01/09/2006

Transformando negócios por meio de recursos virtuais

Na semana passada, participei de um evento de telecom em São Paulo, para discutir iniciativas focadas no impacto dos jogos online multijogador massivo (MMOG) nos negócios, em particular aqueles jogos que são verdadeiramente concebidos como mundos ou ambientes virtuais. Acompanharam-me nas conferências, alguns colegas de outras empresas que estão testando estas novas funcionalidades. Alguns estavam presencialmente comigo em São Paulo, mas a maioria estava espalhada pelo mundo – nos EUA, Índia, Canadá, Austrália e Reino Unido – e participou numa reunião virtual.

Já faz algum tempo que percebo que uma das áreas mais empolgantes da inovação é reformular as interações através de aplicativos de computadores, em que os humanos que os utilizam, recebem mais o foco das ações, em vez das máquinas e softwares que os executam. Em particular, me impressiona, como nossos cérebros são basicamente programados para a visão e o som, não é de surpreender que quanto mais visual um aplicativo é, mais intuitivo e voltado para o ser humano ele provavelmente pareça ser.
Tomei consciência dessa importância de visualizações altamente realistas há cerca de onze anos, por meio do meu filme Toy Story de 1995, quando li um ensaio sobre a tecnologia envolvida na produção da animação, com aplicações científicas e de engenharia gráfica da computação. Nessas áreas, a visualização é amplamente utilizada para representar objetos naturais ou projetados que estão sendo modelados, simulados e analisados. Com a queda acentuada dos custos das tecnologias de visualização, a vanguarda da visualização agora está se estabelecendo no mundo dos videogames, especialmente em torno da nova geração de tecnologias de jogos, como o XBOX 360 da Microsoft, o Wii da Nintendo e o PS3 da Sony . 

Cerca de dois anos atrás, um estudo conduzido pela IBM Academy of Technology concluiu que as tecnologias e capacidades do mundo dos jogos teriam um impacto muito forte em todos os aspectos da TI e fez uma série de recomendações para atividades subsequentes, que começarão a ser implementadas. 
Para aprender o que é necessário, é importante conduzir experimentos, como a realização de reuniões virtuais sobre diversos assuntos com grupos de diversos tamanhos. Os participantes da reunião são representados visualmente avatares ou ícones personalizados. Estamos muito interessados em entender a melhor forma de conduzir essas reuniões virtuais. Aprendemos que muitas das pistas visuais do mundo físico devem ser incorporadas ao mundo virtual. Por exemplo, os participantes da reunião devem sentar-se frente a frente, como normalmente fariam em uma reunião, e quem estiver falando deve gesticular com os braços. 
Muitos, muitos aspectos da condução eficaz de reuniões no mundo virtual ainda precisam ser investigados. Teremos avatares diferentes para diferentes tipos de reunião – talvez usando representações realistas e mais formais de nós mesmos para reuniões de negócios pela primeira vez, e representações mais casuais e fantasiosas para reuniões com colegas e amigos que conhecemos bem? Como melhor representar os recursos utilizados na reunião, sejam eles apresentações, transmissões de vídeo ao vivo, demonstrações e assim por diante?

Outra área de estudo interessante é o comércio eletrônico no mundo virtual. O conceito original, e muito bem-sucedido, de comércio eletrônico é construído em torno da metáfora de um catálogo, que se encaixa perfeitamente na noção de conteúdo de página da web e dos navegadores. Mas, nos mundos virtuais emergentes e altamente visuais, o comércio poderia ser conduzido em lojas virtuais, cujo fascínio seria limitado apenas pela imaginação dos designers das lojas virtuais. 

Um dos apresentadores da reunião virtual em que participei, estava em Londres e ele falou bastante sobre  experimentar o comércio no mundo virtual durante, por exemplo, o torneio de Wimbledon. Foi criado um site no Second Life que parecia uma quadra de tênis. Os visitantes podiam acompanhar um jogo, na quadra de tênis virtual, e produtos como toalhas de Wimbledon estavam disponíveis para venda. Também fotam criados links para outros sites de comércio eletrônico, como amazon.com, para mostrar como é fácil conectar mundos virtuais com o mundo mais convencional da web.

Uma área importante que precisamos entender é como processos de todos os tipos do mundo empresarial "real" podem ser melhor representados no mundo virtual. Por exemplo, o representante da Índia, na reunião, comentou estar experimentando melhores formas de integrar novos funcionários usando recursos do mundo virtual para complementar os processos existentes. 

Acredito que usar esses recursos virtuais, altamente visuais para nos ajudar a projetar, simular, otimizar, operar e gerenciar atividades empresariais de todos os tipos será um dos avanços mais importantes no setor de TI na próxima década. Os aplicativos comerciais atuais, especialmente aqueles envolvidos em planejamento de recursos empresariais (ERP), são muito complexos, monolíticos e estáticos, e muitas vezes acabam frustrando seus usuários. Estou convencido de que lidar com esses aplicativos empresariais de uma forma semelhante à SimBusiness — ou seja, com o aplicativo parecendo uma simulação realista do negócio e de suas operações — não transformará apenas a TI, mas os próprios negócios. Talvez, pela primeira vez, possamos entender o que realmente está acontecendo em uma empresa e seus vários processos e, então, aprimorá-los e otimizá-los sistematicamente em múltiplas dimensões.

Quando o mundo iniciou esforços de globalizar a internet, há cerca de dez anos, a internet já era usada por milhões de pessoas ao redor do mundo, e já havia uma forte sensação de que ela teria um enorme impacto em empresas e instituições de todos os tipos, mas, ninguém tinha muita certeza de qual seria esse impacto. 

Ao começarmos a explorar a internet e a web para vários projetos e a estudar o que os outros estavam fazendo, todos aprendemos através de experimentos. Por exemplo, entender que, construir um site permitiria, que pessoas de todo o mundo, acompanhassem a partida de xadrez entre o Deep Blue e o então campeão Garry Kasparov, em fevereiro de 1996. Mais tarde, no mesmo ano, outro projeto bastante ambicioso, foi o de disponibilizar online todos os Jogos Olímpicos de Verão de Atlanta de 1996. Todos aprenderam muito com esses experimentos de mercado, que ajudaram a organizar novas estratégias de e-business. E agora, em 2006, os jogos online multijogador massivos e mundos virtuais — que já estão sendo usados por milhões de pessoas, despertam a atenção global sobre o enorme impacto nos negócios, na sociedade e em nossas vidas pessoais, embora ninguém ainda possa prever exatamente qual será esse impacto. Será incrível poder ver onde essa jornada nos levará.    

08/08/2006

A liderança da Inovação

O Innovation Summit de Stanford de 2006 foi patrocinado pela AlwaysOn, uma rede social para profissionais de tecnologia, mídia e negócios. A AlwaysOn foi fundada por Tony Perkins, criador da Red Herring e da Upside.

O Stanford Innovation Summit, trouxe, em um dos seus painéis "Os Estados Unidos ainda têm um controle sobre a inovação?". Este é um assunto amplamente discutido, dado o mundo cada vez mais competitivo em que vivemos. Uma questão importante levantada é: se importa de onde vem a inovação e se faz sentido falar sobre algum país ter um "controle sobre a inovação" em um mundo integrado, conectado e plano.

O painel discutiu uma série de tópicos, desde Propriedade Intelectual até a China como uma potência inovadora emergente. Mas o tema central das discussões foi a imigração. Houve consenso de que, para os Estados Unidos, a imigração tem sido um dos principais motores da inovação. Os países e empresas que têm uma tradição de acolher e aceitar diferentes povos – uma cultura de diversidade – terão vantagem nesse mundo cada vez mais global e colaborativo. Seja falando de inovação ou negócios, o fato é que sociedades multiculturais com muitas visões e habilidades diferentes tem grande vantagem ao  compartilhar essa cultura de diversidade.   
O painel também demonstrou sua preocupação de que os EUA estejam se fechando e dificultando a vinda de pessoas para estudar e trabalhar. É um movimento natural que os EUA se tornassem mais vigilantes após os ataques terroristas de 11 de setembro e as constantes ameaças à segurança em todo o mundo. Mas há uma preocupação, de que uma sociedade aberta e multicultural esteja sob ataque e que os problemas de imigração enfrentado por profissionais e estudantes sejam a manifestação de um nacionalismo crescente – uma espécie de cultura isolacionista e nativista do tipo "vamos sozinhos". Ao longo da história, vimos que é difícil para um país se tornar ou permanecer um líder em inovação se ele se fechar para o mundo.   

Nesse sentido é preocupante ver algumas figuras poderosas da mídia e da política em debates sobre imigração nos EUA, colocando os imigrantes de primeira geração, bem como os filhos de imigrantes, em desconforto e em estado de atenção sobre sua permanência no país.

As questões em torno da imigração são complexas. Há uma necessidade de solução, mas isso envolve reforço da segurança das fronteiras; maior diligência na aplicação das regras trabalhistas; busca de equilíbrio entre a demanda e a oferta de mão de obra; e uma maneira prática e decente de lidar com a população de imigrantes ilegais. 

O painel ainda discutiu que quer gostemos ou não do projeto de lei do Senado ou ache que ele precisa de melhorias, seria importante envolver  a todos em um debate para construir um consenso em torno de uma questão tão importante. Infelizmente, isso não está acontecendo. Em vez disso, os críticos pró reforma imigratória redobraram seus esforços para adotar uma abordagem simples: endurecer com os imigrantes e ponto final. Eles estão retratando a imigração ilegal como a ameaça mais urgente que o país enfrenta, responsável pela ansiedade econômica sentida por muitos trabalhadores de renda média e baixa. De fato, a reforma imigratória tem sido retratada por alguns como parte de uma "Guerra contra a Classe Média" conduzida pelo governo, empresas e outros.   

Culpar instituições, como o governo e as empresas, pelos males da sociedade não é justo, mesmo que a culpa seja totalmente injustificada. Essas instituições têm os meios para se defender e a história mostra que, quando se escolhe atacar um grupo impotente e desfavorecido – como os imigrantes ilegais pobres –, demoniza-se e tenta-se fazer deles bodes expiatórios para qualquer raiva que o país possa estar sentindo, isso não só é injusto, como muitas vezes termina com consequências ruins. 

Os EUA continuarão a ser líderes em inovação no século XXI? Sim. Um mundo em rápida transformação exige flexibilidade e adaptabilidade, ambos pontos fortes dos Estados Unidos. O fato da sociedade estar enraizada em instituições democráticas e princípios de livre mercado é de suma importância. Já houveram outros períodos nacionalistas e isolacionistas no passado, que foram resolvidos, há uma confiança, por todos os participantes, de que passaremos por isso novamente. 

É preciso lembrar que, desde a fundação dos Estados Unidos, sua cultura cresceu em diversidade e abertura, assimilando e se beneficiando de muitas culturas diferentes sem, ao mesmo tempo, eliminá-las. Especialistas concordam que a diversidade – de perspectivas, ideias, informações, pensamento, etc. – é um elemento essencial para o florescimento da inovação. E a profunda diversidade dos Estados Unidos tem sido um dos principais fatores que os tornaram líderes em inovação. Essas qualidades serão ainda mais importantes à medida que a competição global pela liderança em inovação se intensifica.

E esse foi um dos mais políticos eventos tecnológicos que já tive a oportunidade de acompanhar.

17/07/2006

A natureza mutável da estratégia

Com a primeira metade da primeira década dos anos 2000 cumprida trabalhando, já me sinto um veterano, por estar bastante envolvido com estratégias de negócios. Já consigo definir por mim mesmo, como a natureza da estratégia no setor de TIC mudou nos últimos dez anos. 

O mais evidente é o ritmo crescente das mudanças nas tecnologias da informação e no mercado. Os ciclos de produção são, agora, significativamente mais curtos do que no início dos anos 90. Tudo está se movendo bem mais rápido. 

Outra mudança importante é a crescente importância de focar no mercado e nas aplicações da tecnologia, não apenas nas tecnologias, produtos e serviços em si. À medida que os componentes de hardware e software se tornam cada vez mais poderosos, baratos e onipresentes, grande parte da inovação no setor de TIC estará nos tipos de sistemas, aplicativos e soluções industriais que agora podemos desenvolver aproveitando esses componentes tecnológicos.

Esses são alguns dos fatores que exigem que as empresas abordem a estratégia de uma forma significativamente diferente da que costumavam fazer. Embora meus comentários sejam baseados em minhas experiências no setor, acredito que eles se apliquem a qualquer setor, em que as tecnologias e mercados estejam passando por mudanças rápidas e profundas.

A maioria das empresas criavam suas estratégias de forma hierárquica, que praticamente seguia uma organização hierárquica. Cada linha de negócios elaborava seu plano estratégico uma ou duas vezes por ano e o apresentava à gerência geral da empresa. Uma vez aceitos, todos os planos eram integrados por uma equipe de estratégia corporativa à estratégia geral da empresa. Em empresas com integração flexível, a estratégia geral era simplesmente a soma das estratégias das unidades individuais, enquanto em empresas mais integradas, buscava-se elaborar uma estratégia relativamente holística para toda a empresa. 

Essa abordagem hierárquica funcionou bem quando tecnologias e produtos eram o foco principal de uma estratégia e quando essas tecnologias e produtos mudavam muito mais lentamente. Hoje, é preciso preservar aspectos da abordagem hierárquica, como, por exemplo, para a gestão da estratégia financeira da empresa. Mas, para tecnologias e mercados, a abordagem hierárquica é muito rígida e deve ser complementada por abordagens mais dinâmicas, de baixo para cima, que reajam constantemente ao que está acontecendo dentro da empresa e no mercado. Alcançar o equilíbrio adequado entre uma estratégia de cima para baixo – e uma estratégia de baixo para cima que reflita as realidades do mercado, pode ser um dos maiores desafios competitivos que uma empresa enfrenta.

No passado, uma empresa claramente precisava prestar atenção à concorrência e ao mercado, mas não no mesmo grau que hoje. Dado o ambiente global hipercompetitivo e em rápida mudança que temos hoje, as forças do mercado alcançaram um status quase mítico. Penso nelas como forças que nos atingem frequentemente e alteram o ambiente, muitas vezes de maneiras drásticas, a ponto de exigir respostas igualmente drásticas e rápidas demais para as empresa. Portanto, é muito importante que a empresa tenha uma compreensão muito clara e atualizada do ambiente e do mercado e faça o possível para se ajustar e estar em harmonia com esses ambientes, em vez de tentar combatê-lo para preservar o status quo.

Em tal clima, é preciso prestar muita atenção ao que está acontecendo lá fora; olhando para seus clientes e parceiros de negócios e suas principais fontes de ideias inovadoras. Cada vez mais empresas estão percebendo a importância de considerar a inovação de seus produtos e serviços como fortes indicadores do rumo que seus mercados estão tomando. Colaborar com universidades, laboratórios de pesquisa e comunidades abertas é essencial para antecipar o futuro que se aproxima rapidamente e buscar tempo suficiente para fazer algo a respeito. Essas colaborações não podem ser feitas com equipes terceiras, que estão monitorando o que está acontecendo lá fora; a empresa precisa ter seus próprios talentos e que suas opiniões e contextos sejam respeitados. 

Assim, parte do processo estratégico de baixo para cima, seria ajudar a organizar comunidades de inovação empresarial que possam informar o que realmente está acontecendo, sugerir todos os tipos de ideias inovadoras e analisá-las como comunidade antes de fazer recomendações à gerência. A inovação colaborativa em geral, tanto dentro quanto fora da empresa, deve ser um dos principais objetivos.

No passado, um fornecedor ia a um analista para descobrir mais sobre um concorrente, porque uma conversa direta estava fora de questão. O controle da informação era a ordem do dia. Tudo sobre estratégia era segredo. 

No presente, há um equilíbrio intrigante emergindo à medida que os executivos corporativos tentam descobrir o que está acontecendo. É provável que desenvolvedores estejam por aí conversando alegremente com o mercado sobre o que está acontecendo na empresa — os blogs são uma manifestação óbvia de como as informações estão cruzando as fronteiras organizacionais e competitivas... De repente, a coleta de requisitos se tornou muito mais eficaz...

Pessoalmente, gosto do modelo aberto e colaborativo de cono se disseminar conhecimento, pelas comunidades colaborativas do mundo todo. Outro dia ajudei um jovem na Índia que estava com dificuldades em configurar um servidor DNS e eu o ajudei em todos os passos: da instalação à configuração avançada do servidor. 

Formulações de estratégias de negocios podem estar virando conversa de chat — identificando tecnologias emergentes e desenvolvimentos de soluções e até estratégias de mercado, que são cruciais para o futuro do setor de TIC.
Mas ainda mais gratificante para mim é ter a responsabilidade de executar os esforços gerais para implementar uma estratégia de negócios. Abertamente falando: há uma grande diferença entre elaborar recomendações para outras pessoas e implementar uma estratégia e ter que descobrir como implementar as recomendações você mesmo. 

Para mim, quanto mais complexa e competitiva a estratégia, mais estimulante ela é. No setor de TIC, quando se olha de cima, vê-se os restos de muitas empresas que não fizeram um bom trabalho na gestão de suas estratégias e, consequentemente, de seus negócios, e que não existem mais. Formular e gerenciar estratégias é um negócio muito sério — e que está em constante transformação. 

05/06/2006

O que estou aprendendo em negócios em TIC

Em um mundo cada vez mais dinâmico e competitivo, tanto na vida pessoal quanto nos negócios, certos princípios fundamentais continuam sendo pilares para o sucesso. 
Aqui, quero relatar alguns insights valiosos que transcendem o tempo e as mudanças tecnológicas.  

1. Adaptabilidade e Resiliência
A capacidade de se adaptar a novas circunstâncias é crucial. Na vida e nos negócios, mudanças são inevitáveis — seja uma crise econômica, uma disrupção tecnológica ou um desafio pessoal. Empresas e indivíduos que prosperam são aqueles que encaram as adversidades como oportunidades para evoluir, em vez de resistir à mudança.  

2. Aprendizado Contínuo
O conhecimento nunca é estático. Quem deseja se manter relevante precisa cultivar uma mentalidade de aprendizado constante. Isso inclui estar aberto a novas ideias, buscar feedback e estar disposto a sair da zona de conforto. Grandes líderes e profissionais bem-sucedidos são, acima de tudo, aprendizes vorazes.  

3. Relacionamentos e Colaboração
Nenhum sucesso significativo é alcançado sozinho. Construir e manter relacionamentos sólidos — seja com colegas, clientes ou parceiros — é essencial. A colaboração multiplica oportunidades e cria redes de apoio que podem fazer a diferença em momentos decisivos.  

4. Integridade e Ética 
A confiança é a base de qualquer relação duradoura, tanto na vida pessoal quanto nos negócios. Agir com integridade, mesmo quando ninguém está olhando, é um princípio que sustenta reputações e legados. Empresas que priorizam a ética tendem a conquistar lealdade e respeito a longo prazo.  

5. Equilíbrio entre Risco e Prudência
Inovação e crescimento muitas vezes exigem assumir riscos calculados. No entanto, é igualmente importante avaliar consequências e planejar com cautela. O equilíbrio entre ousadia e prudência é o que separa visionários de aventureiros imprudentes.  

Conclusão
As lições essenciais para uma vida e carreira bem-sucedidas não estão necessariamente nas últimas tendências, mas em valores e princípios atemporais. Adaptabilidade, aprendizado contínuo, relacionamentos, integridade e gestão de riscos são fundamentais para navegar em um mundo em constante transformação.  

O verdadeiro sucesso não é medido apenas por conquistas materiais, mas pelo impacto positivo que deixamos no mundo ao nosso redor.  

17/05/2006

Empregos e habilidades em um mundo global e competitivo

Há um debate global em andamento sobre se o estudo de ciências e engenharia continuará a promover boas carreiras e bem remuneradas, ou se esses empregos serão terceirizados para custos de mão de obra mais baixos, reduzindo salários, a fim de permanecerem competitivos.

Em um mundo cada vez mais global, onde o conhecimento avançado é disseminado e a mão de obra de baixo custo está disponível, haverá empregos técnicos suficientes para graduados em ciências e engenharia? Devemos incentivar nossos filhos a seguir carreiras em ciências e engenharia, ou direcioná-los para outras carreiras nas quais possam desfrutar de salários mais altos e um padrão de vida mais elevado? Qual é o papel das universidades no desenvolvimento de novos programas educacionais para melhor preparar seus graduados para os bons empregos técnicos do futuro?

Parece um paradoxo que, ao mesmo tempo em que falamos em transição para uma economia baseada no conhecimento, onde o talento técnico será de fundamental importância para a competitividade de empresas e nações, e que tenhamos dúvidas sobre o futuro dos empregos de base técnica. Grande parte dessas dúvidas se deve à percepção de migração de empregos técnicos.

No passado, as grandes economias reinventaram sua estratégia diversas vezes e criaram novos empregos para substituir aqueles que não eram mais viáveis, mas há temores de que, desta vez, não serão capazes de continuar como líderes em inovação, dado o ambiente global altamente competitivo em que vivemos.
A questão sobre se os empregos técnicos ainda são boas opções de carreira, foi abordado na conferência Association of Computing Machinery (ACM). Embora se concentre especificamente em TI e software, o relatório se aplica a empregos técnicos em geral.

Alguém pode se perguntar se TI ainda é uma boa opção de carreira para estudantes e trabalhadores. Apesar de toda a publicidade sobre a perda de empregos para outros mercados, o tamanho do mercado de trabalho em TI ainda é vasto e cheio de oportunidades. A tecnologia da informação parece ser uma boa área pelo menos na próxima década, e o governo projeta que diversas ocupações em TI estarão entre as que mais crescem durante esse período. 
Porém há alguns conselhos sólidos sobre como estudantes e trabalhadores devem se preparar melhor para carreiras em um mercado global em rápida mudança: 

1. Eles devem receber uma boa formação que lhes sirva de base sólida para a compreensão do campo da TI, que muda rapidamente. 

2. Devem ter a expectativa de participar de um aprendizado contínuo. Devem aprimorar suas "habilidades interpessoais" (soft skills) envolvendo comunicação, gestão e trabalho em equipe. 

3. Devem se familiarizar com um domínio de aplicação, especialmente em uma área em crescimento como a saúde, e não apenas aprender habilidades técnicas básicas de computação. 

4. Devem aprender sobre as tecnologias e questões de gestão que fundamentam a globalização do software, como plataformas tecnológicas, métodos de reutilização de software e ferramentas e métodos para trabalho distribuído. 

As exigências do mercado para talentos técnicos estão mudando rapidamente, à medida que a tecnologia permeia todos os aspectos dos negócios, da sociedade e de nossas vidas pessoais, e a Internet nos permite construir negócios, indústrias e economias globalmente integrados. Como resultado, empregos com altos salários estão crescendo em áreas "voltadas para o mercado", ou seja, o design de sistemas avançados e aplicações sofisticadas em muitos setores, como governo, saúde, educação e entretenimento. Esses novos empregos são muito mais colaborativos, interdisciplinares e abrangentes do que no passado. Eles exigem sólida competência técnica, combinada com conhecimento da indústria, negócios e gestão, bem como boa comunicação e habilidades interpessoais.

Também estou convencido de que uma educação técnica interdisciplinar não apenas preparará melhor os graduados para as posições voltadas para o mercado, onde se encontra a grande maioria dos empregos técnicos, mas também ajudará a atrair muitos jovens para carreiras técnicas que hoje as rejeitam por considerá-las muito limitadas, abstratas e socialmente isoladas.

As universidades precisam evoluir seus currículos para preparar estudantes de engenharia e ciências com as habilidades mais amplas necessárias para essa nova classe de empregos voltados para o mercado. Vários esforços estão em andamento para criar um novo tipo de educação multidisciplinar. 

Em algumas empresas, há um foco no trabalhado com diversas universidades para criar uma agenda de pesquisa e educação em Ciências de Serviços, Gestão e Engenharia . 
As Academias e Instituições voltadas à tecnologia, precisam realizar Workshops sobre Educação para Inovação em Serviços e isso deve incluir universidades e empresas. Várias universidades criaram novas organizações e programas interdisciplinares, como programa de Gestão de Tecnologia da Informação. 

Novos sistemas de engenharia e programas interdisciplinares, precisam ajudar a moldar a nova disciplina, compartilhar material educacional e empreender projetos conjuntos. Como acontece com qualquer nova disciplina em seus estágios de formação, as dúvidas são muitas. 

- Qual seria e novo campo interdisciplinar que combina tecnologia, gestão e ciências sociais? 

Diversos nomes são usados hoje: Sistemas de Engenharia, Sistemas Complexos, Gestão e Engenharia de Ciências de Serviços, Engenharia da Produção e assim por diante. Essas habilidades interdisciplinares e voltadas para o mercado podem ser ensinadas em universidades ou são o tipo de habilidades que só se aprende no trabalho? Acredito que, ao longo dos anos, perguntas semelhantes tenham sido feitas a outras disciplinas em seus primórdios. Há mais de cem anos, provavelmente nos perguntávamos se uma universidade poderia ensinar a construção de pontes e o projeto de carros, ou se essas habilidades só poderiam ser aprendidas por meio de aprendizagem com um mestre. Nas décadas de 1960 e 1970, muitos consideravam a programação uma arte e o software algo muito improvisado para ser ensinado. Alguns eram céticos quanto à relação entre ciência da computação e engenharia de software e a ciência e engenharia "reais". A manufatura não era levada a sério como objeto de estudo até que os japoneses nos ensinaram o quanto ela pode ser melhor quando tratada como disciplina. 

Novos campos de estudo, especialmente os campos de sistemas interdisciplinares dos quais estamos falando, são percebidos como muito "flexíveis". Acredito que a aceitação é uma questão de tempo. Com mais pesquisa, compreensão, trabalho e criatividade, desenvolveremos todos os tipos de ferramentas, processos, metodologias e técnicas analíticas que contribuirão significativamente para a criação de uma disciplina mais "difícil" e estruturada de sistemas de engenharia (ou como quer que a chamemos).

Há muitos novos problemas, empolgantes e altamente complexos para serem resolvidos, para se abordar e resolver nos negócios, na sociedade e na ciência. A tecnologia está aí para nos permitir lidar com esses problemas de novas maneiras, mas, para isso, precisaremos de novas abordagens e habilidades. É assim que as economias se reinventarão e criarão todos os tipos de novos empregos técnicos bem remunerados. No fim das contas, tudo se resume à inovação.

25/04/2006

Confiança e responsabilidade em um mundo cada vez mais conectado

O artigo "A Empresa Globalmente conectada", publicado na revista Foreign Affairs, discute as características, oportunidades e desafios deste novo modelo de atuação.

A Foreign Affairs publica importantes ideias, análises e debates sobre as questões mais relevantes do mundo moderno. O fato deste artigo aparecer em um veículo de comunicação tão relevante, mostra a importância da globalização no mundo dos negócios - especialmente para questões de políticas públicas, desenvolvimento econômico e relações comerciais. 

O argumento principal do artigo é mostrar que a corporação moderna passou por três estágios de evolução, até chegar na forma como se faz negócios pelo mundo hoje. 

O primeiro deles, "A corporação internacional", começando por volta de meados do século XIX. Esse tipo de negócio era sediado em um país de origem, e seu funcionamento no exterior consistia principalmente na importação de matérias-primas e na exportação e venda de produtos acabados.

Tempos depois, após a Primeira Guerra Mundial, impulsionada por uma série de fatores, incluindo a depressão econômica e a ascensão do protecionismo, surgiu "A corporação multinacional", expandindo-se para além de seu país de origem, construindo subsidiárias em países pelo mundo. Essas subsidiárias locais tendiam a ter controle sobre vendas, fabricação e outras funções comerciais, enquanto a empresa-mãe continuava a executar tarefas como P&D e gestão de produtos. Este é o modelo que a maioria de nós ainda consegue acompanhar e ver, principalmente em um país como o Brasil, mas este, não é mais o modelo corporativo do futuro.

Nos últimos vinte anos, uma combinação de fatores começou a remodelar as multinacionais em algo novo. A emergente "empresa globalmente conectada" que opera de forma cada vez mais integrada através das fronteiras, localizando suas operações onde fizer mais sentido em termos de talento, recursos e custo.

O que tornou isso possível?
Grandes melhorias nas tecnologias de comunicação e informação, bem como a elevação dos padrões em TI e operações, tornaram muito mais viável o compartilhamento de serviços empresariais, independentemente de onde sejam prestados. Durante esse mesmo período, observamos uma redução significativa nas barreiras ao comércio e aos investimentos entre os países. Diante dessas forças - tecnológicas e econômicas, todas as empresas começaram a repensar suas operações, com processos e práticas diferentes de país para país, com departamentos diferentes executando o mesmo conjunto de tarefas em cada país onde operam.

A tendência para as empresas
Empresas globalmente conectadas e otimizadas ganharam força nos últimos dez anos, especialmente nos últimos cinco. Primeiro, pelo sucesso da internet comercial em meados da década de 1990, que acelerou a capacidade de uma empresa integrar seus processos de negócios, informações e força de trabalho em todo o mundo. Em seguida, assistimos ao aumento de operações terceirizadas, primeiro na manufatura e, mais recentemente, na prestação de serviços, tanto para empresas que podem executar essas operações melhor, devido às suas economias de escala e conhecimento, quanto para países que podem executá-las de forma mais econômica, devido aos seus menores custos de mão de obra. Por fim, o mercado intensamente competitivo em que praticamente todas as empresas operam atualmente, torna obrigatório que uma empresa preste mais atenção nos custos, qualidade e oportunidades de inovação e diferenciação.

Junto com as oportunidades surgem muitos desafios, e no artigo da Foreign Affairs, são identificados quatro principais: 
- Talento - ou seja, garantir um fornecimento de habilidades de alto valor;
- Propriedade intelectual - encontrar o equilíbrio certo entre os direitos dos inventores de se beneficiarem de seu trabalho e, ao mesmo tempo, permitir a colaboração entre empresas e seus parceiros, fornecedores e clientes;
- Cultura organizacional - em particular, buscar novas formas de parceria e colaboração entre várias empresas, instituições sociais e comunidades; e
- Confiança - que é muito importante, dados os modelos de negócios cada vez mais distribuídos. 

Acho esses quarto desafio intrigantes, em especial, a confiança, pois ela continua surgindo como um dos atributos mais importantes para o sucesso individual, comunitário e empresarial no mundo globalizado, virtualizado e em rede do século XXI.   

Por exemplo, no kickoff de vendas da empresa onde trabalho, um dos principais temas debatidos foi a crescente importância da confiança nos relacionamentos comerciais: "A ideia de 'capital de reputação' - um tipo de confiança acumulada, um padrão de responsabilidade que permite que redes diversas, e muitas vezes virtuais, de pessoas, estabeleçam parcerias entre si com confiança. Um exemplo disso são os marketplaces, como o Mercado Livre e seu sistema de classificação administrado pela comunidade.

Da mesma forma, ao decidir se deve trabalhar com uma comunidade de código aberto como as formadas em torno do Linux , Apache e computação em grade, nada é mais importante do que a qualidade da comunidade — não apenas a qualidade da tecnologia que ela produz, mas a marca e a reputação que a comunidade e seus membros e líderes estabelecem por meio de suas ações e comportamentos. 
Para que uma empresa tenha sucesso em um mundo globalmente integrado, que lida com diversos tipos de pessoas e governos, confiança e integridade são muito importantes.
"Os padrões de governança, transparência, privacidade, segurança e qualidade de uma empresa precisam ser mantidos mesmo quando seus produtos e operações são gerenciados por uma dúzia de organizações em outros tantos países". Em outras palavras: independentemente de quão distribuídos sejam os processos e operações de uma empresa, ela deve ser responsável por seus produtos, serviços e ações, o que exige maior transparência e vigilância do que no mundo mais verticalmente integrado do passado.

"A dependência de hierarquias contidas em uma função, empresa ou nação deve ser complementada por novas maneiras de estabelecer confiança, baseadas em valores compartilhados que cruzam fronteiras e organizações formais".

Falando em valores compartilhados, "Confiança e responsabilidade em todos os relacionamentos" é um dos valores fundamentais de uma organização. Mas é muito mais fácil falar do que fazer. Uma empresa global e seus líderes enfrentam constantemente a necessidade de decidir entre as prioridades conflitantes de seus diversos stakeholders, como funcionários, clientes, governos, parceiros de negócios, acionistas, universidades e outros. Esses públicos estão agora literalmente espalhados pelo mundo e, frequentemente, vivem sob diferentes condições e sistemas de valores, aos quais é preciso prestar atenção na tomada de decisões. 
De fato, uma relação — entre empresas e governo — exigirá pensamento inovador e novos níveis de confiança e responsabilidade. Isso vai além da necessidade de transações comerciais tranquilas no dia a dia. Empresas e governo devem, em conjunto, enfrentar alguns dos problemas mais complexos que todos enfrentamos, desde a saúde e a educação até a segurança das rotas comerciais mundiais e a proteção do meio ambiente, problemas complexos demais para serem resolvidos apenas por empresas ou governos.

No fim das contas, precisamos reconhecer que estamos todos juntos nessa — o que significa que precisamos coevoluir e coinovar. Não apenas as corporações estão mudando e se tornando globalmente conectadas, mas também o governo, os mercados e a cultura. Isso é uma grande esperança para o pensamento progressista e novas soluções. Concordo quando se afirma: "A mudança... para empresas globalmente conectadas oferece uma oportunidade de impulsionar tanto o crescimento empresarial quanto o progresso social." 

13/03/2006

Perspectivas Globais de Inovação

Na reunião anual de kickoff de metas de vendas, foram comentadas algumas análises sobre as tendências em tecnologia e negócios que devem moldar nossas estratégias. No ano passado, notamos que, à medida que o foco em inovação começou a tomar forma, percebemos que nossa estratégia precisava mudar. Cada vez mais, a inovação estava na intersecção entre tecnologia, negócios e sociedade, então era preciso adotar uma nova abordagem para discernir as tendências nessas três dimensões, em vez de apenas analisá-las individualmente.   

Assim nasceu o Global Projects Innovation, reunindo um pacote de soluções que pudessem atender empresas de todos os portes, do meio acadêmico, do governo, de grupos de interesse público, da comunidade de capital de risco e de outros grupos-chave para focar em uma estratégia coletiva, analisando e seguindo as principais tendências, insights e oportunidades. Para direcionar as discussões, escolhemos temas sociais e buscamos insights que se aplicassem às três áreas de foco e abrangessem diversas disciplinas e setores.

As áreas de foco foram: saúde, governo e seus cidadãos, e os negócios relacionados Internet Society. As perspectivas para as área foram excelentes. 

Em primeiro lugar, estava a necessidade de formas padronizadas de troca de informações dentro e entre organizações, o que foi visto como o equivalente a "falar a mesma língua". Padrões foram identificados como requisitos para desbloquear novas capacidades, e muitos citaram a falta de padrões como "um dos principais motivos para ineficiências sistêmicas, custos crescentes e incoerência e confusão generalizadas no setor".

Em seguida, apareceu a necessidade de colaborar de forma mais aberta entre os membros do ecossistema, incluindo partes não acostumadas a trabalhar umas com as outras por serem concorrentes ou por serem oriundas de diferentes disciplinas ou setores. 

A última grande área identificada foi a primazia do indivíduo como ponto focal para a inovação. "Enquanto grande parte da inovação no século passado surgiu da adoção da produção em massa, a inovação no século XXI será construída principalmente com base na infraestrutura do indivíduo".

Nossad descobertas foram divulgadas em um evento, na semana passada. As discussões se concentraram em três tópicos: o futuro das empresas, energia e meio ambiente, e transporte e mobilidade.

Encontramos alguns padrões gerais muito interessantes. E um em particular me chamou a atenção: O papel dos indivíduos na condução da inovação, e como esses indivíduos não estão agindo isoladamente. "Seu poder advém, em grande parte, de sua capacidade de acessar e, às vezes, transformar uma rede maior de pessoas e ideias." Isso é algo que descobri pessoalmente no último ano com o surgimento das redes sociais, possibilitadas pela internet e ferramentas e plataformas relacionadas, que estão possibilitando que as pessoas se conectem e trabalhem juntas de maneiras sem precedentes, dentro e fora das fronteiras de organizações e países. 

Os participantes do Kickoff de vendas observaram que, cada vez mais, o princípio organizador do trabalho não é mais a empresa, mas o esforço, e que em breve poderá ser o momento de redefinir o que queremos dizer com empresa, empregador e empregado, à medida que agregações mais flexíveis de colaboradores se formam e se dissolvem, oportunidade após oportunidade. Nas discussões do do Kickoff, as pessoas voltavam sempre à ideia de que, em um mundo tão colaborativo e conectado em redes sociais, o capital de reputação e a confiança são essenciais para o funcionamento adequado de empresas e comunidades, algo com que concordo plenamente. 

Um destaque do evento, foi um painel sobre os desafios e oportunidades das empresas do século XXI. Um dos principais tópicos de discussão foram os tipos de qualidades de liderança que prosperarão nos ambientes de trabalho virtuais e altamente distribuídos que já vemos nos negócios – ambientes que todos concordam que serão cada vez mais a norma à medida que nosso mundo se torna mais aberto, global e colaborativo, e as tecnologias, plataformas e ferramentas de comunicação subjacentes continuam a melhorar. Houve um consenso de que as organizações hierárquicas clássicas da Era Industrial simplesmente não funcionarão neste novo ambiente e que as universidades precisam ajustar seus currículos para preparar melhor os alunos para o mercado de trabalho do século XXI. Realmente fascinante foi a discussão sobre o mundo dos jogos online multijogador e as pistas que ele fornece sobre os tipos de habilidades e ferramentas de treinamento que serão necessárias em ambientes de trabalho virtuais dinâmicos, bem como os tipos de abordagens que estão funcionando em comunidades abertas e auto-organizadas, como aquelas que se reúnem em torno do desenvolvimento de software de código aberto e da Wikipédia.

Vivemos em um mundo cada vez mais imprevisível e em rápida transformação – um mundo em que a previsão e o planejamento praticados no passado não funcionarão mais para empresas ou nações. Para entender o que pode estar acontecendo lá fora, é preciso coletar e analisar informações constantemente. Mas, ainda mais importante, é preciso interagir com as pessoas para que, a partir da sabedoria coletiva delas, você possa começar a discernir insights sobre o que pode estar acontecendo e o que fazer a respeito. É isso que torna as conversas e descobertas desses Kickoffs tão atraentes.      

28/02/2006

Redes Sociais e Marketing


Há poucos dias, tive acesso ao material dos painéis de discussão do Wharton Technology Conference, realizado por alunos da Wharton School of Business da University of Pennsylvania, e um dos painéis que me chamou a atenção foi sobre Redes Sociais e soluções de software social para empresas.

A Internet se tornou uma plataforma muito eficaz para aplicativos colaborativos, que permitem que as pessoas se organizem em comunidades on-line de todos os tipos e, como resultado, as redes sociais surgem como uma grande força do marketing social. Blogs, wikis e diferentes tipos de software social estão ajudando um grande número de pessoas a se conectar, colaborar e se encontrar on-line. As redes sociais são uma parte importante do que muitos chamam de segunda fase da World Wide Web ou Web 2.0 ou Web colaborativa. 

Nos últimos meses, me envolvi mais em atividades de redes sociais, motivado por meus interesses na evolução da Internet, inovação colaborativa e, em particular, minha adoção por escrever blogs em 2005. Participei de eventos de redes sociais, painéis da indústria te conectividade e telecom e mesas de discussão de blogs. O que estou aprendendo é que há um crescente poder nas comunidades em várias áreas, como software de código aberto, melhorando a qualidade de patentes, contribuindo com conhecimento para a Web e o uso de discussões mundiais habilitadas pela Internet para ajudar a tomar decisões sobre assuntos importantes. Há algo muito atraente sobre a noção de empoderar comunidades e explorar suas possibilidades.

Na conferência de Wharton, houve um foco para aplicativos e softwares sociais para negócios. Inicialmente, foi discutido dois tipos principais de aplicativos de rede social – aqueles implementados dentro de organizações e seus vários parceiros de negócios para melhorar o conhecimento e a produtividade; e aqueles implementados entre empresas e consumidores e destinados a melhor apoiá-los, aprender com eles e, estabelecer relacionamentos mais próximos entre a empresa e seus clientes. Na primeira categoria, temos grandes empresas como IBM e Microsoft, desenvolvendo uma variedade de plataformas e ferramentas colaborativas projetadas para ajudar as pessoas a interagir e trabalhar de forma mais eficaz umas com as outras. O software social é uma área muito ativa para inovação, dada a importância e as oportunidades de melhorar a produtividade das organizações nos negócios e na sociedade.    

Igualmente inovadores são os esforços em torno do uso de redes sociais para marketing de consumidores. Usar a Internet para marketing não é nenhuma novidade, mas o que é novo é a natureza participativa do marketing. Enquanto no passado os consumidores eram passivos, agora eles são muito ativos, comunicando-se não apenas com a empresa, mas entre si, discutindo, avaliando, elogiando e, muitas vezes, criticando os produtos e serviços de uma empresa. Todo negócio precisa entender como alavancar essas novas oportunidades de marketing para estabelecer um relacionamento mais próximo entre suas marcas e as pessoas que as usam. No mínimo, a empresa precisa monitorar o que as pessoas lá fora estão dizendo umas às outras sobre os seus produtos, para que possam identificar problemas e corrigi-los rapidamente antes que se transformem em crise. Muitas novas ideias e novos empreendimentos estão surgindo para atender a este contexto. 

As interações com o público, são um dos mais importantes tipos de esforços de marketing de redes sociais e se aplicam a pequenas, médias e grandes empresas, incluindo o ramo musical, onde as bandas agora estão se conectando diretamente com seus fãs. Provavelmente haverá uma grande variedade de segmentos de mercado e empresas abordando as maneiras diferentes como as pessoas respondem a diferentes tipos de produtos e serviços ao redor do mundo e em diferentes estágios da vida. 

O empoderamento das comunidades, empresas e outras instituições podem estar "perdendo o controle" tanto de sua marca quanto de sua força de trabalho e há preocupações das empresas sobre o potencial impacto negativo de blogs escritos por clientes descontentes: "No mundo da Internet, você não é dono de sua marca. Seus clientes e usuários são donos dela. Você tem sorte se puder pastoreá-la. Essa perda de controle é muito assustadora." É por isso que é tão importante para uma empresa e seus funcionários estarem inseridas — incluindo a blogosfera e outras novas formas de interação social — aprendendo ativamente a melhor forma de lidar com essas forças. É uma das principais razões pelas quais as empresas devem incentivar seus funcionários a participar de blogs, wikis, jams e outros esforços comunitários, tanto dentro da empresa quanto no mercado.

Por fim, a conferência ainda refletiu sobre o quê leva as pessoas a se unirem em comunidades online sem serem pagas para isso. Este é um assunto que recebeu a atenção de vários acadêmicos, e será investigado extensivamente no futuro. Acredito que, no final das contas, a resposta é muito simples: "Somos, animais sociais. Precisamos fazer parte de comunidades, contribuir para elas e nos beneficiar delas. O desejo de colaborar pode muito bem ser um dos mais poderosos e primitivos impulsos humanos".

31/01/2006

A convergência digital

A Feira de Utilidades Domesticas, acontecia anualmente em São Paulo e tratava principalmente sobre produtos de consumo, focados para o lar, e embora eu esteja pessoalmente muito interessado na área, não é uma em que eu tenha me envolvido muito profissionalmente.     
Porém, ao ler o jornal de domingo, alguns artigos me chamam a atenção, pois que algo esta mudando. Os "gadgets" cresceram, e invadiram o mercado. Eles não apenas se tornaram digitais e adicionaram mais e mais recursos, mas agora são baseados em tecnologias de computação que, há poucos anos, seriam encontradas apenas em PCs de ponta. Mas a maior mudança que chamou minha atenção foi o foco em conectividade, integração e padrões abertos - todas as áreas que geralmente associo a sistemas de TI, não a produtos de consumo. 

Muitos artigos ficam em consumidores querem mais opções sobre o conteúdo que assistem e ouvem e quando e onde assistem e ouvem. Nós nos acostumamos rapidamente com a flexibilidade e a liberdade na World Wide Web que queremos transferir para o mundo do conteúdo digital. Como um dos artigos apontou: "A família de classe média, agora possui cerca de 25 produtos eletrônicos de consumo - televisores, aparelhos de som e coisas de alta tecnologia de todos os tipos imagináveis", e mais a frente no mesmo artigo "[O] campo de batalha para coisas como quem faz a maior TV de tela plana com a imagem de mais alta definição estava, é claro, em plena força nos anúncios. Mas esse é apenas um dos dois campos de batalha. O outro - chame de ubiquidade de marca - é sobre quem controla a interação entre o consumidor e aquele gadget e, cada vez mais, todos os gadgets da casa vão se tornando interconectados. 
Depois, há o papel emergente da Internet para mídia digital de todos os tipos. Outro artigo diz que, as empresas, falando sobre sua visão do futuro, apresentaram suas várias versões de "convergência digital -- a mudança épica do entretenimento eletrônico, informação e comunicações para a Internet". O artigo concluiu que "A excitação nos próximos anos não será em perguntar se a convergência digital vai acontecer, mas em prever qual dessas muitas novas ideias e qual das empresas sairá vitoriosa".

A convergência digital pode ser vista de diferentes pontos de vista. A padronização de componentes e interfaces de tecnologia, abre enormes oportunidades para inovação na aplicação das tecnologias para novos produtos e serviços. Em nenhum lugar isso é mais aparente do que na inovação na indústria de TI, nos últimos dez anos, pela mudança de componentes e infraestruturas padronizadas, especialmente a Internet, junto com a disponibilidade de tecnologias cada vez mais poderosas e acessíveis. Tudo indo para a "convergência". Estou muito animado com as oportunidades de inovação no mundo dos negócios , pois padrões de software como SOA e componentes de negócios padronizados, nos ajudam a integrar e transformar melhor empresas e indústrias.

Não tenho dúvidas de que a convergência está chegando ao entretenimento digital e aos eletrônicos de consumo. Os produtos eletrônicos de consumo estão sendo construídos usando componentes de hardware comuns da indústria de computadores, por exemplo, microprocessadores, memória, armazenamento e assim por diante, e a maioria de suas capacidades agora está sendo projetada como software. O impulso em direção a padrões abertos para conectar todos os componentes em casa é paralelo ao que vem acontecendo em TI nos últimos 10 a 15 anos, e sem dúvida a Internet de banda larga está emergindo como a principal plataforma de comunicações e distribuição de conteúdo em casa.
Esta é uma grande oportunidade de negócio para aqueles que trabalham com TI. O número de usuários e dispositivos que nossos servidores terão que suportar está aumentando exponencialmente; os requisitos de armazenamento e gerenciamento de informações para trabalhar com conteúdo digital como IPTV são enormes. O gerenciamento de sistemas é mais importante do que nunca para garantir que todos esses dispositivos e serviços digitais do consumidor estejam funcionando perfeitamente o tempo todo, e para que o suporte técnico possa ser entregue eletronicamente pela rede. E a segurança e a privacidade precisam ser adequadamente projetadas e implementadas para fornecer proteção para o conteúdo, sem impor complexidades aos consumidores desse conteúdo.

Minha expectativa é que usar a Internet como uma plataforma aberta e baseada em padrões para fornecer entretenimento digital a uma infinidade de dispositivos digitais, desencadeará uma torrente de inovação, com todos os tipos de conteúdo sendo oferecidos às pessoas em uma variedade de modelos de negócios. No mercado, haverá uma explosão de segmentos e oportunidades, à medida que diferentes empresas competem para vender seus produtos e serviços às pessoas, como aconteceu na World Wide Web com o e-business . Algumas empresas serão muito grandes, alcançando um grande número de consumidores. Mas muitas serão muito pequenas, fornecendo ofertas "de nicho" para públicos altamente segmentados e limitados. No final, as pessoas decidirão como distribuir seu tempo e dinheiro entre todas essas empresas que competem por sua atenção. Será fascinante ver como tudo isso se desenvolverá.

13/12/2005

Propriedade Intelectual e Capital de Inovação

Um dos assuntos mais falados neste ano - em que tive oportunidade de participar, foi a rápida mudança que está ocorrendo na tecnologia e nos negócios, e como essas mudanças se relacionam com o foco na inovação. É algo histórico: grandes mudanças em tecnologia e negócios são acompanhadas por grandes mudanças na sociedade, incluindo na educação, no trabalho e nas políticas governamentais. Embora menos tangíveis e mais difíceis de quantificar, essas mudanças sociais exigem um alto grau de gerenciamento e cuidado, quanto as mudanças que estão em fase de implementação, como estamos atravessando neste exato momento.

Propriedade intelectual (PI) é uma dessas áreas que está passando por rápidas mudanças e requer atenção, especialmente em nossa sociedade cada vez mais baseada em conhecimento. A Wikipédia define PI como: "É um produto da mente ou do intelecto, e que os direitos de PI podem ser protegidos por lei da mesma forma que qualquer outra forma de propriedade." Em seu relatório de 2004, a National Innovation Initiative pede a criação de um regime de PI do século XXI como uma de suas principais recomendações e chama a propriedade intelectual de "uma pedra angular da economia da inovação."

Como devemos pensar em PI no século XXI?

Em um artigo da Newsweek sobre "The Knowledge Revolution", o presidente e CEO da IBM, Sam Palmisano, observa que: "Cada vez mais a inovação funciona não apenas como propriedade intelectual (o trabalho de indivíduos), mas como o capital intelectual (um poço profundo de conhecimento criado colaborativamente)."

Olhar para a PI como capital a ser investido e colocado para trabalhar em benefício de muitos, em vez de somente como propriedade que beneficia apenas um, é o tipo de grande mudança de paradigma que abre a mente para novas possibilidades. Como sabemos, uma ideia ou invenção pode ter muitos benefícios potenciais além daqueles originalmente imaginados por seu criador. Em uma economia global cada vez mais colaborativa e interconectada, há um interesse social convincente e crescente em trazer nova propriedade intelectual para o mercado e maximizar a quantidade e a qualidade geral da inovação.

Além disso, vale lembrar que a propriedade intelectual é diferente da propriedade de bens físicos. Ao contrário de bens físicos, a PI não está sujeita a limitações de fornecimento. Meu uso de uma ideia, invenção ou conteúdo não diminui a capacidade de outra pessoa de fazer uso dele também. Tais distinções entre PI e outras formas de propriedade são a base para os principais fundamentos políticos das leis de PI, ou seja, que os inventores recebem um conjunto limitado de direitos exclusivos sobre suas invenções com o propósito de promover a inovação.

Então o que acontece se, em um esforço para obter lucros, alguns proprietários de PI realmente reduzem ou bloqueiam a inovação? E se eles a amarram em litígio, sem uma justificativa comercial apropriada, tornando a inovação muito difícil e cara. Em particular, o que acontece se os proprietários da PI não forem as empresas e/ou indivíduos que criaram a PI, mas foram criados simplesmente com o único propósito de comprar PI, exigindo licenças pesadas de empresas e amarrando essas empresas em litígio se elas não concordarem? Todos têm o direito de lucrar com suas invenções, mas tais lucros devem ser realizados por meio do funcionamento adequado do mercado em proporção à contribuição inovadora da ideia.

As empresas geralmente são "fairs" umas com as outras ao negociar licenças de PI, pois, caso contrário, suas próprias marcas e reputações serão prejudicadas e elas podem perder clientes no mercado. No entanto, como as empresas somente de PI não têm produtos, serviços ou clientes próprios, elas não têm tais verificações e equilíbrios e, portanto, podem se sentir livres para tentar extrair altas taxas de licença de outras empresas. Corremos o risco de criar uma situação assimétrica em que um lado tem pouco a perder ao criar impedimentos à inovação.

Ao considerar a PI como capital, você começa a pensar em diferentes maneiras de colocar a PI para funcionar, não apenas para seu próprio benefício, mas para os da sociedade como um todo. Isso leva a diferentes tipos de ações. Por exemplo, assim como as empresas apoiaram a pesquisa aberta e relacionamentos abertos com as universidades que conduzem a maior parte dessas pesquisas, elas agora estão cada vez mais apoiando a inovação colaborativa com comunidades abertas, incluindo promessas de patentes, por causa dos benefícios que obtemos desse trabalho. No início de 2005, houve uma liberação de patente por parte da IBM, que concedeu mais de 500 patentes de software para indivíduos e grupos trabalhando em software de código aberto como o Linux. Mais recentemente, ela também concedeu acesso completo ao seu portfólio de patentes para o desenvolvimento de padrões de software aberto para saúde e educação. Outro grande passo foi um novo programa de licenciamento para promover a inovação colaborativa com capitalistas de risco e empresas startups, dando a eles acesso às patentes da IBM, simplificados e permitindo que as startups façam parcerias com a comunidade técnica da IBM para acesso ao conhecimento por trás das patentes. O IBM Ventures in Collaboration Program é um catalisador para acelerar os esforços inovadores de empresas jovens e levar suas ideias ao mercado mais rapidamente.

Estas são primeiras ações que estão sendo tomadas para um diálogo mais amplo sobre este tópico importante. É importante que empresas e nações adotem práticas de PI apropriadas para a inovação no século XXI. Por um lado, precisamos ter os programas certos para universidades, laboratórios de pesquisa e comunidades abertas onde muitas novas ideias se originam. Por outro lado, precisamos dos programas certos para garantir que as empresas levem essas ideias ao mercado rapidamente e a custos razoáveis, especialmente pequenas empresas e startups de onde vêm a maioria dos novos empregos. Equilibrar todas as alternativas no espectro de PI aberta e colaborativa, é em si uma das principais áreas que requer nossa atenção coletiva, sabedoria e... inovação.

07/11/2005

Energia - o problema mais importante

Em 2002, quando ainda estava cursando a faculdade, tive acesso ao conteúdo de uma palestra de Richard Smalley, professor na Rice University, onde ele mencionou que a energia era a questão mais importante que todos iremos enfrentar no século XXI. Como vivo no Brasil e aqui sempre ouvi dizer que somos auto suficientes em energia, fiquei intrigado em ver essa preocupação, em um país como os Estados Unidos e isso me inspirou a aprender mais sobre questões de energia e suas possíveis soluções. Então, consegui informações sobre o relatório do comitê das Academias Nacionais dos EUA, intitulado "Elevando-se acima da tempestade que se aproxima: energizando e empregando a América para um futuro econômico mais brilhante".

Esse relatório pedia um esforço federal em torno de dois desafios principais: criar novos empregos para todos os americanos no século XXI; e fornecer energia limpa, acessível e confiável. Achei muito interessante, que uma das ações sugeridas era: "Criar no Departamento de Energia (DOE) uma organização como a Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa (DARPA) chamada Agência de Projetos de Pesquisa Avançada-Energia (ARPA-E)." Ele disse ainda: "A nova agência apoiaria pesquisas energéticas criativas, transformacionais e genéricas que a indústria por si só não pode ou não apoiará e nas quais o risco pode ser alto, mas o sucesso proporcionaria benefícios dramáticos para a nação."

Agora em 2005, já com meu curso universitário finalizado, há um ano, eu retomo algumas anotações que fiz naquela época e eu queria escrever algo sobre questões energéticas, e fui buscar novamente, mais informações e enquanto eu estava fazendo minha pesquisa, soube que o professor Richard Smalley tinha falecido aos 62 anos. Ele recebeu muitas honras, incluindo o Prêmio Nobel de química, em 1996 pela descoberta dos "buckyballs", uma nova forma de carbono com muitas aplicações potenciais em áreas como biotecnologia, eletrônica e materiais. Esta descoberta é frequentemente citada como um dos primeiros e mais influentes desenvolvimentos em nanotecnologia. Ele um forte defensor do desenvolvimento da nanotecnologia como um meio de resolver o problema energético mundial, chegando a declarar seus pontos em uma linguagem muito clara e simples. Ele disse que quando perguntava às pessoas sobre os dez principais problemas que teremos que enfrentar no século XXI, a lista normalmente era: energia, água, comida, meio ambiente, pobreza, terrorismo e guerra, doença, educação, democracia e população. A energia não estava apenas no topo da lista, mas é uma chave para abordar todos os outros problemas. Por exemplo, enquanto bilhões de pessoas no planeta vivem sem acesso a água limpa para beber e para a agricultura, estamos cercados por água em nossos oceanos. Podemos resolver a escassez de água com energia, o que nos permitiria dessalinizar a água do mar e bombeá-la por grandes distâncias.

A energia também desempenha o papel dominante na determinação da qualidade do nosso meio ambiente. É também um fator-chave na qualidade de vida das pessoas ao redor do mundo, diretamente ligada à prevenção de doenças, educação e praticamente todos os itens acima e abaixo da lista. E ele disse: "A energia é o fator mais importante que impacta a prosperidade de qualquer sociedade. A energia é o problema mais importante que a humanidade enfrenta hoje".

Depois de ler e ampliar um pouco mais meus horizontes sobre matriz energética, concordo totalmente que a energia é o problema mais difícil e importante que todos enfrentamos hoje e que precisamos aproveitar a oportunidade para atacar esse problema com um senso de missão crítica, com programas intensivos de energia alternativa e conservação para tornar essa lista: energia, água, comida, meio ambiente, pobreza, terrorismo e guerra, doença, educação, democracia e população, algo factível de se alcançar.

Um dos últimos projetos de pesquisa do professor Richard Smalley focou em "Armchair Quantum Wires" feitos de buckyballs que poderiam conduzir eletricidade 10 vezes melhor que o cobre com um sexto do peso, sendo tão forte quanto aço.
Ele falou sobre esse trabalho em um discurso, para o Distinguished Alumni Award do Hope College. Esse discurso foi escrito no Anderson Cancer Center, nos arredores de Houston. Fiquei comovido com o discurso, pois ele explica de onde veio seu senso de missão crítica e como ele reconciliou seu trabalho como cientista com sua fé na religião de uma forma particular, clara e bonita, que eu acho que se aplica a todos, independentemente de suas crenças religiosas, espirituais ou pessoais e eu concluo este post com um parágrafo deste discurso.

"Gostaria de salientar que o Armchair Quantum Wire é um "Projeto de Pesquisa Baseado na Fé". Ele é baseado na fé de que quando Deus criou o universo, ele conectou às leis da física e da química em um caminho de clareza e eficiência. Se for assim, então tudo o que tenho a fazer é encontrar o caminho que Deus colocou lá no começo. Com o vasto conhecimento que reunimos ao longo dos anos de física e química, e os novos instrumentos sensacionais que estão agora disponíveis, devemos ser capazes de encontrar esse caminho bem rápido."

Além da Guerra de Preços: O Oceano Azul na Conectividade Brasileira

Introdução Lançado em 2005 por W. Chan Kim e Renée Mauborgne, A Estratégia do Oceano Azul revolucionou o pensamento estratégico...