistema online mais maduro emerge. Estima-se que, para um país altamente conectado à Internet [penetração da Internet > 79%], o impacto diário de um desligamento temporário da Internet e de todos os seus serviços seria em média de $ 23,6 milhões por 10 milhões de habitantes. Com níveis mais baixos de acesso à Internet, os impactos médios estimados no PIB chegam a US $ 6,6 milhões e a US $ 0,6 milhões por 10 milhões de habitantes para economias de conectividade de Internet médias [penetração da Internet 49% – 79%] e baixa [penetração da Internet < 49%], respectivamente.

Embora esses estudos não tenham sido atualizados nos últimos anos, os números associados aos desligamentos mais recentes estão prontamente disponíveis:A paralisação da Internet em dezembro de 2018 na República Democrática do Congo foi estimada em um custo econômico de US $ 3 milhões/dia.Uma paralisação da Internet em janeiro de 2019 no Zimbábue custou ao país US $ 5,7 milhões para cada um dos seis dias em que esteve indisponível.Foi estimado que um mês de paralisação da Internet em junho de 2019 no Sudão custou ao país mais de US $ 1 bilhão, ou quase 1% do PIB do país.

Além dos impactos macroeconômicos, as paralisações também afetam de forma mais dura as PMEs. Por exemplo, no início de 2017, uma paralisação de 94 dias afetou parte dos Camarões – uma região também conhecida como “Montanha do Silício”. Inúmeros relatos de empreendedores locais, que perderam contratos e não puderam realizar transações importantes, levando à perda de dinheiro, fechamento de negócios e demissão de trabalhadores.

A Índia experimenta interrupções freqüentes, em nível estadual, e estados com dependência significativa do turismo, incluindo Caxemira, Darjeeling e Rajasthan, viram empresas de turismo sofrerem grandes perdas devido ao desligamento da Internet. As paralisações limitaram a comunicação entre empresas e clientes, impedindo que esses acessassem as plataformas de reservas em hotéis, causando danos à reputação e imagem destes. Além disso, a falta de conectividade com a Internet, causadas por desligamentos, impacta a capacidade das pequenas empresas de fazer divulgações e dificulta a capacidade do turista de descobrir serviços e empresas locais por meio de aplicativos e plataformas online.

Apesar do impacto em toda a economia, os negócios fortemente dependentes das transações eletrônicas estão particularmente expostos e vulneráveis a consequências muito mais graves. Por exemplo, os pagamentos eletrônicos estão se tornando cada vez mais populares, não apenas no mundo desenvolvido, mas em muitos países em desenvolvimento. Em países como a Índia, onde o governo lançou um plano ambicioso de desmonetização e pagamentos digitais, frequentes interrupções da Internet em vários estados estão em conflito direto com as perspectivas da economia digital.

Embora as paralisações aumentem os riscos financeiros e de reputação para as empresas de TIC e a seus investidores, os impactos econômicos secundários resultantes de um clima de incerteza podem potencialmente desencorajar investidores estrangeiros e repercutir em uma ampla gama de setores, incluindo educação, saúde, imprensa e mídia de notícias e e-commerce. A Ferramenta de Custo de Desligamento do NetBlocks (COST) usa indicadores do Banco Mundial, do ITU e só Censo dos EUA para estimar e monitorar o impacto econômico dos desligamentos da Internet.

Impacto sobre os direitos humanos

As pessoas rotineiramente dependem da Internet para manter contato com a família e amigos, criar comunidades de interesse, relatar informações públicas, responsabilizar as instituições e acessar e compartilhar conhecimento. Nesse sentido, pode-se argumentar que o acesso à Internet não se distingue do exercício da liberdade de expressão e opinião e do direito à reunião pacífica. Esses direitos – reconhecidos na Declaração Universal dos Direitos Humanos e refletidos nas Constituições de muitos dos países onde essas paralisações ocorrem – atribuem aos governos a responsabilidade de respeitá-los e proteger o gozo de seus cidadãos. Conforme declarado pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU em 2012 e reafirmado desde então, as pessoas deveriam gozar das mesmas proteções desses direitos em contextos online ou offline.

Assim, o desligamento da Internet, em particular aqueles que desativam todos os meios de comunicação, devem ser considerados como potenciais violações dos direitos humanos. Embora direitos como a liberdade de expressão não sejam absolutos e possam ser restritos por motivos excepcionais – como a segurança nacional e ordem pública – eles também precisam seguir os protocolos estabelecido no Artigo 19 (3) do PIDCP, incluindo o cumprimento da proporcionalidade e critérios de necessidade.

Nos últimos anos, a comunidade de Direitos Humanos intensificou seus esforços para lidar com o impacto do desligamento da Internet. O Relator Especial da ONU para a liberdade de expressão manifestou preocupação com o impacto desproporcional das paralisações da Internet sobre o direito das pessoas à expressão. Uma resolução do Conselho de Direitos Humanos (CDH), adotada por consenso em 2016, afirmou que

“condena inequivocamente as medidas para prevenir ou interromper intencionalmente o acesso ou a disseminação de informações online em violação do direito internacional dos direitos humanos”.

Vários parceiros da Internet Society também estão dedicando recursos significativos para rastrear paralisações da Internet que ocorrem em todo o mundo, publicando pesquisas detalhadas sobre o impacto dessas paralisações sobre os direitos humanos, incluindo o Freedom on the Net 2018: The Rise of Digital Authoritarianism (Freedom House), Desconectado: uma abordagem baseada em direitos humanos para interrupções de rede (Global Network Initiative), e The State of Internet Shutdowns Around the World: The 2018 #KeepItOn Relatório.

Desafios

O aumento de paralisações da Internet por motivos políticos é uma das principais preocupações refletidas no relatório Access Now, bem como no Relatório Global da Internet da Internet Society de 2017, onde o papel crescente do governo foi identificado como um dos principais impulsionadores de mudança do futuro da rede. Os desafios relacionados aos desligamentos da Internet por parte dos governos, ainda incluem:

Segurança Nacional e Ordem Pública

Os governos têm preocupações e deveres legítimos de salvaguardar a ordem pública e a segurança nacional de seus cidadãos. Ainda assim, qualquer medida que restrinja a liberdade de expressão ou associação para atingir tais objetivos deve permanecer excepcional, ser fundamentada na lei e ser estritamente necessária e proporcional para atingir um objetivo legítimo. Durante as paralisações, muitos cidadãos sentem que seus direitos fundamentais estão sendo violados, alimentando o descontentamento e um sentimento de insegurança que pode gerar consequências negativas para a estabilidade do país.

Aplicação além das fronteiras

Os governos enfrentam o desafio de aplicar sua legislação nacional em um ambiente online marcado por plataformas de conteúdo além de suas fronteiras geográficas. No contexto de uma Internet aberta e conectada globalmente, remover conteúdo considerado problemático, em uma jurisdição específica, não é tão simples quanto pedir a um provedor local para remover esse conteúdo. A menos que sejam capazes de obter colaboração efetiva de tais plataformas, essa complexidade transfronteiriça pode levar alguns governos a optar pela abordagem mais pesada de encerrar totalmente a capacidade de acesso a essas plataformas.

Aumento da censura

Embora o desligamento da Internet usado como uma ferramenta contundente continue a atrair a atenção global, técnicas de filtragem de conteúdo cada vez mais sofisticadas provavelmente se tornarão mais onipresentes no futuro. Algoritmos inteligentes movidos por aprendizado de máquina já estão alimentando ferramentas de censura em tempo real em algumas partes do mundo e tal cenário tornaria a censura menos visível e mais difícil de detectar e reagir porque está sendo feita de forma invisível, antes do usuário. Essas ferramentas e as políticas restritivas associadas já estão sendo exportadas pela China para dezenas de países em todo o mundo.

Minando os compromissos com os objetivos de desenvolvimento sustentável

Devido ao papel da Internet no avanço das metas de políticas públicas, incluindo educação, saúde e desenvolvimento econômico, em 2015, 194 países da Assembleia Geral da ONU reconheceram as TIC como um catalisador horizontal para alcançar a nova Agenda de Desenvolvimento para 2030. Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU (ODS) demonstram o compromisso do mundo com o crescimento social e econômico. Em particular, os governos se comprometem a

“aumentar significativamente o acesso à tecnologia da informação e comunicação e se esforçar para fornecer acesso universal à Internet nos países menos desenvolvidos até 2020”.

Embora haja progresso em direção a essa meta de curto prazo, o desligamento da Internet está em claro conflito com esse compromisso.

Eficácia

Atualmente, não há evidências da eficácia das paralisações para resolver os problemas que devem abordar, em particular quando se destinam a restaurar a ordem pública. Na verdade, pesquisas descobriram que blecautes de informações, resultantes de interrupções na Internet podem realmente resultar em aumento da violência, com táticas violentas que são menos dependentes de comunicação e coordenação eficazes, sendo substituídas por protestos não violentos que dependem da Internet para organização. Existem também vários relatos de danos colaterais provocados por essas medidas, incluindo impactos sobre os direitos civis, políticos, econômicos, sociais e culturais.

Além disso, os desligamentos da Internet tendem a atrair a atenção internacional e a criar pressão sobre os países que os praticam. Isso se relaciona com o chamado “efeito Streisand”, onde a tentativa de silenciar vozes ou ocultar informações leva à consequência de chamar mais atenção para elas.

Liberdade de expressão

A liberdade de expressão deve ser a regra e qualquer limitação a este direito, a exceção. O papel central da Internet na vida social e econômica dos usuários recentemente levou as Nações Unidas a promulgar uma resolução apoiando “a promoção, proteção e gozo dos direitos humanos na Internet”. A resolução condena os esforços do Estado para impedir ou interromper intencionalmente o acesso às informações online.

Proporcionalidade e Necessidade

Com base nos princípios do direito internacional dos direitos humanos, as avaliações de proporcionalidade e necessidade devem orientar as ações de qualquer formulador de políticas que considere o uso de desligamentos da Internet como ferramenta política.

Necessidade significa que qualquer restrição ao acesso à Internet deve ser limitada a medidas estrita e comprovadamente necessárias para atingir um objetivo legítimo. Deve-se demonstrar que nenhuma outra medida alcançaria efeitos semelhantes com mais eficiência e menos danos colaterais.

A necessidade também implica uma avaliação da proporcionalidade das medidas. Qualquer restrição de acesso à Internet também deve ser proporcional. Uma avaliação de proporcionalidade deve garantir que a restrição seja “o instrumento menos intrusivo entre aqueles que podem alcançar o resultado desejado”. A limitação deve atingir um objetivo específico e não interferir indevidamente em outros direitos das pessoas visadas.

Avaliação de custo-benefício

Existem muitos custos a serem considerados como resultado do desligamento da Internet, incluindo os econômicos, técnicos e sociais, e os governos precisam considerar esses efeitos de curto e longo prazo. Na maioria dos casos, mesmo desligamentos de curta duração podem ter implicações de longo prazo, estendendo-se por muito tempo após o retorno da conectividade.
A perda de confiança e segurança na Internet como uma plataforma confiável de oportunidades pode resultar em dificuldades
quantificar os impactos negativos, em particular nas gerações mais jovens que veem a conectividade como um caminho para o seu futuro. Além disso, as paralisações também destacam que o governo acredita que tomar tal ação é aceitável, sugerindo que a economia do país não está pronta para se juntar à economia digital global, exigindo que as empresas pensem cuidadosamente se devem investir e / ou localizar instalações naquele país.

Recomendações

O desligamento da Internet é, inequivocamente, prejudicial à Internet global e às comunidades locais. Os governos devem estar cientes de que as paralisações da Internet afetam muitos setores da sociedade, e é imperativo estabelecer um intercâmbio aberto com eles com o objetivo de buscar formas alternativas de abordar questões legítimas, em vez de recorrer às paralisações como ferramenta política.Construir infraestrutura resiliente: A comunidade técnica da Internet, grupos da indústria e governo local têm um papel fundamental a desempenhar na expansão de soluções de conectividade resilientes. Pontos de troca de Internet mais distribuídos e numerosos, juntamente com o aumento da diversidade de conectividade da Internet nas fronteiras internacionais, tornarão mais difícil e incômodo para os governos implementar efetivamente um único “switch kill”.Eliminar todas as opções de não desligamento: Os governos devem identificar as melhores práticas para lidar com os problemas em sua origem, priorizando medidas alternativas para desligamentos da Internet. Compartilhar experiências e trazer soluções que não dependem de restrições de acesso.Medir o custo primeiro: os governos precisam fazer uma análise de custo-benefício do impacto do desligamento da Internet antes de tomar tal ação. As interrupções na rede prejudicam a produtividade, afetam negativamente a confiança dos negócios e podem ser prejudiciais aos investimentos financeiros de curto e longo prazo.Diversificar vozes: Os capitalistas de risco e investidores devem incorporar o desligamento da Internet como parte de sua avaliação de risco. A importância das pequenas e médias empresas, incluindo aquelas fora do setor de TIC, para o futuro da economia local também deve ser levado em consideração, de forma mais ampla, à luz de como o desligamento da Internet pode minar completamente sua capacidade de operar.Desempenhar funções de vigilância: as organizações da sociedade civil, junto com outras partes interessadas, devem continuar a monitorar o impacto das paralisações da Internet e desempenhar um papel fundamental, exigindo responsabilidades dos governos e transparência em relação às paralisações da Internet. Ao lado desses pares, a comunidade técnica deve continuar a expandir seus esforços de monitoramento e medição da Internet e disponibilizar as ferramentas de informações ao público. Uma maior capacidade de analisar dados coletados ativa e passivamente de redes internas e externas pode ajudar a trazer maior visibilidade aos desligamentos da Internet, incluindo seu escopo, duração e impacto.

30/01/2021

Tecnologia versus Empregos


Outro dia falamos aqui sobre o futuro do trabalho, e também sobre o relatório do Pew Research sobre o impacto da IA, robótica e outras tecnologias avançadas, no futuro dos empregos. Esse relatório foi baseado nas respostas de 1.900 especialistas a várias perguntas, e uma delas foi:

“Os aplicativos e dispositivos robóticos em rede, automatizados e de inteligência artificial (IA) acabarão com mais empregos do que criarão até 2025?”

Nessa linha de raciocínio, o economista do MIT David Autor, – em seu artigo Polanyi’s Paradox and the Shape of Employment Growth (O paradoxo de Polanyi e a forma de crescimento do emprego) apresentado no simpósio anual Jackson Hole Federal Reserve, uma reunião de banqueiros, especialistas em finanças e acadêmicos mais proeminentes do mundo, onde o tema principal foi “Reavaliar a dinâmica do mercado de trabalho“, os participantes puderam expôr seus argumentos com base nas evidências empíricas existentes e aqui vai um resumo dos pontos principais.

Os computadores trouxeram grandes avanços na automação de muitas tarefas humanas físicas e cognitivas, especialmente aquelas tarefas que podem ser bem descritas por um conjunto de regras.

O professor Autor argumentou que, apesar dos avanços contínuos em IA e robótica, os “desafios para substituir trabalhadores por máquinas em tarefas que exigem flexibilidade, julgamento e bom senso, permanecem imensos”.

Esse argumento é baseado no conceito de conhecimento tácito, introduzido pela primeira vez na década de 1950 pelo cientista e filósofo Michael Polanyi. O conhecimento explícito é formal, codificado e pode ser facilmente explicado às pessoas e replicado em um programa de computador. O conhecimento tácito, por outro lado, é o tipo de conhecimento que frequentemente não temos consciência de que temos e, portanto, é difícil de transferir para outra pessoa, quanto mais para uma máquina. Geralmente, esse tipo de conhecimento é melhor transmitido por meio de interações pessoais e experiências práticas. Exemplos do dia a dia incluem falar um idioma, andar de bicicleta, dirigir um carro e reconhecer facilmente muitos objetos e animais diferentes.

“Podemos saber mais do que podemos dizer”, observou Polanyi no que Autor se refere como o paradoxo de Polanyi. Esse aparente paradoxo capta de forma sucinta o fato de que sabemos muito sobre como o mundo funciona, mas não somos capazes de descrever explicitamente esse conhecimento.

O artigo baseia-se ainda na pesquisa anterior de Autor sobre a polarização das oportunidades de emprego nos EUA, onde ele examinou a dinâmica de mudança do mercado de trabalho dos EUA, observando três segmentos diferentes:Empregos de alta qualificação e altos salários, onde as oportunidades se expandiram significativamente, com os ganhos dos trabalhadores com formação universitária necessários para preencher esses empregos aumentando continuamente nos últimos trinta anos;Empregos de baixa qualificação e baixos salários, que também têm se expandido, enquanto seu crescimento salarial, especialmente desde 2000, tem sido estável a negativo;Empregos de média qualificação e com salários médios que têm diminuído, embora seu crescimento salarial também tenha diminuído ao longo dos anos, especialmente desde 2000.

Muitas atividades de nível médio envolvem tarefas relativamente rotineiras, ou seja, tarefas ou processos que podem ser bem descritos por um conjunto de regras. Eles incluem atividades manuais, como manufatura e outras formas de produção, bem como, atividades baseadas em informações, como contabilidade, manutenção de registros, lidar com questões simples de atendimento ao cliente e muitos tipos de tarefas administrativas.

“Como as principais tarefas dessas ocupações seguem procedimentos precisos e bem compreendidos, elas são cada vez mais codificadas em softwares de computador e executadas por máquinas”, escreve Autor. “Esta força levou a um declínio substancial no emprego em apoio administrativo e administrativo e, em menor grau, na produção e no emprego operacional.”

Atividades de baixa e alta qualificação são geralmente de natureza não rotineira. Atividades de baixa habilidade tendem a ser tarefas manuais que não podem ser descritas por um conjunto de regras que uma máquina pode seguir. Os empregos nesta categoria incluem serviços de zeladoria, jardinagem, cargos em restaurantes de fast-food e auxiliares de saúde. Essas atividades não são candidatas a substituições de tecnologia, nem podem ser facilmente complementadas com ferramentas baseadas em tecnologia.

A maioria dos trabalhos de alta qualificação envolve a resolução de problemas por especialistas, comunicações complexas e outras atividades humanas cognitivas para as quais não existem soluções baseadas em regras. Os exemplos incluem diagnósticos médicos sofisticados, projetos complexos e muitas tarefas de P&D, bem como gerenciamento de grandes organizações, ensino e redação de livros e artigos. Os computadores complementaram e aumentaram significativamente a produtividade dessas tarefas altamente qualificadas e com grande quantidade de informações, e permitiram que tratassem de muitos novos tipos de problemas.

Seria de se esperar, portanto, que crescessem os empregos não rotineiros, tanto os de alta habilidade, como os cognitivos e os manuais de baixa habilidade, uma vez que são muito menos passíveis de substituição de tecnologia. No entanto, os empregos de alta e de média habilidade mais rotineiros estão diminuindo, uma vez que são os principais candidatos à automação. O artigo de Autor, apresentado no Federal Reserve dá as evidências quantitativas consideráveis de que este é realmente o caso, não apenas nos EUA, mas também em 16 outros países da União Europeia.

“Na prática, o paradoxo de Polanyi significa que muitas tarefas comuns, que vão do simples ao difícil, não podem ser informatizadas atualmente porque não conhecemos as regras para isso”, acrescenta Autor. “A nível econômico, o paradoxo de Polanyi significa algo mais. O fato de uma tarefa não poder ser informatizada não significa que a informatização não tenha efeito sobre essa tarefa. Pelo contrário: tarefas que não podem ser substituídas pela informatização são geralmente complementadas por ela. Este ponto é tão fundamental que é esquecido.”

Quanto ao futuro, já que as máquinas estão sendo cada vez mais aplicadas a atividades que exigem inteligência e capacidades cognitivas, talvez jamais vistas antes, que eram de amplo domínio humano – todos os trabalhadores de uma faixa de conhecimentos ou pelo perfil da atividade, correm o risco de perder a ‘Race Against the Machine’.

O que o paradoxo de Polanyi pode nos ensinar sobre os esforços para informatizar tarefas que exigem flexibilidade, julgamento e bom senso? Autor discute duas abordagens principais que podem nos ajudar a informatizar essas tarefas: controle ambiental e aprendizado de máquina.

O controle ambiental envolve essencialmente a engenharia do ambiente para compensar as muitas limitações das máquinas, ao mesmo tempo em que aproveita seus muitos benefícios. Embora as máquinas achem muito difícil operar em ambientes imprevisíveis, há muito tempo adaptamos e simplificamos os ambientes de trabalho para que possamos nos beneficiar do que as máquinas fazem. As linhas de montagem são exemplos bem conhecidos de adaptação do ambiente de fábrica no qual as máquinas operam. Assim como os trilhos de trem e as estradas pavimentadas que nos permitem usar trens, carros e caminhões, respectivamente. Em ambientes altamente selecionados, como a movimentação entre terminais em um aeroporto, os trens podem até mesmo ser totalmente automatizados e não exigir um operador humano. Mais recentemente, os armazéns estão sendo reprojetados para que humanos e máquinas robóticas inteligentes, possam trabalhar juntos.

E quanto à promessa de carros e caminhões autônomos, que muitos acreditam estar entre nós em menos de uma década, mas outros não têm tanta certeza de quão totalmente automatizados eles serão?

Um carro autônomo do Google, por exemplo, requer mapas altamente detalhados e selecionados para suas operações, através dos quais eles navegam usando os dados em tempo real de seus sensores. Se seu software determinar que o ambiente real é suficientemente diferente de seus mapas pré-especificados, ele ‘entrega’ o controle ao operador humano. “Assim”, observa Autor, “embora o carro do Google pareça exteriormente tão adaptável e flexível quanto um motorista humano, na realidade é mais parecido com um trem correndo em trilhos invisíveis”.

O controle ambiental é uma grande promessa para o futuro, à medida que projetamos nossas máquinas cada vez mais inteligentes com o ambiente no qual elas irão operar e interagir. E, tais ambientes amigáveis às máquinas não precisam se parecer com os ambientes mais imprevisíveis que são naturais para os humanos devido a todo o conhecimento tácito que adquirimos através da experiência.

O aprendizado de máquina é uma tentativa de aproveitar toda essa experiência prática para contornar o paradoxo de Polanyi. Envolve a aplicação de raciocínio indutivo para que a máquina possa aprender a partir de dados padrões, em vez de seguir instruções explicitamente programadas. “Assim, por meio de um processo de exposição, treinamento e reforço, os algoritmos de aprendizado de máquina podem potencialmente inferir como realizar tarefas que se mostraram extremamente desafiadoras para codificar com procedimentos explícitos.”

O aprendizado de máquina foi aplicado com sucesso a muitas tarefas nas últimas décadas. O crescimento explosivo do big data e o advento da ciência de dados como uma nova disciplina representam uma grande promessa para o futuro do aprendizado de máquina e das metodologias baseadas em dados relacionais. Mas, embora tenha grande sucesso em muitas tarefas sofisticadas com uso intensivo de dados, – por exemplo, saúde, marketing, finanças, – o aprendizado de máquina pode enfrentar sérias limitações em tarefas simples do dia a dia que uma criança pode dominar rapidamente, como reconhecer visualmente uma cadeira ou um gato, algo que aprendemos a fazer sem saber bem como.

Além disso, pode haver limitações práticas de engenharia para as aplicações de tais aplicativos de dados intensivos. Como observou o incrível artigo do NY Times de 2012!, os pesquisadores do Google usaram 16.000 processadores para ensinar uma máquina a identificar um gato usando os princípios do aprendizado de máquina. E o computador IBM Watson que em 2011 venceu o Jeopardy! Challenge, consumiu 85.000 watts de potência para derrotar os dois melhores Jeopardy humanos! jogadores, cujos cérebros consumiram cerca de 20 watts. Embora os avanços na tecnologia já tenham melhorado significativamente a eficiência de tais aplicativos com uso intensivo de dados, seu sucesso comercial pode ser limitado dado seus altos custos de energia. Quando se trata de tarefas que exigem amplo uso de conhecimento tácito, ainda temos muito a aprender com a biologia humana.

“Ainda assim, o potencial de longo prazo do aprendizado de máquina para contornar o paradoxo de Polanyi é um assunto de debate ativo entre os cientistas da computação”, escreve Autor. “Alguns pesquisadores esperam que, à medida que o poder de computação aumente e os bancos de dados cresçam, a abordagem de aprendizado de máquina de força bruta se aproxime ou excede as capacidades humanas.”

O professor Autor conclui o artigo com algumas observações pessoais importantes.

“À medida que o trabalho físico deu lugar ao trabalho cognitivo, a demanda do mercado de trabalho por habilidades analíticas formais, comunicação escrita e conhecimento técnico específico aumentou espetacularmente. . . Portanto, o investimento em capital humano deve estar no centro de qualquer estratégia de longo prazo para a produção de habilidades que sejam complementadas em vez de substituídas por tecnologia.”

“Embora muitas tarefas de habilidade média sejam suscetíveis à automação, muitos empregos de habilidade média exigem uma mistura de tarefas de todo o espectro de habilidades. . . muitos dos empregos de habilidades intermediárias que persistem no futuro combinarão tarefas técnicas de rotina com o conjunto de tarefas não rotineiras nas quais os trabalhadores detêm vantagem comparativa – interação interpessoal, flexibilidade, adaptabilidade e resolução de problemas.”

E, finalmente, “os desafios para informatizar inúmeras tarefas diárias – do sublime ao mundano – permanecem substanciais. . . há uma longa história de pensadores importantes superestimando o potencial das novas tecnologias para substituir o trabalho humano e subestimando seu potencial para complementá-lo”.

Além da Guerra de Preços: O Oceano Azul na Conectividade Brasileira

Introdução Lançado em 2005 por W. Chan Kim e Renée Mauborgne, A Estratégia do Oceano Azul revolucionou o pensamento estratégico...