25/09/2021

Cyber Defesa Colaborativa

Após a Segunda Guerra Mundial e o início da Guerra Fria, os EUA empreenderam uma série de medidas para fortalecer sua resiliência. Isso incluiu a expansão significativa do apoio governamental à pesquisa científica, trazendo inovações de produtos do setor privado e melhores armas da indústria de defesa.

Na década de 1950, o governo promulgou a Lei Nacional de Rodovias Interestaduais e de Defesa, que levou à construção do Sistema de Rodovias Interestaduais. A lei tinha um duplo propósito: facilitar o crescimento econômico do país, bem como apoiar a defesa do país durante uma guerra, se necessário.

E, no final dos anos 1960, o Departamento de Defesa lançou a ARPANET, a infraestrutura digital que mais tarde se tornou a Internet. A ARPANET foi projetada como uma rede digital flexível que permitiria aos computadores continuar a se comunicar com indivíduos e entre si após um ataque militar.

Desenho da ARPANET de 1977

Felizmente, nunca foi necessário testar a capacidade da Internet de manter os EUA funcionando após um ataque ou invasão. Mas, quem teria pensado que 50 anos após o lançamento da ARPANET, uma pandemia global testaria a capacidade da Internet de cumprir seu objetivo original de manter nações e economias em funcionamento, durante a maior crise que o mundo já experimentou, desde a Segunda Guerra Mundial.

A Internet é uma rede de dados de uso geral que oferece suporte a uma variedade notável de aplicativos. O fato da rede ser de propósito geral, permitiu que a Internet continuasse crescendo e se adaptando a aplicativos amplamente diferentes e se tornasse uma das, senão, a plataforma de inovação mais prolífica que o mundo já viu.

Uma das principais razões para a sua capacidade de suportar uma diversidade tão rica de aplicativos é que em sua estrutura lógica, a camada TCP-IP, tem a missão básica de transporte de dados, ou seja, mover bits.

Quase tudo o mais, incluindo segurança, é responsabilidade dos aplicativos executados na Internet. As decisões de design que moldaram a Internet não foram otimizadas para operações seguras e confiáveis.

Não há, na estrutura lógica, dos protocolos básicos da Internet, algo propriamente responsável pela segurança, e isso é o maior desafio que a Internet tem enfrentado, desde seu crescimento explosivo na década de 1990.

As ameaças da Internet têm aumentado junto com a digitalização cada vez maior da economia e da sociedade. Fraudes em larga escala, violações de dados e roubos de identidade se tornaram muito mais comuns. À medida que passamos de um mundo de interações físicas e documentos em papel para um mundo governado principalmente por dados e transações digitais, nossos métodos tradicionais para proteger identidades e dados se mostram bastante inadequados. As empresas estão descobrindo que é caro prevenir e recuperar ataques cibernéticos.

Uma pesquisa recente da McKinsey descobriu que a pandemia acelerou a adoção geral de tecnologias digitais e aplicativos online em três a sete anos, em apenas alguns meses. A maioria das mudanças, que fomos forçados a fazer, em tempo recorde, funcionou muito bem, como o trabalho em casa, reuniões virtuais e telemedicina – com a notável exceção para o aprendizado online, especialmente para crianças mais novas. Também não surpreende que essa aceleração da digitalização tenha sido acompanhada por um volume crescente de ataques cibernéticos contra indivíduos, empresas e governos, sendo alguns deles, bastante sérios.

As ameaças cibernéticas aumentaram significativamente com um número crescente de ataques por grupos criminosos e governos adversários. Em junho, o diretor do FBI Christopher Wray comparou o perigo de ataques de ransomware às ameaças terroristas de 11 de setembro.

Quando Biden e Putin se encontraram em Genebra no final de Junho, o controle de ataques cibernéticos estava no topo da agenda, um assunto que, em outros tempos, seria ocupado pelo controle de armas nucleares. Um editorial recente do NY Times instou Biden a tomar uma posição mais firme contra a Rússia e outras nações que encorajam ou toleram ataques cibernéticos.

A CISA, Cybersecurity & Infrastructure Security Agency, tem a liderança para se defender contra ameaças cibernéticas e construir infraestruturas mais seguras e resilientes.

“As ameaças que enfrentamos – digitais e físicas, artificiais, tecnológicas e naturais – são mais complexas e os atores da ameaça mais diversificados do que em qualquer momento de nossa história”, observa a CISA em seu site.

“A CISA está no centro da mobilização de uma ação de defesa coletiva, à medida que lideramos os esforços para compreender e gerenciar os riscos para nossa infraestrutura crítica.”

Em 12 de maio, o presidente Biden emitiu uma Ordem Executiva para Melhorar a Segurança Cibernética da Nação, com observações importantes a uma série de termos contratuais e restrições que limitam o compartilhamento de informações entre agências governamentais e empresas do setor privado.

“Remover essas barreiras contratuais e aumentar o compartilhamento de informações sobre tais ameaças, incidentes e riscos são passos necessários para acelerar os esforços de dissuasão, prevenção e resposta a incidentes e para permitir uma defesa mais eficaz dos sistemas das agências e das informações coletadas, processadas e mantidos pelo ou para o Governo Federal”, disse o decreto.

Os ataques de 11 de setembro levaram à criação do Escritório do Diretor de Inteligência Nacional (ODNI) para aumentar o compartilhamento da inteligência doméstica, estrangeira e militar em 18 organizações federais. Da mesma forma, o 11 de setembro também levou ao estabelecimento do Departamento de Segurança Interna (DHS), que combinou 22 agências federais, em uma agência unificada para coordenar melhor o antiterrorismo, segurança de fronteira, imigração e alfândega, prevenção e gestão de desastres, e cibersegurança.

Na época dos ataques de 11 de Setembro, a economia digital estava surgindo e era muito diferente de hoje. Nos anos que se seguiram, o número de usuários da Internet e de aplicativos on-line aumentaram exponencialmente, assim como o volume e a variedade de incidentes graves de segurança cibernética nos setores público e privado. Para lidar melhor com esse aumento nas ameaças cibernéticas, a CISA lançou um novo Joint Cyber Defense Collaborative (JCDC)

“para integrar capacidades cibernéticas em várias agências federais, governos estaduais e locais e inúmeras entidades do setor privado para atingir objetivos comuns.”

O anúncio do JCDC lista uma série de objetivos, incluindo:Planos de defesa cibernética abrangentes para enfrentar os riscos e facilitar a ação coordenada;Compartilhar percepções para moldar a compreensão conjunta dos desafios e oportunidades para a defesa cibernética;Coordenar operações cibernéticas defensivas para prevenir e reduzir os impactos das intrusões cibernéticas;Capacidades de defesa cibernética integradas para proteger as infraestruturas críticas da nação;Flexibilidade no planejamento e colaboração para atender às necessidades de defesa cibernética dos setores público e privado; eExercícios conjuntos para melhorar as operações de defesa cibernética.

O anúncio pede explicitamente um planejamento cibernético conjunto com as principais agências federais, incluindo DHS, FBI, NSA, ODNI e o Departamento de Justiça, bem como com governos estaduais e locais e com os proprietários e operadores de infraestruturas críticas, como serviços financeiros, alimentação e agricultura, energia e saúde e saúde pública. Mas, dado o uso generalizado de TI em todo o setor privado e a complexidade das tecnologias de segurança cibernética, o anúncio afirma explicitamente que o JCDC

“envolverá parceiros da indústria e da academia para alavancar percepções, capacidades e recursos exclusivos para apoiar os esforços de planejamento de defesa cibernética, incluindo fornecedores e representantes de TIC de todo o ecossistema cibernético.”

Neste estágio inicial, é difícil prever o papel que o JCDC desempenhará no fortalecimento da segurança cibernética da Nação. Em minha experiência, a cooperação estreita entre governo, empresas e comunidades acadêmicas e de pesquisa é essencial para progredir em iniciativas altamente complexas, multifacetadas e consequentes, como a segurança cibernética. Todos devemos esperar que o JCDC seja bem-sucedido e ajudá-lo nesse sentido. Como disse a diretora da CISA, Jen Easterly, no anúncio:

“O JCDC apresenta uma oportunidade estimulante e importante para esta agência e nossos parceiros – a criação de uma capacidade de planejamento única para ser proativo versus reativo em nossa abordagem coletiva para lidar com as ameaças cibernéticas mais sérias à nossa nação. Os parceiros da indústria que concordaram em trabalhar lado a lado com a CISA e nossos colegas de equipe de outras agências compartilham o mesmo compromisso de defender as funções críticas nacionais de nosso país contra invasões cibernéticas e a imaginação para gerar novas soluções. Com esses parceiros extraordinariamente capazes, nosso foco inicial será nos esforços para combater o ransomware e desenvolver uma estrutura de planejamento para coordenar os incidentes que afetam os provedores de serviços em nuvem.”

23/09/2021

A Evolução dos Shoppings Centers na Economia Digital

No início do ano, The Economist publicou uma reportagem especial, muito interessante, sobre O Futuro do Shopping, incluindo alguns artigos sobre o assunto.

“uma nova espécie de comprador está surgindo: mais empenhado em garantir que o que ele compra reflita o que ele acredita. Esta última versão do consumidor global parece susceptível de mudar a forma como o capitalismo funciona – para melhor.”

O novo consumidor tem sua importante parte neste novo modelo de consumo, mas três grandes mudanças estão transformando o mundo do varejo:

1) A Europa Ocidental e a América do Norte não são mais os maiores mercados de varejo; e essas regiões também não resumem mais a vanguarda do varejo, como sempre foi, com inovações como as lojas de departamentos, os Shoppings Centers, compras por catálogo e e-commerce. Os compradores estão cada vez mais asiáticos.

“No ano passado, a China e a América eram praticamente os maiores mercados de varejo do mundo. Os dois maiores mercados online da China, Taobao e Tmall, do Alibaba, fazem mais negócios com terceiros do que a Amazon.”

E os compradores da Ásia estão agora na fronteira do varejo, com inovações como o comércio eletrônico ao vivo.

2) Além dos preços baixos, os compradores mais jovens são cada vez mais influenciados por seus valores sociais, éticos e políticos ao tomar decisões de compra. Eles estão selecionando com quais marcas se engajar com base em seus valores sociais, como credenciais ambientais e ambiente de trabalho.

Empresas bem administradas trabalham arduamente para estabelecer o tipo de reputação positiva que atrai as pessoas que desejam se associar à marca e a seus produtos e serviços. Isso é particularmente importante na era da Internet, que permite que as ações de uma empresa sejam comunicadas instantaneamente a todos.

“O capitalismo se adapta às preferências da sociedade, por meio de regulamentações e leis governamentais, que os eleitores influenciam, pelo menos nas democracias. Mas a resposta das empresas aos sinais que os consumidores enviam, é uma força para a mudança também”, e é a razão pela qual as empresas gastam tempo, energia e fundos consideráveis cultivando suas marcas.

3) A digitalização cada vez maior da economia. O crescimento explosivo dos dispositivos móveis significa que uma empresa pode se envolver com seus clientes não apenas quando eles estão comprando online, mas onde quer que estejam – em casa, no trabalho ou em uma loja.

“Dados mais precisos e volumosos sobre os padrões de compra estão quebrando a relação de décadas entre o consumo em massa e a produção em massa. Em seu lugar, está um mundo mais variado, no qual o comprador pode decidir se deseja comprar online ou na loja, se compra em plataformas ou em marcas individuais, e se aceita ou não anúncios direcionados”.

As interações digitais personalizadas permitem que as empresas construam laços mais profundos do que nunca com seus clientes e, assim, evoluam de uma estratégia de comprar o que temos para uma estratégia de cliente conectado. Além disso, produtores e consumidores agora podem ter um relacionamento mais direto entre si, espremendo os intermediários da cadeia de suprimentos se eles não agregarem valor.

Embora a pandemia tenha impulsionado as vendas no varejo online, as maiores inovações não estão no e-commerce, mas no que o The Economist chama de O retorno do comércio um-para-um. Um breve histórico de compras explica a importância de tal inovação.

A primeira revolução do varejo ocorreu na Inglaterra elisabetana do século 16, quando artesãos que antes mantinham uma relação direta com seus clientes abriram as primeiras lojas onde venderam uma variedade de itens produzidos por diferentes artesãos.

A segunda grande transformação do varejo ocorreu alguns séculos depois, quando a Revolução Industrial inaugurou a era da produção e do consumo em massa. As fábricas produziam uma variedade de produtos acessíveis voltados para um número crescente de consumidores da classe trabalhadora e média, que eram vendidos em lojas que aumentavam de tamanho para se beneficiar das economias de escala.

A terceira revolução do varejo está ocorrendo agora, com o retorno de uma espécie de relação pré-elisabetana um a um entre consumidor e produtor, possibilitada por tecnologias digitais e grandes quantidades de dados.

“Um para um é um atalho para a turbulência atual no mundo das compras”, observa The Economist.

“O consumidor nunca teve tantas coisas para comprar, ou maneiras de comprá-las. Novas formas de comunicação via mídia social, serviços de mensagens e aplicativos aproximaram produtores e consumidores. Usando trilhões de gigabytes de dados, os fabricantes sabem melhor do que nunca o que os clientes desejam. Seus produtos podem ser entregues direto na porta. O intermediário tradicional, que durante séculos acumulou custos ocultos com custos ocultos, está sendo espremido.”

A pandemia aumentou a penetração do comércio eletrônico, que em poucos meses atingiu níveis não esperados há anos. No entanto, essa explosão do comércio eletrônico não anuncia a morte da loja física. Em 2020, as vendas mundiais de comércio eletrônico foram de US $ 4,2 trilhões, menos de 20% de todas as vendas no varejo. Depois que a Covid-19 for controlada, o ritmo de crescimento do comércio eletrônico provavelmente será moderado.

Mas, o comércio um para um mudará a natureza das lojas, especialmente no Ocidente, porque a infraestrutura de varejo atual não foi construída para a era digital.

“A América tem 24 pés quadrados de espaço de varejo por pessoa,… três vezes mais que a Grã-Bretanha e seis vezes mais que a China. Na América, mais de 8.700 lojas fecharam no ano passado. … Na Grã-Bretanha, 16.000 lojas foram fechadas e 183.000 empregos no varejo foram perdidos. … A adoção do e-commerce na China reflete a onipresença dos smartphones, a escassez de shopping centers atraentes fora das grandes cidades e a alta densidade urbana, o que reduz o custo de entrega.”

O futuro será online e offline. Os varejistas têm desenvolvido estratégias omnichannel, onde as compras físicas e digitais interagem perfeitamente para o benefício de seus clientes. Os consumidores ganharão maior comodidade, dando-lhes a opção de comprar fisicamente ou online, dependendo de suas preferências. Por outro lado, os varejistas têm se esforçado para tornar o omnicanal eficiente e lucrativo.

“Eles têm que pagar não apenas pelos custos de suas lojas, mas também por uma forma de‘ aluguel ’digital para exibir seus produtos em canais de busca online como o Facebook. Eles não devem apenas pagar pela entrega, mas também permitir que os clientes retirem as mercadorias em suas lojas. E eles enfrentam um pesadelo crescente de devoluções de processamento que agora custam aos varejistas mais de US $ 1 trilhão em todo o mundo a cada ano.”

As estratégias omnicanal são particularmente desafiadoras no setor de supermercados. A indústria teve o maior crescimento na atividade online de qualquer categoria de varejo, – crescendo quase 50% na América em 2020, uma tendência que deve durar mais que a pandemia. Mas poucos varejistas têm probabilidade de ganhar dinheiro com a venda de mantimentos online, por causa dos custos mais altos de coleta e entrega dos itens de mercearia, em vez de os clientes escolherem e levarem eles próprios para casa.

“Em um negócio como o varejo de alimentos, que já tinha margens de 2 a 4% antes de entrar online, apenas os mais bem capitalizados e mais eficientes têm garantia de sobreviver ao ataque online.”

E futuro do varejo?

Os pessimistas se preocupam com shoppings mortos, lojas de departamentos abandonadas, milhões de operários desempregados e a redução da receita tributária. Os otimistas, por outro lado, esperam o potencial de democratizar o varejo e permitir que as marcas alcancem os clientes diretamente sem pagar grandes margens, ao mesmo tempo em que criam uma economia com menos atrito, com preços mais suaves, menos barreiras à entrada e mais inovação.

“Inevitavelmente, a transição incorporará partes de ambos”, mas eu acredito que as visões dos otimistas prevaleçam.

07/09/2021

Vem por aí uma era de crescimento da produtividade?

“Os últimos 15 anos foram tempos difíceis para muitos, mas agora há sinais encorajadores de uma virada”,

escreveram os economistas Erik Brynjolfsson e Georgios Petropoulos em The Coming Productivity Boom, um artigo de opinião publicado no MIT Technology Review.

“O crescimento da produtividade, um fator-chave para padrões de vida mais elevados, foi, em média, de apenas 1,3% desde 2006, menos da metade da taxa da década anterior. Mas em 3 de junho, o Bureau of Labor Statistics dos EUA relatou que a produtividade do trabalho dos EUA aumentou 5,4% no primeiro trimestre de 2021. O que é melhor, há motivos para acreditar que isso não é apenas algo pontual, mas sim um prenúncio de tempos melhores à frente: um aumento de produtividade que igualará ou ultrapassará os tempos de boom da década de 1990”.

Depois de crescer a uma taxa média anual de cerca de 2,8% entre 1947 e 1973, a produtividade dos EUA diminuiu significativamente, exceto pelo aumento de produtividade impulsionado pela Internet entre 1996 e 2004. Apesar dos avanços implacáveis das tecnologias digitais nos últimos 15 anos, – de smartphones e banda larga sem fio à computação em nuvem e aprendizado de máquina, – a produtividade cresceu apenas 1,3%, entre 2006 e 2019. A maioria dos países da OCDE experimentou desacelerações semelhantes.

O que explica esse intrigante assim chamado paradoxo da produtividade e quando ele pode finalmente terminar? Nos últimos anos, Brynjolfsson e seus vários colaboradores exploraram essa questão, primeiro no MIT, onde foi diretor docente da Initiative on the Digital Economy, e desde 2020 em Stanford, onde é diretor do Stanford Digital Economy Lab. Brynjolfsson discutiu explicações alternativas para o paradoxo em uma conferência do MIT.

Há uma dificuldade de medir a produtividade em uma economia cada vez mais digital e orientada para os serviços. A maioria das medidas de desempenho econômico usadas por funcionários do governo para informar suas políticas e decisões são baseadas no Produto Interno Bruto (PIB). Mas o PIB é uma relíquia de uma época dominada pela manufatura, onde a produção de bens físicos era muito mais fácil de medir. O PIB é uma medida muito menos confiável de produção econômica e produtividade em nossa economia digital, onde os serviços desempenham um papel muito maior e estão sujeitos a uma variação consideravelmente maior em qualidade e valor.

Como medir o valor das quantidades de produtos gratuitos disponíveis na Internet, incluindo Wikipedia, Facebook, Linux e YouTube? Uma vez que todos esses serviços são gratuitos, eles são excluídos das medidas do PIB. Além disso, muitos dos novos serviços que costumávamos pagar agora também são gratuitos ou quase isso, incluindo chamadas de longa distância, notícias, artigos, mapas e música.

Um artigo de pesquisa de 2019 com coautoria de Brynjolfsson apresentou um novo método para medir o valor de produtos digitais gratuitos para consumidores usando experimentos online. Os experimentos forneceram uma estimativa do excedente do consumidor de um bem digital – vagamente definido como a diferença entre a quantia que os consumidores estariam dispostos a pagar e o preço real que pagaram pelo bem digital. Os dados mostraram que a economia digital está contribuindo com muito mais valor para o consumidor do que imaginamos, especialmente quando você considera que há 15 anos muitos desses serviços digitais nem existiam ou estavam no início. Agora, eles estão totalmente integrados em nosso trabalho e vida pessoal, muito mais porque muitas de nossas interações foram impulsionadas ao mundo online, pela pandemia.

Declínio da inovação e produtividade.

Alguns economistas afirmam, – principalmente Robert Gordon da Northwestern University, – que nossas tecnologias digitais atuais, não são tão transformadoras quanto as tecnologias da era industrial do período entre 1870 e 1970, quando experimentamos alta de crescimento da produtividade e um padrão de vida crescente. Gordon argumenta que o crescimento lento das últimas décadas não é cíclico, mas sim uma evidência de que o crescimento econômico de longo prazo pode estar parando. Houve pouco crescimento antes de 1800 e pode haver pouco crescimento no futuro.

No entanto, mesmo sendo cético da tecnologia, Gordon admite que a pandemia provavelmente terá um impacto positivo na produtividade, – embora pequeno, – como resultado da digitalização e reorganização acelerada do trabalho. Na verdade, Brynjolfsson e Gordon fizeram uma modesta aposta no crescimento da produtividade no decorrer da década de 2020.

Brynjolfsson prevê que “o crescimento da produtividade dos negócios privados não agrícolas será em média mais de 1,8% ao ano desde o primeiro trimestre (Q1) de 2020 até o último trimestre de 2029 (Q4).”

Gordon desafia essa previsão, argumentando que o crescimento da produtividade de 1,8% não é consistente com o recorde histórico. Quem perder a aposta fará uma doação de $400 para instituições de caridade GiveWell.

O intervalo de tempo entre os avanços da tecnologia e seu impacto na economia.

Uma terceira explicação para o paradoxo da produtividade, – essa, que para mim, parece ser a mais convincente, – é descrita em The Productivity J-Curve, um documento de 2020 de co-autoria de Brynjolfsson. De acordo com o artigo da Curva J, geralmente há um lapso de tempo significativo para que uma nova tecnologia de transformação importante seja amplamente adotada nas economias e sociedades. Embora as tecnologias possam avançar rapidamente, os humanos e as instituições mudam lentamente.

Uma vez que essas tecnologias são de uso geral, elas exigem investimentos massivos para que todos os seus benefícios sejam alcançados, incluindo novos produtos, processos e modelos de negócios, incluindo também a requalificação da força de trabalho. Além destes, quanto mais transformadora a tecnologia, mais tempo leva para chegar à fase de colheita, que é a fase quando ela será amplamente aceita e adotada por empresas e indústrias. Traduzir avanços tecnológicos em ganhos de produtividade requer grandes transformações na estratégia, na organização e na cultura das instituições – e isso leva um tempo considerável.

Por exemplo, a produtividade do trabalho nos Estados Unidos cresceu apenas 1,5% entre 1973 e 1995. Esse período de baixa produtividade coincidiu com o rápido crescimento do uso de TI nos negócios, dando origem ao paradoxo da produtividade de Solow, uma referência ao economista do Prêmio Nobel do MIT, Robert Solow, que fez uma piada sobre o tema, em 1987:

“Você pode ver a era do computador em qualquer lugar, menos nas estatísticas de produtividade”.

Mas, a partir de meados da década de 1990, a produtividade da mão-de-obra nos Estados Unidos subiu para mais de 2,5%, à medida que as tecnologias de Internet, em rápido crescimento e a reengenharia de processos de negócios ajudaram a disseminar inovações que aumentam a produtividade por toda a economia.

Da mesma forma, o crescimento da produtividade não aumentou até 40 anos após a introdução da energia elétrica no início da década de 1880. Demorou até a década de 1920 para que as empresas descobrissem como reestruturar suas fábricas para aproveitar as vantagens da energia elétrica com inovações de fabricação, como a linha de montagem e novos produtos elétricos, como eletrodomésticos. E, enquanto a máquina a vapor de James Watt inaugurou a Revolução Industrial na década de 1780, seu impacto na economia britânica foi imperceptível até a década de 1830 porque seu uso era restrito às poucas indústrias que podiam pagar seus altos custos iniciais.

Brynjolfsson argumenta que a década de 2020 será uma década de inovação e produtividade, uma espécie de anos 20 do século 20, como The Economist a chamou em um artigo no início deste ano. O que explica sua previsão otimista? O artigo da Technology Review cita três razões pelas quais

“desta vez em torno da curva J de produtividade será maior e mais rápida do que no passado”, que ele também resumiu na previsão do LongBet.

1. Avanços tecnológicos, especialmente IA.

A IA surgiu como a tecnologia definidora de nossa era, tão transformadora ao longo do tempo quanto a máquina a vapor, eletricidade e TI. Nos últimos anos, os ingredientes necessários finalmente foram reunidos, permitindo que a IA acelerasse o ritmo de descobertas e aumentasse a produtividade em várias áreas, incluindo varejo, finanças, manufatura, energia, biotecnologia e medicina. A computação em nuvem está tornando essas inovações de IA acessíveis a instituições de todos os tamanhos.

2. Estamos nos aproximando da parte crescente da curva J da produtividade.

Além da IA, vários avanços científicos e tecnológicos estão prontos para a transição da fase de investimento da Curva J para a fase de colheita e crescimento da produtividade. Isso inclui inovações digitais como telemedicina, comércio eletrônico e trabalho remoto, cuja implantação foi consideravelmente acelerada pela pandemia. Também inclui inovações revolucionárias em energia renovável e em ciências biomédicas.

“Na descoberta e desenvolvimento de medicamentos, novas tecnologias têm permitido aos pesquisadores otimizar o design de novos medicamentos e prever as estruturas 3D das proteínas. Ao mesmo tempo, a tecnologia de vacina inovadora usando um mensageiro RNA, introduziu uma abordagem revolucionária que pode levar a tratamentos muito mais eficazes para muitas doenças.”

3. Políticas fiscais e monetárias agressivas dos EUA.

Essas políticas estão criando maiores incentivos para que as empresas implementem melhorias de produtividade.

“O recente pacote de medidas de incentivos pós covid-19, provavelmente reduzirá a taxa de desemprego de 5,8% (em maio de 2021) para os níveis historicamente mais baixos, pré-covid em torno de 4%. … Os baixos níveis de desemprego geram salários mais altos, o que significa que as empresas têm mais incentivos para colher os benefícios potenciais da tecnologia para melhorar ainda mais a produtividade.”

“Quando se junta esses três fatores – os avanços tecnológicos, o estreito cronograma de reestruturação devido ao covid-19 e uma economia funcionando a plena capacidade – os ingredientes estão mais que prontos para um boom de produtividade. Isso não apenas aumentará os padrões de vida/consumo , mas também liberará recursos para uma agenda política mais ambiciosa.”

05/09/2021

O trabalho e o otimismo pós-pandêmico

“Os bloqueios induzidos pela pandemia de COVID-19 e a recessão global relacionada de 2020 criaram uma perspectiva altamente incerta para o mercado de trabalho … milhões de pessoas passaram por mudanças que transformaram profundamente suas vidas dentro e fora do trabalho, seu bem-estar e sua produtividade,”

Dito pelo Fórum Econômico Mundial (WEF) no The Future of Jobs Report, publicado em outubro de 2020.

“Comparando o impacto da Crise Financeira Global de 2008 em indivíduos com níveis de educação mais baixos, com o impacto da crise COVID-19, o impacto hoje é muito mais significativo e tem mais probabilidade de aprofundar as desigualdades existentes”.

The Economist foi consideravelmente mais otimista em uma reportagem especial sobre O Futuro do Trabalho na edição de 10 de abril, que incluiu vários artigos sobre o assunto.

“Uma retomada de empregos, mudanças políticas e tecnológicas podem trazer uma era de ouro para o trabalho nos países ricos”, disse o artigo.

“Pode parecer prematuro prever um mundo maravilhoso para o trabalho apenas um ano depois de uma catástrofe global. Mas a América está mostrando como os empregos podem voltar rapidamente à medida que o impacto do vírus diminui. Em Maio de 2020, a taxa de desemprego do país era de quase 15%. Em Junho 2021 já é de apenas 6%; um dos melhores meses para contratações da história.”

A principal razão para a perspectiva otimista do The Economist é que, à medida que o mercado de trabalho se recupera, duas mudanças mais profundas estão ocorrendo:Um ambiente político mais amigável para os trabalhadores, não visto há décadas; eUma economia digital acelerada que promete gerar um crescimento mais rápido da produtividade.

Ambiente político – Trabalhadores em todo o mundo tiveram um ano muito difícil. Mas o futuro vai ser bom A Covid-19 teve um impacto terrível sobre os trabalhadores do mundo. O desemprego aumentou para os níveis vistos pela última vez na década de 1930, especialmente entre os trabalhadores menos qualificados. A pandemia também acentuou as desigualdades existentes. Enquanto os trabalhadores de escritórios puderam se proteger trabalhando em casa, os trabalhadores da saúde, alimentos, agricultura, transporte e serviços essenciais

“tiveram que continuar se deslocando para seus locais de trabalho, expondo-se ao vírus e morrendo em grande número.”

Antes do advento da pandemia, tanto a direita quanto a esquerda sentiam que

“os trabalhadores do século 21 estavam presos a empregos inseguros e mal pagos, quando conseguiam um emprego – e que muitos enfrentavam um futuro ainda mais desafiador, vendo suas vagas sendo absorvidas por robôs cada vez mais inteligentes.”

No entanto, com base em dados de 37 países da OCDE, The Economist argumenta que as percepções populares sobre o mundo do trabalho têm sido enganosas. Em 2019, por exemplo, a taxa de desemprego nos países da OCDE foi a menor, desde a década de 1960.

“Na América, o desemprego entre os negros foi o mais baixo de todos os tempos, assim como na Grã-Bretanha. O desemprego juvenil, que antes parecia sem solução (especialmente na Europa), também caiu.”

Além disso, a participação de pessoas de 16 a 64 anos empregadas, atingiu o nível mais alto em mais da metade desses países.

“Uma grande surpresa para muitos economistas da direita foi que esse boom de empregos ocorreu mesmo com o aumento dos salários mínimos em todo o mundo, considerado economicamente rico e com o aumento da imigração. Um choque semelhante para a esquerda, foi que o capitalismo estava proporcionando ganhos claros para aqueles que estavam na extremidade inferior do mercado de trabalho.”

Embora os salários não estivessem subindo tão rápido quanto muitos gostariam, no final de 2019 os ganhos cresciam quase 3% ao ano nos países da OCDE, e

“Os salários dos americanos mais mal pagos aumentavam 50% mais rápido do que os dos mais bem pagos.“

De acordo com uma pesquisa recente do Gallup, a proporção de americanos completamente ou um pouco satisfeitos com seus empregos está entre as mais altas desde que o Gallup começou a fazer pesquisas de satisfação no local de trabalho, em 1993.

“O mercado de trabalho antes de covid-19 estava longe de ser perfeito, mas era melhor do que muitos críticos afirmavam – e estava melhorando ainda mais. A pandemia foi uma catástrofe para muitos, … Mas seu legado pode ser um mundo melhor para o trabalho, pois acelera as mudanças que já estavam em andamento e destaca os lugares onde melhorias adicionais são necessárias”.

Tecnologia e automação – Recessões e pandemias aceleram a automação. No entanto, os avisos de um futuro sem empregos são exagerados

“Muitas pessoas esperam que a pandemia acelere a automação”, observa The Economist.

“Há inúmeras histórias de robôs trazidos para trabalhar no setor de limpeza para conter os riscos de infecção, de matadouros automatizados a entregas de bagagem automatizadas por robôs em aeroportos. Esta onda de automação, temida por muitos, eliminará empregos, especialmente para aqueles com habilidades menos comercializáveis, o que significa mais desemprego e desigualdade. … As recessões, ao longo da história, costumam levar a uma explosão de automação e esta não será a última … que levará o mundo à mais falta de empregos.”

The Economist tentou rastrear algumas evidências de aceleração da automação, mas o que eles encontraram na verdade apontava para a conclusão oposta:

“As importações americanas de robôs industriais caíram 3% em 2020”;

“O crescimento dos gastos com automação desacelerou em 2020”; e

“Rockwell Automation, a maior empresa do mundo dedicada à automação industrial, viu uma queda nas vendas de 5,5% no ano passado.“

“Se uma onda de robôs destruidores de empregos induzida por uma pandemia não acontecer, isso é apenas mais um exemplo de medos equivocados sobre as máquinas.”

Esses temores não são novos, remontando aos chamados Luditas, – trabalhadores têxteis que na década de 1810 destruíram as novas máquinas que ameaçavam seus empregos e continuaram a ressurgir no século 20, junto com os avanços da tecnologia. Em um ensaio de 1930, o economista inglês John Maynard Keynes escreveu sobre o aparecimento de

“uma nova doença” que ele chamou de desemprego tecnológico, ou seja, “desemprego devido à nossa descoberta de meios de economizar o uso da mão de obra ultrapassando o ritmo em que podemos encontrar novos usos para o trabalho.”

Os temores da automação aumentaram compreensivelmente nos últimos anos, à medida que as máquinas, cada vez mais inteligentes, agora estão sendo aplicadas a atividades que exigem inteligência e capacidades cognitivas que eram vistas como domínio exclusivo dos humanos.

“A inovação tecnológica sempre gerou mais empregos de longo prazo, não menos. Mas as coisas podem mudar”, disse um artigo da Economist de janeiro de 2014.

“Hoje em dia, a maioria dos economistas dispensa essas preocupações. … No entanto, alguns temem que uma nova era de automação habilitada por computadores cada vez mais poderosos e capazes, possa funcionar de forma diferente.”

Uma das principais razões para esses temores recorrentes é a chamada falácia do bloco de trabalho, o equívoco de que há uma quantidade finita de trabalho, portanto, se algum for automatizado, há menos para fazer. A automação de fato substitui o trabalho. No entanto, a automação também complementa a mão-de-obra, aumentando os resultados econômicos de maneiras que muitas vezes levam a mais empregos de longo prazo, não menos. Automatizar as partes mais rotineiras de um trabalho frequentemente aumentará a produtividade e a qualidade dos trabalhadores, complementando suas habilidades com computadores e robôs, além de permitir que eles se concentrem nos aspectos do trabalho que mais precisam de sua atenção.

“Ainda é cedo pra dizer se a pandemia irá fazer com que robôs tomem mais e mais empregos das pessoas. Mas alguns acreditam que desta vez será diferente. A tecnologia é tão sofisticada que é difícil dividir os trabalhos entre os que podem e os que não podem ser automatizados. … Talvez, então, este seja um ponto de inflexão para o relacionamento dos humanos com as máquinas. Se há algo que pode causar uma mudança tão grande nos mercados de trabalho, essa coisa seria uma pandemia, por exemplo, que ocorre uma vez a cada geração. Mesmo assim, dada a história de previsões bizarras e fracassadas, é difícil, por princípio, levar as piores previsões muito a sério.”

“As pessoas tendem a ficar sentimentais sobre como o trabalho costumava ser, e; mal-humoradas sobre como ele é; e sobre temores do que pode se tornar”, conclui The Economist.

As Inteligências Artificial, Autêntica e Aumentada

“A história do trabalho – particularmente desde a Revolução Industrial – é a história de pessoas terceirizando seu trabalho para máquinas”.

Este é o tema de um artigo recente na Harvard Business Review, – AI Should Augment Human Intelligence, Not Replace It, do professor David De Cremer, da National University of Cingapura e do grande mestre de xadrez Garry Kasparov.

“Embora tudo tenha começado com tarefas físicas repetitivas e mecânicas, as máquinas evoluíram até o ponto em que agora podem fazer o que podemos considerar um trabalho cognitivo complexo, como equações matemáticas, reconhecimento de linguagem e fala e escrita. As máquinas, portanto, parecem prontas para replicar o trabalho de nossas mentes, e não apenas de nossos corpos.”

Durante a Revolução Industrial, houve pânico, sobre o impacto da automação nos empregos, remontando aos chamados Luddites, – trabalhadores têxteis que na década de 1810 destruíram as novas máquinas que ameaçavam seus empregos. A automação de fato substitui o trabalho. No entanto, a automação também complementa a mão-de-obra, aumentando os resultados econômicos de maneiras que muitas vezes levam a mais empregos de longo prazo.

A maioria dos trabalhos envolve várias tarefas ou processos. Algumas dessas tarefas são de natureza mais rotineira, enquanto outras requerem julgamento, habilidades sociais e outras capacidades humanas. Quanto mais rotineira e baseada em regras for a tarefa, mais fácil ela será para a automação. Mas só porque algumas das tarefas foram automatizadas, isso não significa que todo o trabalho tenha desaparecido. Ao contrário, automatizar as partes mais rotineiras de um trabalho frequentemente aumentará a produtividade e a qualidade dos trabalhadores, complementando suas habilidades com máquinas e computadores, além de permitir que eles se concentrem nos aspectos do trabalho que mais precisam de sua atenção.

A IA já é superior aos humanos em uma série de tarefas, mas o futuro do trabalho não é um jogo, em que só pode haver um vencedor.

“A questão de saber se a IA substituirá os trabalhadores humanos pressupõe que a IA e os humanos tenham as mesmas qualidades e habilidades – mas, na realidade, não têm”, observaram De Cremer e Kasparov.

“As máquinas baseadas em IA são rápidas, precisas e consistentemente racionais, mas não são intuitivas, emocionais ou culturalmente sensíveis. E são exatamente essas habilidades que os humanos possuem e que nos tornam eficazes.”

“Em geral, as pessoas reconhecem os computadores avançados de hoje como inteligentes porque têm o potencial de aprender e tomar decisões com base nas informações que absorvem. Mas, embora possamos reconhecer essa capacidade, é um tipo de inteligência decididamente diferente da que possuímos.”

De acordo com o artigo, existem três tipos diferentes de IA:Artificial (AI1),Autêntica (AI2) eInteligência aumentada (AI3).

Inteligência artificial (AI1).

“Em sua forma mais simples, a IA é um computador agindo e decidindo de maneiras que parecem inteligentes”.

Também conhecido como inteligência artificial suave, estreita ou especializada, a AI1 é inspirada, mas não tem como objetivo imitar o cérebro humano. A AI1 geralmente se baseia em métodos de aprendizado de máquina, ou seja, na análise de grandes quantidades de informações por meio de computadores poderosos e algoritmos sofisticados, cujos resultados apresentam qualidades que tendemos a associar à inteligência humana.

Os avanços da tecnologia permitiram que aplicativos de AI1 alcançassem ou superassem os níveis humanos de desempenho em tarefas específicas, incluindo reconhecimento de imagem e fala, classificação do câncer de pele, detecção do câncer de mama e classificação do câncer de próstata.

“Além disso, ao contrário dos humanos, a IA nunca se cansa fisicamente e, desde que seja alimentada com dados, ela continuará avançando. Essas qualidades significam que a IA é perfeitamente adequada para trabalhar em tarefas rotineiras de nível inferior que são repetitivas e ocorrem dentro de um sistema de gerenciamento fechado. Nesse sistema, as regras do jogo são claras e não são influenciadas por forças externas.”

Inteligência autêntica (AI2).

Em 1994, o Wall Street Journal publicou uma definição de inteligência que refletia o consenso de 52 pesquisadores acadêmicos importantes em campos associados à inteligência humana:

“Inteligência é uma capacidade mental muito geral que, entre outras coisas, envolve a habilidade de raciocinar, planejar, resolver problemas, pense abstratamente, compreenda ideias complexas, aprenda rapidamente e aprenda com a experiência. Não é apenas o aprendizado de livros, uma habilidade acadêmica restrita ou habilidade para fazer testes. Em vez disso, reflete uma capacidade mais ampla e mais profunda de compreender o que está ao nosso redor – ‘perceber’, ‘dar sentido’ às coisas ou ‘descobrir’ o que fazer.”

Esta é uma definição muito boa de inteligência geral – o tipo de inteligência que há muito é medida em testes de QI e que, em um futuro previsível, apenas os humanos terão.

“Ao contrário das habilidades de IA que respondem apenas aos dados disponíveis, os humanos têm a capacidade de imaginar, antecipar, sentir e julgar situações de mudança, o que lhes permite mudar de preocupações de curto para longo prazo. …Em um sistema de gestão aberto, a equipe ou organização está interagindo com o ambiente externo e, portanto, tem que lidar com influências externas. Esse ambiente de trabalho requer a capacidade de antecipar e trabalhar com, por exemplo, mudanças repentinas e troca de informações distorcidas, ao mesmo tempo em que é criativo ao destilar uma visão e uma estratégia futura. Em sistemas abertos, os esforços de transformação estão continuamente em ação e o gerenciamento eficaz desse processo requer inteligência autêntica.”

Inteligência Aumentada (AI3).

“Acreditamos que será a combinação dos talentos incluídos tanto no AI1 quanto no AI2, trabalhando em conjunto, que contribuirá para o futuro do trabalho inteligente. Ele criará o tipo de inteligência que permitirá que as organizações sejam mais eficientes e precisas, mas, ao mesmo tempo, criativas e pró-ativas. Este outro tipo de IA nós chamamos de Inteligência Aumentada.”

Nas últimas duas décadas, vimos vários exemplos em que a combinação de humanos e máquinas toma melhores decisões do que qualquer um por conta própria. Sabermetrics, – o uso de estatísticas no beisebol para projetar o desempenho e a carreira de um jogador, – é um exemplo proeminente. Sabermetrics foi popularizado por Michael Lewis em Moneyball, – seu livro mais vendido posteriormente se transformou em um filme. A análise de esportes agora é usada por quase todas as equipes profissionais do mundo.

Quando Moneyball foi lançado em 2003, muitos viram isso como uma história sobre o conflito entre a abordagem tradicional dos olheiros, – os avaliadores de talentos profissionais que aprendem sobre os jogadores em primeira mão, conhecendo-os pessoalmente e vendo-os jogar, – versus as novas abordagens sendo introduzidas pelos statheads, que contam principalmente com análises estatísticas sofisticadas para prever o desempenho futuro.

Mas, anos depois, – como Nate Silver explicou em seu best-seller de 2012, The Signal and the Noise, – quando já haviam dados suficientes para comparar o desempenho dos olheiros com as abordagens mais puramente estatísticas. As previsões dos olheiros foram cerca de 15 por cento melhores do que aquelas que se baseavam apenas nas estatísticas. Os bons olheiros, ao que parece, usam uma abordagem híbrida combinando estatísticas com tudo o mais que aprendem sobre os jogadores. As estatísticas por si só não podem dizer tudo o que você quer saber sobre um jogador, e as avaliações pessoais adicionais dos olheiros fazem uma diferença significativa.

O xadrez é outro exemplo proeminente, em que o co-autor do artigo Garry Kasparov tem alguns insights pessoais únicos. Em 1997, o então campeão mundial Kasparov perdeu uma partida de xadrez para o supercomputador Deep Blue da IBM. A vitória do Deep Blue sobre Kasparov foi um marco importante da IA. Mas, tendo mostrado que as máquinas podiam derrotar os grandes mestres do xadrez, o experimento de pesquisa estava encerrado. O próprio Kasparov percebeu que o jogo de xadrez agora poderia ser abordado não apenas como um esforço individual, mas também como um esforço colaborativo entre humanos e máquinas. Ele então foi o pioneiro no conceito de xadrez avançado, no qual os humanos usam ferramentas de computador para aumentar suas capacidades de jogo de xadrez enquanto competem contra outras equipes homem-mais-máquina.

A experiência com torneios de xadrez avançados mostrou que a força dos jogadores humanos – sejam grandes mestres ou amadores – não é o que determina a equipe vencedora. Em vez disso, é a qualidade da parceria que importa, ou seja, o processo de como os jogadores e os computadores interagem.

“O potencial de aprimoramento e colaboração que imaginamos, contrasta totalmente com as previsões de soma zero que a IA fará para nossa sociedade e organizações”, concluíram os autores.

“Em vez disso, acreditamos que maior produtividade e a automação do trabalho cognitivamente rotineiro são uma benção, nem uma ameaça. Afinal, a nova tecnologia sempre tem efeitos perturbadores no início das fases de implementação e desenvolvimento e geralmente revela seu valor real somente depois de algum tempo.”

31/08/2021

Computação em nuvem, segurança cibernética e Governos

“Há uma necessidade urgente de melhorar a segurança e a resiliência dos sistemas e aplicativos de TI, sob a eminência dos crescentes ataques cibernéticos” – comentário do diretor do FBI, Christopher Wray. Esta declaração vai de encontro à publicação do NY Times no artigo – Antigamente, as ameaças vinham de que tinha poderes bélicos. Agora, elas vem de computadores. “O ritmo crescente dos ataquesà infraestrutura americana – de oleodutos, fábricas, hospitais e à própria Internet – tem revelado um conjunto de vulnerabilidades que não se pode mais ignorar.” Em maio, o presidente Biden emitiu a Ordem Executiva para Melhorar a Segurança Cibernética da Nação, um passo importante para garantir o funcionamento das infraestruturas digitais do Governo. As tecnologias baseadas na nuvem e os Provedores de Serviços em Nuvem (CSPs – Cloud Services Providers) podem desempenhar um papel importante na melhoria da segurança cibernética. Por anos, os CSPs vem investindo bilhões em segurança na nuvem, contrataram os melhores especialistas e desenvolvem uma série de novas ferramentas e métodos de controle. Os CIOs concordam que a segurança nas plataformas em nuvem é superior aos dos data centers on premises, um dos principais motivos pelos quais a previsão do IDC é de que “80% das empresas colocarão em prática mecanismos para migrar sua infraestrutura e aplicativos para a nuvem.” ... “A computação em nuvem impulsiona a inovação e a produtividade em toda a economia, assim como a rede elétrica fazia há um século – mas a 'nuvem' é mais capaz e dinâmica.” Esta é a principal mensagem do Secrets From Cloud Computing’s First Stage: An Action Agenda for Government and Industry, um relatório de Bill Whyman publicado pelo Information Technology & Innovation Foundation (ITIF). Acompanho a ascenção da computação em nuvem, praticamente, desde o começo e achei o relatório bastante instrutivo. Ele inclui uma introdução muito boa à computação em nuvem, seu impacto econômico e dinâmica de mercado e as áreas em que a nuvem se destaca. Mas, também aborda os principais desafios que a nuvem deve superar para atingir plenamente seus benefícios, bem como a necessidade de uma agenda política/administrativa para a computação em nuvem – uma área muito importante que não recebe tanto foco. “A segurança e a conformidade podem ser melhores na nuvem do que on premises, mas a automação e o gerenciamento são necessários para alcançar esses benefícios”, diz Whyman. “A primeira pergunta que muitos clientes fazem ao migrar para a nuvem é sobre segurança. A segurança na nuvem agora é tão boa, ou em muitos casos melhor, do que a o premises, como o CIO da CIA concluiu. … Os usuários mais preocupados com a segurança em todo o mundo, são os de agências de inteligência, ministérios de defesa e bancos; e todos agora, dependem da computação em nuvem.” A segurança continua sendo um desafio para todos, especialmente para pequenas e médias empresas, “mas, com as grandes organizações e Governos, demonstrando sua confiança na segurança da nuvem e movendo seus workloads para a nuvem, isso vai mudar”. A nuvem introduziu um novo e diferente modelo de segurança compartilhada entre o CSP e os clientes. O provedor de nuvem é responsável por proteger sua infraestrutura, enquanto os clientes são responsáveis por seus softwares, aplicativos e dados executados na nuvem, bem como por suas conexões de rede com a nuvem. “As violações de segurança na nuvem foram quase todas causadas por questões dos clientes, não dos CSPs”, disse a McKinsey em seu relatório. As empresas precisam se certificar de que a segurança de seus workloads de produção sejam implementados de maneira adequada. Diretrizes de conformidade, – como as oferecidas pelo NIST e DHS, – podem ajudar a identificar e corrigir vulnerabilidades de segurança. Os CSPs estão melhorando continuamente a segurança de suas plataformas, com avanços como zero trust architectures, software de monitoramento, criptografia, registro e ferramentas de configuração que oferecem aos clientes um ambiente seguro e previsível com segurança pré-testada. Esses recursos avançados aumentam a segurança das plataformas em nuvem, mas exigem habilidades dedicadas e bem treinadas para serem implementados de maneira adequada. “Muitas vulnerabilidades comuns são causadas por softwares mal configurados, que não acompanham as mudanças no ambiente de TI, ou os clientes simplesmente não usam os recursos de segurança disponíveis. Serviços que integram orientações prescritivas, práticas recomendadas e serviços de segurança em pacotes, mais fáceis de usar, ajudariam os clientes a tirar o máximo proveito da segurança em nuvem.” ... “A nuvem também está bem posicionada para fornecer ferramentas melhores que detectam e corrigem vulnerabilidades automaticamente; pois à medida que a indústria criava novas defesas, os adversários respondem com novas técnicas e ofensivas”, adiciona o relatório. “Este ‘salto de segurança’ criou dezenas de ferramentas que têm seus próprios formatos de dados, interfaces e ferramentas de gerenciamento. A integração entre essas diferentes ferramentas dará aos clientes uma visão mais completa da sua postura de segurança. A automação integrada à nuvem também deve assumir o monitoramento e gerenciamento contínuos. Isso pode tornar a segurança mais consistente, atualizada e mais fácil de usar.” Mas, embora sejam necessários, os avanços da tecnologia e as melhores práticas não são suficientes. A “crescente difusão e capacidades da nuvem estão atraindo o interesse de decisores políticos e administradores do governo”, escreve Whyman. Na seção final do relatório, Uma Agenda de Política para Computação em Nuvem, ele descreve várias etapas importantes que os governos devem tomar para apoiar o desenvolvimento e a adoção da segurança cibernética baseada na nuvem: 1. Missão crítica de modernização da nuvem federal. Embora algumas agências governamentais já tenham obtido benefícios da migração de alguns de seus workloads para a nuvem, muitas ainda dependem de sistemas legados mais antigos. Para acelerar a adoção, o relatório recomenda uma iniciativa de missão crítica para modernizar todos os workloads civis federais ao longo de uma década, visando pelo menos 10% dos workloads por ano e definindo metas de resultados específicas, como número alvo de workloads e economia de custos. As regras de aquisição também devem ser modernizadas para que novas tecnologias como a nuvem não sejam penalizadas. “Um conselho de implementação da modernização deve ser criado e o mesmo deve fornecer relatórios públicos de progresso, para estimular ações da TI federal, estadual e privada, bem como orientar o alinhamento com a grande comunidade federal de TI. Com base nessas aprendizagens, os legisladores também devem determinar que os Estados sigam essencialmente o mesmo plano.” 2. Estimular a adoção da nuvem pelo setor privado. O governo federal deve usar suas múltiplas alavancas de influência política para encorajar a adoção mais ampla pelo setor privado, incluindo:O discurso em palanque, – destacando o impacto da nuvem, seus benefícios e resultados concretos alcançados;Padrões e metas – que alavancam as operações de TI, bem como os gastos com tecnologia do governo federal; Parcerias de P&D – que apóiem o uso da nuvem em iniciativas de pesquisa pública em universidades, laboratórios e agências de pesquisa do governo; Pequenas e médias empresas, – incluindo recursos de nuvem e assistência técnica em iniciativas destinadas a pequenas e médias empresas, como a parceria do NIST; eAcordos comerciais internacionais, – garantir que a propriedade estrangeira e operação de nuvem sejam permitidas, bem como maior acesso ao mercado para provedores de nuvem estrangeiros. 3. Programas de colaboração entre Governo e setor de segurança cibernética. “A computação em nuvem melhora a segurança de TI, mas também cria novos. À medida que a nuvem cresce e se torna uma infraestrutura mais crítica, concentrada em um punhado de provedores, as preocupações do governo sobre segurança, resiliência e risco sistêmico aumentarão.” O governo federal precisa aprofundar seu relacionamento com os provedores de nuvem para coordenar melhor seu trabalho em segurança e resiliência na nuvem. O relatório propõe análises regulares do governo e do setor de dados de ataques cibernéticos, interrupções de serviço, eficácia de conformidade e planejamento conjunto de ações de proteção. Esses programas do setor governamental também devem ter como objetivo simplificar os requisitos legais e de conformidade e o aprimoramento contínuo das melhores práticas de segurança. 4. Fortalecer a governança de dados transfronteiriços. “Os governos estão cada vez mais interessados e assertivos na governança de dados, incluindo residência de dados (também chamada de localização de dados) e soberania de dados (acesso obrigatório aos dados por outro governo). … Dos 29 países pesquisados da OCDE, 11 têm algum tipo de regras de localização de dados que exigem que os dados sejam armazenados no país, assim como os principais países não pertencentes à OCDE, como China, Rússia e Indonésia. No entanto, não é economicamente viável para cada país ter sua própria nuvem. … Os governos não precisam localizar dados além de suas fronteiras físicas para proteger seus dados. A nuvem fornece controles granulares para que os governos possam isolar onde seus dados estão armazenados e quem tem acesso a eles, bem como aplicar e auditar os controles”. 5. Promover habilidades e inclusão por meio de parcerias de treinamento público-privados. “As novas tecnologias frequentemente criam e destroem empregos, mudando o padrão de empregabilidade. … A computação em nuvem apresenta uma oportunidade de treinar um conjunto amplo de pessoas com novas habilidades para que os benefícios do crescimento da tecnologia sejam compartilhados de forma mais ampla. Comunidades que não estão bem representadas em tecnologia precisam de maior acesso e participação. … O momento é propício para uma iniciativa nacional de parceria público-privada de treinamento em tecnologia, acompanhada por uma agenda política de compromissos de financiamento para treinamento, requalificação e inclusão de profissionais para a tecnologia das nuvens.”

A transformação da logística no setor de varejo

Contexto

Estou trabalhando em home office, desde o início da pandemia Covid-19. Neste meio tempo, muita coisa mudou; em especial, venho acompanhando o boom setor de logística, que deu um salto gigante para atender a demanda de compras e pedidos. Especialistas neste setor estão sendo constantemente assediados com ofertas de empregos e oportunidades.

Análise

Em 2018, o MIT lançou a Força-Tarefa Trabalho do Futuro para compreender o impacto das máquinas, cada vez mais inteligentes, no futuro do trabalho e como aproveitar melhor essas oportunidades. A força-tarefa do MIT divulgou suas descobertas e fez recomendações em um relatório de novembro de 2020, – Construindo melhores empregos em uma era de máquinas inteligentes.

Além do relatório, a iniciativa do MIT também publicou uma série de documentos de trabalho e resumos de pesquisa sobre tópicos relacionados.

Eu gostaria de comentar um desses resumos, O Futuro do Trabalho em Logística, de Arshia Mehta e Frank Levy, que explorou a transformação do setor de varejo desde o advento do comércio eletrônico na década de 1990. O briefing é um estudo de caso muito interessante da evolução do setor de varejo nas últimas décadas.

“Vinte anos atrás, as redes de distribuição dos EUA foram construídas para entregar produtos a granel para lojas de varejo… Hoje, grandes partes das redes de distribuição são construídas para entregar itens individuais nas residências. A mudança foi impulsionada pela tecnologia, por meio do e-commerce, e recentemente reforçada pela pandemia Covid-19.”

O comércio eletrônico foi uma das primeiras aplicações da Internet. A Amazon e o eBay começaram a lidar com transações de comércio eletrônico em meados da década de 1990. As vendas online cresceram lentamente no início. Em 2001, as compras online representavam 1% de todas as vendas no varejo nos Estados Unidos, em parte porque a maioria dos usuários acessava a Internet por modens e telefones, e apenas 4% o faziam usando o acesso de banda larga. Naqueles primeiros dias, as compras online eram consideradas um luxo; somente para usuários de ponta da Internet.

Nas duas décadas seguintes, o acesso à Internet e o comércio eletrônico avançaram. Em 2010, os smartphones possibilitaram que mais da metade da população tivesse acesso à banda larga. As vendas de comércio eletrônico atingiram 6,4% de todas as vendas no varejo dos EUA, depois chegaram a 10,7% em 2015 e 15,8% na pré-pandemia de 2019. Em 2020, a pandemia fez com que as vendas online atingissem 21,3% de todas as vendas de varejo, – e um ano depois, atingiram incríveis 44% de crescimento anual.

Veja os números do e-commerce no Brasil.

A pesquisa examinou as mudanças nas redes de distribuição que eram necessárias para entregar o crescente volume de itens de pedidos online para residências individuais. Em particular, os autores analisaram as mudanças necessárias em dois componentes principais dos serviços de logística,Armazenamento, eTransporte rodoviário.

Ambos foram originalmente desenvolvidos para entregar pacotes a granel e grandes remessas para centros de distribuição e lojas de varejo, mas agora eles tinham que lidar com a entrega de um grande número de itens individuais para casas individuais. Além disso, a maior dependência da logística aumentou a demanda por serviços relacionados, incluindo programação mais eficiente, atualizações sobre o status da remessa e o manuseio da documentos da remessa.

“A alta demanda por armazenagem e transporte rodoviário também estimulou pesquisas sobre inovações para redução de custos, incluindo variedades de automação de armazém e o desenvolvimento de caminhões autônomos que podem rodar em rodovias interestaduais. Na prática, no entanto, essas inovações ainda não chegaram ao mercado ou estão sendo adotadas lentamente.”

Resumo

Armazenagem

A força de trabalho na indústria de armazenagem e logística cresceu de 438.000 em 2000 para 1,1 milhão em 2019. Esse crescimento da mão de obra se deve a uma série de fatores:A rápida expansão do comércio eletrônico;A mudança de pedido em massa para atendimento de item único;Os limites da tecnologia robótica atual;A rápida expansão do comércio eletrônico; eO ambiente pós-pandêmico incerto.

A produção por hora dos trabalhadores de centros logísticos não é maior em 2019 do que em 2000. A produção por hora aumentou cerca de 20% entre 2000 e 2014, mas depois diminuiu, deixando a produtividade ligeiramente mais baixa em 2019 do que em 2000.

As operações de warehouse envolvem uma combinação de tarefas físicas e de processamento de informações. As tarefas físicas incluem descarregar e armazenar os itens recebidos, separar os itens dos pedidos dos clientes, montar e embalar o pedido e carregar os itens embalados no caminhão que fará a entrega. As tarefas de processamento de informações incluem o controle de todos os itens recebidos, os locais onde foram armazenados, o recebimento e o cumprimento preciso dos pedidos individuais dos clientes e a manutenção de registros precisos de todas as atividades do centro logístico.

A maioria das primeiras melhorias de produtividade ocorreram devido a melhorias no processamento de informações, usando sistemas de gerenciamento de armazém, leitores, códigos de barras e etiquetas RFID para rastrear as chegadas de produtos, bem como os locais de armazenamento e remessas aos clientes.

O movimento automatizado de mercadorias evoluiu mais lentamente do que o movimento automatizado de informações. Muitas tarefas físicas fáceis para os humanos continuam difíceis para os computadores. Os armazéns têm demorado a adotar o necessário, – e caro, – equipamento de automação avançado porque requer a transformação do armazém de um prédio de armazenamento simples, em um centro de distribuição e atendimento de última geração, semelhante à que passaram as fábricas do setor automotivo há algumas décadas. Isso aumenta a possibilidade de que apenas as maiores empresas podem se dar ao luxo de desenvolver e implantar tecnologias avançadas de automação,

“um processo que pode estar aumentando as tendências atuais em direção a uma maior concentração de mercado entre algumas empresas.“

De 2014 a 2019, aumentos rápidos no e-commerce fizeram com que a contratação de depósitos crescesse mais de 10% ao ano, grande parte, em estruturas de depósitos mais antigos e não automatizados.

Muitos desses novos empregos, do boom logístico, não são para trabalhadores de baixa qualificação, que movem e embalam o material manualmente.

“Em 2018, eles ganhavam em média $ 12,64 por hora (incluindo aquelas pessoas que trabalhavam em armazéns da Amazon a $ 15,00 por hora).”

Conforme a automação do warehouse evolui, esses trabalhos entarão em risco.

Transporte

Entre 2000 e 2019, a produção da indústria de transporte rodoviário de carga geral aumentou cerca de 20%.

“Um quarto deste aumento, veio da contratação de mais motoristas: 1,62 milhão em 2000 em comparação com 1,75 milhão em 2019. Três quartos do aumento representaram um uso mais eficiente de caminhões.”

Entre 2000 e 2019, a produção por hora no transporte rodoviário de cargas cresceu 14,8%. A maior parte desse aumento de produtividade vem do uso de ferramentas e métodos digitais para melhorar a programação de entregas de longa distância. Isso inclui:Programação aprimorada para que um caminhão não faça a viagem de volta vazio;Corresponder melhor à demanda e ao fornecimento de espaço para caminhões;Mudança de rotas em situações de emergências;Processamento automático de documentos; e outros.

Um caminhão autônomo

Comercialmente viável para viajar em rodovias interestaduais, ele ainda está a pelo menos uma década de distância. No entanto, várias tecnologias digitais têm melhorado a produtividade e a segurança dos caminhões, incluindo dispositivos GPS, aplicativos de programação de rotas, smartphones e aplicativos de smartphone, proteção contra colisão aprimorada, avisos de saída de faixa e assim por diante.

“Se pensarmos no emprego logístico como um cabo de guerra entre os ganhos de empregos do e-commerce e as perdas de empregos da automação, até agora os ganhos de empregos estão na frente. …Em oito a dez anos, no entanto, a automação provavelmente será significativamente mais forte, reduzindo o número total de empregos e transferindo a mistura de empregos restantes, para técnicos, analistas e outras ocupações qualificadas.”

“O desafio é projetar políticas de mercado de trabalho que lidem com as transições da automação, melhor do que as políticas atuais lidaram com o colapso que ocorre quando os empregos caem repentinamente no mercado de trabalho, devido a entrada de uma nova tecnologia de automação. Ao projetar a política, este caso de automação começa com duas vantagens:

1) Onde as paralisações costumam ser repentinas, a automação, descrita neste resumo, está ocorrendo de forma relativamente lenta; e

2) Onde as paralisações são concentradas em comunidades específicas, os trabalhos de logística e transporte estão dispersos por todo o país.”

28/08/2021

O que a música pode nos ensinar sobre inovação



“as mentalidades dos músicos os tornam bons empreendedores”.

Panay é atualmente VP Sênior de Estratégia Global e Inovação na Berklee College of Music. Em 22 de junho, ele foi nomeado co-presidente da Recording Academy a partir de agosto de 2021. Hendrix é sócio e diretor de design global da IDEO.

“A mentalidade criativa é mais do que uma abordagem única para o empreendedorismo, mais do que aproveitar a improvisação do jazz ou praticar até que nossos dedos sangrem”, escrevem Panay e Hendricks.

“Como músicos, acreditamos que há algo instrutivo aqui para o nosso trabalho como empresários e líderes empresariais. Os músicos sabem como criar momentos que quebram padrões, preenchem lacunas, capturam nossa atenção e inspiram não apenas por causa das habilidades que desenvolveram em um teclado ou microfone, mas porque aprimoraram sua capacidade de ouvir.”

O livro é baseado em entrevistas com músicos, compositores e produtores que tiveram sucesso como artistas e empresários. Os autores entrevistaram vários músicos, incluindo Justin Timberlake, Pharrell Williams, Imogen Heap, T Bone Burnett e Desmond Child. Além disso, eles pesquisaram as carreiras de Björk, Dr. Dre, Jimmy Iovine, Gloria e Emilio Estefan e outros que tiveram um grande impacto na indústria da música como artistas criativos e líderes de negócios.



Nas últimas décadas, a criatividade e a inovação têm recebido cada vez mais atenção no mundo dos negócios. Por exemplo, a descoberta predominante de um Estudo Global de CEOs conduzido pela IBM em 2010 foi que a criatividade é o fator mais crucial para o sucesso futuro. O estudo da IBM entrevistou mais de 1.500 CEOs de 33 setores diferentes e 60 países, que disseram que a criatividade – ainda mais do que disciplina de gestão ou visão estratégica – era a qualidade de liderança necessária para navegar em um mundo cada vez mais volátil e complexo.

Mais recentemente, um relatório de 2018 da Deloitte aconselhou as empresas a implantar tecnologias de automação para liberar seus funcionários para que eles possam se concentrar na identificação e solução de problemas e oportunidades invisíveis. À medida que tarefas e processos de rotina são automatizados, as empresas serão capazes de capturar mais valor, alavancando as capacidades humanas únicas de sua força de trabalho, incluindo curiosidade, imaginação, intuição, inteligência emocional e criatividade.

Two Beats Ahead inclui capítulos sobre como ouvir, experimentar, colaborar, conectar e reinventar e aqui estão alguns breves comentários.

Ouvir:

“Um músico entende que ouvir o mundo, extraindo ideias e inspiração, é apenas a primeira parte da inovação, que também requer ouvir a si mesmo, em busca de pontos de ressonância entre o mundo e sua própria visão e valores”, observam os autores.

Mas, como qualquer habilidade, ouvir exige prática. Músicos de sucesso e inovadores de negócios aprenderam a ouvir o mundo ao seu redor, bem como a sua própria percepção interna do que funciona. Ambos envolvem estar presente e aberto ao inesperado.

“Para muitos compositores e criativos, bem como empresários, a questão de por onde começar pode parecer assustadora.”

Indivíduos criativos geralmente têm muitas ideias rolando em sua cabeça. Como saber quando chegar e tirar a ideia certa, aquela com um fio que você pode seguir? A cantora e compositora islandesa Björk, por exemplo, está profundamente comprometida com a ideia de ouvir o mundo natural ao seu redor e interpretar parte do que ouve.

“Ela falou em entrevistas sobre caminhar ao longo do cais em Reykjavik, ouvindo os ruídos do porto: as ondas batendo na costa, os gritos das gaivotas, as buzinas dos navios. Para Björk, isso é mais do que ruído de fundo; é música. … Com o tempo, Björk aprimorou seu hábito de ouvir um reflexo. Ela faz com que pareça fácil. Mas, assim como aprender a tocar um instrumento, leva anos de prática, leva anos para tornar a habilidade de ouvir sem esforço. Suas antenas estão sempre levantadas, como uma antena parabólica pegando ondas de galáxias distantes, separando o sinal do ruído.”

Isso me lembra algumas experiências pessoais. No início dos anos 2000, muita coisa estava começando a acontecer em torno da Internet, mas não estava claro para onde as coisas estavam indo e, quais seriam as implicações para o mundo dos negócios. Era difícil descobrir o verdadeiro valor comercial da Internet em meio a todo o entusiasmo que havia. Trabalhar no background da Internet era diferente de qualquer outro coisa que eu já tinha feito; mas logo ficou evidente que a estratégias viriam do mercado e não dos laboratórios de P&D.

Por fim, começamos a trabalhar com estratégias de demandas de e-business – ouvindo o mercado. Aprendemos que o principal valor da Internet para os clientes era a capacidade de estar em contato com seus clientes, funcionários, fornecedores e parceiros, independentemente do horário ou local. As empresas foram, portanto, capazes de se envolver em suas atividades de negócios principais de uma forma muito mais produtiva.

Experimentos:

Ao iniciar um projeto, seja escrevendo uma nova música ou lançando uma startup, os artistas e empreendedores devem confiar em sua capacidade de ver e aproveitar as oportunidades. No entanto, às vezes estamos todos errados. Como saber quando é hora de mudar de direção?

“De novo: a chave é permanecer aberto e continuar ouvindo. … Levar uma música da ideia à conclusão é um compromisso implacável de experimentar ideias – testá-las e prová-las ou descartá-las. … Ao contrário da experimentação atlética ou científica, a experimentação musical não começa com um plano de pesquisa e um método fixo. Quanto mais opções um artista tentar, maior será a probabilidade de ele descobrir uma ideia sobre a qual valha a pena construir.”

“A chave é continuar escrevendo”, disse Justin Timberlake em sua entrevista com Panay e Hendricks. “Eu tenho apenas uma regra no estúdio, e é esta: ouse. … Não há respostas erradas quando se trata de criar arte, porque cada ideia só vai te levar ao que é bom. E para você se conectar com outras pessoas, primeiro tem que ser bom para você. Quando uma música é lançada, é principalmente porque eu posso viver com ela. Se uma música minha tocar no rádio, posso dizer o que poderia ter feito melhor, que verso poderia ter cantado melhor. Não foi feito para ser perfeito, mas você tem que sentir que é ótimo, porque é isso que vai te dar confiança para levá-lo para o mundo.”

Um equivalente no mundo dos negócios de hoje é a agilidade. Uma cultura ágil é essencial para ajudar uma empresa a sobreviver e prosperar em um ambiente em constante mudança. Essa cultura deve incluir um foco implacável na inovação do mercado; espírito de experimentação e evolução contínua; respostas rápidas às necessidades de tecnologia, mercado e usuários; e uma estratégia e visão comuns compartilhadas.

Colaboração:

“Você já se viu envolvido em um projeto, sem saber exatamente para onde está indo ou como chegar lá, mas em boa companhia?”, Perguntam Panay e Hendricks. “É assim que uma colaboração deve ser. Você começa com uma ideia que é tão ambiciosa, tão nova ou tão diferente do que você fez antes que está perfeitamente ciente de que não pode ter sucesso por conta própria. Os conjuntos de habilidades e talentos de outras pessoas são necessários para realizá-lo. Há uma sensação de ‘tatear no escuro’, mas também há força nos números.”

Embora a indústria da música tenha abraçado a colaboração por muito tempo, os negócios só aconteceram nas últimas décadas. Na economia do século 20, o modelo de inovação predominante era fechado e proprietário. Mas, com o advento da economia digital baseada na Internet, nas últimas décadas, o modelo fechado de inovação começou a desmoronar. O tempo decorrido para levar uma invenção do laboratório para o mercado não era mais competitivo, especialmente contra uma nova geração de startups com um tempo significativamente menor para o mercado de novos produtos e serviços.

As empresas perceberam que existem consideravelmente mais recursos de inovação no mundo em geral do que poderiam criar por conta própria, não importa o tamanho e o poder da empresa. Eles tiveram que adotar um modelo de inovação baseado na colaboração aberta, uma transição que se mostrou difícil para muitas empresas.

Trabalhar com grupos diferentes, – dentro e fora da empresa, – para atingir objetivos comuns requer uma mudança na cultura da organização – e as transformações culturais são indiscutivelmente as mais difíceis de todas. Uma cultura de colaboração requer um certo grau de humildade, ou seja, uma aceitação das limitações da capacidadA colaboração significa confiar um no outro, usar fluência criativa para ser fluido nas funções e, assim, criar um todo que é maior do que a soma de suas partes”, foi como Panay e Hendricks capturaram bem a essência da colaboração em Two Beats Aheade de fazer as coisas sem ajuda, o que torna emocionalmente mais fácil estender a mão e trabalhar com eficácia com os outros.

“A colaboração significa confiar um no outro, usar fluência criativa para ser fluido nas funções e, assim, criar um todo que é maior do que a soma de suas partes”, foi como Panay e Hendricks capturaram bem a essência da colaboração em Two Beats Ahead.

O mundo em 2040

A missão do National Intelligence Council (NIC) é liderar a integração da inteligência e o pensamento estratégico de longo prazo para diversas áreas, incluindo a Comunidade de Inteligência dos Estados Unidos, políticos e especialistas nos setores acadêmico e privado. A cada quatro anos, o NIC desenvolve um relatório que examina as principais tendências e incertezas que moldarão o mundo nas próximas duas décadas. O objetivo é fornecer uma estrutura para avaliação de políticas estratégicas de longo prazo. O relatório Tendências Globais 2040 – Um Mundo Mais Contestado (GT2040), o último relatório do NIC, foi publicado em março de 2021, algumas semanas após a posse do presidente Joe Biden; e aborda os seguintes principais temas:

“Durante o ano passado, a pandemia COVID-19 lembrou ao mundo sua fragilidade e demonstrou os riscos inerentes aos altos níveis de interdependência”,

observa o relatório em sua introdução, dado que temos vivido a mais significativa perturbação global desde a 2ª Guerra Mundial, o GT2040 mostra um quadro bastante preocupante sobre o que está por vir.

“Nos próximos anos e décadas, o mundo enfrentará desafios globais intensos, que vão desde doenças a mudanças climáticas e interrupções decorrentes de novas tecnologias e crises financeiras. Esses desafios irão testar repetidamente a resiliência e adaptabilidade das comunidades, estados e do sistema internacional, muitas vezes excedendo a capacidade dos sistemas e modelos existentes. Este desequilíbrio iminente entre os desafios existentes e futuros e a capacidade das instituições e sistemas de responder a estas questões, provavelmente aumentará e produzirá maior contestação em todos os níveis”.

Como observou um editorial do NY Times, “Especialistas que leram esses relatórios disseram que não se lembram de nenhum mais sombrio”.

Cinco temas principais aparecem no relatório, que sustentam sua avaliação:

1. Desafios globais compartilhados.

Mudanças climáticas, doenças, crises financeiras e interrupções tecnológicas tendem a se manifestar com mais frequência e intensidade em quase todas as regiões e países e produzirão “tensões generalizadas sobre os estados e sociedades, bem como choques que podem ser catastróficos“.

2. Aumento da fragmentação.

Nosso ambiente de informações hiperconectadas, maior urbanização e interdependência global significam que a maioria dos aspectos da vida diária estará mais conectada do que nunca. “Paradoxalmente, à medida que o mundo se torna mais conectado … essa mesma conectividade divide e fragmenta pessoas e países.”

3. Desequilíbrio.

“A escala dos desafios transnacionais e as implicações emergentes da fragmentação estão excedendo a capacidade dos sistemas e estruturas existentes. … O sistema internacional – incluindo as organizações, alianças, regras e normas – está mal configurado para lidar com os desafios globais crescentes que as populações enfrentam”.

4. Maior contestação.

Esse desequilíbrio maior levará ao aumento das tensões, divisões e competição entre sociedades, estados e a comunidade internacional. “No nível internacional, o ambiente geopolítico será mais competitivo – moldado pelo desafio da China aos Estados Unidos.”

5. Adaptação.

“As mudanças climáticas, por exemplo, forçarão quase todos os estados e sociedades a se adaptarem a um planeta mais quente.” Os países com populações envelhecidas enfrentam restrições ao crescimento econômico e terão que aumentar a automação e a imigração. A IA e outras tecnologias serão os principais caminhos para aumentar a produtividade.

Forças estruturais: definindo os parâmetros O GT2040 explora as forças estruturais que moldarão as próximas duas décadas em quatro áreas principais:

Demografia,
Meio ambiente,
Economia e
Tecnologia.

“Selecionamos essas áreas porque são fundamentais para moldar a dinâmica futura e têm um escopo relativamente universal, e porque podemos oferecer projeções com um grau razoável de confiança com base nos dados e evidências disponíveis”, observa o relatório.

Demografia. Esperam-se grandes mudanças demográficas nos próximos 20 anos. As economias desenvolvidas na Europa e no Leste Asiático envelhecerão mais rapidamente e enfrentarão a contração populacional, o que afetará seu crescimento econômico. Em contraste, os países em desenvolvimento da América Latina, do Sul da Ásia, do Oriente Médio e do Norte da África têm a oportunidade de se beneficiar de suas maiores populações em idade produtiva, mas apenas se combinadas com melhorias na infraestrutura e nas habilidades.

“As melhorias anteriores focavam no básico de saúde, educação e redução da pobreza, mas os próximos níveis de desenvolvimento são mais difíceis e enfrentarão os ventos contrários da pandemia COVID-19, crescimento econômico global potencialmente mais lento, envelhecimento da população e os efeitos do conflito e clima.“

Ambiente. Os efeitos físicos da mudança climática provavelmente se intensificarão nas próximas duas décadas.

“Tempestades, secas e inundações mais extremas; derretimento de geleiras e calotas polares; e o aumento do nível do mar acompanharão o aumento das temperaturas. O impacto cairá desproporcionalmente no mundo em desenvolvimento e nas regiões mais pobres e se cruzará com a degradação ambiental para criar novas vulnerabilidades e exacerbar os riscos existentes para a prosperidade econômica, alimentos, água, saúde e segurança energética.”

Economia. O aumento da dívida nacional, um ambiente comercial mais complexo e fragmentado, uma mudança no comércio e novas interrupções no emprego provavelmente moldarão as condições dentro e entre os estados.

“Muitos governos podem descobrir que reduziram a flexibilidade à medida que lidam com cargas de dívidas maiores, regras comerciais diversas e uma gama mais ampla de poderosos Estados e atores corporativos que exercem influência. … O crescimento da produtividade continua sendo uma variável chave; um aumento na taxa de crescimento poderia aliviar muitos desafios econômicos, de desenvolvimento humano e outros.”

Tecnologia. A tecnologia tem o potencial de ajudar a enfrentar as mudanças climáticas, a saúde pública e outras áreas desafiadoras, mas também pode eliminar empregos, especialmente para aqueles com menos educação e habilidades comercializáveis, levando ao aumento do desemprego e da desigualdade.

“Durante as próximas duas décadas, o ritmo e o alcance dos desenvolvimentos tecnológicos provavelmente aumentarão cada vez mais rápido, transformando uma gama de experiências e capacidades humanas, ao mesmo tempo que cria novas tensões e rupturas dentro e entre sociedades, indústrias e estados.”


As respostas humanas a esses desafios globais determinarão como o mundo evoluirá nas próximas duas décadas. Para entender melhor como esse futuro altamente incerto pode se desenrolar, o GT2040 explorou as respostas a três questões principais:Quão severos são os desafios globais que se aproximam?;
Como os atores estatais e não estatais se envolvem no mundo, incluindo o foco e o tipo de engajamento?; e
O que os estados priorizam para o futuro?

Essas perguntas ajudaram a identificar cinco cenários plausíveis e distintos de como o mundo poderia ser em 2040.

Vou concluir este post falando brevemente cada um desses mundos alternativos.

Renascimento das Democracias. Nesse cenário otimista, o mundo experimentará um ressurgimento de democracias abertas, lideradas pelos EUA e seus aliados.

“Os rápidos avanços tecnológicos promovidos por parcerias público-privadas nos Estados Unidos e outras sociedades democráticas transformam a economia global, aumentando a renda e melhorando a qualidade de vida de milhões em todo o mundo. A maré de crescimento econômico e conquistas tecnológicas permite respostas aos desafios globais, alivia as divisões sociais e renova a confiança do público nas instituições democráticas.”

Um mundo à deriva. Nesse cenário pessimista, a economia mundial está sem rumo, caótica e volátil. As regras internacionais são amplamente ignoradas por grandes potências como a China e seus parceiros regionais. Os países da OCDE sofrem, com um crescimento econômico lento, com divisões sociais cada vez maiores e com paralisia política. Muitos desafios globais, como mudança climática e instabilidade nos países em desenvolvimento, em grande parte não serão enfrentados.


“Os Estados Unidos e a China priorizaram o crescimento econômico e restauram uma relação comercial robusta, mas essa interdependência econômica existe ao lado da competição por influência política, modelos de governança, domínio tecnológico e vantagem estratégica. O risco de uma grande guerra é baixo, e a cooperação internacional e a inovação tecnológica tornam os problemas globais administráveis, no curto prazo para as economias avançadas, mas os desafios climáticos de longo prazo permanecem.”

Silos separados. O mundo se fragmenta em blocos econômicos e força, inclusive, os EUA, China, União Europeia, Rússia e algumas potências regionais, a focar em sua própria autossuficiência, resiliência e defesa.

“Os países em desenvolvimento vulneráveis, são apanhados em meio aos blocos/silos, com alguns, prestes a se tornarem Estados falidos. Os problemas globais, principalmente a mudança climática, são tratados de maneira irregular”.

Tragédia e mobilização. Nesse último cenário, os eventos climáticos e a degradação ambiental levaram a uma catástrofe global de alimentos. Uma coalizão global de países, organizações não governamentais (ONGs) e instituições multilaterais está tentando implementar mudanças de longo alcance para abordar a mudança climática, bem como o esgotamento de recursos e pobreza generalizada.

“Os países mais ricos mudam para ajudar os mais pobres a administrar a crise e, em seguida, fazem a transição para economias de baixo carbono por meio de amplos programas de ajuda e transferências de tecnologias avançadas de energia, reconhecendo a rapidez com que esses desafios globais se espalham além das fronteiras.”

E o relatório GT2040 é encerrado com essas palavras: “essa análise foi conduzida com humildade, sabendo que invariavelmente o futuro se desdobrará de maneiras que não havíamos previsto. O objetivo não é oferecer uma previsão específica do mundo em 2040; em vez disso, nossa intenção é ajudar os formuladores de políticas e os cidadãos a ver o que pode estar além do horizonte e a se preparar para uma série de futuros possíveis.”

Além da Guerra de Preços: O Oceano Azul na Conectividade Brasileira

Introdução Lançado em 2005 por W. Chan Kim e Renée Mauborgne, A Estratégia do Oceano Azul revolucionou o pensamento estratégico...