18/06/2023

As escolas de negócios e a estagnação salarial

Ouvi um podcast muito interessante, Are MBAs to Blame for Wage Stagnation, com o apresentador da Freakonomics Radio, Stephen Dubner e o economista do MIT Daron Acemoglu. O podcast discutiu um documento de Darem Acemoglu, Alex He e Daniel le Maire sobre o efeito MBA de um CEO nos salários dos funcionários de sua empresa, publicado no National Bureau of Economic Research (NBER).

No podcast, Acemoglu observou que, nas últimas décadas, os salários cresceram mais lentamente do que a produtividade – fato que há muito intriga os economistas. “Se você olhar para o salário real dos trabalhadores com ensino médio, ele aumentou cerca de 2,5% ao ano em termos reais entre 1945 e o final dos anos 1970 – um aumento notável. E desde 1980, vem diminuindo em termos reais a cada ano. Portanto, uma grande fração da população dos EUA está se tornando cada vez mais pobre, mesmo enquanto estamos construindo as tecnologias mais incríveis, as maiores empresas que a humanidade já viu, a economia mais avançada.”

A parcela do PIB que vai para os trabalhadores, caiu de 63% na década de 1980 para 58% em 2020 e durante essas mesmas quatro décadas, a parcela de empresas americanas administradas por um executivo com MBA ou algum outro diploma de negócios — aumentou de 25% na década de 1980, para mais de 40% em 2020. Essas duas tendências estão conectadas? A profissionalização da classe gerencial fez com que os salários dos trabalhadores caíssem? Continue a leitura para entender o contexto.

Para esclarecer essa questão, Acemoglu e seus colaboradores analisaram dados dos Estados Unidos e da Dinamarca, incluindo informações de empresas e dos trabalhadores. Eles escolheram a Dinamarca, além dos EUA, porque o país tem dados de altíssima qualidade, que permitem fazer análises que seriam mais difíceis com dados apenas dos EUA. Sua metodologia foi bem simples. Eles rastrearam os ganhos dos trabalhadores, quando há uma mudança no tipo de gerencia que lidera a empresa, ou seja: quando ela passa de um gestor de negócios, nível técnico, para um gestor com formação em negócios e vice-versa.

A descoberta principal do estudo foi que, quando um CEO sem formação em negócios é substituído por um CEO com um MBA, há um declínio significativo nos salários. Cinco anos após sua nomeação, os salários diminuem 6% e a mão-de-obra diminui 5% nos EUA, enquanto na Dinamarca, tanto os salários quanto a mão-de-obra diminuem 3%. “Em nenhum dos dois países vemos quaisquer tendências diferenciais na participação da mão-de-obra, salários, emprego, produção ou investimento antes do início do mandato dos gestores com MBA. Também não detectamos uma resposta de emprego, produção, investimento ou produtividade, o que sugere que os gestores com MBA não são mais produtivos do que seus antigos pares”.

Esses resultados respondem por 20% da queda da mão de obra e cerca de 15% da desaceleração do crescimento salarial desde 1980 nos EUA, e por 6% da queda na participação da mão de obra na Dinamarca. Além disso, a nomeação de um CEO com MBA leva a um aumento de 3% no retorno sobre os ativos (RoA) nos EUA e um aumento de 1,5% na Dinamarca; o valor de mercado das ações da empresa aumenta em cerca de 5%; e tudo mais sendo igual, os gestores com MBA ganham mais do que os gerentes de outras áreas.

O que explica as diferenças nos salários e na mão-de-obra entre empresas lideradas por gestores com MBA e sem MBA?

A explicação está na diferente resposta ao lucro por trabalhador por parte das empresas lideradas por cada tipo de gestor. As empresas lideradas por gestores sem MBA têm maior probabilidade de compartilhar quaisquer lucros excedentes com seus trabalhadores: um aumento de 10% no lucro por trabalhador está associado a um aumento de 1% nos salários. Por outro lado, nas empresas dirigidas por gestores com MBA, um aumento do lucro por trabalhador não tem qualquer impacto nos seus salários.

Por que os gestores com formação em negócios têm menos probabilidade de compartilhar os lucros de suas empresas com seus funcionários?

É porque esses indivíduos são muito exigentes, mais propensos a adotar uma linha dura com o trabalho e mais propensos a buscar pessoas diplomadas ou com práticas em gestão de negócios, focados em resultados e lucros. Esse modelo de gestão ficou mais evidente nos anos 1980, quando grande parte das empresas do mundo adotou a reengenharia e downsizing, promovendo a cultura da empresa enxuta e maximização de lucros.

Com base em sua análise de dados, os autores demonstram que a aversão a compartilhar lucros é adquirida principalmente nas escolas de MBA. Como evidência adicional, eles citam duas ideias propagadas por escolas de MBA que influenciaram os gestores de negócios nas últimas quatro décadas.

A primeira ideia é de que maximizar o valor do acionista deve ser o objetivo principal dos gestores, apresentado pela primeira vez por economistas na década de 1970, principalmente pelo economista da Universidade de Chicago e ganhador do Prêmio Nobel Milton Friedman. Em um artigo da NY Times Magazine de 1970, “A responsabilidade social das empresas é aumentar seus lucros”, Friedman escreveu:

“Em um sistema de livre iniciativa e propriedade privada, um executivo corporativo é um funcionário dos proprietários do negócio. Ele tem responsabilidade direta com seus empregadores. Essa responsabilidade é conduzir os negócios de acordo com seus desejos, que geralmente serão ganhar tanto dinheiro quanto possível, em conformidade com as regras básicas da sociedade, tanto as consagradas na lei quanto as consagradas no costume ético.” Preocupações de negócios além de obter lucro – como “promover fins sociais desejáveis” ou “fornecer empregos, eliminar a discriminação, evitar a poluição e tudo o mais” equivaliam a “pregar o socialismo puro e não adulterado“.

Esses pontos de vista foram amplamente adotados pela comunidade empresarial, incluindo a Business Roundtable (BRT), — uma associação de CEOs de grandes empresas americanas. Mas diminuíram consideravelmente após a crise financeira de 2008. Em 2019, o BRT divulgou uma declaração atualizada sobre o propósito de uma corporação que se afastou de seu compromisso anterior com a primazia do acionista para agora enfatizar um “compromisso com todas as partes interessadas” e com “uma economia que serve a todos os americanos”.

A segunda ideia é nossa obsessão com eficiência econômica e corporações enxutas. A crença de que a eficiência é fundamental para a vantagem competitiva transformou a gestão em uma ciência, cujo objetivo é a eliminação do desperdício, seja de tempo, materiais ou capital, escreveu Roger Martin, professor da Universidade de Toronto, em “The High Price of Efficiency” um artigo de janeiro de 2019 na Harvard Business Review. “Por que não queremos que os gerentes se esforcem para um uso cada vez mais eficiente dos recursos?”, ele perguntou. Um foco excessivo na eficiência pode produzir efeitos negativos surpreendentes.

O problema é que, nas últimas quatro décadas, tratamos a economia como uma espécie de máquina que pode ser dividida em partes, cada uma das quais, sendo otimizadas para criar um ‘todo’ eficiente. Em princípio, o modelo pretendia produzir uma grande evolução no meio social (uma grande classe média), com uma diminuição dos resultados nas extremidades superior e inferior, correspondendo tanto às famílias mais ricas quanto às mais pobres. As famílias mais ricas fariam investimentos e pagariam impostos substancialmente mais altos que ajudariam a todos, especialmente as famílias mais pobres.

Mas, a máquina econômica não tem funcionado como esperado, ponto também levantado por Acemoglu no podcast. De 1947 a 1976, a renda média das famílias americanas cresceu mais de 2,4% CGR. Como resultado, a renda familiar mediana dobrou em uma geração de 30 anos. Mas, de 1977 a 2019, a renda média cresceu apenas 0,6% CGR, o que significa que a renda familiar média aumentou apenas 31% nos últimos 42 anos.

“Na medida em que as escolas de negócios foram a vanguarda dessas ideias que se tornaram mais difundidas entre os gestores e foram propagadas por consultores de gestão, nossas estimativas devem ser vistas como limites inferiores sobre os efeitos dessas práticas de gestão”, observou o artigo do NBER. “Se assim for, tanto nos Estados Unidos quanto na Dinamarca, as práticas de gestão que priorizam o retorno para o acionista e o corte de custos podem ter contribuído significativamente para o declínio da participação de lucros ao trabalhador e para a desaceleração dos salários.”

No final do podcast, Dubner perguntou a Acemoglu o que ele diria aos alunos de um curso de MBA se fossem convidados a ministrar um curso sobre o impacto dos líderes na estagnação salarial.

“Eu sugeriria dois caminhos para uma reflexão mais aprofundada”, disse Acemoglu. “Por mais poderoso que seja um líder empresarial – ou um líder político, ou até mesmo um ditador – seu poder está embutido nas normas da sociedade. Se as normas da sociedade não forem permissivas, ele não será capaz de fazer esse tipo de coisa. O símbolo das forças de que estamos falando são pessoas como Jack Welch. Jack Welch era tão poderoso quanto qualquer CEO seria, e ele é um exemplo de CEOs que cortaram salários. Mas Jack Welch não teria sido capaz de fazer o que fez se a sociedade, amigos e vizinhos, seus acionistas – não aceitassem as políticas e o estilo de gestão que ele trouxe”.

“E segundo, eu sugeriria rever o que realmente ensinamos às pessoas nessas instituições, sobre posições de poder? precisamos voltar aos programas de estudos, voltarmos às dicas que as pessoas recebem nas escolas de negócios ou em outros ambientes semelhantes, incluindo talvez em empresas de consultoria de gestão.”

31/05/2023

A IA chegou à fase adulta?

A inteligência artificial surgiu em meados da década de 1950 como uma nova e promissora disciplina acadêmica. A IA tornou-se uma das áreas mais empolgantes das ciências da computação nas décadas seguintes. Mas, depois de anos de promessas e exageros não cumpridos, um período chamado de inverno de IA, com projetos fracos, quase mataram a área de estudo e pesquisa. A IA renasceu com sucesso na década de 1990 com um novo paradigma estatístico baseado na análise de grandes quantidades de dados com computadores poderosos e algoritmos sofisticados. Agora, seis décadas após o início, a IA parece finalmente atingir a maioridade.

“2021 viu a globalização e a industrialização da IA se intensificarem, enquanto as questões éticas e regulatórias dessas tecnologias se multiplicaram”, disse o relatório AI Index de 2022 sobre o progresso da IA, lançado em março de 2022 pelo Stanford’s Institute for Human-Centered Artificial Inteligência (HAI). “2021 foi o ano em que a IA passou de uma tecnologia emergente para uma tecnologia madura – não estamos mais lidando com uma parte especulativa da pesquisa científica, mas sim com algo que tem impacto no mundo real, tanto positivo quanto negativo”, escreveu Jack Clark, co-presidente do AI Index. Vários fatores levaram à sua conclusão, em particular o advento do Foundations Models como o GPT-3 da OpenAI e o BERT do Google.

Na última década, sistemas de IA cada vez mais poderosos igualaram ou superaram os níveis humanos de desempenho em várias tarefas específicas, como reconhecimento de imagem e fala. Esses sistemas de Deep Learning (DL) de tarefas específicas geralmente contam com Supervised Learning (SL), um método de treinamento em que os dados devem ser cuidadosamente rotulados, – por exemplo, gato, não-gato -, exigindo assim um grande investimento em tempo e dinheiro para produzir um modelo que é estritamente focado em uma tarefa e não pode ser facilmente reaproveitado.

Os Foundations Models contornaram essas limitações de DL com base em dois avanços recentes, o Transfer Learning e Huge Scale. O aprendizado por transferência (Transfer Learning) pega o conhecimento aprendido no treinamento de uma tarefa específica e o aplica a tarefas diferentes, mas relacionadas, como usar o treinamento para reconhecer carros em imagens e aplicar isso ao reconhecimento de caminhões e ônibus. Como resultado, os Foundations Models podem ser adaptados para muitas tarefas diferentes com quantidades relativamente pequenas de ajuste.

A enorme escala desses modelos baseia-se em três avanços recentes: (I) grandes melhorias no desempenho e nos custos do hardware de computação; (II) novas arquiteturas transformadoras que permitem que esses grandes modelos aproveitem sistemas paralelos; e (III) mais dados (10 vezes mais dados) de treinamento do que os modelos DL anteriores, incluindo grandes blocos de informações na Internet, bem como livros, artigos, relatórios e outras mídias digitais.

Em 30 de novembro, a OpenAI lançou o ChatGPT, uma versão do GPT-3 que interage com os usuários em um formato de conversação. “O formato de diálogo permite que o ChatGPT responda a perguntas, admita erros, conteste premissas incorretas e rejeite solicitações inadequadas.” A OpenAI incentiva os usuários a experimentar o ChatGPT, e muitos milhões já o fizeram, sobrecarregando o sistema com tráfego muito alto.

“Quantas pessoas já testaram o ChatGPT?”, perguntei ao ChatGPT antes de postar este blog em Junho, e ele prontamente respondeu: “Não tenho um número exato de quantas pessoas já experimentaram o ChatGPT, mas ele é muito utilizado por pesquisadores, desenvolvedores e empresas em todo o mundo para processamento de linguagem natural (NLP), como chatbots, tradução de idiomas e resumo de texto. Também é usado por muitos indivíduos para projetos pessoais e experimentação.”

Nos últimos meses, li vários artigos e assisti muitos vídeos sobre o ChatGPT. Eles abrangem desde grande admiração até profundo ceticismo. Deixe-me comentar um desses artigos.

“ChatGPT é, simplesmente, o melhor chatbot de inteligência artificial já lançado para o público em geral”, escreveu o colunista de tecnologia do NY Times Kevin Roose em “The Brilliance and Weirdness of ChatGPT”. O ChatGPT “chegou com força… e muitos de seus fãs falam dele em termos grandiosos e atônitos, como se fosse uma mistura de software e feitiçaria”. As ferramentas anteriores de IA eram boas em tarefas estreitas e bem definidas, “mas ainda tendem a falhar quando tiradas de suas zonas de conforto”.

“Mas o ChatGPT é diferente. Mais esperto. Mais estranho. Mais flexível.” Ele pode escrever piadas (algumas das quais são realmente engraçadas), trabalhar com códigos de computador e redações de nível universitário. Ele também pode atuar em diagnósticos médicos, criar jogos de Harry Potter baseados em texto e explicar conceitos científicos em vários níveis de dificuldade.”

Essa nova geração de chatbots está inspirando admiração e medo. Seu impacto econômico pode ser semelhante ao da eletricidade de um século atrás. Por outro lado, isso pode ser “o começo do fim de todo o trabalho de conhecimento e tarefas administrativas e burocráticas e um precursor do desemprego em massa”.

“Pessoalmente, ainda estou tentando entender o fato de que o ChatGPT – um chatbot que algumas pessoas acham que pode tornar o Google obsoleto, e que já está sendo comparado ao iPhone em termos de seu potencial impacto na sociedade – e este ainda não é o melhor modelo de I.A. da OpenAI.”, escreveu Roose em seu parágrafo final. “Isso seria o GPT-4, a próxima versão do grande modelo de linguagem da empresa.” Há rumores de que o GPT-4 será lançado em 2023 e espera-se que seja significativamente mais poderoso que o GPT-3.

Deixe-me agora passar para um artigo mais cético. “O novo chatbot conquistou a Internet e mostrou como a IA conversacional pode ser boa – mesmo quando inventa coisas”, escreveu Will Knight, redator sênior da Wired, em “ChatGPT’s Most Charming Trick Is Also Its Biggest Flaw”. “O ChatGPT se destaca porque pode pegar uma pergunta formulada naturalmente e respondê-la usando uma nova variante do GPT-3, chamada GPT-3.5. Esse ajuste desbloqueou uma nova capacidade de responder a todos os tipos de perguntas, dando ao poderoso modelo de IA uma nova interface atraente que praticamente qualquer pessoa pode usar.”

“Colocar uma nova interface em uma tecnologia também pode ser uma receita para o hype”, acrescentou Knight. “Apesar de seu potencial, o ChatGPT apresenta algumas falhas, comuns às ferramentas de geração de texto. Nos últimos dois anos, OpenAI e outros mostraram que algoritmos de IA treinados em grandes quantidades de imagens ou texto podem ser capazes de feitos impressionantes. Mas como eles trabalham de forma puramente estatística, em vez de realmente aprender como o mundo funciona, esses programas são propensos a gerar fatos e declarações preconceituosas e odiosas – problemas ainda presentes no ChatGPT. Os primeiros usuários do sistema reportaram que o serviço entregava respostas de pura bobagens aparentemente convincentes sobre um determinado assunto.”

Outros artigos focaram no potencial de negócios dessas poderosas tecnologias de IA. Em “A tecnologia que invadirá nossas vidas em 2023”, o escritor de tecnologia de consumo do NY Times, Brian Chen, prevê que 2023 nos trará uma variedade de novos e aprimorados assistentes de IA.

“Usuários que ficaram impressionados com a competência linguística do ChatGPT ficaram também surpresos com seus erros, particularmente com aritmética simples”, escreveu ele. Deixando de lado as falhas, podemos esperar que as empresas de I.A. melhorem os pontos fortes desses chatbots com ferramentas que simplificam a forma como escrevemos e lemos textos. “Por um lado, é muito provável que no próximo ano possamos ter um chatbot que atue como assistente de pesquisa. … Isso não significa que veremos uma enxurrada aplicativos de A.I. em 2023. Pode ser que muitas ferramentas que já usamos para o trabalho comecem a incorporar a geração automática de linguagem em seus aplicativos.”

Da mesma forma, em “A inteligência artificial está finalmente permeando os negócios”, o The Economist escreveu que “novos e poderosos Foundations Models estão se movendo rapidamente do laboratório para o mundo real. O Chatgpt, uma nova ferramenta de IA que foi lançada recentemente para testes, está fazendo sucesso por sua capacidade de criar piadas e explicar conceitos científicos. Mas a empolgação também está entre os usuários corporativos, desenvolvedores e financiadores de capital de risco desses desenvolvedores”.

2022 pode muito bem ser lembrado como o ano em que a IA finalmente atingiu a maioridade. Como observou este artigo do NY Times, “existem muitas maneiras pelas quais esses bots são superiores a você e a mim. Eles não se cansam, não deixam a emoção tomar conta, podem extrair ou examinar instantaneamente quantidades gigantescas de informações. E eles podem gerar texto, imagens e outras mídias em velocidades e volumes que nós, humanos, nunca poderíamos.” Mas, ao mesmo tempo, precisamos aprender “o que esses sistemas podem fazem bem e o que não podem, como eles substituirão o trabalho humano a curto prazo e como não o farão“. Perceber o potencial de uma nova tecnologia importante leva tempo. Há claramente muito trabalho a ser feito.

29/05/2023

A globalização fracassou?

“A grande promessa da globalização era que os países, à medida que se tornassem mais integrados, também se modernizariam em uma dimensão política”, disse o apresentador da Freakonomics Radio, Stephen Dubner, em seu podcast Has Globalization Failed?

A globalização deveria aumentar a prosperidade e a democracia. A década de 1990 marcou o início de uma era de ouro da globalização, quando o mundo parecia estar se unindo. As nações estavam se tornando mais economicamente interdependentes. A internet promoveu as comunicações em todo o mundo. A disputa ideológica entre o comunismo e o capitalismo parecia ter acabado. A democracia estava espalhando um conjunto de valores universais – liberdade, igualdade, direitos humanos.

“Estou curioso para saber o quão bem-sucedido ou malsucedido você se encontra?”, Dubner perguntou a sua convidada Anthea Roberts, professora da Universidade Nacional da Austrália e coautora do livro de 2021 Six Faces of Globalization: Who Wins, Who Loses, and why it matters.

“Uma das coisas que eu acho que saiu claramente de controle foi que a Rússia e a China não deram os frutos da maneira que os Estados Unidos esperavam”, respondeu Roberts. “Mas parte disso também pode ser que os EUA quisessem dizer que era sobre democracia, mas na verdade muito disso também era sobre seus próprios interesses econômicos, e agora sua compreensão de seus interesses econômicos mudou”.

A globalização “tirou centenas de milhões de pessoas da pobreza”, acrescentou. “Houve realmente um aumento de consumo, que tornou nossas vidas muito mais diversificadas, desde comida até eletrônicos. Mas acho que no mesmo estágio, se você olhar para outras métricas, houveram alguns efeitos prejudiciais. Comunidades foram deixadas para trás. Também vimos aumento dos suicídios, vícios em drogas e estruturas sociais estão desmoronando.”

Em outras palavras, se a globalização foi bem-sucedida, malsucedida ou algo em meio termo, isso vai depender das histórias que ouvimos e que contamos uns aos outros. Nem todos contam a mesma história e tendemos a descartar ou ignorar coisas que concordamos ou discordamos. Em seu livro, Roberts conta seis histórias de globalização muito diferentes:A Narrativa do Estabelecimento. A globalização é uma maré alta que levanta todos os barcos. “Chamamos isso de narrativa do establishment, porque foi o paradigma dominante para entender a globalização no Ocidente nas três décadas que se seguiram ao fim da Guerra Fria.” Muitos ainda acreditam que o livre comércio aumenta a prosperidade e promove a paz.

A narrativa populista de esquerda: “As economias nacionais são manipuladas para canalizar os ganhos da globalização para poucos privilegiados.” Houve um aumento acentuado na desigualdade, e os ganhos da globalização foram em grande parte para as elites às custas dos pobres e do esvaziamento da classe média.

A Narrativa Populista de Direita: “Trabalhadores, suas famílias e suas comunidades perdem com a globalização, tanto economicamente quanto culturalmente.” Esta narrativa tem fortes sentimentos anti-comércio e anti-imigrante. As elites são culpadas por não terem protegido suas populações domésticas das ameaças econômicas que devastaram suas comunidades.

A Narrativa do Poder Corporativo. As corporações multinacionais são as verdadeiras vencedoras da globalização, às custas dos trabalhadores, governos e cidadãos. Corporações multinacionais tiraram proveito de um mercado global “para produzir barato, vender em qualquer lugar e pagar o mínimo possível de impostos”.

A Narrativa Geoeconômica. Certos países em desenvolvimento, especialmente a China, ganharam às custas dos Estados Unidos e de outros países desenvolvidos. Embora ambos os países tenham ganhado com a globalização, a China vem fechando a lacuna e os EUA percebem cada vez mais a China como um concorrente econômico e uma ameaça à segurança.
A Narrativa das Ameaças Globais: Todos acabam perdendo com a globalização, embora os pobres e os países em desenvolvimento sejam os que mais perderão. A globalização é uma fonte aceleradora de ameaças globais, como pandemias e mudanças climáticas.

Dubner discutiu essas narrativas com Roberts em seu podcast, fazendo várias perguntas a Roberts.

Qual dessas narrativas se alinha melhor com a forma como você vê o mundo? Roberts não escolheu um favorito. Ela apontou que as narrativas não são mutuamente exclusivas. Cada um deles tem sua parcela de defensores e aborda um conjunto diferente de preocupações. As conversas sobre globalização geralmente esquentam porque, se você olhar pelas lentes de uma narrativa, pode ser muito difícil considerar a visão de outra.

“Estou muito mais interessada em dar às pessoas ferramentas que as ajudem a pensar sobre problemas complexos, em vez de dizer-lhes o que pensar sobre problemas complexos”, acrescentou. “Como você pesa a eficiência econômica em relação às preocupações com a lealdade tradicional ou como você pesa a eficiência econômica em relação às preocupações com a segurança nacional? Na verdade, não acho que haja uma resposta certa e clara para isso”.

Quão influente tem sido a mídia ocidental ao apresentar e moldar a realidade da globalização? “A mídia reflete a realidade, mas também ajuda a moldar a próxima rodada da realidade”, respondeu Roberts. Ao relatar e tentar dar sentido ao que veem, a mídia cria maneiras de entender eventos e histórias que influenciam a maneira como as pessoas percebem suas vidas.

“Uma das coisas que você viu nos EUA é um pouco de avaliação da necessidade de maiores insumos e diversidade em termos de como você está relatando as coisas internamente. Mas acho que também haveria um argumento para fazer isso internacionalmente, porque assim como as costas leste e oeste dominam os Estados Unidos, a mídia ocidental e a mídia de língua inglesa dominam globalmente. Isso torna muito mais difícil entender as perspectivas de outros lugares.”

Dubner perguntou sobre a percepção chinesa dos EUA. A China costumava admirar os EUA por sua prosperidade e status de superpotência. Mas, à medida que a China ganhou dos EUA, esse respeito diminuiu e eles não conseguem acreditar no quão caótico os Estados Unidos parecem ter se tornado.

Essa mudança de percepção afeta a relação geopolítica entre os EUA e a China? A mudança de percepção é real, disse Roberts. Em vez de perguntar: “como podemos ser mais parecidos com a América?” Os chineses agora estão se perguntando “como podemos ter certeza de que não acabaremos com esse tipo de desigualdade e polarização?”

“Também acho que há uma sensação real na China de que os Estados Unidos estão tentando conter a ascensão da China, e isso é algo que realmente afeta uma forte consciência nacional por causa de sua experiência com o Século da Humilhação nas mãos do Oeste. Se você tratar a China como inimiga, a China se tornará o inimigo.”

A economia global é realmente globalizada? “Acho que nunca foi totalmente globalizada e está se tornando menos globalizada”, respondeu Roberts. Algumas coisas se globalizaram mais do que outras, como o capital e o comércio de mercadorias. Mas, mesmo assim, muito mais comércio acontece, diminuindo as maiores distâncias. Não globalizamos o trabalho e os níveis de imigração não são muito altos. Pensamos na Internet e na Web como sendo verdadeiramente globais, mas a China, a Rússia e outros países impuseram restrições ao acesso à Internet. “Estamos vendo fragmentação em toda uma variedade de áreas.”

E a globalização das ideias? Quão livremente as ideias estão fluindo agora ao redor do mundo? “Você definitivamente viu um fluxo maravilhoso de ideias e colaboração entre cientistas com relação à pandemia de Covid19, por exemplo”, respondeu Roberts. “De muitas maneiras, a ciência é muito mais globalizada do que muitas outras áreas.” No entanto, também existem assimetrias muito fortes e preconceitos em relação ao Ocidente, como quais idiomas as pessoas usam mais, que mídia leem e onde estão localizadas as melhores universidades? Podemos ver mais um reequilíbrio com a ascensão da Ásia.

Ela acrescentou que algumas das dinâmicas que estamos vendo agora nos EUA terão um efeito inibidor no fluxo global de ideias, como direcionar colaborações de pesquisa entre americanos e instituições chinesas e direcionar pessoas de nacionalidade ou etnia chinesa que têm trabalhado nos EUA há anos. “Acho que veremos mais separação dos ecossistemas tecnológicos entre a China e o Ocidente, e isso tornará a colaboração acadêmica e científica mais difícil.”

Dubner concluiu o podcast perguntando a Roberts: o que você diria para encorajar uma perspectiva mais equilibrada sobre a globalização? “Eu diria a você para tentar se colocar no lugar de pessoas diferentes”, ela respondeu. “Como seria o mundo se eu fosse um trabalhador comum, vivendo em Pequim e tivesse a experiência do Século da Humilhação e agora estivesse olhando para essas abordagens americanas? Como seria o mundo se eu vivesse na Rússia e tivesse passado pelos terríveis anos 90, sem renda e sem segurança?’ Tente situar-se em perspectivas diferentes.”

27/05/2023

Por que o Blockchain não avança como deveria?

“Blockchain, a tecnologia que sustenta o bitcoin e outras criptomoedas, há anos é vista por algumas empresas como uma forma de impulsionar projetos de transformação da indústria, entre eles o rastreamento de ativos por meio de cadeias de suprimentos complexas”, de acordo com o artigo do Wall Street Journal, “Blockchain falha em ganhar tração na empresa”.

“Até agora isso não aconteceu.”

As tecnologias Blockchain surgiram pela primeira vez em 2008 como a arquitetura que sustenta o bitcoin, a criptomoeda mais conhecida, mais valiosa e mais amplamente mantida. Ao longo dos anos, o blockchain evoluiu em duas direções principais:

1) Continua a se concentrar em blockchain como plataforma subjacente para bitcoin, bem como para o grande número de criptomoedas, tokens digitais e outros criptoativos que foram criados desde então.

2) Se concentra no blockchain como uma plataforma de dados distribuídos para aplicativos colaborativos envolvendo várias instituições, como cadeias de suprimentos, serviços financeiros e sistemas de saúde.

O Blockchain fez sua primeira aparição nos ciclos de hype do Gartner em 2016. Apesar de estar em um estágio inicial e imaturo, muitos de seus proponentes acreditavam que as plataformas corporativas de blockchain estavam chegando e, portanto, rapidamente atingiram o pico de expectativas. Mas, à medida que a realidade se estabeleceu, as expectativas caíram e, em 2022, as plataformas blockchain atingiram o seu ponto de maior retração.

No mundo das criptos, o bitcoin e a maioria dos outros ativos perderam grande parte de seu valor e várias empresas entraram em colapso, como a FTX e outros vários empreendimentos faliram. we.trade, um financiamento comercial baseado em blockchain, encerrou suas operações em junho depois de ficar sem recursos. Alguns meses depois, a Australian Securities Exchange cancelou seu sistema de compensação baseado em blockchain. E no final de novembro, a TradeLens anunciou que estava descontinuando sua plataforma de comércio global baseada em blockchain. Outros projetos corporativos de blockchain, como o aplicativo de rastreabilidade de alimentos do Walmart, ainda continuam, mas sua aceitação e progresso foram mais lentos do que o previsto.

A IBM e a Maersk lançaram o TradeLens em 2018 junto com outras 94 organizações. Seu objetivo era promover um comércio global mais eficiente e seguro, aproveitando as informações digitais de remessa de contêineres em sua plataforma blockchain compartilhada. A TradeLens foi um dos maiores projetos corporativos de blockchain, cujos parceiros incluíam 15 grandes transportadoras marítimas, 10 bancos multinacionais de financiamento e mais de 270 terminais portuários. De acordo com o comunicado da Maersk, “a plataforma, fundada em uma visão ousada de alcançar a colaboração global, ainda não alcançou a viabilidade necessária para continuar trabalhando e funcionando como um negócio independente”.

Por que o TradeLens e outros projetos corporativos de blockchain falharam, ou estão progredindo mais devagar do que o previsto? O artigo do WSJ cita três possíveis razões: I. a dificuldade de recrutar participantes para colaborar em um objetivo comum; II. o tempo necessário para implantar uma nova tecnologia transformadora complexa; e III. a complexidade intrínseca dos sistemas baseados em blockchain. Deixe-me comentar cada uma dessas possíveis razões.

A dificuldade de recrutar participantes colaboradores

“A TradeLens só poderia funcionar com a colaboração de uma série de empresas e nações – que nunca se encaixaram”, disse o artigo. Isso não é de surpreender. Iniciativas complexas, que requerem a estreita colaboração de várias empresas são bastante difíceis de organizar por vários motivos: as empresas participantes são, muitas vezes concorrentes; há também um conjunto de prioridades, exigências por transparência, pois geralmente não confiam umas nas outras, querem direitos de propriedade e participações na governança, compatíveis com seus investimentos e assim por diante. Vou citar dois exemplos concretos de minhas experiências pessoais nas indústrias de TI e Telecom.

Nas primeiras décadas da indústria de TI, no Brasil, dos anos 90, os fornecedores trouxeram para o mercado seus próprios sistemas de rede proprietários, como o NetWare da Novell e o DECnet da Digital. Isso funcionava muito bem, desde que todas as comunicações estivessem dentro da mesma empresa usando a mesma arquitetura, do mesmo fornecedor. Mas tentar passar por empresas e fornecedores distintos era muito complicado. Imagine que enviar um simples e-mail usando um aplicativo de um fornecedor ‘A’, para alguém em uma instituição diferente usando o aplicativo de um fornecedor ‘B’ era bastante complicado.

A internet mudou tudo isso. Durante as décadas de 1970 e 1980, as comunidades acadêmica e de pesquisa desenvolveram redes abertas e protocolos de e-mail, — TCP/IP, SMTP, POP, IMAP, — que permitiu que as pessoas se comunicassem facilmente com qualquer pessoa em qualquer sistema. Alguns anos depois, os padrões abertos da web – HTML, HTTP, URLs – permitiram que um usuário em um PC conectado à internet, acessasse informações em qualquer servidor web em qualquer lugar do mundo. O crescimento explosivo da internet na década de 1990 finalmente forçou as empresas a abraçar a rede aberta, e-mail e padrões da web, e a participar de organizações como IETF e W3C formadas para supervisionar sua evolução.

Uma história semelhante aconteceu com o UNIX. Na década de 1980, o UNIX tornou-se um sistema operacional popular para estações de trabalho, supercomputadores e vários aplicativos, mas diferentes fornecedores desenvolveram sua própria versão do UNIX – AIX da IBM, Solaris da Sun, HP-UX da HP – que diferiam um pouco, de modo que os usuários não podiam facilmente portar aplicativos em todas essas versões diferentes do UNIX. Vários grupos tentaram e falharam em criar um conjunto padrão de interfaces de programas de aplicativos (APIs) UNIX, principalmente porque os fornecedores não confiavam uns nos outros. Finalmente, o Linux surgiu na década de 1990 como um sistema operacional de código aberto semelhante ao UNIX e foi adotado de todo o coração por centros de pesquisas e comunidades da Internet.

Com o tempo, um número crescente de empresas apoiou o Linux, contribuiu para seu desenvolvimento e fundou o Open Source Development Labs (OSDL) em 2000 para supervisionar seu desenvolvimento, que se tornou a Linux Foundation em 2007. Em 2016, a Linux Foundation lançou o Hyperledger projeto baseado no Hyperledger Fabric, uma infraestrutura de blockchain autorizada de código aberto na qual o aplicativo TradeLens foi desenvolvido. As empresas geralmente não adotam novas tecnologias e aplicativos importantes, nem colaboram em seu desenvolvimento até que essas tecnologias tenham provado seu valor comercial no mercado. Isso ainda não aconteceu com blockchains, principalmente porque as tecnologias ainda são muito novas e imaturas para substituir as soluções existentes boas o suficiente.

O tempo necessário para implantar uma nova tecnologia transformadora complexa

“As tecnologias de uso geral (GPTs) são motores para o crescimento”, escreveram Erik Brynjolfsson, Daniel Rock e Chad Syverson em “The Productivity J-Curve”, um artigo de pesquisa do NBER de 2020. “Essas são as tecnologias que definem seu tempo e podem mudar radicalmente o ambiente econômico.” Mas realizar seu potencial requer investimentos complementares maciços, como redesenho de processos de negócios, co-invenção de novos produtos e modelos de negócios, requalificação da força de trabalho e um repensar fundamental da própria organização. Além disso, quanto mais transformadoras as tecnologias, mais tempo leva para adotá-las amplamente por empresas e setores em toda a economia.

Por exemplo, após a introdução da energia elétrica no início da década de 1880, as empresas levaram 40 anos para descobrir como reestruturar suas fábricas para aproveitar essa nova fonte de energia, com inovações de fabricação como a linha de montagem e desenvolver novos produtos domésticos elétricos como geladeiras, lava-louças e máquinas de lavar roupas. Da mesma forma, os transistores substituíram os tubos de vácuo em rádios, TVs e computadores na década de 1950. Mas levaria mais algumas décadas para a indústria de semicondutores decolar com o desenvolvimento de um grande número de produtos eletrônicos de consumo, incluindo computadores pessoais e smartphones, e computadores muito poderosos que permitiram o desenvolvimento de aplicativos grandes e complexos, como comércio eletrônico, pesquisa e IA. Blockchain é uma tecnologia de propósito geral, capaz de suportar uma ampla variedade de aplicações e provavelmente se tornará um dos próximos passos importante na evolução contínua da internet. Mas, como a internet, o blockchain é uma tecnologia fundamental, cujo impacto transformador total levará tempo. O processo de adoção de tecnologias fundamentais é gradual, incremental e constante, porque elas devem superar muitos tipos diferentes de barreiras — tecnológicas, organizacionais e políticas.

A complexidade intrínseca do blockchain

Blockchains são baseados em décadas de pesquisas em criptografia, dados distribuídos, teoria dos jogos e outras tecnologias avançadas. Mas por mais avançadas que sejam essas tecnologias, a complexidade real no uso corporativo de blockchains não se deve a suas tecnologias. A complexidade está nos aplicativos colaborativos suportados por plataformas blockchain.

Eu penso nos aplicativos blockchain como uma espécie de ERP 2.0. Os sistemas Enterprise Resource Management (ERP) visam melhorar a eficiência de uma organização, compartilhando informações entre seus vários departamentos e processos. As implementações de ERP são geralmente bastante complexas porque afetam muitas das funções da organização. Imagine agora implementar um sistema ERP, não entre departamentos de uma mesma organização, mas em várias organizações diferentes espalhadas pelo mundo — que geralmente não confiam umas nas outras. Na minha opinião, esta é a principal razão para a complexidade intrínseca do blockchain corporativo, — a natureza dos aplicativos, não a tecnologia.

Marco Iansiti e Karim Lakhani explicaram muito bem essa complexidade e a promessa de blockchains em seu artigo de 2017 da Harvard Business Review, “The Truth about Blockchain”:

“Contratos, transações e seus registros estão entre as estruturas definidoras de nossos sistemas econômico, jurídico e político. Eles protegem os ativos e estabelecem limites organizacionais. Estabelecem e verificam identidades e registram eventos. Governam as interações entre nações, organizações, comunidades e indivíduos. Orientam a ação gerencial e social. E, no entanto, essas ferramentas críticas e as burocracias formadas para gerenciá-las não acompanharam a transformação digital da economia. Em um mundo digital, a forma como regulamos e mantemos o controle administrativo precisa mudar.”

“Com o blockchain, podemos imaginar um mundo no qual os contratos são incorporados em código digital e armazenados em bancos de dados transparentes e compartilhados, onde são protegidos contra exclusão, adulteração e revisão. Neste mundo, todo acordo, todo processo, toda tarefa e todo pagamento teria um registro e assinatura digital que poderiam ser identificados, validados, armazenados e compartilhados”.

Essa transformação da economia baseada em blockchain levará tempo. Mas, como aconteceu com outras tecnologias transformadoras, tenho esperança de que progrediremos em uma série de etapas incrementais, incluindo etapas iniciais como TradeLens que não funcionaram muito bem e com as quais podemos aprender.

23/05/2023

Metaverso e AR/VR serão a próxima grande novidade da TI?

“Metaverso AR/VR serão realmente a próxima grande novidade?”, perguntou The Economist em A reality check for the metaverse is coming, e em outro artigo, o “The World Ahead 2023”, sua edição de final de ano sobre a qual escrevi há poucos dias. “Após a computação de desktop, a internet para o consumidor e o boom dos smartphones, a indústria de computação para o consumidor já passou para a sua próxima grande novidade”, disse o artigo. “O próximo ano verá grandes empresas de tecnologia apostando em duas possibilidades relacionadas e muito comentadas. Um deles são os headsets de realidade virtual (VR) e realidade aumentada (AR); a ideia de que, tendo encolhido os computadores para caber em nossos bolsos, o próximo passo é prendê-los em nossos rostos. O outro é o metaverso, que propõe deixar de lado a internet ainda amplamente plana – baseada em textos, imagens e vídeos bidimensionais – para ser substituída por uma tridimensional e imersiva, experimentada como uma espécie de rede mundial – videogame.”

Não há dúvida de que o metaverso e os headsets AR/VR são tendências importantes a serem observadas nos próximos anos. Como escreveu o The Economist em um artigo de novembro de 2021, “à medida que os computadores se tornam mais capazes, as experiências que eles geram se tornam mais ricas. A internet começou sua vida exibindo nada mais emocionante do que um texto branco em um fundo preto.”

O último grande avanço nas interfaces de usuário ocorreu na década de 1980, quando as interfaces de texto deram lugar às interfaces gráficas de usuário (GUIS). As GUIs foram desenvolvidas pela primeira vez na Xerox PARC no final dos anos 1970 e mais tarde popularizadas pelo Apple Macintosh nos anos 80. Na década de 1990, as GUIs foram adotadas por quase todos os PCs e dispositivos de usuário, e os navegadores Web baseados em GUI desempenharam um papel importante no crescimento explosivo da Internet.

Em meados dos anos 2000, novas versões dos consoles Xbox e PlayStation trouxeram melhorias para o desempenho de videogames, altamente visuais e interativos. Esses avanços prometiam inaugurar uma nova geração de interfaces de usuário não apenas para videogames e outros aplicativos de entretenimento, mas também para todos os tipos de aplicativos de educação, ciência, saúde, governo e negócios. Me lembro que, para explorar o potencial desses aplicativos, muitos projetos foram lançados, inclusive um da IBM, em 2005, focado no Second Life, uma plataforma semelhante a um metaverso na qual os usuários podiam desenvolver uma variedade de aplicativos do mundo virtual.

Vários ambientes foram construídos no Second Life, como reuniões virtuais, eventos online, visitas a museus e outros semelhantes. Mas, apesar das grandes expectativas, nenhum aplicativo ofereceu a experiência do usuário de videogames.

AR, VR e Metaverso vão atingir as expectativas?

A tecnologia avançou, assim como nosso uso e experiência online como e-commerce, reuniões virtuais, e-learning e telemedicina. Deixe-me comentar o status atual e a promessa de AR, VR e Metaverso.

Realidade aumentada

AR compreende um conjunto de tecnologias que sobrepõem dados digitais gerados por computador, imagens e animações em objetos do mundo real. Muitos aplicativos AR são focados em entretenimento e disponiveis por meio de aplicativos para smartphones e tablets, como, Pokemon Go e Snapchat. Mas o AR está sendo cada vez mais aplicado a uma variedade de aplicações industriais e médicas e fornecido por meio de dispositivos vestíveis de viva-voz, como fones de ouvido AR e óculos inteligentes.

Em 2019, uma apresentação/palestra muito boa, a Why Companies Need an Augmented Reality Strategy, do professor de Harvard Michael Porter e James Heppelmann, CEO da PTC, uma empresa de software abordou a seguinte temática:

“Enquanto o mundo físico é tridimensional, a maioria dos dados está presa em páginas e telas bidimensionais”. A restrição de lidar com produtos altamente complexos não é mais uma falta de dados e insights, mas sim, como os humanos melhor assimilam e agem sobre as enormes quantidades de dados de produtos, que agora podem ser coletados, armazenados e analisados por uma variedade de aplicativos. Esse abismo entre os mundos real e digital exige que as pessoas traduzam mentalmente os volumes de informações 2-D agora disponíveis para uso em um mundo 3-D. Isso nem sempre é fácil… qualquer um pode comprovar: quem montou móveis em casa, seguindo o diagrama e as instruções passo a passo; ou quem tentou aprender a usar o kit multimídia, entretenimento e navegação de seu novo carro; e até um técnico especialista, tentando diagnosticar e consertar um problema sério em um elevador ou motor a jato; para todos estes a AR permitirá um novo paradigma de entrega de informações, escreveram os autores. “Ao sobrepor informações digitais diretamente em objetos ou ambientes reais, o AR permite que as pessoas processem o físico e o digital simultaneamente, eliminando a necessidade de unir mentalmente os dois. Isso melhora nossa capacidade de absorver informações com rapidez e precisão, tomar decisões e executar tarefas necessárias com rapidez e eficiência.”

Realidade virtual

Enquanto a AR sobrepõe dados e imagens no mundo real, a realidade virtual é uma simulação gerada por computador que faz com que o usuário se sinta imerso em um mundo virtual 3D. Os usuários experimentam e interagem com seus ambientes virtuais por meio de seus óculos de realidade virtual imersivos, que podem rastrear e reagir aos movimentos da cabeça e dos olhos dos usuários, bem como por meio de tecnologias hápticas que podem simular a experiência do toque, permitindo que os usuários controlem objetos virtuais. Os headsets e aplicativos de realidade virtual foram desenvolvidos pela primeira vez na década de 1980, mas avançaram significativamente nas últimas décadas.

A RV tem sido particularmente bem-sucedida em videogames. “A indústria de videogames – o único tipo de entretenimento totalmente exposto ao poder de composição da lei de Moore – vende mundos virtuais há anos”, escreveu The Economist em seu artigo de novembro de 2021. Jogos online como World of Warcraft, Fortnite e Roblox têm centenas de milhões de usuários, enquanto suas empresas de jogos têm altas avaliações – evidência de que mundos virtuais imersivos podem ser populares e lucrativos.

Aplicações de RV foram desenvolvidas em vários domínios além dos videogames, como shows virtuais na indústria do entretenimento; reuniões, conferências, feiras e eventos de negócios no mundo todo; e em uma variedade de aplicações como simuladores de voo, treinamento de astronautas, treinamento militar e educação médica.

Metaverso

Como vimos, as tecnologias AR/VR prometem grandes avanços em interfaces de usuário, fones de ouvido e aplicativos, todos em andamento há algum tempo como parte da evolução incremental da Internet. Mas, a promessa do metaverso é mais profunda, ou seja, a substituição de uma internet amplamente plana e bidimensional por uma internet imersiva tridimensional. Isso seria realmente uma próxima grande novidade.

Mas quão realista é tal promessa de metaverso? Na tentativa de lançar alguma luz sobre essa questão, li vários artigos recentes que abordavam a questão comparando a RV com o Metaverso. Por exemplo, este artigo define o metaverso como “um reino virtual tridimensional online, aberto, compartilhado, persistente que oferece às pessoas a conexão umas com as outras de todas as partes de suas vidas. Ele vincularia muitas plataformas, da mesma forma que a rede mundial de computadores conecta vários sites usando um navegador. … Os paralelos com a realidade virtual são impossíveis de ignorar ao ler sobre o Metaverso. No entanto, existem algumas diferenças significativas.”

A primeira grande diferença é que enquanto a realidade virtual é bem definida, o metaverso não é. “O Metaverso, de acordo com Mark Zuckerberg, é uma rede corporificada onde você está presente no material em vez de apenas assisti-lo. De acordo com a versão mais recente da Microsoft, também é conhecido como um ambiente digital persistente preenchido por tecnologias relacionadas de pessoas, lugares e objetos. Quando comparamos nossa própria compreensão da realidade virtual, essas descrições podem parecer bastante vagas. Também é provável que mesmo as corporações de TI não tenham uma descrição abrangente.” Isso não é surpreendente, visto que a RV existe há quase quatro décadas, enquanto o desenvolvimento sério do metaverso é relativamente recente.

Outro artigo acrescenta que não há uma definição clara do metaverso. “Algumas definições do metaverso o apresentam como um mundo digital aberto, compartilhado e persistente, enquanto outras o definem como uma internet corporificada. Como resultado, você pode encontrar apenas descrições vagas sobre o metaverso em comparação com as da realidade virtual.”

Em outras palavras, como acontece com outras tecnologias potencialmente transformadoras, leva tempo para saber como elas vão funcionar. “Ninguém tem certeza se vr, ar ou o metaverso é realmente o futuro da computação, disse The Economist em conclusão. “Mas as revoluções da noite para o dia não são como a tecnologia funciona. A Apple não inventou o smartphone do nada. Ela aperfeiçoou uma fórmula na qual seus concorrentes vinham trabalhando há anos, na forma de telefones BlackBerry e handhelds Palm, por exemplo. Isso não garante que as empresas que apostam nessas tecnologias da moda sejam bem-sucedidas. Mas isso mostra por que eles estão tentando.”

20/05/2023

Previsões para um mundo imprevisível

No final de 2022, o The Economist publicou a matéria “The World Ahead 2023”, sua edição anual de fim de ano que examina as tendências e eventos que provavelmente moldarão o próximo ano. Há dois anos, “O Mundo em 2021” dizia que deveríamos esperar incertezas no próximo ano, dadas as interações entre a ainda florescente pandemia de covid-19, recuperação econômica desigual e geopolítica turbulenta. No ano passado, “O Mundo em 2022” disse que 2022 seria um ano de ajuste a novas realidades em áreas como trabalho e viagens sendo reformuladas pela pandemia, e como tendências mais profundas, a ascensão da China e a aceleração das mudanças climáticas.

“Depois de dois anos, em que a pandemia moldou o futuro imediato, o principal fator agora é a guerra na Ucrânia”, disse Tom Sandage, editor das edições anuais da World Ahead. “Nos próximos meses, o mundo terá que lidar com a imprevisibilidade do impacto do conflito na geopolítica e na segurança; a luta para controlar a inflação; caos nos mercados de energia; e o caminho pós-pandêmico incerto da China. Para complicar ainda mais, todas essas coisas estão fortemente conectadas, como engrenagens.”

E estas foram as principais tendências apontadas para 2023:

1. Olhos voltados para a Ucrânia – “Preços de energia, inflação, taxas de juros, crescimento econômico, escassez de alimentos – tudo depende de como o conflito se desenrolará nos próximos meses“.
2. Recessões se aproximam – “As principais economias entrarão em recessão à medida que os bancos centrais aumentam as taxas de juros para sufocar a inflação, um efeito colateral da pandemia que inflou os preços da energia”.
3. O lado positivo do problema climático – “A guerra acelerará a mudança para energias renováveis como uma alternativa mais segura aos hidrocarbonetos.”
4. Pico da China? – “Com a população da China em declínio e sua economia enfrentando turbulências, espera-se muita discussão sobre se a China atingiu o pico.”
5. América dividida – “As divisões sociais e culturais sobre aborto, armas e outras questões controversas continuam a aumentar.”
6. Pontos de focos – “O foco intenso na guerra na Ucrânia aumenta o risco de conflito em outros lugares.”
7. Mudança de alianças – “Em meio a mudanças geopolíticas, as alianças estão respondendo. A OTAN, revitalizada pela guerra na Ucrânia, receberá dois novos membros.”
8. Turismo de vingança – “À medida que os viajantes se envolvem no turismo de ‘vingança’ pós-bloqueio, os gastos dos viajantes quase retomarão níveis de 2019.”
9. Verificação da realidade do metaverso – “A ideia de trabalhar e jogar em mundos virtuais vai pegar além dos videogames?”
10. Ano novo, jargão novo – “Nunca ouviu falar em chave-mestra? … os nimbys estão fora e os yimbys estão dentro; as criptomoedas não são legais e a criptografia pós-quântica é tendência; mas você pode definir um conflito congelado, ou synfuel?”

Vou comentar três dessas tendências.

Um novo sistema global de energia está surgindo

“Em 2022, o apagão de energia causou caos na Europa e em grande parte do mundo, alimentando a inflação e tornando mais provável uma recessão”, escreveu The Economist. “Em setembro de 2022, 1/3 da inflação do mundo rico foi atribuído à energia. O corte do fornecimento de gás à Europa por Vladimir Putin forçou empresas e consumidores a reduzir o consumo em 10% ano sobre ano e provocou temores de desindustrialização. … À medida que os países correm para garantir seus suprimentos de energia, eles estão voltando para os combustíveis fósseis.”

O artigo acrescenta que há um raio de esperança nesse problema de energia. A guerra árabe-israelense de 1973 levou a uma grande crise do petróleo, quando vários países produtores de petróleo do Oriente Médio cessaram as exportações por cinco meses para os EUA e outros países que apoiaram Israel no conflito. O embargo do petróleo gerou longas filas nos postos de gasolina, aumentou os preços do petróleo em 300%, encerrou o período pós-Segunda Guerra Mundial de prosperidade no Ocidente e levantou uma série de ameaças à segurança energética global.

Mas a crise do petróleo de 1973 também desencadeou uma busca por independência energética no Ocidente, levando a grandes investimentos em novas fontes de energia em todo o mundo, bem como a busca por alternativas, como a nuclear. Desde 1977, a produção de petróleo bruto e gás natural aumentou 32% e 81%, respectivamente, nos EUA.

Espera-se agora que o problema energético de 2022 acelere a mudança para fontes renováveis de energia. “Em 2023, o mundo ainda enfrentará mercados instáveis de petróleo e gás, mas também redobrará seus esforços para criar um sistema de energia mais barato, mais limpo e mais seguro”, prevê o The Economist.

Renováveis 2022”, um relatório da Agência Internacional de Energia confirma esta previsão. “A crise global de energia desencadeou uma busca sem precedentes de fontes de energias renováveis, com o mundo pronto para gerar tanta energia renovável nos próximos 5 anos quanto nos últimos 20”, disse o relatório. “A capacidade solar fotovoltaica global [tecnologia fotovoltaica] deve quase triplicar no período 2022-2027, superando o carvão e se tornando a maior fonte de capacidade de energia do mundo. … A capacidade eólica global quase dobra no período de previsão, com projetos offshore respondendo por um quinto do crescimento. Juntas, a energia eólica e a solar representarão mais de 90% da capacidade de energia renovável adicionada nos próximos cinco anos.”

As empresas enfrentarão um mix tóxico de altos custos e baixa demanda

“A Geopolítica fervilha: guerra, pandemia: qualquer um que tenha liderado uma empresa nos altos e baixos da década de 2020 até agora provavelmente sente que já viu de tudo”, escreveu The Economist. “Agora eles devem se preparar para lutar contra outro inimigo – o monstro da alta inflação e da estagnação econômica.”

Os últimos anos foram caóticos. De cadeias de suprimentos a locais de trabalho híbridos, tem sido muito difícil prever como será o ambiente de negócios no novo normal pós-pandemia. A principal área de concordância é que a pandemia acelerou as transformações digitais que as empresas foram forçadas a fazer para ajudá-las a lidar com a crise. “Bem-vindo ao futuro – não 2021, como você esperava, mas 2025, ou mesmo 2030, dependendo de quem você perguntar”, escreveu The Economist há dois anos em “The World in 2021”.

Além disso, após anos de inflação baixa, as empresas agora têm de lidar com altas taxas de juros e alta inflação. Apesar dos custos mais altos, a demanda do consumidor permaneceu forte. “Isso ajudou os lucros das empresas americanas a atingir um recorde durante o ano.”

Em 2023, os salários e outros custos deverão manter-se elevados. E a inflação contínua e as altas taxas de juros podem levar a uma queda na demanda do consumidor e começar a afetar a economia. “Não é de se admirar, então, que 39% dos diretores financeiros pesquisados pela Deloitte, em agosto de 2022, disseram esperar que a América esteja em um período de estagflação em 2023, e 46% esperam uma recessão.”

“Assim como outros desafios enfrentados nos últimos anos, algumas empresas emergirão em melhor forma do que outras. Os chefes que comandam os custos crescentes e participação de mercado em colapso serão expulsos por investidores insatisfeitos. Mas aqueles que saem vitoriosos desta última luta corporativa terão suas reputações melhoradas.”

A China atingiu o seu auge?

Em 2000, o PIB da China era de US$ 1,2 trilhão, enquanto o PIB dos Estados Unidos era de pouco mais de US$ 10 trilhões. Mas em 2021, o PIB da China subiu para US$ 17,7 trilhões, em comparação com os US$ 23 trilhões dos Estados Unidos. “Na trajetória atual, ultrapassará os EUA dentro de uma década”, disse “A Grande Rivalidade Econômica: China x Estados Unidos.”, um artigo da Harvard Kennedy School. “Pelos critérios que CIA e FMI julgam ser a melhor métrica para comparar economias — a paridade do poder de compra [medida que leva em conta o poder de compra de bens e serviços na moeda de cada país] — a China já ultrapassou os EUA para se tornar a maior economia do mundo.”

“No entanto, uma série de dificuldades que cercam o gigante asiático, algumas das quais autoinfligidas, atrasarão o dia em que ultrapassará a América”, escreveu The Economist neste artigo. “Um número crescente de economistas agora acha que esse dia pode nunca chegar.”

As dificuldades autoinfligidas da China incluem sua política draconiana de covid zero, que respondeu a todos os surtos com bloqueios severos que sufocaram a economia e agora estão sendo afrouxados. O mercado imobiliário está em crise. Uma economia socialista mais controlada pelo Estado tem imposto suas opiniões sobre como os negócios devem ser administrados. E regulamentações agressivas diminuíram a inovação e o dinamismo do setor privado no anteriormente próspero setor de tecnologia. “A economia da China expandiu impressionantes 8,1% em 2021, mas terá sorte se crescer até 3% este ano.”

A longo prazo, a demografia também está trabalhando contra a China, em grande parte baseada na política do filho único em vigor entre 1980 e 2015. “Em 2023, a população da China, atualmente cerca de 1,4 bilhão, provavelmente começará a encolher, e a Índia a superará como o maior país mais populoso. Durante anos, a proporção de idosos na China vem aumentando, enquanto a força de trabalho diminui. Isso também reduziu o crescimento econômico e colocou um fardo enorme sobre os jovens”.

“Em retrospecto, a pandemia marcou o fim de um período de relativa estabilidade e previsibilidade na geopolítica e na economia”, escreveu o editor da World Ahead, Tom Sandage, em conclusão. “O mundo de hoje é muito mais instável, convulsionado pelas vicissitudes da rivalidade entre grandes potências, os tremores secundários da pandemia, turbulência econômica, clima extremo e rápidas mudanças sociais e tecnológicas. A imprevisibilidade é o novo normal. Não há como fugir disso.”

19/05/2023

Medindo o Progresso

“Por centenas de milhares de anos, a história humana transcorreu sem nenhum avanço rápido e marcante nos padrões de vida materiais”, escreveu o jornalista do NY Times Ezra Klein na introdução de seu podcast, We Know Shockingly Little About What Makes Humanity Prosper. “E então, de repente,, tudo mudou: a humanidade alcançou uma quantidade verdadeiramente gigantesca de progresso em um piscar de olhos evolutivo. No início do século 21, todos vivemos no mundo legado pelo progresso. E, no entanto, entendemos muito pouco sobre o que impulsiona esse progresso. Isso é importante porque, pelo menos de acordo com algumas métricas, o progresso parece estar diminuindo.”

O convidado do podcast de Klein foi o empresário irlandês Patrick Collison, cofundador e CEO da empresa de serviços financeiros Stripe, uma das startups mais lucrativas e valorizadas do mundo. Collison está muito interessado na longa história do progresso humano e tem sido um dos principais defensores da formação de uma nova disciplina de Estudos do Progresso.

No podcast, Klein e Collison discutiram vários tópicos sobre a história e o estado atual do progresso humano. Mas gostaria de focar meu resumo do podcast em três questões principais: O que é progresso?; por que o progresso está diminuindo?; e precisamos de uma nova disciplina de Estudos do Progresso?

O que é progresso?

“Quando você diz progresso, do que realmente está falando?”, perguntou Klein. “É apenas um atalho para crescimento econômico ou PIB?” Collison respondeu que não há uma definição conclusiva de progresso. Pode ser melhor ter uma intuição ampla sobre o que é o progresso, em vez de tentar defini-lo com muita precisão.

“Para mim, é algo na linha do sucesso, na realização de uma sociedade liberal, pluralista e próspera, é um sentimento entre as pessoas de que seus descendentes podem e provavelmente farão melhor do que eles próprios, e que, de forma mais ampla, o futuro será melhor que o passado, e que pelo menos estamos fazendo um progresso incremental para incorporar valores e moral dos quais pensamos coletivamente que podemos nos orgulhar.”

Ele acrescentou que você deve julgar os períodos de progresso em relação à linha de base que os precedeu. Por exemplo, a Grã-Bretanha do século 18 claramente não era uma sociedade ideal. Mas, em comparação com o século 16, “os ideias de direitos naturais e tolerância religiosa e assim por diante – melhoraram um pouco“. Da mesma forma, a década de 1930 estava longe de ser perfeita nos Estados Unidos, “mas em relação à sociedade de 1830, acho que se compara de forma relativamente favorável. E acho que não é coincidência que Adam Smith – em seu primeiro livro [The Theory of Moral Sentiments], é claro, – era sobre ética e moral e tentava incutir melhores ideais e comportamentos gerais em uma sociedade. E talvez depois disso, ele defendeu e lançou muitos dos fundamentos [em A Riqueza das Nações] do que reconheceríamos como economia moderna. Então não acho perfeito. Mas, pela média, acho que a correlação é positiva.”

Por que o progresso está diminuindo?

Collison e o escritor de ciência Michael Nielsen publicaram Science is Getting Less Bang for Its Buck, um artigo de novembro de 2018 no The Atlantic. Eles escreveram que “hoje, há mais cientistas, mais financiamento para a ciência e mais artigos científicos publicados do que nunca. Isso é encorajador. Mas, mesmo com todo esse aumento de esforço, estamos obtendo um aumento proporcional em nossa compreensão científica? Ou estamos investindo muito mais apenas para sustentar (ou mesmo ver um declínio) na taxa de progresso científico?”

Collison explicou que há duas razões possíveis pelas quais o progresso científico diminuiu nas últimas décadas, apesar do fato de que o número de cientistas, o valor que estamos gastando e a produção de artigos e periódicos produzidos aumentaram por um fator de 20x a 100x entre 1950 e 2010.

Uma possibilidade é que o progresso seja mais difícil porque estamos ficando sem frutos disponíveis, o que fica evidente comparando a primeira metade do século 20 com a segunda. A primeira metade viu grandes avanços fundamentais na física, como a mecânica quântica e a relatividade. Enquanto a segunda metade viu menos avanços na física, houve grandes avanços na biologia – por exemplo, a descoberta do DNA e o sequenciamento do genoma humano; bem como a criação de novos campos de ciências da computação e tecnologias da informação. Pode não ter havido uma grande desaceleração em termos absolutos, mas se você olhar para o progresso per capita, teríamos que descobrir muitas coisas mais importantes para compensar o grande aumento dos investimentos na segunda metade do o século 20.

“Ou a outra possibilidade é que, de alguma forma, estamos fazendo isso de maneira abaixo do ideal”, acrescentou Collison. “Algo mudou e estávamos seguindo esse processo de descoberta com mais eficiência no passado e, presumivelmente, por razões desconhecidas, algo deu errado e agora somos menos eficientes nisso”.

Questões semelhantes foram levantadas sobre inovações tecnológicas em geral. Dado o ritmo da mudança tecnológica, tendemos a pensar em nossa época como a mais inovadora de todos os tempos. Mas, nas últimas décadas, vários economistas argumentaram que nossos crescentes esforços de P&D estão gerando retornos decrescentes.

“Temos smartphones e supercomputadores, big data e nanotecnologias, terapia genética e transplantes de células-tronco”, escreveu The Economist em um artigo de janeiro de 2012. Governos, universidades e empresas gastam juntos cerca de US$ 1,4 trilhão por ano em P&D.” Mas, talvez isso não se compare ao saneamento moderno, eletricidade, carros, aviões, telefone e antibióticos. Essas inovações, desenvolvidas pela primeira vez no final do século 19 e início do século 20, há muito vêm transformando a vida de bilhões.

Em um artigo de setembro de 2012, o economista da Northwestern University, Robert Gordon, questionou a suposição geralmente aceita de que o crescimento econômico é um processo contínuo que persistirá para sempre. Ele escreveu que o crescimento lento que estamos experimentando nos Estados Unidos e em outras economias avançadas pode não ser cíclico, mas sim uma evidência de que o crescimento econômico de longo prazo pode estar atingindo um muro de retornos decrescentes. Houve pouco crescimento antes de 1800, e pode ser concebível que haja pouco crescimento no futuro.

Mas também devemos ter em mente que leva um tempo considerável, muitas vezes muitas décadas, para traduzir os benefícios das inovações tecnológicas em maior produtividade e crescimento econômico. A Revolução Industrial começou por volta da década de 1760, mas o rápido crescimento, os benefícios de produtividade e o aumento da renda per capita que ela levou aconteceram mais de um século depois, aproximadamente entre 1870 e 1970. Talvez esse seja o caso da Internet, IA, genômica e outras inovações importantes sendo implantadas no século XXI.

Precisamos de uma nova disciplina de Estudos do Progresso?

Em um artigo de julho de 2019 no The Atlantic, o economista da Collison e George Mason University, Tyler Cowen, argumentou que “a humanidade precisa melhorar em saber como melhorar” e que, para isso, precisamos de uma nova ciência do progresso.

“O progresso em si é pouco estudado”, disseram eles. “Por progresso, queremos dizer a combinação de avanços econômicos, tecnológicos, científicos, culturais e organizacionais que transformaram nossas vidas e elevaram os padrões de vida nos últimos dois séculos. Por uma série de razões, não existe um movimento intelectual de base ampla focado na compreensão da dinâmica do progresso ou visando o objetivo mais profundo de acelerá-lo. Acreditamos que ela merece um campo de estudo dedicado. Sugerimos inaugurar a disciplina de Estudos do Progresso.”

Ao longo da história, descobertas transformadoras surgiram em bolsões geográficos relativamente pequenos de inovação, como a Grécia na história antiga, partes da China e do mundo muçulmano na Idade Média, Florença durante o Renascimento, norte da Inglaterra no início da Revolução Industrial e Silício Vale na segunda metade do século XX.

Por que a inovação floresceu nesses lugares? O que eles têm em comum? Por que o Vale do Silício aconteceu na Califórnia e não no Japão ou em Boston? Esses são os tipos de questões que os estudos de progresso investigariam. Embora a pesquisa atual em várias disciplinas aborde esses tópicos, ela o faz de maneira altamente fragmentada que não aborda diretamente algumas das questões mais importantes e práticas.

“Nesse sentido, o mundo se beneficiaria de um esforço organizado para entender como devemos identificar e treinar jovens, como os pequenos grupos mais eficazes trocam e compartilham ideias, quais incentivos devem existir para todos os tipos de participantes em ecossistemas inovadores (incluindo cientistas, empresários, gerentes e engenheiros), o quanto diferentes organizações diferem em produtividade (e os impulsionadores dessas diferenças), como os cientistas devem ser selecionados e financiados e muitas outras questões relacionadas.

No final do podcast, Klein observou que, embora as pessoas tenham ficado empolgadas com os produtos e serviços inovadores aos quais agora têm acesso, muitas não acham que a vida melhorou em um nível macro. “Não é como se você pudesse olhar em volta e dizer, bem, eu tenho este computador no bolso e tudo está indo muito bem também. É como se eu tivesse um computador no bolso e o que ele continua me dizendo é que tudo não está indo bem.”

Collison disse que concordava “sobre a importância central de garantir que as melhorias no padrão de vida sejam realmente amplamente realizadas em toda a sociedade. Isso também, penso eu, poderia servir como um manifesto para algumas dessas ideias dos Estudos de Progresso.”

“E minha opinião seria que, tanto do ponto de vista moral, mas talvez mais importante do ponto de vista político-econômico, o que importa é se, em uma base absoluta, as pessoas sentem que estão percebendo oportunidades, suas vidas estão melhorando , que as coisas estão melhorando, que seus filhos estarão em uma situação melhor.”

14/05/2023

Aproveitando os investimentos em nuvem

“A última década trouxe duas grandes tendências”, disse o Five Keys To Innovating Faster With Cloud, relatório da Forrester Research. “Primeiro, pela necessidade crescente de inovação e adaptabilidade, à medida que as empresas respondem às tendências orientadas para o cliente. Ao mesmo tempo, as plataformas de nuvem avançaram rapidamente em suas capacidades e facilidade de implantação. Aproveitar a nuvem tornou-se a maneira mais rápida de modernizar a tecnologia e fornecer a inovação e a adaptabilidade necessárias em uma estratégia obcecada pelo cliente.”

A nuvem surgiu no final dos anos 2000 como um novo modelo de computação – o terceiro na história da indústria de TI, depois da computação centralizada, baseada em mainframe e dos modelos cliente-servidor baseados em PC. A internet é a tecnologia que define o modelo de nuvem.

A nuvem passou por três estágios principais nos últimos quinze anos. Primeiro veio a infraestrutura como serviço, oferecendo escalabilidade quase ilimitada a preços muito atrativos. Então veio o software como serviço, oferecendo uma maneira mais rápida e menos dispendiosa de prototipagem e implantação aplicativos inovadores com ferramentas avançadas como contêineres, Kubernetes e microsserviços. A computação em nuvem entrou agora no terceiro estágio – um importante motor de transformação de negócios que está ajudando as empresas a se adaptarem à digitalização da economia – uma digitalização que acelerou significativamente desde o advento do Covid-19 em março de 2020.

O relatório cita as principais razões dadas pelos tomadores de decisão da empresa para adotar a computação em nuvem: capacidade de escalar rápida e facilmente (41%); serviços gerenciados por especialistas de provedores de serviços em nuvem (40%); capacidade de implantar equipe interna de TI para outras tarefas (37%); tempo de implantação mais rápido (36%); e foco nas prioridades de negócios em vez de infraestrutura (30%).

“Maturidade é importante na construção de sua estratégia de nuvem”, observa o relatório. Uma estratégia de nuvem bem-sucedida precisa estar alinhada com o nível de maturidade da organização, para garantir que a empresa não passe por problemas. “Embora algumas organizações estejam muito avançadas no uso da nuvem, muitas empresas ainda estão no início de sua jornada.”

Isso não é de surpreender. Historicamente, nos últimos dois séculos, houve um intervalo de tempo significativo entre a adoção de tecnologias transformadoras por organizações de ponta e sua disseminação por empresas e setores em toda a economia. As tecnologias transformadoras exigem grandes investimentos complementares – como redesenho de processos de negócios, co-invenção de novos produtos e modelos de negócios e requalificação da força de trabalho – antes que possam ser amplamente adotadas.

Por exemplo, na última década, as principais universidades e empresas desenvolveram aplicativos de IA impressionantes que já igualaram ou superaram os níveis humanos de desempenho em várias áreas, incluindo reconhecimento de imagem e fala, classificação de câncer de pele e detecção de câncer de mama, e derrotando humanos campeões em jogos altamente complexos como Jeopardy e o Go. Mas, em um estudo recente, publicado pela Accenture sobre o estado da IA no mercado, descobriu que apenas 12% das empresas se qualificam como tendo a maturidade de IA necessária para alcançar crescimento superior e transformação de negócios, enquanto a grande maioria das organizações ainda tem níveis relativamente baixos de maturidade da IA.

O relatório lista cinco pontos que toda organização deve ter em mente para ajudá-la a desenvolver sua estratégia de nuvem.

Sua estratégia de nuvem deve estar alinhada com sua visão e contexto de negócios. “Se você deseja usar a nuvem com sucesso, coloque todas as decisões sobre nuvem em relação à sua estratégia de negócios, independentemente do seu nível de maturidade.” Em outras palavras, desenvolva uma estratégia de nuvem coesa para toda a empresa com base em seu valor comercial geral para a organização, em vez de criar um plano de nuvem em partes.

Cloud-native é uma forma de trabalhar, não apenas um conjunto de tecnologias. As empresas devem ver a mudança para a nuvem como uma excelente oportunidade para adotar atributos nativos da nuvem e formas de trabalhar para obter grandes melhorias em agilidade, resiliência, automação e produtividade. “Os principais desafios para uma estratégia de nuvem bem-sucedida são de natureza cultural, não técnica. As tecnologias nativas da nuvem agregarão pouco valor se as práticas e os sistemas ao seu redor não forem modernizados. Isso se aplica a arquiteturas, processos, governança, habilidades, financiamento e licenciamento.”

Governança de Cloud é um tema crítico para ser debatido entre governados e governantes. “Mesmo depois de muitos anos de adoção da nuvem, a governança continua sendo um conceito relativamente novo, pois as organizações têm se concentrado mais na velocidade e na flexibilidade que a nuvem oferece. … Trabalhe em conjunto com seus fornecedores, unidades de negócios, desenvolvedores e clientes para criar um modelo de governança compartilhada que facilite, em vez de impedir, a inovação e a produtividade.”

Nuvem nem sempre é a resposta certa. “O padrão para a nuvem como primeiro pensamento desconsidera os pontos fortes exclusivos que outras plataformas de computação têm a oferecer. … A simplicidade obtida com a padronização em nuvem para tudo pode resultar em perda de experiência do cliente, problemas de desempenho, violações de conformidade, aumento de custos, latência ou riscos de concentração de fornecedores.”

Se você está adicionando complexidade, ela deve ter valor comercial. “Um dos benefícios da nuvem é que ela oferece muitas opções. Um de seus riscos é que pode rapidamente se tornar muito complexo. Se você estiver optando por um modelo de nuvem mais complexo, seja claro sobre o valor comercial que a complexidade oferece.”

Além desses tópicos, o relatório da Forrester inclui um modelo de fundamentos de estratégia de nuvem para ajudar a orientar as empresas em sua jornada para a nuvem. O Modelo compreende quatro pontos-chave:

Há uma nova taxonomia para plataformas de nuvem. Em seus primeiros anos, a nuvem era vista principalmente como xxx-as-a-service na Internet, em particular, infraestrutura como serviço (IaaS), plataforma como serviço (PaaS) e software como serviço (SaaS). Na opinião da Forrester, essa taxonomia não descreve com precisão o serviço de nuvem disponível atualmente. Em vez disso, a nuvem hoje oferece serviços em uma ampla variedade de áreas, incluindo desenvolvimento de aplicativos, banco de dados e análises, segurança, gerenciamento e consultoria.

Há muito tempo vejo a computação em nuvem como a Internet dos Serviços, oferecendo todos os tipos de serviços como serviço, incluindo serviços ao consumidor, serviços empresariais, serviços governamentais, serviços financeiros, serviços de saúde, serviços educacionais e assim por diante.

As práticas de nuvem modernizam o desenvolvimento. Embora a nuvem esteja enraizada na tecnologia, alcançar todos os seus benefícios requer a implementação das práticas corretas para modernizar a cultura e os processos da organização. “Para modernizar as práticas, comece olhando para o escopo dos sistemas (engajamento, insights, registro e inovação); casos de uso fundamentais (construir, migrar, modernizar e comprar/personalizar); e planos de governança (segurança, gerenciamento, operações, arquitetura e habilidades).”

Os parceiros de nuvem aceleram o caminho. Como tem sido o caso da manufatura, uma economia de nuvem bem-sucedida requer a organização de uma cadeia de suprimentos de serviços, ou seja, alcançar a variedade certa de parceiros para muitos dos serviços antes prestados internamente. “Você pode se apoiar em players familiares, como integradores de sistemas, provedores de serviços gerenciados ou consultorias, mas seus parceiros também podem incluir um provedor de plataforma, uma comunidade de código aberto ou até mesmo seus maiores concorrentes.”

A experiência do cliente (CX) e a experiência do funcionário (EX) medirão seu sucesso. Uma estratégia de nuvem bem-sucedida requer um trabalho próximo nas várias unidades de uma empresa para garantir que elas tenham encontrado e implementado o conjunto apropriado de serviços em nuvem. As partes interessadas internas podem adquirir de maneira fácil e direta uma solução de nuvem por conta própria, o que pode contornar a estratégia geral de nuvem corporativa da empresa. “A nuvem agora é seu produto; retenha o que as pessoas amam (ser sob demanda, fácil de configurar e fornecer serviços avançados) e melhore ainda mais a experiência.”

“Em uma era de crescente mesmice digital, a nuvem em si não é o principal diferenciador”, concluiu Forrester. “Ter uma estratégia de nuvem favorece a inovação. Os líderes de arquitetura e desenvolvimento devem trabalhar com todos os parceiros internos e externos para desenvolver uma estratégia que agregue valor real às suas organizações e evite a estagnação, gastos excessivos e mau alinhamento que afetam e arruínam muitas estratégias de nuvem. Esses fundamentos fornecerão os blocos de construção para desenvolver e implementar a estratégia que modernizará sua tecnologia e diferenciará suas experiências.”

Além da Guerra de Preços: O Oceano Azul na Conectividade Brasileira

Introdução Lançado em 2005 por W. Chan Kim e Renée Mauborgne, A Estratégia do Oceano Azul revolucionou o pensamento estratégico...