28/02/2006

Redes Sociais e Marketing


Há poucos dias, tive acesso ao material dos painéis de discussão do Wharton Technology Conference, realizado por alunos da Wharton School of Business da University of Pennsylvania, e um dos painéis que me chamou a atenção foi sobre Redes Sociais e soluções de software social para empresas.

A Internet se tornou uma plataforma muito eficaz para aplicativos colaborativos, que permitem que as pessoas se organizem em comunidades on-line de todos os tipos e, como resultado, as redes sociais surgem como uma grande força do marketing social. Blogs, wikis e diferentes tipos de software social estão ajudando um grande número de pessoas a se conectar, colaborar e se encontrar on-line. As redes sociais são uma parte importante do que muitos chamam de segunda fase da World Wide Web ou Web 2.0 ou Web colaborativa. 

Nos últimos meses, me envolvi mais em atividades de redes sociais, motivado por meus interesses na evolução da Internet, inovação colaborativa e, em particular, minha adoção por escrever blogs em 2005. Participei de eventos de redes sociais, painéis da indústria te conectividade e telecom e mesas de discussão de blogs. O que estou aprendendo é que há um crescente poder nas comunidades em várias áreas, como software de código aberto, melhorando a qualidade de patentes, contribuindo com conhecimento para a Web e o uso de discussões mundiais habilitadas pela Internet para ajudar a tomar decisões sobre assuntos importantes. Há algo muito atraente sobre a noção de empoderar comunidades e explorar suas possibilidades.

Na conferência de Wharton, houve um foco para aplicativos e softwares sociais para negócios. Inicialmente, foi discutido dois tipos principais de aplicativos de rede social – aqueles implementados dentro de organizações e seus vários parceiros de negócios para melhorar o conhecimento e a produtividade; e aqueles implementados entre empresas e consumidores e destinados a melhor apoiá-los, aprender com eles e, estabelecer relacionamentos mais próximos entre a empresa e seus clientes. Na primeira categoria, temos grandes empresas como IBM e Microsoft, desenvolvendo uma variedade de plataformas e ferramentas colaborativas projetadas para ajudar as pessoas a interagir e trabalhar de forma mais eficaz umas com as outras. O software social é uma área muito ativa para inovação, dada a importância e as oportunidades de melhorar a produtividade das organizações nos negócios e na sociedade.    

Igualmente inovadores são os esforços em torno do uso de redes sociais para marketing de consumidores. Usar a Internet para marketing não é nenhuma novidade, mas o que é novo é a natureza participativa do marketing. Enquanto no passado os consumidores eram passivos, agora eles são muito ativos, comunicando-se não apenas com a empresa, mas entre si, discutindo, avaliando, elogiando e, muitas vezes, criticando os produtos e serviços de uma empresa. Todo negócio precisa entender como alavancar essas novas oportunidades de marketing para estabelecer um relacionamento mais próximo entre suas marcas e as pessoas que as usam. No mínimo, a empresa precisa monitorar o que as pessoas lá fora estão dizendo umas às outras sobre os seus produtos, para que possam identificar problemas e corrigi-los rapidamente antes que se transformem em crise. Muitas novas ideias e novos empreendimentos estão surgindo para atender a este contexto. 

As interações com o público, são um dos mais importantes tipos de esforços de marketing de redes sociais e se aplicam a pequenas, médias e grandes empresas, incluindo o ramo musical, onde as bandas agora estão se conectando diretamente com seus fãs. Provavelmente haverá uma grande variedade de segmentos de mercado e empresas abordando as maneiras diferentes como as pessoas respondem a diferentes tipos de produtos e serviços ao redor do mundo e em diferentes estágios da vida. 

O empoderamento das comunidades, empresas e outras instituições podem estar "perdendo o controle" tanto de sua marca quanto de sua força de trabalho e há preocupações das empresas sobre o potencial impacto negativo de blogs escritos por clientes descontentes: "No mundo da Internet, você não é dono de sua marca. Seus clientes e usuários são donos dela. Você tem sorte se puder pastoreá-la. Essa perda de controle é muito assustadora." É por isso que é tão importante para uma empresa e seus funcionários estarem inseridas — incluindo a blogosfera e outras novas formas de interação social — aprendendo ativamente a melhor forma de lidar com essas forças. É uma das principais razões pelas quais as empresas devem incentivar seus funcionários a participar de blogs, wikis, jams e outros esforços comunitários, tanto dentro da empresa quanto no mercado.

Por fim, a conferência ainda refletiu sobre o quê leva as pessoas a se unirem em comunidades online sem serem pagas para isso. Este é um assunto que recebeu a atenção de vários acadêmicos, e será investigado extensivamente no futuro. Acredito que, no final das contas, a resposta é muito simples: "Somos, animais sociais. Precisamos fazer parte de comunidades, contribuir para elas e nos beneficiar delas. O desejo de colaborar pode muito bem ser um dos mais poderosos e primitivos impulsos humanos".

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