Estava trabalhando na configuração de um circuito LAN2LAN Brasil x Chile e um colega do Chile comentou sobre um evento sobre tecnologia chamado Supernova 2007, que aconteceu em São Francisco. Mais tarde eu fiz uma pesquisa e encontrei algumas referências que me ajudaram a entender um pouco mais sobre o evento, que teve a participação de pessoas importantes da SUN Microsystems, como Greg Papadopoulos , e o ex-diretor de tecnologia da Microsoft, Nathan Myhrvold. Um dos painéis foi sobre o que impulsionará o crescimento e a inovação futuros no setor de tecnologia.
Achei super interessante os comentários sobre as iniciativas e oportunidades de, por exemplo, aproveitar os avanços em tecnologias e os novos padrões de comunicações para observar e interagir com a organização inteira – um ecossistema industrial ou uma economia – como um sistema holístico e integrado, que consegue juntar processos, informações e pessoas. É evidente que esses sistemas são incrivelmente complexos. As ferramentas que utilizamos hoje para projetá-los, construí-los e gerenciá-los são bastante primitivas e, portanto, exigem serviços consideráveis baseados em mão de obra.
Precisamos de inovações revolucionárias que nos permitam lidar melhor com esses sistemas cada vez mais complexos. A engenharia tem feito um excelente trabalho no desenvolvimento de ferramentas e metodologias avançadas – como CAD/CAM, simulações, modelos, etc. – para nos ajudar a lidar com sistemas complexos, como aviões, prédios e microprocessadores. Isso possibilitou altíssima qualidade e produtividade na produção das coisas.
Nosso desafio e oportunidade agora é desenvolver ferramentas e metodologias igualmente sofisticadas para lidar com sistemas organizacionais complexos como os encontrados em diversos setores e economias. Comparado ao que foi feito até agora, isso é difícil – muito, muito difícil.
Por que isso acontece?
Para começar, os sistemas organizacionais precisam evoluir continuamente para acompanhar as exigências de um mercado em constante transformação. Além disso, as pessoas desempenham um papel fundamental nesses sistemas. Os processos e atividades que envolvem pessoas são imprevisíveis, porque pessoas são únicas e determinísticas.
A engenharia clássica tem tido dificuldades em lidar com os aspectos imprevisíveis dos sistemas, razão pela qual o lado dos serviços de TI tem crescido tão rapidamente. O que claramente precisamos são arquiteturas mais flexíveis e modulares para permitir que os sistemas evoluam e se adaptem às condições de mercado imprevisíveis e em rápida mudança, bem como um conjunto completo de ferramentas que permita às pessoas lidar com ações e decisões em tempo real com a qualidade e a produtividade que associamos aos sistemas de engenharia.
Enquanto ainda pesquisava para escrever este artigo, encontrei uma das melhores discussões sobre o problema e as possíveis soluções relacionadas a esse tema no livro Think, Play, Do: Technology, Innovation, and Organization" de Mark Dodgson, da Escola de Negócios da Universidade de Queensland , e David Gann e Ammon Salter, da Escola de Negócios Tanaka do Imperial College.
O livro "Think, Play, Do" concentra-se no processo de inovação e em como os autores vêem essas implicações para as organizações e indivíduos. Sua premissa básica é que, para responder à crescente complexidade, incerteza e custos inerentes à transformação de um negócio para ser competitva, uma empresa não tem outra escolha senão adotar uma nova abordagem.
A base dessa abordagem é uma nova categoria de Tecnologia da Inovação, que surgiu nos últimos anos e vem sendo cada vez mais aplicada e transformando o processo de inovação nos negócios. Ela inclui ferramentas de simulação e modelagem, realidade virtual, mineração de dados e prototipagem rápida. O uso dessas tecnologias, quando combinado com o talento adequado e mudanças organizacionais, contribui para tornar o processo de inovação mais econômico e menos incerto.
Segundo os professores Dodgson, Gann e Salter, esse novo processo de inovação envolve três atividades principais: pensar (geração de ideias), experimentar (projetar, testar, avaliar e selecionar) e fazer (prototipagem). Essas atividades geralmente ocorrem em paralelo, com múltiplas interconexões e iterações, e a mesma equipe costuma estar envolvida em todas as três. O novo processo enfatiza a importância do design e da prototipagem na inovação organizacional.
O livro defende uma abordagem colaborativa para a inovação, tanto dentro da empresa quanto entre instituições. Argumenta que muitas inovações organizacionais exigem atualmente múltiplas perspectivas tecnológicas, de mercado e de negócios, o que dificulta que uma única empresa desenvolva internamente todas as habilidades e conhecimentos necessários. O uso de tecnologias baseadas na internet favorece uma abordagem muito mais distribuída e aberta à inovação, envolvendo relações externas com instituições acadêmicas, centros de pesquisa, consultores, fornecedores, clientes e até mesmo concorrentes.
Gosto da abordagem "Pensar, Brincar, Fazer" , porque ela essencialmente traz para o mundo dos negócios as práticas que nos serviram tão bem na engenharia ao longo dos séculos, incluindo o uso de tecnologias, ferramentas, design e prototipagem. Não podemos esquecer que foram necessárias décadas para aprimorar a aplicação da engenharia ao desenvolvimento de objetos complexos. Os sistemas empresariais e organizacionais são muito mais complexos, dinâmicos e imprevisíveis. Portanto, temos um grande desafio pela frente ao tentarmos aplicar as tecnologias e os métodos da engenharia a essa nova classe de problemas. E isso pode muito bem ser o nosso maior desafio na emergente economia do conhecimento.
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