13/03/2006

Perspectivas Globais de Inovação

Na reunião anual de kickoff de metas de vendas, foram comentadas algumas análises sobre as tendências em tecnologia e negócios que devem moldar nossas estratégias. No ano passado, notamos que, à medida que o foco em inovação começou a tomar forma, percebemos que nossa estratégia precisava mudar. Cada vez mais, a inovação estava na intersecção entre tecnologia, negócios e sociedade, então era preciso adotar uma nova abordagem para discernir as tendências nessas três dimensões, em vez de apenas analisá-las individualmente.   

Assim nasceu o Global Projects Innovation, reunindo um pacote de soluções que pudessem atender empresas de todos os portes, do meio acadêmico, do governo, de grupos de interesse público, da comunidade de capital de risco e de outros grupos-chave para focar em uma estratégia coletiva, analisando e seguindo as principais tendências, insights e oportunidades. Para direcionar as discussões, escolhemos temas sociais e buscamos insights que se aplicassem às três áreas de foco e abrangessem diversas disciplinas e setores.

As áreas de foco foram: saúde, governo e seus cidadãos, e os negócios relacionados Internet Society. As perspectivas para as área foram excelentes. 

Em primeiro lugar, estava a necessidade de formas padronizadas de troca de informações dentro e entre organizações, o que foi visto como o equivalente a "falar a mesma língua". Padrões foram identificados como requisitos para desbloquear novas capacidades, e muitos citaram a falta de padrões como "um dos principais motivos para ineficiências sistêmicas, custos crescentes e incoerência e confusão generalizadas no setor".

Em seguida, apareceu a necessidade de colaborar de forma mais aberta entre os membros do ecossistema, incluindo partes não acostumadas a trabalhar umas com as outras por serem concorrentes ou por serem oriundas de diferentes disciplinas ou setores. 

A última grande área identificada foi a primazia do indivíduo como ponto focal para a inovação. "Enquanto grande parte da inovação no século passado surgiu da adoção da produção em massa, a inovação no século XXI será construída principalmente com base na infraestrutura do indivíduo".

Nossad descobertas foram divulgadas em um evento, na semana passada. As discussões se concentraram em três tópicos: o futuro das empresas, energia e meio ambiente, e transporte e mobilidade.

Encontramos alguns padrões gerais muito interessantes. E um em particular me chamou a atenção: O papel dos indivíduos na condução da inovação, e como esses indivíduos não estão agindo isoladamente. "Seu poder advém, em grande parte, de sua capacidade de acessar e, às vezes, transformar uma rede maior de pessoas e ideias." Isso é algo que descobri pessoalmente no último ano com o surgimento das redes sociais, possibilitadas pela internet e ferramentas e plataformas relacionadas, que estão possibilitando que as pessoas se conectem e trabalhem juntas de maneiras sem precedentes, dentro e fora das fronteiras de organizações e países. 

Os participantes do Kickoff de vendas observaram que, cada vez mais, o princípio organizador do trabalho não é mais a empresa, mas o esforço, e que em breve poderá ser o momento de redefinir o que queremos dizer com empresa, empregador e empregado, à medida que agregações mais flexíveis de colaboradores se formam e se dissolvem, oportunidade após oportunidade. Nas discussões do do Kickoff, as pessoas voltavam sempre à ideia de que, em um mundo tão colaborativo e conectado em redes sociais, o capital de reputação e a confiança são essenciais para o funcionamento adequado de empresas e comunidades, algo com que concordo plenamente. 

Um destaque do evento, foi um painel sobre os desafios e oportunidades das empresas do século XXI. Um dos principais tópicos de discussão foram os tipos de qualidades de liderança que prosperarão nos ambientes de trabalho virtuais e altamente distribuídos que já vemos nos negócios – ambientes que todos concordam que serão cada vez mais a norma à medida que nosso mundo se torna mais aberto, global e colaborativo, e as tecnologias, plataformas e ferramentas de comunicação subjacentes continuam a melhorar. Houve um consenso de que as organizações hierárquicas clássicas da Era Industrial simplesmente não funcionarão neste novo ambiente e que as universidades precisam ajustar seus currículos para preparar melhor os alunos para o mercado de trabalho do século XXI. Realmente fascinante foi a discussão sobre o mundo dos jogos online multijogador e as pistas que ele fornece sobre os tipos de habilidades e ferramentas de treinamento que serão necessárias em ambientes de trabalho virtuais dinâmicos, bem como os tipos de abordagens que estão funcionando em comunidades abertas e auto-organizadas, como aquelas que se reúnem em torno do desenvolvimento de software de código aberto e da Wikipédia.

Vivemos em um mundo cada vez mais imprevisível e em rápida transformação – um mundo em que a previsão e o planejamento praticados no passado não funcionarão mais para empresas ou nações. Para entender o que pode estar acontecendo lá fora, é preciso coletar e analisar informações constantemente. Mas, ainda mais importante, é preciso interagir com as pessoas para que, a partir da sabedoria coletiva delas, você possa começar a discernir insights sobre o que pode estar acontecendo e o que fazer a respeito. É isso que torna as conversas e descobertas desses Kickoffs tão atraentes.      

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